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domingo, 26 de junho de 2016

DB Dominical

Tá difícil, viu?

Esse semestre o DB virou DB Dominical! Ô costume feio meu de postar o DB só no Domingo! Mas a mequetrefice tá tamanha que mereceu o título de hoje!

Com a devida licença e atendendo à uma necessidade pessoal, eu também vou reservar um trechinho do DB para meditar no fato de que essa semana acaba o 8° período! Portanto, caros leitores, meditem nisso: VAI ACABAR ESSA VIDA INGRATA DE ACADÊMICA!!! Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuul!!!!!!!!!!! É FÉRIAS, É INTERNATO, É NUNCA MAIS AULA CHATA TEÓRICA, É TETRA, É TETRA, É TETRA!!!!!!!

Aiiiiin, a atuação dessa semana promete! *.*

Controlados um pouco os ânimos, falemos agora da atuação na Nefro!

A Nefro é massa! Foi o último lugar em que eu e Pry atuamos! Foi memoráveeeel! Caramba, quanto carinho vem à mente quando lembro daquela atuação! E me vem à mente também que eu tenho sido muito mequetrefe com minha ex-MCM... Pouxa, faz um tempão que não converso direitinho com Pry... :'(

Voltando mais uma vez: a nefro foi massa! Encontramos pessoas fortes demais, pouxa! Saí com um sentimento de admiração enorme! A hemodiálise: caramba! Dona (esqueci o nome dela, o que me marcou foram suas unhas pintadas e não seu nome... hehe), por exemplo, frequenta aquela sala há mais de 10 anos! Brincamos bastante com ela, fizemos questão de a encher de elogios, ela tava bunita pra dedéu!

A atuação foi recheada de milho... A desculpa de procurar milho acabou se tornando a nossa cartada para sair de fininho quando não éramos muito bem recebidas, o que aconteceu poucas vezes pra falar a verdade.

Dessa atuação, gostei do Seu Manoel, da sua filha, do marido de olhos azuis, de ter brincado com a equipe (destaque para Gut-Gut, para a dançarina do Aviões do Forró e para a enfermeira focada)... Pouxa, tô tentando me lembrar do rosto do paciente do primeiro quarto! Foi tão legal encontra-lo! ^^ Neurônios malditos que me deixam na mão (maldito cortisol que comeu minha memória)!

Não dá para deixar de falar da trela dagnt! Quando já estávamos indo embora, abrindo o quarto da enfermagem para trocar de roupa, fomos no impulso encontrar uma paciente que estava dormindo antes e que havia despertado... Esquecemos a chave na porta! Jisuis, Maria, José... Quando voltamos a chave não estava mais lá! kkkkkkkkkkk Laasssscou! O jeito foi voltar no posto de enfermagem e confessar os pecados! O mais engraçado foi que Melo não se aguentou: foi logo atropelando as palavras “fui eu”, “fui eu”, “fui eu”... Foi mmmmuito engraçado! Graças a Papai do Céu, a chave tinha sido levada pra lá msm! Ufaaaaa!


É isso! Vou voltar ao clima de desapego aqui: amanhã última prova do período! Uhuuuuuuuuul!

domingo, 19 de junho de 2016

É ONCOOOOOO!

Caramba, essa foi, se não a melhor, uma das mais incríveis atuações do semestre! E olha que eu estava bem borocoxô antes de subir a máscara! Sem falar do imprevisto da terça-feira, no COB, onde deveríamos ter atuado a princípio... O danado do COB estava às moscas, fechadinho, porque o berçário estava lotado de minino! Nunca fui muito fã de atuar no COB, mas deu medinho de a semana passar batida, ainda bem que nos colocaram na Onco! Foi muito massa!

A equipe foi muito receptiva! Jogou que só com agnt! ^^ Acho que dessa vez eu estava mais atenta ao olhar, ao encontro... Já na nossa primeira estação, a moça dos florais nos deu uma carga extra de energia ao dizer que estava bastante triste antes de nós chegarmos, e que aquele encontro tinha melhorado o dia. Aiiiiinnn, é tão bom ter consciência do impacto do projeto!

Transformamos a Onco em um salão de beleza, manicure e pedicure garantidos pela equipe! hehe Paqueramos, fomos paqueradas, mas abandonadas no fim! :'( Achamos uma caixa do tesouro, com jóias, brincos, colares... Tentamos dar um jeito de escapulir com alguns acessórios, mas a senhorinha-cabueta fez questão de alertar a equipe! Ruuummm E ela tinha prometido nos acobertar... kkkkkkkk Encontramos dançarinas de forró, mas saímos sem saber dançar! >< Umas das senhoras com a qual interagimos era muito peculiar! hehe Que gênio forte! Ela vez ou outra nos desafiava, nos contradizia... Mas ela estava de corpo total no jogo!

Um dos auges da atuação foram as maçãs... Uma das coisas que me marcaram bastante durante a Oficina e que fui captando também do setor foi a noção de que o ser humano é dual, é rico, tem muito potencial para o bem, mas também é marcado pelo troncho, pelo errado. Talvez a beleza e o caráter genuíno da natureza humana estejam justamente em nos percebermos falhos: ninguém é perfeito, infalível, totalmente “mocinho”. Eis que ao recebermos as maçãs (e durante a atuação como um todo, mas ficou mais claro no episódio das maçãs), eu optei por ser a pentelha, a desconfiada, a palhaça-cutucadora... hehe Melhoral é linda! *.* Ela tem um coração imenso e um potencial muito grande para mostrar o melhor lado do ser humano, o lado que todos nós almejamos... Eu deixei a cargo dela ser a palhaça-doce! E dei vazão ao lado pirralho, ao lado treloso, ao lado pentelho em mim... kkkkk Mas não abandonando o foco: o encontro! Ao passo que Melhoral aceitou a maçã, eu me neguei a comer a fruta, bati o pé e disse que estava envenenada. Quando estávamos na recepção, que mais parece um palco que outra coisa, foi incrível: estava me fazendo de difícil, me negando a comer a maçã, foi massa enxergar a surpresa de Melhoral e dos acompanhantes quando eu fui lá roubei a maçã de Melhoral e saí correndo para dentro da Onco... Foi nossa deixa! Nossa cartada final, antes de sairmos do setor!

Outro momento que me marcou foi nossa tentativa de encontrar um senhorzinho! O encontro foi rápido, não se aproveitaou todo o potencial da troca de olhares... O fato é que da última vez em que estávamos na Onco, esse senhorzinho havia jogado muuuuuito conosco! Havia brincado que só! ^^ Mas desta vez, estava bem debilitado, bem mais abatido, fraco... Não enxerguei uma recusa em seus olhos, mas sim falta de energia, pouca disposição, certa tristeza pela sua condição. Tocou-me bastante a comparação entre o “ele da última atuação” e o “ele desta atuação”. Fez-me refletir sobre o quão somos frágeis e o quão vale a pena cuidar do outro! Acho que foi uma dose de realidade num período da faculdade em que tenho lidado pouco com doenças mais pesadas...


Quero mais de me colocar nessa posição de desconforto, posição de abaixar as armas, sacar os olhos, mostrar o verdadeiro de nós, estar vulnerável a tanto receber amor como patadas, porque vale mais a pena não estar atrás de máscaras! 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Em conjunto

Dessa vez, vou apelar para uma versão resumida do DB! Quase um Abstract da vida... hehe Motivo: regime de contingência, porque a faculdade tá sugando meus minutos!

Nossa última aventura foi no Alojamento Conjunto! Muuuitos bebês e a tentativa hercúlea de não repetir jogos com diferentes mães, mas confesso que rolaram cartadas viciadas... >< Bronzeamento artificiaaal foi uma delas. hihi A atuação, no geral, foi muito boa. Creio que ainda não achamos nosso jeitinho ideal de funcionar em três, em conjunto, mas estamos caminhando para isso! \o/ Fiquei bastante pensativa na saída: uma sensação de querer ter me entregado mais, de ter buscado mais o encontro e ter me preocupado menos com a harmonia do trio. Será que eu tô negligenciando meu olhar? Eu costumava me sentir tão mais tocada e tocante...


Enfim... A escala da próxima semana já saiu! Obaaaa! Que venha o COB! É sempre um desafio para mim o COB... Mas isso eu explico no próximo DB! =D

domingo, 29 de maio de 2016

Tempo para tudo

Eita, que pisamos demais na bola nessa atuação! Mas é assim... Pisa na bola, cai no chão, levanta, segue, bola pra frente, se prepara para o próximo pisão!
No fim das contas, foi um exercício de humildade enorme... Perceber que estávamos realmente extrapolando, pelo menos pra mim, exigiu baixar um tantão meu ego!
Tô fazendo suspense... rsrs Talvez nem tenha sido lá tão grave, mas mexeu cmg sim! A atuação teve muito mais do que o incidente: rolou encontros super legais, conseguimos prosseguir no setor, brincamossss siiim! Mas como o que me marcou dessa vez foram os erros, vou me deter a eles... Não com uma perspectiva negativa, espero! Dedicar esse DB às mancadas não quer dizer que atuação não foi proveitosa, não quer dizer que foi infrutífera... Só quer dizer que, assim como na vida, há tempo para tudo! Para inclusive refletir sobre os erros...
A primeira mancada creio ter sido adentrar a Brinquedoteca! O PERTO e a Brinquedoteca são projetos lindos, paralelos, mas que tem o objetivo comum de fazer o dia daquelas crianças diferente! O diálogo entre eles, na minha opinião, é muito legal e deve sim ser estimulado! Mas não pude deixar de me sentir intrusa... Até pq demoramos um tiquin lá dentro! Acho que podíamos ter encurtado mais um pouco nossa visita e respeitar a dinâmica do que rola lá dentro.
A segunda mancada foi revelada em forma de bronca! Levamos uma bronca danada de um dos funcionários... Esquecemos de nos atentar pra os pacientes que podiam ou não fazer esforço! Aí o funcionário veio e deu o maior sermão! Não precisava daquilo tudo, mas realmente agnt vacilou... E isso acabou atrapalhando o resto da atuação, pq fiquei cheia de dedo depois... Tinha muito médico/estudante/enfermeiro! Parecia que tava rolando um simpósio de Pediatria ali no sexto! Normalmente, eu teria tentado jogar com a equipe, mas depois da bronca, senti como se eles estivessem nos espionando.... Uuuui... Checando nossas ações!
E fiquei com o pensamento fixo: e se uma das crianças tivesse passado mal por não termos controlado o jogo? A energia baixou que só!
Depois disso, não consegui interagir direito com minhas MCMs, porque fiquei bitolada em prestar atenção nas crianças! Altas vezes joguei sozinha, não comprei o jogo delas... Tava quase num "automático"... Tinha perdido a noção do ambiente, do conjunto! Como se minha visão periférica tivesse ido pro beleléu...
Ainda assim, como falei, conseguimos seguir no setor! Conseguimos jogar, mas às custas de um esforço danado pra não deixar a energia cair...
Acho que é isso! Agnt aprende melhor com os erros!
1 Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu: 2 tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, 3 tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir, 4 tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar, 5 tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las, tempo de abraçar e tempo de se conter, 6 tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de lançar fora, 7 tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar, 8 tempo de amar e tempo de odiar, tempo de lutar e tempo de viver em paz.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Cadê Carlinhos?

Essa semana Melo não pode se juntar a nós! ;'( Tava dodói! Fomos só eu e Tali...

Quando pegamos a chave e fizemos aquelas perguntinhas chave "tem alguém em isolamento?", "algum quarto em que o clima esteja pesado?" a enfermeira logo nos alertou do mau humor de seu José! Confesso que fiquei com receio de adentrar seus aposentos... Aiiiin! Patadas sofreremos, mas bora lá!

O quarto dele não foi o primeiro... Minha memória péssima está me deixando na mão! Lembro de um senhor barbudo, o "Véio", como era chamado por suas acompanhantes, companheiras de quarto... hehe Uma delas, era a moça do botão, segundo Tali! Era só ela nos ver que começava a rir! Era como se estivéssemos a apertar seu botão de sorrisos! Ele nos recebeu super bem, o "Véio", mas não me recordo de nada que tenha me marcado...

O que me marcou msm nessa atuação foi conseguir interagir com seu José! Caramba! Foi massa! Apesar de não conseguir encontrar seus olhos - ele estava com eles tão cerrados que não sei se estavam fechados ou não - e de não ter havido grandes risadas/gargalhadas, ele entrou sim no jogo! Espero que aquele tempinho que estivemos ali tenha ajudado de alguma forma. Ele nos ensinou a fazer um macarrão à portuguesa! Na verdade, nosso jogo ali foi à portuguesa... hihi Corrigiu o nosso sotaque o danado! Nos introduziu ao vocabulário dos Porrrtugueses de Porrrtugale... Opa, rapariga é coisa boa! >< Foi muito boom!

Teve também o professor Raimuuuundo... O salário ó: é desse tamanhinho! kkkkkk E o rapaz que não queria nos dar um de seus vários celulares! Ave, uns com tanto e eu e Tali com tão  pouco... rsrs

O outro auge da atuação foi meio ambíguo pra mim! Já perto de partirmos, entramos num quarto, no qual estava a senhora galega... Já na soleira da porta, seu rosto mostrava sinais de emoção! Foi só encontrar seus olhos que vi as lágrimas começarem a se formar nela e senti meus olhos se encherem também! É amargo e doce sentir o que o outro sente... Me mostra que é real meu envolvimento ali! Entramos e a abraçamos! Meu desejo era que o abraço fosse a última coisa a ficar daquele encontro... Mas nos estendemos um pouco mais e fomos afinal presenteadas com algumas risadas! A ambiguidade foi o não querer estender o jogo, não querer criar jogo naquele momento pós-abraço... Foi estranho! Mas fomos felizes em brincar mais um pouco com ela! Foi bom!

A última coisa que queria deixar registrado é: não conheci o famoso Carlinhos do décimo! Ele havia recebido alta nessa mesma semana... E uma das falas mais recorrentes durante a atuação foi justamente a partida de Carlinhos! Pouxaaaaan! rsrs

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Novos e frios ares

Primeiríssima vez do trio Melhoral-Carambita-PernaTorta finalmente! Minha primeiríssima vez também na Onco! Foi massa essa atuação!

Medo é uma constante... Já está sem graça ressaltar o quanto eu fico nervosa antes de cada atuação! hehe E havia uma agravante para o meu amigo frio-na-barriga estar mais danado: o ambiente era diferente dos quais eu já havia me deparado. Assemelha-se a um COB da vida por conta da disposição circular, mas ainda assim não é a mesma coisa. Me senti um tiquin apertada... O lugar para nos preparamos era apertadin, tinha gente (acompanhantes, pacientes e equipe) pra dedéu e não havia tanta privacidade... rsrs Parecia um BigBrother, enquanto jogávamos com um paciente, o resto daquele mundão de gente tava de olho, plateia.

A aventura em tríade foi massa! Senti meu ritmo um pouco diferente dos das minhas MCMs, mas creio que, à medida que formos nos conhecendo mais, iremos nos adaptar ao funcionar de cada uma! ^^ Como tinha gente pra caramba, fiquei meio retraída em alguns momentos! Eu queria por demais roubar um lençol pra brincar com frio que tava fazendo, mas achei por bem não ir adiante.

Das coisas mais legais que experimentamos naquele pedacinho de polo norte: roubar o chapéu do senhorzinho gaiato, prescrição de banho de álcool para matar percevejo, os comentários sobre nossos lindíssimos narizes, PernaTorta adotada e o troca-troca de lugar, a pisa de prontuário que levamos da enfermeira legalll, o causo do motorista do paciente e ter encontrado a família dele na recepção, a acusação de sermos mentirosas... O auge, no entanto, foi ir até a salinha de espera... Estilo picadeiro! O povo todo sentadinho e nós aparecendo no “palco” diante deles... Fiquei meio perdida, confesso, eram muitos olhinhos e não sabia por quem começar a encontrar! Mas para nos matar de afago, uma senhorinha sentada lá trás nos recebeu com tanta alegria que foi dela nossas atenções iniciais! Que abraço gostoso!

Nossa saída foi um tanto conturbada... hehe Enquanto estávamos nos trocando, fomos interrompidas um mói de vezes. Mas a experiência foi boa porque pude notar que há matéria e lugar para encontro/jogo mesmo quando a máscara já está no pescoço... É uma questão de ser/estar... De responder à situação... De extrapolar um pouquinho da Ziza para a Isis e brincar mesmo na pele do dia-a-dia! O segredo não está na máscara!


Aiiiin, é muito bom! Quero mais! Inté já! ;*

domingo, 1 de maio de 2016

Back to the future

Tenho de confessar, estou a escrever o meu primeiro DB pós-molho no Domingo, a atuação tendo sido na terça! O quão mequetrefe eu sou? Um tantão assim ó: \__________o___________/ Mas minha fuleirice não tira a alegria de estar fazendo este registro! Poooowww, I am back in business! uhuuuuul

Eu estava bastaaante nelvosa com meu retorno ao setor! Três meses parada, não sabia o quanto enferrujada estava, não sabia se realmente rola isso de enferrujar... Tranquilizei-me um pouquinho com a ideia de estar subindo no barco com mais duas MCMs! Num trio, se eu tivesse alguma dificuldade com o ritmo, haveria mais uma companheira para compensar a minha lerdeza! >< Mas num é que Tali não pode ir dessa vez... Pronto, eramos eu e Melo: eu tinha que me esforçar, dar o meu melhor!

O primeiro quarto foi legalll, o filho e o pai apesar de um pouco acanhados se permitiram brincar siiim! O danado não sabia cantar Asa Branca!!! Foi massa dar aquela puxada no fôlego e cantar com toda a vontade um trechinho desse hino nordestino ao matuto fajuto! hehe Saímos com a promessa de um pagamento bem gordo pela foto que tiramos! No segundo quarto, que sorte a nossa de encontrar o cantor pé de serra! Coincidência? Destino? Tan-dan... O.o

Sobre os muitíssimos mais encontros que tivemos, vêm-me apenas alguns flashes (a mequetrefice já foi explicada): arranjar um mói de briga com uns tricolores e alvirrubros, Sporrrrrrrte, Sporrrrrrrte! Kkkkkkkkk A noiva loira do Tchan é linda deixa ela entrar, é linda! Sheila MELOOOO! hahahahahaha O que é, o que é? Gaviões, pombas, contas, meus neurônios soltando fumaça!
Um momento massa foi encontrar com a filha de uma paciente que não se mostrou muito aberta a brincar conosco. Tentamos achar os olhos daquela senhora, mas ela preferiu ficar quietinha e respeitamos isso. Contudo, a filha dela estava sedenta de encontro! E não deu outra, depois de alguns risos, vieram lágrimas e abraços! E em mim bateu aquela certeza de que 3 meses foi tempo demais longe disso tudo!

Momento PEEEEEN: eu chamei um moçoilo de uns vinte anos de “SENHOR”!  ¬¬  Ave, que bola fora a minha!

Acho que amadureci o suficiente (só um pouquinho... hehe) pra perceber que as mancadas, as patadas, os momentos PEEEEEN fazem parte dessa jornada! Ter ganho esse tipo de “humildade” foi só um dos grandes presentes que Ziza me dá! Saio renovada das atuações, ciente da potencialidade do ser humano, consciente da grandeza de cada pessoinha... A frase da nossa camisa linda é muito oportuna pra expressar o que senti após essa atuação de volta: “todo bem que eu puder fazer que eu o faça agora, não o adie ou esqueça, pois não passarei duas vezes pelo mesmo caminho!”
Depois dessa parada no tempo, me sinto voltando pro meu futuro!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Três é demaisss!

Pediatriaaa! \o/

O alvo é o encontro! Ter sempre em mente isso... Acho que peco em deixar a euforia da Pediatria me tirar o foco. Entrei com tanta energia! O que eu queria era brincarrr! Mas brincar não é o fim, pode ser o meio; o objetivo último é o encontro!

Adendo: Dios Mio, como sou Mequetrefiii! Quando estávamos a pedir a chave, Muri fez algumas perguntinhas por demais adequadas - havia algum quarto em que não pudéssemos entrar? Alguma situação delicada? E eu me dei conta que em nenhuma, nenhumazinha atuação durante o semestre eu ou Pri havíamos lembrado de fazer tais perguntinhasss! Diooosss, que mancada! ><

Voltando...

Não me lembro de nenhum momento muito “quen” na minha última passagem pela pediatria. Caramba, pra ser sincera, foi na pediatria um dos momentos mais lindos que vivenciei nessa empreitada: encho-me de acalento ao recordar Kleberson! Mas nesta segunda aventura, já o primeiro encontro foi marcado por um golpe na energia... Era energia muita, três... Creio que um pouco difícil de administrar; foi contrastante: aquela energia toda transbordando e nosso alvo espantado... Discrepância que se traduziu em choro! É de se entender, talvez fosse necessário mais cautela. De qualquer forma, momentos assim me fazem colocar na berlinda minhas habilidades: tô fazendo certo? Não há nada depois do erro, moça! Conseguimos reverter o choro, esboços de sorriso foram alcançados, mas preferimos não insistir muito.

E veio nossa companheira! Laurinha - tímida, calada... Mas era de se desconfiar que ali havia muita trela escondida; todos, funcionários e acompanhantes, estranhavam o comportamento da pequena! Adentramos o quarto dela e foi lá que ela se soltou. Uma pena eu não ter testemunhado o desabrochar; estávamos eu e Boca-larga empenhados em Caio. Foi Máximus o culpado de ter libertado a ferinha... E de fundo ouvíamos as risadas gaiatas de Laura. A chave para Caio foi automobilística. Apesar de não demonstrar estar totalmente à vontade, fomos presenteados com algumas risadas ao brincar com o carrinho.

Ruan, codinome Pablo, foi nosso escudeiro também, permanecendo conosco boa parte da atuação. Esconde-esconde, cabo-de-guerra, trem, corre pra lá, corre pra cá. Fitness feelings em Pediatria, como era de se esperar. Aaaah, só para deixar bem claro: Laurinha não é sem-vergonha não viu!? Ela é muitxo louka, eu sou muitxo louka, Boca-larga e Máximus são muitxo loukos... haha Nomes de comida, uma visitinha a um marmanjo na Pediatria, coxinhaaa!

Um dos momentos mais legais foi o jogo do walkie-talkie! Espiões em todos os lugares... E quando o carinha da segurança chegou foi o auge! hehe Querendo levar Boca-larga sob custódia. Pra Tamarineira, é claro! Outra jogada massa rolou com os funcionários da EBSERH; estavam pois os danados descarregando alguma coisa, havia um caixote enorme em trâmite. Foi hilário ver a carinha de Laura ao fugir para não ser levada embora no caixote!


Três é demaisss, no melhor dos sentidos; o que, porém, não me isenta de ter mais cautela na logística de tantas brabuletas! Valeeeeu, Boca-larga e Máximus! Eu quero é mais!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Uma boa golada

O nervoso de ter passado algumas semanas sem pisar no setor? Presente. Será que eu já esqueci como? Dá para se esquecer?
O medo de atuar com um novo MCM? Presente.
A saudade de Josefina Avoada? Presente. Principalmente no pré-atuação, na subida do elevador, no quartinho, no momento de jogar conversa fora, de contar algo bom da semana, de subir a energia... Saudade regada de um sentimento de querer-bem imenso!
 
E se foi bom? Foi demaisss!!! *.*
Foi diferente, um diferente gostoso!
 
As coisas fluíram... Subir a energia, ainda que eu estivesse irrequieta por dentro com toda a ansiedade de atuar depois de algumas semanas parada, foi tranquilo! Um tranquilo não de cômodo, confortável... Tranquilo de sentir-se segura! Não precisei assumir o papel de passar segurança, de ser forte! Não identifico o porquê, mas percebi em mim uma postura de “proteger”, de querer passar confiança para minha querida Avoada... E gostava disso! Senti falta disso... Cadê Josefina para eu cuidar? Por outro lado, senti-me mais leve nessa nova experiência... Dividi o cuidar! Que massa descobrir o funcionar de Orangino! Sem igual enxergar as lindezas do atuar de um novo companheiro...
 
Confesso minha mequetrefice, estou a escrever esse relato quase uma semana depois do acontecido! >< Não me recordo todos os encontros, todos os detalhes... Mas hei de escrever o que ficou na cachola, que, oras, pode representar o que de fato merece ser registrado, por ter passado pelo filtro da pessimíssima memória que tenho.
 
Ai como é baum encontrar um olhar e ver, quase que em câmera lenta, o espanto se desintegrar em um sorriso! É o sorriso da acompanhante de olhos verdes o primeiro que me vem à mente... Resultado do jogo da hipnose! Máximus, tu se garantiu com essa cartada!
 
PB-PE... Acho que me gusta brincar com os seres de jalecos brancos. Tem um gostinho desafiador. E por mais que a maioria dos funcionários, estudantes, residentes, médicos se mantenham em sua postura séria, eu não me furto a tentativa de brincar! A vítima: um intruso, proveniente de PB, denunciado pelo próprio jaleco... Foi só um relance de encontro, mas passou pelo crivo da semana.
 
Lembro-me de um dos quartos ter sido muito feliz! As coisas estão misturadas: será que foi o quarto dos irmãos, da mãe que não queria adotar Orangino e me deixou com a peça pra criar? Será que foi o quarto da paciente que queria por demais me fazer pular da janela? Neste quarto com certeza estava a senhorinha que prometeu orar por mim! Um encontro que culminou em abraço!
 
Lembro-me da busca pelo Japonês, irmão de Orangino! Lembro-me da brincadeira do juízo: muito juízo faz maaaaaaalll! ;P Lembro-me da dona pequena! hehe Segundo ela, os melhores perfumes estão nos menores frascos! Essa era gaiataaa! Caramba, admito que, por alguns momentos, eu apenas ria e ria...  E ela adorou abusar com o porte físico de Orangino! Eu ri muuuuito!
 
Minha mequetrefice me limita: esgotaram-se minhas lembranças. Mas certeza é que eu houve muito mais! Foi um gole generoso de encontros no meio dessas férias! Quero mais!

sábado, 5 de dezembro de 2015

Aranha e despedida

Quando você vai a Boa Viagem, você toma banho de praia? 
Cuidado com o tuba!

O primeiro, o primeiríssimo jogo já foi um espetáculo! O doutô adevogado, engenheiro, professor de matemática nos colocou no chinelo... haha Charadas e mais charadas... Ziza besta só acertou uma e foi enrolada umas troçentas vezes! Josefina foi mais esperta, que orgulho da minha MCM. Recebemos uma bateria de energia com esse primeiro encontro, que nos manteve alertas durante toda a nossa aventura pela Nefro!

O pato subiu num morro de uma Ziza de altura (1,50m)
Se na metade da descida, à que altura ele colocou o ovo?

O atrevido da Nefro chegou justamente na hora que o doutô-adevogado-engenheiro-professor foi tirar uma foto, um tal de raio-x... E já chegou pedindo beijo! Aaaaaah, só se acertar a charada! O retorno do atrevido da Nefro aconteceu já perto do fim da nossa atuação, em uma luta de cabo de guerra de um corredor de comprimento. Eu a disputada, Josefina e o atrevido os disputadores. Foi massa!

Bate sala, vai no mato
Com as pernas na cintura,
Pega o laço, amarra o pássaro
E qualquer criatura

À base da famosa dieta de jerimum, a modelo deitada - nós debruçadas na cabeceira da cama - pôs-se a reclamar dessa coisa de ser modelo. Alertou-nos do Dr. Hamster, chato que só a gota. Confessou-nos das escapulidas na dieta! Contou-nos que seu filho não podia entrar no hospital para visitá-la... Mais é claro! Minino treloso é de alto risco para a integridade dos pacientes! E a própria confirmou o nível de periculosidade do pestinha... hehehe No mesmo quarto, tentamos roubar o lacinho e colocamos a culpa nas estrelas!

O que é verde por fora e branco por dentro?

No corredor, fomos informadas de uma máquina milagrosa! Que tira e bota; bota e tira; tira e bota; bota e tira... Mas que no fim das contas deixa a pessoa magra! Ahaaaa! Sem necessidade de dietas jerimunícas! Nossa informante disse que não precisávamos desse artifício! Observadora que só, ela reparou no toco que eu havia levado alguns minutos antes... Totalmente esnobada pelo doutor altão! hehe Ela se compadeceu de mim e disse para eu continuar tentando que não seria rejeitada novamente! =P

O que nasce grande e morre pequeno?

Quem djiabos nos autoriza a entrar?! hahaha Buscando o nosso passe para a hemodiálise, encontramos com o galego riso frouxo...  Não entendíamos nada do que ele estava dizendo, mas ele continuava se rindo todo... E nós acabamos caindo junto nas gargalhadas! Mais um quarto: Migueeeel, dorminhoco! Um doce de menino! Déo, cadê Déo?! Dééééééééééo?! E o galego volta para nos avisar que não conseguiu a autorização!

Última charada: Quem é e sempre será minha primeiríssima MCM? Primeiros amores não são esquecidos!

Josefina, muito obrigada por essas seis maravilhosas jornadas que tivemos! Fomos de cumes a vales, erramos e acertamos, encontramos e desencontramos (onco 11⁰ versus onco 3⁰), rimos e choramos juntas! Foi ao lado de Josefina que eu enfrentei o vazio pela primeira vez, ficou marcado, está registrado... Toda vez que me vier à barriga o frio do vazio, da pré-atuação, me virá também à mente nossas conversas de quartinho, a música para subir a energia, as cartadas certeiras, os nossos encontros!


Respostas: Não se toma banho de praia e sim de mar! Pato não bota ovo. Aranhaaaaaaaaaa! Coco. Lápis. JOSEFINA AVOADA! <3

domingo, 29 de novembro de 2015

A quinta-feira

Máscara que menos esconde e mais revela! Já me deparei com pessoas/pacientes tão graves quanto... Talvez piores! Mas transvestida de estudante de medicina, na insegurança de aplicar técnicas/conhecimentos, em grupo, como mais uma intrusa, não senti o que senti na quinta-feira. Por outro lado, carregava o receio de talvez estar acostumada a situações assim, de estar insensível a ambientes que me são tão familiares...

Foi amargo! Porém, se por um ângulo eu me vi fraca, impotente, pequena, sem saber o que fazer; por outro me percebi sensível à dor do outro, percebi-me viva.

A experiência no primeiro quarto foi boa, houve jogo, houve riso consequente ao encontro; o segundo quarto trouxe encontro, abraço, agradecimento ao pé do ouvido. Mas esses dois momentos foram ofuscados pelo corredor, pela mãe em prantos, por uma filha de apenas 22 anos em sofrimento. Chorei, choramos em plena atuação. Tivemos que nos afastar. A verdade eram as lágrimas: a máscara revelou, não escondeu!


Senti! Não acho palavras adequadas... Não conseguimos continuar com a atuação. Quis ter sido mais forte, quis ter sido melhor MCM, mas sou grata por não estar insensível, por ter sido sincera e por ter visto sinceridade na minha companheira.

domingo, 22 de novembro de 2015

Punkdiatria

Você recebe do jogo o que você dá ao jogo! Arriscar-se... É parte! Aparentemete tínhamos definido nosso ritual de subir a energia: fechar os olhos, iniciar a contagem e explodir o olhar. Havíamos repetido o esquema em todas as atuações até então. Mas o tá-faltando-alguma-coisa me aperreava o juízo. Lembrei dos conselhos de Filipe no nosso primeiro dia! E porque não tentar? Fui com essa ideia na cabeça para a atuação. Sugerir algo novo à Josefina... Tive medo de deixá-la desconfortável em sair do habitual, do já definido, e justo no dia da Pediatria. Mas, ora bolas, minha MCM merece o melhor, meu maior investimento, e eu sentia que seria bom para nós aquela mudança, voltar ao desconforto! Espero que tenha sido bom, de fato... hehe Pra mim, foi!

Dessa vez, nos encontramos antes dos 100%... Nossos olhares se acharam antes do máximo de energia. E a vontade era de alimentar Josefina e ser nutrida pelo brilho dela também! Ao som da que considero nossa música, eu senti uma conexão que não tinha rolado das vezes anteriores. E foi incrível! Com direito a tropeço inclusive, porque a empolgação foi tamanha que cantamos alto demais! >< E no fim eu subi a máscara com muuuuito mais energia!

Josefina, essa é para você! ;*

Now with passion in our eyes
There's no way we could disguise it
(…)
So we take each other's hand
'Cause we seem to understand
The urgeeeeeency

I've had the time of my life
No I never felt this way before
Yes I swear it's the truth
And I owe it all to you

*Eu tenho que decorar a parte do carinha, para nossa performance! haha *-*

E assim que saímos do quarto, nos deparamos com nossas primeiras vítimas (ou as vítimas fomos nós?! Tan-dan...) rsrs Pedro e Janelinha estavam no corredor. Tímidos de início, acabaram se soltando quando Josefina sugeriu brincarmos de esconde-esconde. Foi massa! Éramos só nós quatro. E quando foi a minha vez de contar, pude praticar o princípio de estar sempre alerta. Eu sozinha no corredor, não estando sob o olhar de ninguém, mantive-me no jogo enquanto contava até 10... Foi muuuuito legal quando eu escutei, de repente, a gargalhada de uma das mães em me ver contando!

Sair do jogo inicial foi difícil, sugerir explorar o corredor, entrar em outros quartos... Mas demos nosso jeito. Tive dificuldade também na “logística” dos encontros. Quando começava a criar caminho para jogar com os quietinhos, os danados vinham e me puxavam, e o momento se perdia.

Uma das lindezas da tarde foi ver Josefina interagindo com um bebezinho. Foi liiiiindo demais! Ver emanando do olhar dela o encontro. Ela foi a maestra do jogo... E conduziu tudo com um talento tremendo... Eu me deixei guiar e era extraordinário ver ele sorrir conosco.

Depois, veio Caio, que se juntou a Pedro e Janelinha como os nossos marujos inseparáveis. Foram tantos jogos que não conseguiria descrever todos eles. Interagiram também as funcionárias da limpeza, as enfermeiras... Mas um dos melhores momentos com certeza foi o jogo do Zumbi. Tínhamos alcançado o final do corredor; um quarto vazio foi identificado como o cômodo amaldiçoado. Nas pontas dos pés, adentramos o lugar... Eu entreabri a porta do banheiro, coloquei a mão na fenda e... Awwwww! Um zumbi me mordeu, e, seguindo a lei natural das coisas, eu me tornei um zumbi. Percorrer de volta o corredor quase dançando o funk do morto muito louco, fazendo dos meninos novos zumbis, foi do caramba. O antídoto? Beijos de Josefina! <3

Pediatria é hardcore! É corpo vivo constante! Não lembro de tijoladas... Foi só feedback positivo e bote feedback nisso! O jogo caiu por esgotamento físico. Estava cansada a ponto de não ter mais pano para jogo, raciocínio prejudicado já. E pra ir embora? Peeeense numa dificuldade! hehehe Tentamos a estratégia do trem: teoricamente os passageiros desceriam nas suas respectivas estações e nós partiríamos para o nosso destino final. Deu certo? É claro que non! O jeito foi entrar no quarto e esperar que eles comprassem a ideia de que seríamos teletransportadas... Ficamos presas no quarto por uma meia hora e quando o corredor parecia quieto, pudemos sair!

Acho que estou esquecendo de muita coisa que rolou, foi intenso! Mas o presente do dia, vou descrever agora... O auge da atuação para mim foi também o momento em que falhei com Josefina! Esse presente veio, portanto, com um pitada de amargo. Estávamos eu e Josefina na porta, espiando o quarto, esperando a deixa para entrarmos. Kleberson estava para poucos amigos. À primeira negativa, recuamos um pouco e foi nessa hora que suspeito ter ocorrido a captura de Josefina por nossos marujos grudentos... Eu permaneci na porta e percebi no olhar da mãe de Kleberson o sinal para eu insistir. Entrei então no quarto e me esqueci de Josefina lá fora com os meninos. Abandonei minha MCM e joguei sozinha. Aventurei-me sozinha... Foi arriscado, eu acho. Foi imprudente, porque minha MCM talvez estivesse precisando de mim lá fora. Mas foi uma das melhores experiências que tive até agora no projeto. Assim que entrei, ameacei soltar as primeiras palavras. Foi quando a mãe de Kleberson disse que ele não escutava. Caramba. Peguei-me tendo que usar só o meu corpo, minhas expressões, meu olhar, não por opção. Não sei libras. Kleberson estava com dores em um dos ombros, escondia o olhar, a dor incomodava. Minhas primeiras tentativas de interagir não abriram porta alguma. Quando vi, no entanto, o tablet ao seu lado, um garoto de doze primaveras apenas, identifiquei um possível caminho. Pedi pra usar o tablet, queria jogar videogame. E ele abriu um sorriso franzino e balançou a cabeça negativamente. Eu pedia, só um pouquinho, vaaaaaai?! E o sorriso ia ganhando mais forma. Ele escondeu o tablet por debaixo do travesseiro. Espertinho! haha Tentei pegar o tablet pela outra ponta... Mas ele se manteve esperto! E continuava a achar graça em me proibir as coisas. E eu mostrava minha indignação, é claro... Já que não pode o tablet, deixa eu ver o celular então? E ele, mais uma vez “não”! E o jogo continuou, ele me negando shampoo, comida, toalhas... Quando ameacei mexer na cama, a mãe de Kleberson entrou na brincadeira tbm. Ela apertava os botões de um lado e eu do outro, mas a culpa era sempre de Ziza... haha A irmã e o pai chegaram para a visita: perguntei se podia dar um abraço na irmã dele, e o ciumento disse “não”... haha Conversa de gestos e olhares! Impagável! Nesse momento, o pai lhe indicou os fonemas a serem ditos e ele pronunciou de fato um “não pode” e eu fiquei besta de alegria! O jogo foi fluindo... O ombro lhe incomodava. A mãe lhe fazia massagem. Lhe indiquei que tbm estava com dor e precisava de massagem. E me surpreendi quando ele me veio com um “mentirosa!” bem alto, que se acompanhou de um riso de satisfação com o meu susto! Não sei ao certo quanto tempo fiquei ali, mas a noção de que Josefina estava lá fora com as ferinhas, fez-me iniciar a despedida. Ele me lançou um olhar sereno, parecia feliz apesar da dor. Ao sair do quarto, tive medo! Medo que aparece após viver uma coisa muito boa, medo dessa coisa não se repetir. Estava espantada... Que experiência incrível!

“Quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana não encontra quem a detenha. Se lhe negam a boca, ela fala pelas mãos, ou pelos OLHOS, ou pelos poros, ou por onde for. Porque todos, todos, temos algo a dizer aos outros (...)”.


*P.S. Para não esquecer: festa de 5 anos do PERTO! Liberdade, Tatá, Bruuu, quartinho, dizer mil coisas pelo olhar, MoraLonge, Bang Bang, lua, encontro. Gratidão!

sábado, 14 de novembro de 2015

Décimo primeiro

Antes de atuar, não me contive em cutucar as lembranças que tenho do décimo primeiro. Aquele corredor amplo, iluminado, bem ventilado, que adentrei pela primeira vez quando no quarto período do curso, parecia o mesmo. Quem não é a mesma sou eu. Àquela época, o receio e insegurança dos primeiros contatos com o paciente me dominavam.

Essa semana, tive o privilégio de pela segunda vez escutar a história de Leniee, a lindona coordenadora do programa MAIS! E novamente rolou alto nível de identificação com a fala dela: a peleja contra a timidez, o descobrimento da arte/do lúdico como essencial ao ser humano. A verdade é que foi ela a culpada de incutir em mim o desejo de me juntar à família PERTO. “Alunos de Medicina que passam por projeto de palhaçoterapia antes dos primeiros contatos com o paciente apresentam uma postura totalmente diferente dos demais.” Há dois anos, eu cobicei esse diferente e não consigo mensurar a gratidão por agora estar provando e me lambuzando dele.

O corredor era o mesmo, quem não é a mesma sou eu!

Décimo primeiro foi um presente lindo! Atrevo-me a dizer o melhor até agora.

Subir a energia foi de boas! A enfermeira nos deu a chave prontamente, e nos preparamos sem interrupções! O primeiro encontro sempre é o mais “se joga no vazio” de todos. E nessa atuação particularmente nos deparamos de cara com uma situação diferente, um paciente provavelmente psiquiátrico, com o qual tentamos, mas não conseguimos interagir. Foi com as acompanhantes que o encontro acabou fluindo...

O segundo quarto elevou a energia a um outro patamar! haha General Jayme e os companheiros Rinaldo e Cícero foram demaisss! Segundo ele, nós, danadas, é quem estávamos nos divertindo com o jogo. Existem coisas que o dinheiro não compra, para todas as outras existe Mastercard, ou melhor VISA, ops, ZIZA... haha Ouvimos os primeiros "obrigados" da tarde, e, admito, foi muito bom! Foi bom saber que estávamos melhorando de alguma forma aquele ambiente. Os "obrigados" foram nosso encontromômetro!

No quarto seguinte, estavam Maria José, digo, Deinhaaaaaaaaa, e seu Joel dormindo, preferimos continuar a desbravar e voltar mais tarde, e o maior presente de todos foi, sem dúvida, ter voltado e conhecido essas duas pessoas lindas! Mas, antes disso, um grupo de acompanhantes foi nosso alvo... Jogo sem muitas palavras, mais encontro, menos fumaça, mais fogo, corpo vivo! Wesleeey, de provavelmente uns 12 anos, não resistia a uma boa olhada nos olhos e já ia se rindo todo. Laís me ensinou a paquerar com um movimento sensualíssimo de sobrancelhas. Fui chamada de maléééducada pela mãe de Wesleeey, vê se pode? haha Só porque ela pediu a tal da licença pra ir falar com a enfermeira e eu não quis dar, a licença num era minha oras? hehehe Foi muito engraçado!

Uma olhadinha para trás e lá estava Deinhaaaaaaaaa de pé na porta do quarto! Era nossa chance... E que pessoa linda e receptiva foi Deinhaaaaaaaa. Brincamos, ali mesmo na porta, de adivinhar o nome dela. Por sinal, ainda estou inconformada de não ter recebido meu prêmio, eu acertei o Maria! hihi Demos sinal de que queríamos entrar, mas ela foi logo explicando que seu Joel talvez não interagisse muito, pois ele estava bem fraquinho... Bateu medo, mas fomos com medo mesmo. O olhar de seu Joel era vago, contemplativo, não consegui capturá-lo. Também percebi que jogar com corpo não seria de muita valia, já que o campo de visão de seu Joel parecia restrito. O instrumento que nos restava era a palavra. Fui beeeeeeeim mequetrefe logo de início: "tudo bom, Seu Joel?". Um "tudo bom?" ?!?!?! Ave que decepção, Ziza! ¬¬ Seu Joel respondeu que não estava tudo bem, que ele tinha bastante cede... Sua voz era baixa e nos exigia um pouco mais de atenção para entender. Diante da resposta, mudamos o rumo da conversa para brincar com o troço que lhe apertava o dedo... Arranjamos dois pegadores de roupa e nos juntamos a ele na condição de dedos-apertados! hihi Eu pedi pra segurar a mão dele... Escutamos sobre carpina, sobre Tracunhaém, sobre os engana-bestas, sobre Carlinhos Carinhoso! E eu me senti tão bem de estar ali, segurando a mão dele, escutando seus causos, que me surpreendi com as cartadas que me surgiam. Cada cartada, pow! E eu transbordava quando via que essas cartadas lhe arrancavam risos... Eu e Josefina estávamos que estávamos ontem. A última cartada foi a candidatura de Josefina à prefeitura de Carpina. Saímos com votos garantidos! E melhor que isso, saímos com um "obrigado" tão sincero de Deinhaaaa que não pude me conter. Assim que estávamos no corredor, olhei bem fundo nos olhos de Josefina, e lhe dei um abraço: gratidão me preenchia e queria dividir com ela!

Encontramos ainda a cantora lindona de Porto de Galinhas... Desse quarto, saímos com a promessa de arranjarmos uns doutores gatxenhos! Ela ficou de fazer a propaganda de Ziza e Josefina. Mais uma vez mais "obrigados"... O encontromômetro estava explodindo. O quarto de Leo e Dona Help me surpreendeu: fui relembrada de mais um instrumento, o ouvir! Dona Socorro falava e falava! E creio que era disso que ela estava precisando, de quem lhe escutasse. Sopa de jerimum, purê de jerimum, bolo de jerimum, caldo de jerimum, pavê de jerimum... Jerimuuuuuuuum nããããããão! haha

Nossa última parada foi abarrotada de afago, de carinho! Não o carinho de Carlinhos de Carpina... hahaha Afeto de verdade. Josefina foi ao salão e ganhou um penteado de uma das senhorinhas. Eu estava debruçada na cabeceira da outra hóspede do quarto. Eu segurava as mãos dela e lhe mexia as unhas. Mais "obrigados", e nos despedimos do nosso último porto!

E no trajeto de volta ao quartinho, encontramos um grupo de estudantes de Fisioterapia! Foi muito massaaaaa! Era só encontrar os olhos deles que os sorrisos-errados apareciam. Até dancei tangooo! A galeguinha do amor!!! Ela disse que queria muito participar do projeto e lhe dei um abraço como que querendo enchê-la de vontade! Ai que lindeza encontrar pessoas apaixonadas pelo PERTO! Quis roubá-la pra mim e a levar pra criar... haha Quis muuuito torna-la parte disso tudo! Quis mostra-la o diferente! Vi-me nela, naquele corredor amplo, iluminado, bem ventilado, quando adentrei pela primeira vez no quarto período do curso...


Obrigada!

sábado, 7 de novembro de 2015

O outro

A preparação para atuar foi cheia de percalços... Mudamos de sala duas vezes e tivemos que cruzar o corredor meio-prontas! =/ Fiquei preocupada em isso afetar de alguma forma o processo de subir a energia, mas não acho que tenha sido o caso. E fiquei feliz com isso.

Eu estava menos nervosa dessa vez, mais inspirada (culpa de um vídeo que tinha assistido). Esqueci-me que é o nervosismo que me veste a máscara-corpo. Não quero perder o nervoso, o frio na barriga! Cuidado, Ziza!

Foi nossa primeira vez desbravando um “corredor”. A cada quarto que entrávamos, muuuuitos babies! *-* E eu me pegava querendo o novo! Tentava muito não jogar os mesmos jogos que haviam dado certo no quarto anterior. Querendo a genuinidade de cada pessoa, de cada encontro diferente, mas a mequetrefice tomou conta de mim em alguns momentos.

Não sei se já escrevi em outros diários; se for o caso, vale dizer mais uma vez: o momento mais incrível pra mim ainda é o encontro inicial. Os instantes livres de palavras, nos quais pela mágica do olhar você vê nascerem, num rosto fechado, os primeiros sinais de abertura, o primeiro sorriso, o abaixar da guarda. Mas existem guardas tão bem levantadas que nos exigem mais. Até quando tentar? Quando se dar por vencida e abandonar a investida de vencer o exército que está apenas zelando pelos tesouros mais lindos? Estávamos interagindo com uma família, a nova mamãe, o novo papai e a sogra. A mãe e o pai foram fracos... hehe Sorrisos foram roubados facilmente. Mas a sogra estava firme, uma fortaleza a ser derrubada. Fomos alvo de umas duas gordas tijoladas... rsrs (um pequeno adendo: as tijoladas estão doendo menos... Creio ser um bom sinal!) Mas a sensação que tive é que ainda não a tinha encontrado. O olhar dela fugia, não parava no meu. Não podia deixar de tentar... Tenho pra mim essa teoria, sem fundamentação científica nenhuma, que fortificações não são construídas à toa; se foram levantadas, é porque há um passado de feridas. E quem mais precisa de cuidado não é justamente o ferido? Não podia deixar de tentar... Eu sentia aquela vontade muitxo loka de dizer que ela valia a pena, que ela era a pessoa mais querida desse mundo, que ela era única. Eu catei o olhar dela por alguns segundos, um esboço de sorriso troncho e eu me enchi de esperança! Mas foi passageiro e outra tijolada se seguiu... Eu percebi Josefina desconfortável e preferi jogar a toalha. Não queria ter desistido. Era preciso ter desistido?

Para não esquecer: tapa no bumbum; o registro de Allerrandro, Allerrandro, Ale- Ale- rrandro; Joooooelma again; o roubo do carrinho de limpeza; elevador mais uma vez; suuusto do caramba; pular da cama; a pistola contra os marmanjos de plantão.

Um momento marcante aconteceu com a acompanhante de uma recém-mamãe bastante grave. Ela estava bastante abalada. Não havia espaço para jogo. Só abraço, só acalento, só afago. Eu dei um abraço nela e não pude deixar de conter algumas lágrimas. Mais lindo ainda foi ver o abraço e as lágrimas de Josefina. Sente, Josefina! Deixa transbordar! Se é pra rir, ri! Se é pra chorar, chora! É lindo ver o potencial do ser humano em sentir a dor do OUTRO!

O OUTRO...

Já vinha matutando sobre... Mas ontem veio o que faltava para eu organizar meus pensamentos e chegar a uma conclusão. Ou não... hehe Conclusões, lições, desenlaces, desfechos, respostas: será realmente necessário alcançá-los? Palhaço pronto é palhaço morto. Pois bem... Este é um diário de bordo e, na qualidade de diário, o que é escrito diz respeito à visão de uma única persona: a que escreve. É natural esperar que as MINHAS impressões, crescimento, conquistas, o que foi especial aos MEUS olhos preponderem. Mas e o OUTRO? Não é sobre o OUTRO? O importante é o OUTRO! O ser humano é lindo, mas sua natureza se revela torta quando o leva a enxergar apenas a própria cicatriz umbilical. Queria ter um instrumento que captasse o efeito no OUTRO, não só em MIM.


E o que suscitou essa “viagem”: um abraço. Eu estava andando pelo corredor... Não lembro onde Josefina Avoada estava nesse momento. Acho que atrás de mim... >< O “motivo” vinha andando em nossa direção. Eu encontrei os olhos dela e provei daquela sensação gostosa do primeiro sorriso. A verdade, contudo, é que eu não estava 100%, a máscara-objeto estava me incomodando, eu estava afogada em meio à minha coriza. Não fiz muita coisa, só mantive o olhar. E ao chegar perto, nos abraçamos. “Você não sabe o quanto eu estava precisando desse abraço! Muito obrigada! Só você poderia ter me feito sorrir agora!” foi o que eu ouvi ao pé da orelha. Foi surpreendente saber que um momento longe do ideal na minha pele, foi a medida exata na pele dela! E o importante é o OUTRO!

sábado, 31 de outubro de 2015

À procura...

Eu estava cansada da noite anterior, mas minha jarra estava, sem dúvida, cheinha. O processo de elevar a energia, no entanto, pareceu abrupto, meio precoce, o número 10 foi alcançado muito prematuramente. Fiquei preocupada em não ter me colocado no jogo, em não estar naquele ser/estado de bolinhas interiores. Se bem que em todas as atuações até agora (a amostragem é de fato pequena, mas...) eu senti algo parecido: a prematuridade em subir a máscara.

Foi só eu me flagrar parte daquele enxame de MCMs que meu corpo se tornou alerta, ativo. Estávamos no terceiro andar e alguns lances de escada nos separavam do nosso alvo: vários iminentes encontros vistos lá de cima... A sensação massa de estender a mão, como se querendo agarrá-los, não as pessoas, mas os encontros que poderiam ser travados. Como se querendo transformá-los em matéria, torná-los palpáveis... Foi nesse trajeto escada a baixo, que me surpreendi comigo mesma: ofereci e Cambalhota aceitou. Não sei com que forças a carreguei nas costas pelo piso do segundo andar! Foi muuuito massa! Mas o que deveras me deixou contente foi ter conseguido frear minha energia no momento certo: descarreguei minha tripulação antes de enfrentar os degraus até o térreo.

Lindo beber da fonte de cada Pertonildo que estava ali, lindo experimentar da atuação deles. Atrevo-me a citar nomes, cometendo o pecado de não mencionar alguns companheiros, só porque sinto que se não o fizesse estaria traindo esse relato. Jason Mora-longe, Augustino Boca Larga e Zefina Falafina: babei em vê-los atuar.

Foram muitos os abraços, abraços de verdade. A versão papel&caneta do diário de bordo sabe das minhas limitações e conquistas no quesito abraçar. E não me furto a alegria de saber que estou me tornando um ser “abraçante”, que estou mais perto dos mestres de abraço que já invejei na minha vida! Ah, como seria bom saber que deixei em alguém aquele gostinho de quero-mais que eu sinto quando um desses mestres me abraça!

Um momento indescritível foi minha luta de gigantes! Um título um pouco inadequado, já que uma das partes (yo) não é nem um pouco avantajada “estaturalmente”... >< Chuto que meu oponente tinha de 1,80 pra lá... Mas não me intimidei. Meu olhar achou e parou no dele: era como se pudesse ouvir o tema de “The Good, The Bad and The Ugly”! Inflei o peito e dei um passo à frente... Ele fez o mesmo! Ele crescia à semelhança de um urso... Ficamos nos encarando, um de frente pro outro, centímetros de distância, caras e bocas de lutadores prestes a se digladiar. Eu tentava acompanhar... As pontas dos pés já não eram suficientes. Resisti o máximo que pude. Mas num rugido, ele me venceu! A melhor derrota de todooooooooos os tempooooooos! A comprada de jogo foi tamanha que por um instante, fiquei realmente com medo de ser engolida!

*Peço licença poética, mas foi imprescindível esse bom punhado de drama para retratar o que senti! Na vida real (que estranho escrever isso), tendo a ser boba, frágil... E pra mim foi do caramba me equiparar a um gigante daqueles!

O ruim é que não houve tempo para saborear aquela derrota... No instante em que a luta estava finda, meu inimigo partiu e eu já estava em outro jogo. Tudo acontecia muito rápido. Os encontros foram de modo geral curtos... Não conseguia investir mais tempo em cada pessoa, havia muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, o ambiente estava abarrotado! Em alguns momentos, abarrotado inclusive de nós: erramos em diversos momentos formando aglomerados de palhaços.

Vou descrever somente mais dois outros acontecidos dentre tanta coisa que rolou: Mogli grudado na minha perna e a situação que dá nome a este diário!

Mogli tinha cerca de 7 anos e seu nome de verdade me é desconhecido. Quando cheguei, ele já estava interagindo com mais dois outros companheiros. Entrei na partida e brinquei. A mãe de Mogli não parecia nem um pouco satisfeita, estava com pressa para ir embora. Ainda tentei jogar com ela, mas ela não deu muita abertura. Foi no abraço que eu julgava “de despedida”  que ele grudou, não queria largar minha perna de jeito nenhum... Jason Mora-longe ainda tentou me ajudar, mas suas tentativas não surtiram muito efeito... A minha energia abaixou em pensar que a mãe dele estava com pressa, e não consegui fazer da situação um jogo. Não consigo recordar o que fez ele soltar, mas lembro que, pelo menos, ele não saiu irritado, pelo contrário, estava até bem alegre. Relato de caso de síndrome da boneca!? Talvez...

À procura...


Deparar-me com Gentileza, com sua face neutra, apenas observando a atuação não foi muito confortável. Confesso que fugi dele umas duas vezes. Por mais apreço que eu tenha e mesmo com tudo que aprendemos na Oficina, minha cabeça teima em identificá-lo como o alguém que vai julgar, aprovar/desaprovar, apontar os erros... Eis que estava encurralada! Não dava para fugir mais! O receio de encontrá-lo se traduziu num jogo de “finjo que vou, mas não vou” que culminou num abraço incrível! DAS MELHORES COISAS DESSE PROJETO: quando o que eu sinto de verdade, mesmo que dúvida, receio, se transforma em encontro, em jogo; eu, na pele de Ziza, sou mais eu mesma do que nunca! E veio a pergunta: “o que tás fazendo aqui?”. Não havia um jogo norteador e eu não havia me informado sobre o congresso... “Não sei!”... “Então vai procurar!” ... E eu me pus à procura! E nesse projeto, tudo que eu procuro, eu procuro muito! haha Quão bom é ENCONTRAR!

sábado, 24 de outubro de 2015

L'appel du vide

Antes de qualquer coisa: que minhas palavras aqui sejam sinceras. Que eu não tenha receio de revelar as tijoladas e desfrute do prazer de externar as coisas marlindas dessa jornada!

Ato falho... Não sei! Mas quando meu tutor perguntou, durante a preparação, qual tinha sido a essência da oficina/qual era a essência do projeto, eu respondi em menos de um fôlego: “não há nada depois do erro”! Externei o que estava sentindo... Tava com receio de “cagar” tudo, receio de “cagar” os jogos, receio de “cagar” como MCM... E me veio o tapa na cara ainda antes de subir a máscara: o encontro! O RISO É CONSEQUÊNCIA DO ENCONTRO! O meu alvo não é o “não cagar”, meu alvo é o ENCONTRO. *Perdão pela quantidade exacerbada de fezes nesse parágrafo! ><

ENCONTREI, encontrei sim! E foi lindo!

Encontrei Cicleide (Bicicleide), que comprou nosso jogo do início ao fim... *-* Passou pelo crivo do The Voice, escolheu Lulu Santos e deu um show! Ela estava presente, totalmente aberta às nossas cartadas. Foi uma das responsáveis por espalhar o boato do doutor que rebola na bola... A caça ao tal doutor foi um capítulo à parte, mas nossos esforços para encontrar o dito cujo foram inúteis. Ele se escondeu bem escondido. hehe

A “de onçinha” havia sido uma das primeiras pessoas com a qual nos deparamos, mas seu olhar não foi recíproco nessa troca inicial. Surpresa e ironia foram que ela se tornou uma das protagonistas do momento mais caloroso de todos! E foi arrepiante ver todas no quarto entrarem na brincadeira. Sorrisos foram arrancados até da gestante que havia acabado de sair da sala de cirurgia. Senti a alegria do conquistar, minha energia foi aos céus nos convites para dançar aceitos, no lançar do olhar seguido das respostas positivas expressas com risos e encabulamento. Eu pulava e olhava para Josefina, querendo transbordar aquele momento. Foi quando a “de onçinha” e sua irmã roubaram a cena. Escolheram a trilha sonora no celular e cativaram todas. Coube a nós então apenas deixá-las brilhar.

Houve também o roubo de pipoca das médicas e a fuga para o oitavo andar! Foi na empreitada em levar as malas das fugitivas que, no elevador, eu levei uma boa tijolada. Meu impulso inicial foi de brincar pulando dentro do elevador, mas como o receio de acontecer alguma coisa (o histórico de elevadores no HC é meio tenso) podou minhas ações, eu travei... Naquele cubículo, não conseguia pensar em nenhuma matéria para jogo. E foi nesse pensar demais na ‘falta do que jogar’ que o tijolo veio na cara: um comentário que baixou a energia. Nossa aventura, no entanto, foi recompensadora: ao deixar as mamães lá em cima, ganhei/dei um abraço banhado de verdade na acompanhante de uma delas!

Teve o meu grito no meio do COB, teve o encontro com a mãe de uma futura Ísis e eu quase entregando minha identidade secreta, teve as inúmeras vezes que minha MCM salvou o jogo, teve a conversa com o cara do walkie talkie, teve a busca por uma televisão que prestasse, teve muito ouro, inchalá, teve a disputa para que o nome das nenéns fosse Ziza Carambita e não Josefina Avoada... =P

E para finalizar teve: Joelma! Tímida toda! Escondida na copa... Com medo da nutricionista. Mas ainda assim, um dos melhores encontros. Não quis abrir o coração sobre Chimbinha, mas soltou uns risos acanhados que ganharam essa pessoa que aqui escreve...

Desconfio que ainda tenho muito a crescer! E quero, querendo muito, crescer com minha melhor companheira do mundo! O desejo pelos próximos encontros já me consome... Quero mais, quero me arriscar mais, quero de mãos dadas à minha MCM pular de um precipício em encontros!

Acho que essas palavras não traduzem por completo o que eu senti. Trata-se de SENTIR, é intraduzível, como antecipou o melhor lindovisor do mundo.


Visitei o vazio... E o vazio não é confortável! Mas descobri que tenho sede do vazio, desse desconforto, que me coloca o sorriso nervoso no rosto, que acelera minha respiração, que faz meu corpo se contorcer de ansiedade, que, no seu ápice, me descortina, me deixa sem armas... O chute na bunda. Mola propulsora de Caramba, Caramba, Carambita! E que traz a recompensa mais maravilhosa de todas: mergulhos em janelas da alma!