Olá, DB. Minhas memórias, esse poderia ser o título dessas
últimas atuações. Sei que é mequetrefe deixar pra contar o que aconteceu só bem
depois. Mas to correndo atrás do prejuízo. Enfim... atuar mais uma vez na
pediatria, o setor que eu achava, antes de começar essa minha vida Clown, que
seria o mais fácil, o mais simples, afinal são crianças e crianças se deixam
levar pelas brincadeiras, pela magia. Engano meu, que setor complicado, que
setor difícil, mas que setor mágico. Sei que parece antagônico, mas é. As crianças
não são nada fáceis, mas elas carregam uma pureza e uma inocência que dá gosto
de ver e, consequentemente, dá gosto de participar de toda essa magia. Pois bem,
deixa eu começar a falar o que se passou nessa minha ida à pediatria. Chegamos,
eu e Danda, olhamos todos os quartos, fomos até o final do corredor, eu sempre
faço isso, gosto de sentir a energia do lugar antes de entrar como Carequinha. Acho
que Danda pegou essa mania agora kkkk... nos preparamos, subimos a energia e
fomos. Primeiro encontro, ganho um copo de suco de goiaba, obrigado tia do
carrinho de comida =). Entramos no primeiro quarto, um garotinho muito simpático
abriu um sorriso e olhou para seus pais como quem diz: como assim? Kkkk foi
massa, os pais bem receptivos nos deixaram à vontade e as brincadeiras fluíram.
Outros encontros no corredor, Laurinha, no começo toda com cara de poucos
amigos, mas ela não resiste, é uma das primeiras a entrar na brincadeira, foi
isso que aconteceu. Percorremos todo o corredor, fomos até o último quarto, lá
um garotinho se encantou com meu sapateado hahahaha.. os meus sapatos, quando atrito
contra o chão, fazem um barulho danado, descobri naquele dia. Ahhh... não posso
deixar de falar de uma pessoinha que parecia ser bem tranquila, um anjo, mas
que se mostrou uma bem elétrica e um tanto quanto desobediente. Essa pessoa é
uma garotinha linda, alexia. Mas pense como alexia deu trabalho dessa vez. Ela representou
o que é a pediatria, uma caixinha de surpresas e desafios. Alexia, numa outra
atuação estava morrendo de medo de uma agulha que iam colocar nela, e isso
talvez tenha tirado a energia dela, que s[o focava na possível dor daquela
agulha, a gente, nesse dia, segurou na mão dela pra transmitir força, no final
ela teve coragem. Mas voltando para a atuação que aqui escrevo, dessa vez
alexia estava toda sorridente e sem medo, é tanto que ela disse: “Oi, vou aqui
colocar um acesso e volto rapidinho pra brincar com vocês”. Quando ela voltou,
queria arrancar nossos narizes, eu e Vesgulina fazíamos de tudo pra evitar os
nossos narizes na direção da mão dela. Não teve jeito, houve uma hora que
Alexia pegou meu nariz e mudou o lado, ou seja, colocou como se fosse ao avesso.
Naquele momento pensei que tinha perdido um nariz. A gente tentou levar na
esportiva dizendo que não podia porque a gente não conseguia respirar, mesmo sabendo
que ela já é grande o bastante pra entender que aquilo não passava de uma
brincadeira, mas acho que funcionou um pouco, porque ela parou e até disse em
um momento que eu estava trocando a cor do meu nariz, que eu ia ficar sem ar;
ela comprou o jogo e começou a brincar. Depois ela disse que sabia pilotar
moto, eu disse que que não sabia, ela então disse que eu era a moto. Pensei,
pensei, pensei, mas no final decidi por entrar nesse jogo que ela estava
tentando comandar. Lá fui eu pelo corredor com alexia nas costas, ela parecia
ter o peso da minha mochila que levo pra faculdade, imaginem então como ela é
magrinha, esse foi um ponto decisivo para que eu aceitasse que ela me fizesse
de moto kkkk... depois de muitos olhares de médicas e enfermeiras, acho que
achando aquilo um perigo para ela. Decidi parar com a brincadeira, nesse
momento acho que Vesgulina deve ter puxado um outro jogo, ufaa... no final deu
tudo certo, apesar de tudo a gente sobreviveu. Fomos para o quarto descer a energia
e nos trocar, mas antes, assim que entramos no quarto, de narizes já abaixados,
olhei pra Danda ela olhou pra mim e surgiu um “CARAMBA”, que atuação.
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domingo, 24 de julho de 2016
quarta-feira, 20 de julho de 2016
Atuação das férias!
Olá, DB!! Mais uma atuação. Dessa vez no décimo andar. Eu e
Vesgulina, Vesgulina e eu. Hora de correr atrás do tempo perdido. Foram muitos
intemperes durante o semestre e a gente acabou deixando algumas últimas
atuações para o final, ou melhor, para as férias. Chegando lá, não teve essa de
quarto pra se trocar. Banheiro mesmo. Fui eu para o masculino, Danda, feminino.
Alguns minutos, “chega cá danda, vamos subir a energia juntos”. Lá do WC
Masculino contamos até dez, então saio carequinha e acompanhado de Vesgulina. Algumas
interações, uma dúzia de besterologia, meia dúzia de risadas. Encontramos uma
senhora que estava deita e parecia não poder se levantar, nem precisava, ela
via tudo. Ela leu o nome em minha camisa, que estava pela metade, coberto pela
minha outra camisa, disse: “o que você tem contra os obesos?” Era o que estava
escrito, (campanha contra a Obesidade). Fui me explicar, me enrolei mais ainda.
Ela percebia tudo!! Mais na frente, já
no final da atuação, encontramos um grupo de pessoas, lá fomos bem recebidos e
a conversa fluiu. Dessa parte o que mais me impressionou foi saber as idades de
um casal. Um senhor quantos anos daríamos a ele. Então lá vai meu chute, “59”.
Juro que eu não estava querendo ser educado, querendo agradar o senhor. Danda
dá outro chute, acho que mandou um, “64”. Não acertamos. Então ele disse,
72!!!! (Pqp!!!!) foi essa minha reação.
Não bastasse havia uma senhora que não sei se era irmã ou mulher do senhor. Ela
também não aparentava a idade que tinha, 73! PQP mais uma vez kkkk... passada a
conversa, hora de voltar para os banheiros. Cada um no seu, nos trocamos e por
fim, “vem Danda, bora tirar a maquiagem juntos, como dois MCMs”.
Não é um, não são 2, não são 3, não são 4... são 5, paee!
Não é um, não são 2, não são 3, não são 4... são 5, paee!!
Kkk dessa vez a atuação contou com 5 palhaços. Ia ser aquela atuação de
costume, eu e Danda, Danda e eu. Mas, nos anfiteatros eis que surgem zé, Cassis
e Bru. Conversamos, perguntamos onde cada grupo ia atuar. Eis que surge uma
ideia, que na verdade nem lembro de quem foi. “Bora atuar juntos????” O brilho
foi instantâneo e foi no olhar de todos. Não dava pra negar uma atuação em
conjunto. Lá fomos nós, atravessamos os
corredores, subimos de elevador, foi no elevador que surgiu uma dúvida, “onde
vamos atuar?” Alojamento era o meu local e de Danda, pediatria o local dos 3.
Acho que era essa a escala do dia. Talvez eu esteja trocando, mas eram esses
dois setores que tinham que ser contemplados. Pois bem, depois da dúvida veio a
certeza. Atuar nos dois!! Começamos pela pediatria, depois subimos para o
alojamento! Plano perfeito kkk. Pegamos a chave do quarto, hora de se trocar,
hora de subir a energia. Ficamos sabendo, eu e Danda, que a tradição é todo
mundo se trocar junto e misturado (carinha safada kkk) então foi isso que
fizemos. Hora da contagem, e que contagem. Foram números eróticos =))). Depois de
tudo isso, que comece o jogo!!
No meio do corredor recebemos a atenção de alguns
funcionários, e os que não nos deram atenção, pelo menos pararam pra ver o que
estava acontecendo, porque era muito palhaço e um “pouco” de barulho =)). Lembro
do encntro com um garotinho que não nos deu muita bola, mas a gente foi
insistente, (OBS: não forçamos a amizade, dava pra perceber que a mãe dele estava
toda feliz com a gente e ele bem tímido) como nós começamos a fazer de tudo
para que ele falasse, acho que esse foi o jogo, o garotinho parecia não querer
falar pra que o jogo não parasse. De repente ele atende um telefonema e começa
a falar com seu irmão. A cada palavra a gente vibrava. Quando resolvemos ir
embora eis que o garoto fala diretamente com a gente, a mãe reforça, “ ele quer
tirar uma foto com vocês”. Ele fez a pose, a gente se apresentou, e então XIZZZ!!!
De volta ao corredor, começamos a desviar de lasers, tipo missão impossível,
quando percebi, algumas crianças já estavam na brincadeira. Foi massa!! De repente
a gente ouve um (menos barulho). Virgulino depois me confidenciou, aquela que
pediu silêncio, sempre faz isso, é uma prima dele hahaha... partimos para a
brinquedoteca, eu particularmente nunca tinha ido lá. Momento (não sei o que
faço), mas acho que no final saiu tudo bem, brincamos muito, tiramos foto...
achei massa também. Hora de subir pra o alojamento. Do que eu lembro do
alojamento? De uma senhora que deu muito, muito fora em mim e Virgulino. Eu e
Vareta não desistimos, no final ela riu, mas não deixou de falar mal da gente,
homens. Não posso esquecer também de um casal de surdo mudos, foram muito
simpáticos e gentis. Esse casal, com auxílio do irmão do rapaz simpático, nos
contaram a história de amor deles. Saímos revigorados. Fomos de volta para a
pediatria para nos trocarmos, mas antes disso, mais um desafio. Uma garotinha
em um quarto morrendo de medo da agulha do acesso. Foi quando uma médica que a
ente já tinha encontrado na brinquedoteca, nos chamou. Foi hora de unir forças,
fazer uma corrente de força e na ponta dessa corrente estava ela, a garotinha
Alexia. Depois de um tempinho ela apertou a mão de uma das nossas MCMs e então transmitiu
todo aquele medo pela corrente. O medo se diluiu e o fim foi feliz =)))). Por hoje
é só, DB.
segunda-feira, 18 de julho de 2016
Mais memórias, mas que mequetrefe, mas antes tarde do que tarde demais.
Oi, DB!! Mais memórias, mas que mequetrefe, mas antes tarde
do que tarde demais. Dessa vez foi a
pediatria!!! Que setor doido, as crianças reagem de formas inusitadas. Começamos
nos deparando com Laurinha... ahhh.. antes deixa eu contar uma coisa. Danda,
Danda... estava ela toda feliz, dizia que não tinha esquecido nada dessa vez,
ia atuar com toda a sua pele, com tudo. De repente, “ ESQUECI MEU NARIZ”. Apenas!!!
Kkkk decidi então que a gente deveria
atuar mesmo assim, os dois, sem narizes. Confesso que fiquei meio balançado com
essa coisa de atuar sem uma peça tão, tão... não dá nem pra descrever que (tão)
é esse. Mas, lá fomos nós. Guardei o meu. Pintamos de vermelho nossos narizes “reais”.
Eu estava me sentindo meio pelado, Danda também. Mas era hora de subir a
energia (somos, Carequinha e Vesgulina). Voltando pra parte que encontramos
Laurinha, primeira vez que a vejo. Achei que fosse calada, não falava nada. De repente,
ela taca o pau a falar. Falava sem parar. Como pode, uma coisa tão pequenininha
e tão esperta, tão tagarela. Encontramos outras meninas, uma um pouco mais
velha se mostrava tímida. As outras se soltavam nas brincadeiras. As mães os
funcionários, todos entraram no jogo. Passamos um tempão brincando das
brincadeiras que as mães sabiam. Brincamos de comprar frutas, brincamos de
pega-pega. Quer saber, minha melhor atuação foi ali, naquele dia, sem o meu
nariz. Isso não quer dizer que a falta de nariz melhora as coisas, não mesmo. A
verdade é que a gente se sente mais desprotegido, incompleto, mas demos sorte
de o mundo conspirar a nosso favor naquele dia.
Por hoje é só!!!!
Oi, DB. Mais um da série memórias. Do que eu lembro? Acho que
de muita coisa. Reencontrar olhares na Nefro.
Começamos não muito cedo. Acho que estava perto das 17h. ainda pensamos
se dava pra começar tão tarde assim, mas a gente já vinha de umas semanas sem
atuar por conta do clima de recife (toda segunda chovia e chovia forte). Então começamos
tarde mesmo. Danda nesse dia estava com um pequeno problema de espirros, acho
que ela deve ter espirrado umas 20 ou mais vezes durante a atuação. Pois bem...
nesse dia encontramos várias pessoas, entre elas, um senhor junto com sua filha
que nos ensinaram o que devemos e o que não devemos comer, eles desmistificaram
por exemplo a manga com leite. “Pode comer”. Também encontramos com quem não quis muita
conversa com a gente, como o homem do peixe no braço, faz parte, resta
respeitar o espaço de cada um. Pelo corredor, Vesgulina tentou comprar produtos
de uma revista, deixou duas das suas belas penas, acho que até hoje ela espera
por esse produto. Continuamos, fomos de quarto em quarto até voltarmos para o
quarto de onde saímos com Carequinha e Vesgulina. A noite já dava boas vindas
já havia algum tempo.
Vlw, Flw!!
terça-feira, 12 de julho de 2016
Memórias!!
OI, DB. Esse relato e mais alguns outros serão de lembranças
um tanto quanto remotas. Perdi a conta das atuações e estou aqui tentando
salvar minha reputação, se é que ainda existe. Já faz um tempo que não posto,
esqueci completamente a parte que mostra que eu estou sim, indo atuar. Foi mals!!!
Pois bem, começamos a atuação e logo no começo ouvimos as dicas de conquistas e
paqueras de uma senhora muito encantadora. Ela levava a sério essa história de
paquera, dizia como eu tinha que conquistar o coração de minha MCM, quais as
melhores táticas. Então, nessa onda de paqueras e conquistas partimos e
chegamos em um quarto com esse jogo... “Vesgulina, eu só tenho olhos pra você”,
“que mentira, eu vi você olhando para as outras mulheres”... nessa brincadeira
as mulheres do quarto, tinham umas 3 ou 4, todas elas se lançaram em defesa de
Vanessa Vesgulina. Pausa para uma análise: muitas mulheres levam a sério isso
de que o rapaz está enganando a moça, assumem uma postura de defesa e ao mesmo
tempo de raiva. Isso tem que ser estudado, viu. Voltando para a atuação, essas
mulheres entraram na brincadeira e defenderam e muito minha MCM de minhas intenções
de querer enganá-la no amor hahahaha... Saímos
com uma energia muito boa desse quarto, os próximos encontros foram fáceis e fluíram
naturalmente, a gente estava com a bola lá em cima depois do primeiro quarto. Terminamos
a atuação com um sorriso no rosto e sensação de dever cumprido!
Boa noite, DB!!
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Não era pra ser, mas foi lá!
OI, DB! Mais uma atuação,
dessa vez na Onco. Na verdade tínhamos outro destino de acordo com o
cronograma. Eu e Vesgulina tínhamos de ir atuar na enfermaria, porém, o lugar
estava muito cheio. Havia muitos estudantes e muitos profissionais, e o pior,
poucos pacientes. Olhei pra Danda, (que ainda estava como Danda kkk), ela olhou
pra mim. ´´Você está pensando o que eu estou pensando?” Sim! Nós não estávamos preparados para atuar
naquelas condições. Achamos que iríamos atrapalhar os profissionais, achamos
que aquele espaço, naquele momento, não nos cabia. Então surgiu a saída simples
hahaha. Fomos para a ala oposta à enfermaria. PS: olhamos antes se ali haveria
alguma atuação para os dias próximos. Não havia. Então lá fomos nós! A Onco é
muito acolhedora, profissionais e pacientes sempre estão muito abertos a nos
receber, a conversar! As conversas fluíram, as brincadeiras inevitavelmente
aconteceram. Surgiram dicas de como emagrecer, surgiram receitas saudáveis,
surgiram encontros pra guardar na caixa das boas lembranças!
Carequinha Sertanejo!
sábado, 16 de abril de 2016
Aaahh a pediatria!!!
Mais uma atuação, mais um
momento de encontrar o incerto e andar por entre pessoas que eu vejo pela
primeira vez. A atuação em si não é novidade, mas as reações, as histórias, os
olhares, tudo isso é e parece que sempre será. Essa semana foi a vez de andar
ao lado de um novo MCM, uma nova melhor companheira do mundo. Na verdade, eu já
havia atuado com Danda em um outro momento, pra quem duvida, existem filmagens
que comprovam. Mas andar pelos corredores só eu e Vesgulina, isso foi inédito. Nada
melhor do que começar na tão amada e temida Pediatria. Chegamos e fui logo
dizendo, aqui é massa! Gostei muito de ter passado por aqui! Minha MCM que parecia bem ansiosa para atuar
pela primeira vez ali, se mostrou ainda mais ansiosa depois das minhas
palavras. Não sei se foi uma boa ideia eu ter dito aquilo, mas tudo bem. Subimos
a energia, tentamos nos preparar para o que vinha. Primeiro encontro, a
interação não rolou. Segundo encontro, a interação ainda estava bem fraca quase
parando. Não havia muitas crianças e as que ali estavam não estavam se
mostrando tão interessadas em brincar, até pareciam, lá no fundo, quererem algo,
mas o medo e a vergonha falavam mais alto. Foi aí que eu pensei, “realmente não
foi uma boa ideia eu ter aumentado a expectativa de Danda para essa atuação”. Mas
pensando bem, não existe algo mais normal, nessa nossa situação Clownesca, do
que o momento da amargura, da queda. Porém, existe o lado bom do Clown, são os
pequenos momentos, os pequenos gestos. Foi num desses momentos em que a gente
se sente tão bem que dá vontade de congelar o tempo, que eu pensei: “aqui é
massa, aqui é mágico”. Eu e minha
companheira Vesgulina nos deparamos com uma garotinha que estava muito
debilitada, que não conseguia se quer levantar o olhar para nos ver melhor. Mas
cada riso que ela dava, cada sinal de felicidade que ela transmitia, me deixavam
com uma sensação de leveza, de tranquilidade. Foi com essa sensação que
partimos para outros quartos. Agora que eu estava massageado pela felicidade da
garotinha, o que vinha pela frente vinha com menos peso. Acho que era isso que
estava faltando em nós. Encarar os desafios com a leveza que aqueles momentos
mereciam. Depois disso, a caçada aos fantasmas, as patrulhas e as rondas pelo
corredor, comprovaram nossa tranquilidade naquele momento. Por fim, uma criança
que não se cansava, nos presenteou com toda sua energia, haja energia. Brincamos
de disparar laser, de fazer armadilhas, de se esconder e até mesmo de disputar
Vesgulina, pois o garotinho energético não queria deixar a minha MCM ir embora.
Foi aí que eu pedi a ajuda de uma criança que não quis saber de mim logo no
começo da atuação, mas naquele outro momento ela veio pegou no meu braço e me
ajudou a ganhar a disputa por Vesgulina. Afinal de contas, eu jamais iria
embora e deixaria minha MCM para trás.
Por hoje é isso, DB. Boa noite e até a
próxima.
terça-feira, 5 de abril de 2016
Primeira atuação desse ano e eu já começo sendo filmado. Sentimento meio indefinido.
DB, quanto tempo. Era pra eu está escrevendo aqui alguns
dias atrás, mas alguns contratempos apareceram no caminho. Enfim... quero logo
te contar como foi o primeiro dia de atuação depois de um tempo longe de você. No
primeiro dia que fui atuar com um novo MCM, dessa vez UMA MCM, queriam fazer
uma filmagem da nossa atuação. Confesso fiquei nervoso. Filmar? Mas havia
pessoas que estavam compartilhando desse mesmo nervosismo, Léo, Fefo, Dias e
Danda ( minha MCM). Compartilhar sentimentos faz a gente se sentir um pouco
mais seguro, mais confiantes. Pois bem, de cara entramos no hospital de uma
forma bem incomum, estávamos vestindo nossas batas, ou como queiram, nossos
jalecos. Dicas da produção
cinematográfica. Disseram que era para mostrar que éramos alunos da área da
saúde. Passada a entrada “triunfante” no hospital e passada a vergonha de
entrar e ser acompanhado por uma câmera, finalmente estávamos nós nos
preparando para começar os encontros pelos corredores e quartos do HC. Mais filmagem, mais ângulos, mais luzes, mais
vergonha de estar sendo filmado. Antes de qualquer coisa quero dizer aqui que
essa presença constante da câmera não me deixou tão desconfortável assim,
fiquei um pouco sem jeito, não posso negar, mas também compreendi o lado das
pessoas que estavam ali interessadas em nosso trabalho, interessadas em como a
gente interage, em como a gente aborda o outro. Terminado o preparativo,
faltava subir os narizes. Essa hora, pelo menos essa, era só nossa. Pedimos para
que não filmassem esse momento, era hora de subir a energia, era hora de se
encontrar no olhar do outro. Narizes a postos, partimos pelo corredor sem saber
o que nos esperava. Primeiro encontro, simpatia, alegria, sorriso sem fim, é
assim que defino o primeiro encontro. Segundo encontro, tinha uma câmera no
meio do caminho, no meio do caminho tinha uma câmera. Algumas palavras do tipo,
“vem aqui pro corredor”, “ fica aqui pra eu pegar um ângulo melhor”, “venham
juntos pra eu enquadrar todos”. Isso quebrou
um pouco o clima, mas eu achei que fosse ser pior. Os pacientes interagiram,
brincaram, sorriram, conversaram. Os outros encontros foram mais rápidos, porém
não menos interessantes, não menos empolgantes. Por hoje é isso, DB. Da próxima
eu conto como será andar por aí com Danda.
domingo, 6 de dezembro de 2015
A última! Vai deixar saudades. Ansioso pelas próximas.
DB, minha última atuação esse semestre foi na oncologia. Chegamos,
não tinha muito paciente. Como sempre, independentemente da quantidade, estávamos
lá prontos para subir a máscara e fazer o melhor. Como sempre, pedimos a chave
para nos trocarmos. Como sempre, fizemos a maquiagem. Como sempre, contamos até
dez e a cada número que era dito a energia ia se adequando ao momento. Como sempre,
o inesperado sempre chegaria. Saímos do quarto, entramos no corredor. Primeira tentativa
de um contato, era um casal, eles não nos viram, estavam de costas, pareciam
chorar. Olhei para Fêfo, a gente num olhar decidiu que era hora de seguir para
o próximo quarto. Aquele casal estava num momento só deles, aquele abraço só
deles valia mais do que qualquer conversa com outras pessoas. No próximo
quarto, um vaqueiro. Chegamos, conversamos, no meio da conversa o paciente fala
de cavalos, de vaquejada, fala do seu interior, que por sinal é próximo do meu.
O vaqueiro parecia triste por não estar fazendo o que gosta, por estar ali;
nada mais óbvio, ninguém quer adoecer. Acho que por uns instantes, pelo menos,
o paciente se sentiu melhor. Ele contava suas histórias com um brilho, com saudade
também, mas o brilho e o sorriso que ele expressava foram maiores do que sua
tristeza; é sempre bom relembrar daquilo que a gente faz de melhor, daquilo que
a gente gosta de fazer. Antes do próximo quarto, no corredor conversamos com
duas mulheres muito simpáticas, elas só erraram numa coisa, fizeram a pergunta
que muitas pessoas fazem. Elas perguntaram onde estavam AS palhacinhas. Nesse momento
eu olho para Fêfo, ele olha para mim, então a gente diz, “uns palhaçOs não servem?
”. Sempre dizem que sim, que somos muito bonitos também, mas que as meninas são
uma graça. Estou convencido de que ser mulher, nessas atuações conta bastante,
só ouvi elogios sobre As palhacinhas. Próximo quarto, dona Maria e sua nora. As
duas eram animadíssimas, brincamos, conversamos, fingimos que estávamos comendo
melancia, manga, caju... é sempre bom visitar quartos com pessoas assim, com a
energia alta, a gente meio que sai com a energia maior ainda. Com a energia
alta, partimos para nosso último quarto, um paciente e sua cuidadora. O paciente
não conseguia falar, nem olhar direito ele conseguia. Tentamos interagir, nada
fácil, ele realmente estava debilitado. Quando conseguiu falar algo, eu e Fêfo
esperando algumas palavras saírem de sua boca, ele então conseguiu murmurar. Disse
que o oxigênio da máquina não estava chegando tão bem ao seu nariz. Nesse momento
fui pedir para chamar a enfermeira, não como Carequinha Sertanejo, mas como
Túribio. Refeito depois da fala do paciente, Carequinha e Carequildo se
despediram; agora sim eu estava de novo no jogo. Voltamos andando pelo
corredor, brincamos com uma funcionária que desfilou para a gente, depois entramos
no quarto onde nos trocamos e descemos a máscara. Conversamos rapidamente sobre
como é delicado o setor de oncologia, sobre como os olhares são sofridos. Foi uma
tarde alegre, mas um pouco triste também. Não é fácil olhar o sofrimento do
outro tão de perto. Enfim, nossa última atuação esse semestre, essa última
atuação vai deixar aprendizados, vai deixar reflexões, vai deixar indagações,
vai deixar saudades. Estou ansioso para atuar novamente. Foi um prazer atuar
com você, Fêfo. Por fim, até a próxima, DB.
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
A primeira vez no COB a gente nunca esquece
DB, o COB é bem louco. Assim que chagamos, ainda sem a pele e
sem a máscara objeto, quando abrimos a porta, umas 10 mulheres nos olharam. Ali
parecia outra atmosfera, não estou exagerando. Umas com a barriga enorme
andando prá lá e prá cá, outras pulando em bolas gigantes e outras simplesmente
dando um apoio moral. Assim que abrimos a porta, bem tímidos, dava para
perceber, recebemos a frase de uma senhora que disse: “aqui não pode entrar
homens”. Logo em seguida essa mesma senhora nos perguntou se não queríamos falar
com a moça da recepção. Foi o que fizemos, entramos meio acanhados e fomos
direto na tal moça. “Somos da palhaço terapia, gostaríamos de um lugar para nos
trocarmos”. Enquanto nos preparávamos a dúvida surgiu, “será que realmente é aqui?
”, pensamos nisso porque o ambiente não era aquele que estávamos acostumados a
ver, pacientes em seus quartos, sentados, deitados. Lá o ambiente era bem
movimentado, é uma espécie de corredor mais largo que o normal em que algumas mulheres
transitam o tempo todo. Passada a fase da primeira impressão, eu e Fêfo subimos
a energia e fomos encontrar o desconhecido mais uma vez. Logo de cara,
interação, fiquei brincando com uma das grávidas que pulava sem parar numa
bola, a amiga disse: “é para dilatar, por isso ela tá sentada pulando nisso aí”.
Eu perguntei há quanto tempo ela estava ali. Então a moça do barrigão disse, “há
muito tempo”. Brinquei, “assim vai dilatar demais”, ela sorriu e disse que não
tinha surtido efeito nenhum. Outras brincadeiras transcorreram com outras
pacientes, mas a moça da bola foi o alvo de Carequinha e Carequildo. No final,
encontramos com ela em um quarto, ela dizia, “onde está a médica para fazer o
toque? “, então, eu, Fêfo e uma outra mulher que estava ali, resolvemos transmitir
energia um para o outro até o toque chegar no ombro da grávida. Foi uma risada
só. Uma interna que passava também entrou na brincadeira e uniu forçar para
ajudar a futura mamãe. Enfim, existiram, também, momentos não tão animados, mas
como foram tão ínfimos comparados com a interação que fizemos, acho que nem
cabe falar aqui. Por hoje é só, DB.
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Não se deve planejar o que vai acontecer num encontro
Olá, Diário. Essa semana foi a vez de visitar o décimo andar
do nosso querido HC. Mais uma sexta, mais uma atuação, mais desafios, mais
surpresas. Assim que chegamos no local, antes mesmo de estarmos caracterizados,
passamos um tempinho conversando com um paciente (Carlinhos). A partir desse
momento já se passava pela minha cabeça como a atuação seria boa. Dava para
perceber que Carlinhos era uma criança apesar da idade (vou chutar uns 25
anos). O que ele mais gostava de falar era de vídeo game. Pensei, vai ser fácil
passar um tempão aqui. Pensei em mais e mais coisas que poderiam acontecer,
porém, toda atuação tem um (mas). Mas, no momento que subimos a máscara, eu e
Fêfo não encontramos no quarto o paciente que achávamos que a interação ia ser
total; Carlinhos até estava no 10° andar, mas, estava brincando no final do
corredor, jogando carta com um senhor que, assim como Carlinhos, deu atenção
quase que zero para nós palhaços. A gente falava e os dois só olhavam para as
cartas e continuavam compenetrados no jogo. Quando íamos saindo, Carlinhos
ainda olhou e disse, “tchau, palhaços”. Eu e Fêfo, nesse momento, pensamos que
a tão esperada interação iria acontecer. Nada disso, o paciente voltou a
mergulhar no jogo e nas jogadas de seu adversário, o senhor que nem olhava de
lado. Esse momento de quase zero interação aconteceu no final de nossa atuação.
Preferi começar falando um pouco pelo final para mostrar para mim mesmo como o
inesperado sempre vai estar presente. Sem perceber, assim que entro em algum
corredor do hospital, antes mesmo de vestir minha pele, eu sempre tento
antecipar a jogada, antes mesmo de subir a máscara objeto eu penso em algo,
penso no que fazer, como brincar. Sempre dá errado. O inesperado parece que nos
espera, nos acompanha a cada paciente abordado, a cada quarto que adentramos.
Foi em um desses “pular de olhos fechados” que caímos sem paraquedas em um
quarto que, posso dizer, foi o melhor momento de nossa atuação naquele dia. Não
digo melhor momento porque Carequinha e Carequildo souberam fazer graça ou
conseguiram arrancar sorrisos. Digo melhor momento porque sem esperar no que
poderia acontecer ou sem saber o que fazer, a interação apareceu e apareceu em
forma de conversa e em forma de carinho (mais precisamente, cafuné). Conversamos
com Camila, uma paciente muito animada e que nos deixava a vontade com seu
jeito bem espontâneo de se expressar. Conversamos com outra paciente que era o
extremo oposto de Camila, dona Marlene, ela era calada, só observava, mas
sempre com um sorriso. Dona Marlene parecia um pouco cansada ou um pouco debilitada.
Quando a vi, pensei que a interação só fosse acontecer com a paciente mais
animada. Mas o (mas) sempre aparece. Dona Marlene estava deitada recebendo
cafuné de sua filha, que por sinal também nos recebeu com um sorriso que
traduzia um, (sejam bem-vindos). Foi nesse momento que percebi que dona Marlene
poderia participar da conversa que acontecia sem ela precisar dizer uma palavra
se quer. Pedi para fazer cafuné, ela prontamente aceitou, sorriu e disse, “claro
meu filho”. Eu, enquanto alisava sua cabeça branca quis dar um beijo em sua
testa, percebi que ia melar dona Marlene com minha boca de tinta preta. No momento
nem pensei nos conselhos que um dia me deram. Sabia que era uma paciente e que
eu estava em um hospital. Mas o (mas) sempre aparece. Eu não poderia sair dali
sem ao menos dar um cheiro com meu nariz grande e vermelho. Foi o que fiz. Ela
me agradeceu com uma doçura que com palavras não sei se conseguiria explicar,
só quem estava no momento poderá entender. Ademais, fomos até outros quartos,
em muitos havia pessoas dormindo, seguíamos em frente, até que encontramos
Carlinhos no final do corredor. Mas o (mas) dessa história você já conhece,
diário.
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
A ansiedade e o nervosismo de brincar no alojamento.
Sexta feira, mais uma atuação, a segunda numa mesma semana.
Diário, dessa vez eu e meu companheiro Carequildo fomos escalados para
desbravar um lugar, que a meu ver, seria bastante difícil. Fomos postos para
interagir com as mães, o alojamento conjunto, ou melhor, o lugar onde as recém
mamães estão com seus recém nascidos. Quando eu soube que atuaria ali, pensei
como poderia ser difícil uma interação num ambiente que, em muitos casos,
requer silêncio e cuidado redobrado. Pensei em como conseguir conversar com
mulheres que estão mais querendo descansar depois de noites mal dormidas, pois
são mulheres que acabaram de dar à luz. Confesso que antes de começar a atuação
fiquei mais nervoso do que o de costume. Olhei para Fêfo, ele olhou para mim,
não precisávamos dizer mais nada, a ansiedade transbordava nos nossos olhares.
Começamos a preparação, finalmente momento de subir a máscara e encontrar o
inesperado. Agora eram Carequildo e Carequinha Sertanejo que rondavam os
corredores, estávamos nós de narizes a postos. Assim que saímos do quarto onde
estávamos nos preparando, primeiro encontro. Uma senhora nos recebeu com um
sorriso meu tímido, logo brincamos dizendo que estávamos atrás de uma criança,
ela sorriu e disse que o netinho dela ninguém levava. Mas ao mesmo tempo nos
conduziu até o quarto onde estava seu neto. Chegamos e o bebê estava num sono
de dar inveja. Começamos a conversar com
a mãe. Naquele momento transcorreu apenas uma conversa, nada muito engraçado,
mas têm momentos que é de uma conversa, mesmo que seja com palhaços, que alguém
precisa. O quarto era compartilhado com mais duas mães e seus respectivos
filhos, também estavam seus respectivos pais. Eles, os pais, nos receberam com
sorrisos e olhares curiosos. Houve mais um momento de conversa, dessa vez, com
brincadeiras, começou um papo de quem fechou a fábrica, de quem pretende montar
um time de futebol com os filhos e as conversas e risadas foram se
desenrolando. Saímos do primeiro quarto bem menos tensos; percebemos que poderia,
sim, haver interação. Não posso deixar de falar da simpatia de alguns
funcionários, toda as vezes que migrávamos de um quarto para outro, nesse meio
termo sempre tinha um funcionário que abria um sorriso largo, havia aqueles que
não queriam muito papo, cara fechada e olhar de quem diz que não quer brincar,
acontece. Algumas mães dormiam e outras pareciam estar realmente cansadas em
quartos em que a penumbra ganhava da luz. Eu e Fêfo olhávamos, sentíamos o
encontro no olhar e também sentíamos que só aquele olhar bastava. Respeitávamos
o momento e partíamos para os próximos encontros. Em um quarto uma mãe nos
convidou para entrar e não parou por aí, nos convidou para o aniversário de um
ano do filho, eu disse que levaria uma tropa de palhaços, disse que ela
preparasse uns 15 bolos, nessa conversa com essa mãe, ela ria e ao mesmo tempo
sentia dores da cirurgia do parto, fiquei meio cauteloso para não complicar
nada por ali. Nesse mesmo quarto uma outra mulher bem jovem que ainda não havia
parido, estava com muita dor. Ali, Fêfo conseguiu tirar um sorriso dela, foi um
momento em que a dor provavelmente tenha diminuído; eu fiquei meio sem ação.
Passei a mão em sua testa e disse que as coisas iriam dar certo, que a
enfermeira estava chegando. Partimos para mais um encontro em outro quarto.
Antes que eu esqueça, em quase todos os momentos minha barriga “um pouco”
saliente lembrava a barriga de uma grávida. E todas as mulheres diziam que era
uma barriga de quem está grávida, ou melhor, grávido de uma menina. Deram todas
as características físicas de uma barriga de quem gesta uma menina. Foi muito
interessante e, claro, engraçado. Explorei várias vezes essa minha barriga. Por
fim, quando fomos pegar nossas bolsas para nos vestir e então ir embora, a
funcionária estava gravida também, foi como um presente para o final da
atuação, ela sorriu e brincou, disse que sua barriga era de quem esperava um
menino e que a minha de fato era de quem esperava uma menina.
Quando o encontro é com crianças.
Olá diário,
essa quarta a minha atuação juntamente com Fêfo foi na ala da pediatria. Eu
aguardava ansiosamente ser convocado para atuar no setor das crianças. Fiquei
imaginando que quando eu fosse nessa ala, a brincadeira surgiria fácil, o riso
seria solto e a atuação iria acontecer de forma mágica. Pois bem, isso
aconteceu, as brincadeiras brotaram num terreno fértil, o riso correu por entre
as bocas de crianças e adultos e a atuação foi de fato mágica. Mas nem tudo são
flores. Aconteceu o que eu também sempre espero que aconteça. Alguns momentos
que tentamos semear brincadeiras o terreno não parecia tão fértil, o riso não
correu por entre algumas bocas e a mágica não surgiu. Antes que possam imaginar
que eu e Fêfo tenhamos tido momentos espetaculares e outros de total sem
“gracisse”, começo avisando que não é bem assim. Não foi bem assim. Às vezes as
palavras dão um peso maior do que o momento realmente possa ter tido, em outros
casos, palavras não bastam. Diário, talvez você tenha ficado ainda mais confuso
com o que realmente aconteceu nessa atuação. Para tentar não confundir ainda
mais, vou resumir em expressões; foi lindo, foi desafiador, respeitar o tempo
de cada um, não deixar a energia cair, o olhar fala e como fala, as crianças
fazem a mágica, o mundo de cada um pode ser criado e recriado. Agora que tentei
deixar livres as interpretações e impressões a partir de minhas expressões, vou
tentar colocar alguns momentos que merecem ser relembrados. Assim que chegamos
na ala da pediatria, o nervosismo de sempre bateu, olhamos os quartos, não
vimos tantas crianças como esperávamos que tivesse. Havia alguns bebês ainda de
colo, havia algumas crianças dormindo e um punhado de crianças que, cada uma ao
seu modo, entenderiam o que eu e Fêfo poderíamos falar e fazer. Subimos a
máscara e começamos a brincar; no primeiro encontro um menininho que não falava
e nem gesticulava tanto, mas que com um olhar, olho arregalado, não de medo,
mas de encanto, nos olhava e olhava com brilho. Fico com esse olhar. Próximo
quarto, uma menininha de 4 meses, Paloma, e há 3 meses estava ali; “tão pouco
tempo de nascida e a maior parte do tempo de sua vida num hospital’. Foi isso
que sua mãe nos relatou, nesse momento eu disse que ela era uma princesa e que
a mãe uma rainha, a mãe sorriu, a brincadeira foi em torno desse assunto de
castelos e Reinados, enquanto isso a princesa não parava de olhar para Fêfo,
ele retribuiu, ficou alguns minutos parado olhando para a princesinha. Fomos para
outros quartos, em um uma equipe médica entrou no memento que estávamos começando
a brincar, eles não expressaram nenhuma animação, Fêfo sentiu que era hora de
partir para outros quartos, foi isso que fizemos. No outro, uma garota de 11
anos, Vitória, se reclamava de dor, estava com um soro e dizia que a agulha
estava incomodando, não deu muita bola para nós palhaços, foi quando eu disse:
”vamos brincar de estátua? ”, ela olhou e balançou a cabeça num sim. Na
primeira tentativa de ficar parado como uma estátua, ela sorriu. Depois brincamos
que estávamos num barco e ela comandava para onde deveríamos ir. Depois de um
tempo, partimos, mas dessa vez quando olhei da porta, Vitória não se queixava
mais de dor. Antes de relatar um último momento com um garotinho, eu e Fêfo
amargamos quando tentamos interagir com duas funcionárias, elas realmente não
queriam brincar; acontece. O bom é que depois desses momentos morgação, vêm
momentos mágicos. Um dessas horas mágicas foi com Pedro, ele estava com medo no
início, foi quando começamos a dizer que o acesso para se colocar o soro que
tinha em sua mão era um “lança laser”. Ele começou a lançar esses raios e ainda
fazia barulho com a boca, eu e Fêfo corremos todo o corredor da ala pediátrica
e Pedro atrás de nós. Já estava começando a ficar escuro e percebemos que já
tínhamos passado um bom tempo ali. Então, depois de brincar bastante com Pedro,
dissemos que iriamos embora, ou melhor iriamos fugir dos raios que ele lançava.
Foi quando entramos no quarto para voltarmos a ser Turíbio e Fernando.
sábado, 24 de outubro de 2015
Minha primeira atuação
Meu primeiro diário. Durante a semana não estava nervo para
atuar pela primeira vez no HC, mas quando cheguei lá, quando vi a cara de Fefo
e sua apreensão, tudo mudou. Fomos para o sétimo andar, era lá, no sétimo, onde
iria acontecer e aconteceu minha primeira atuação. Encontramos nossa linda
Lindovisora Laurete, ela com uma cara de felicidade, mas que não escondia a
apreensão também. Ela até nos disse que estava se sentindo como na primeira vez
em que atuou. Estávamos terminando a maquiagem quando surge o primeiro desafio;
quem vai entregar a chave para a enfermeira que tinha acabado de nos receber de
cara limpa? Pensei em algo e disse que iria entregar. Subimos a energia,
subimos a máscara e PAM! Hora de sair do quarto e se jogar. Laurete se despede
e partimos para entregar a chave, quando chego à recepção; cadê a enfermeira
que nos atendeu? De primeira já percebo que não dá pra pensar em muita coisa
nem combinar nada. Sempre vamos ser pegos de surpresa, teremos que dançar conforme
o jogo for nos guiando. Depois disso, um corredor com várias pessoas nos olhando,
percebo que somos bem vindos ali, todos sorriem e eu e Carequildo não fizemos
nada até agora, começamos a cumprimentar quem por ali passava. Até que uma
mulher pede pra desfilarmos, começou a interação de fato. Ela nos anima,
desfila conosco. Depois mais uma mulher nos ver, pede pra tirar foto, brinca,
dança... ufaa, a tensão que estava em mim no começo saiu e agora me envolvo nas
brincadeiras. Partimos de quarto em quarto, logo um dos primeiros que a gente
entra, um homem com down, olhei pra Fefo ele olhou pra mim, nós pensamos, “ vai
ser massa aqui, ele vai querer brincar muito”. Aconteceu qualquer coisa menos
brincadeira. O homem não queria saber muito da gente, seu acompanhante muito
menos. Saímos com a energia meio baixa, confesso. Mas de lá saímos para procurar
Gabriela, foi essa a palavra que o paciente nos disse. Conseguimos pegar algo
dali e jogar ao nosso favor. A partir desse momento, onde chegássemos
perguntávamos por Gabriela. Era nossa primeira forma de tentar uma interação,
dava certo. Quando perguntávamos onde está Gabriela, olhavam e diziam que não sabiam
e a partir daí outras conversas surgiam. Enfim, entre vários momentos que passamos quero
destacar dois. Um momento bem baixo astral e outro que foi o nosso auge, o
nosso momento PAM. O baixo astral foi quando tentamos interagir com uma senhora
que a primeira vista parecia querer a interação, logo depois parecia não querer
mais, então quando íamos saindo ela disse algo que eu não escutei bem, mas
parecia um xingamento. Fefo ficou bem pra baixo nessa hora, confesso isso não
me mudou muito. Eu nem percebi direito o que ela havia dito. Ele me relatou que
a energia dele tinha baixado depois dali, eu disse para seguir explodindo o
olhar e a gente seguiu. Depois tivemos nosso momento PAM. Foi quando entramos
num quarto com duas mulheres que pareciam não mostrar interesse por mim e por
Fefo, mas foram só uns 5 minutos de conversas e brincadeiras que elas entraram
no jogo. Percebi que elas sorriam com a dança atrapalhada de Fefo Carequildo,
então passei a bola pra ele e apenas fiquei dando um apoio e o vendo fazer performances
e mais performances. Foi quando a gente foi dançar juntos e sem querer batemos
canela com canela. Na hora realmente doeu, mas as duas mulheres caíram num riso
tão grande, que valeu apena aquela canelada. Sem mais delongas, era isso que eu
tinha pra falar, Diário.
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