Mostrando postagens com marcador Esmeralda Bambolina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Esmeralda Bambolina. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de outubro de 2017

Atuar como lindovisora? não! só atuar

A saudade de atuar já tava batendo, preciso dar um tempo pra eles, eles precisam voar sozinhos, depois eu vou. Chegou o dia, sem avisar pra eles decidi ir atuar com minha dupla Bia e Marcelo. Regra número 1: eu não sou supervisora de vocês, eu não sou um exemplo que se deve seguir só pq sou "velhinha" e "sei das coisas", sou só mais uma palhaça que vim atuar com vocês. Não tem um jeito certo de fazer as coisas, eu também erro! E errei: na empolgação de finalmente conseguir atuar terminei propondo muitos jogos e escutando pouco meu trio, percebia. vou esperar eles tomarem a iniciativa. segundos de silêncio. huum tão esperando por mim. se controle. deixa eles voarem. Desculpa mais uma vez Bia e Marcelo.

"Não tenho nem palavras pra vocês hoje, meu marido tá muito mal" "mas não precisa de palavra". Alguém se permitir a receber um abraço e chorar com a gente também é pontuar. A gente não precisa  ter medo de se aproximar da tristeza das pessoas, das angústias, do choro. O biscoito não é só o recheio, tem a parte dura também.

"kkkkk olhe eu não posso rir não, eu tô operada" " mas a gente não fez nada, não sei porque a senhora tá rindo, eu sou tão séria, tô aqui só falando" " kkkkk eu não posso rir não, é sério só posso caminhar" "a gente pode caminhar com a senhora?" " kkkkk" " tá bom a gente vai pra cá a senhora pra lá e a gente se encontra no meio do caminho". Eu achava que eu era besta pra rir até conhecer nossa amiga do corredor kkkk

Encontramos duas senhorinhas sentadas no corredor como se tivessem sentadas na calçada na frente de casa, uma delas contou da vez que se casou ali, mas sem valsa, " ah não sem valsa não vale, quer dançar com ele pra compensar?". E dançou sentadinha com a gente detalhes.

"Ganhamos" o convite pra uma festa que ia acontecer no outro, nem pareceu que a gente que inventou a lista de convidados e colocamos nosso nome.

O casamento que ficou pra depois: a valsa, a festa, a noite de núpci.. isso não, a noiva de Albert estava animada.

Entre tantos outros momentos especiais que me relembraram a importância de ir como palhaço pro setor, como as pessoas são surpreendente e o de sempre: palhaço pronto é palhaço morto.




terça-feira, 4 de julho de 2017

""despedida""

Em clima de despedida desse ciclo de atuações chegamos eu, Mym e Cacá pra atuar no 11º andar, muita gente dormindo, um quarto que a gente não podia entrar, mas seguimos. De primeira encontramos Joelma do Calypso que estava naquele SPA disfarçada (tinha até pintado o cabelo de preto) porque queria dar um tempo da fama e do seu ex- marido, prometemos guardar aquele segredo junto com a miss Igarassu, andando mais um pouco ouvimos "Joelma do calypso" cantando na TV de um quarto, ufa tem alguém se passando por ela, el vai poder descansar bem aqui. Chegamos para cumprir uma encomenda de fazer o cabelo e a maquiagem das mulheres de lá, iguaizinhas as nossa, foi um sucesso, ela ficaram lindas, os abraços e sorrisos que ganhamos foi nosso pagamento. Chegamos no quarto do pessoal que tinha voltado da europa, muito atenciosos trouxerem uma bolsa pra cada uma que combinavam perfeitamente com nossas roupas, que bom gosto desses rapazes, de quebra ainda conseguimos um lugarzinho na casa de uma acompanhante lá em Carpina pra ir ver o show de jorge e mateus naquele dia de São Pedro. Entramos em um quarto e pudemos conhecer vanessa da mata e a esposa do cacique, depois de uma sessão de fotos que ia sair em todas as colunas sociais nos despedimos com muitos abraços. Passamos de novo no quarto das estátuas gêmeas, apesar de ter sido um pouco assustador (parecia até que elas tinham acordado de um sono profundo), elas foram muito legais com a gente, um exemplo de amizade e nos revelaram o segredo de toda aquela beleza, elas tinham despertado do sono da beleza, "já sei, vamos pegar o cajuzinho sonífero que a moça de branco nos emprestou e dormir também pra ver se a gente acorda lindas e leves assim!"
Aperreamos um pouco os enfermeiros pra eles descobrirem onde tava esse danado desse cajuzinho, mas conseguimos!

Espero que essa tenha sido a "despedida" só entre aspas mesmo, só tenho mais vontade de viver esses momentos que só a palhaço proporciona!

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O seu olhar que incendiou meu coração

Atuamos pela primeira vez na enfermaria de onco, apesar da decoração linda de SJ e das enfermeiras tão simpáticas, foi inevitável sentir o clima pesado daquele lugar, muitos pacientes que não se mostraram muito abertos aos jogos claramente porque não estavam muito bem mesmo, mas ainda assim nos rendeu muitos momentos especiais. Chegamos num quarto com duas senhoras, uma dona do ventilador rosa das princesas, aliás avó da dona, descobrimo que ela era uma super vovó, com 20 netos e 7 bisnetos, com sua simpatia  me encantou com seu jeitinho. Andando mais um pouco chegamos em um quarto em que um bicho queria sair da porta do banheiro, e o guardião do bicho tentava fechar a porta e prendê-lo lá dentro, ele contou pra gente que lá dentro tinha um bicho chamado cuca, que parecia um lobisomem, se não fosse por ele que tava com a missão de ser o guardião dele o bicho já tinha saído e engolido todo mundo. Admiramos muito coragem e força dele, não só por enfrentar esse bicho, mas por parecer enfrentar muitas dificuldades, mas mesmo assim ser tão disponível e com um sorriso no rosto. Voltamos pra um quarto em que minutos antes todo mundo dormia e ensinamos a Dona Benidita como ela ia fazer pra aproveitar o São João, ela fechou os olhos e se imaginou numa festa lista enquanto a gente cantava Luiz Gonzaga pra ela, o que fez a filha dela transbordar e logo ela transbordar, pra não irmos embora e deixar o clima ruim garantimos que as duas iam ser convidadas pra festa de SJ quando ela ficar boa, estamos ansiosas por isso!
Aproveitamos um pouco mais de SJ com a colega de quarto dela, fã de Luiz Gonzaga, cantou pra gente e tudo, já combinamos as roubas de matuta de cada uma, mas precisávamos ir procurar uma costureira, partimos em busca da moça da touca bonita pra ver se ela conhecia alguém que pudesse fazer os nossos vestidos, mas a mãe do filhote de galinho que abria a porta que depois ganhou o nome de bonitinho não sabia. Vamos continuar tentando e torcendo pra que essa festa possa acontecer logo pra todo mundo ali.

cadê meu abraço?

Chegamos pra atuar um pouco mias cedo as duas com sono num enfermaria cheia de gente dormindo, e agora? Vamo assim mesmo, a energia subiu, nosso sono passou e parece que o das pessoas também. Encontramos logo um funcionário que fingiu ser surdo mudo se comunicando em "libras" com a gente. Mas que feio, ficamos de mal por um tempo, mas BEM depois ele virou nosso amigo. Chegamos no quarto do casal fã de Roberto Carlos e de Andrea, nossa amiga de outros dias, combinamos de fazer um jantar quando elas ficassem boas e saíssem do hospital, com muita comida boa que o chef de cozinha da mansão do casal ia fazer e com show de Roberto Carlos, show mesmo, não é o DVD! Entrando em outro quarto vimos logo uma senhora com o cabelos grande e lindos, fizemos de tudo pra conseguir um pedaço daquele cabelo, mas não teve muito jeito, pelo menos combinamos de ir pra praia com e ela e o resto do pessoal do quarto. Encontramos no outro quarto uma senhora que fazia crochê e mãe de um "menino" que fazia careta pra gente, só a mãe achava que ele era um bebê, nunca vi um daquele tamanho. Com muita resistência conseguimos que um dia ela faça umas roupas pra gente de crochê, no fim da atuação ainda falamos pelo facetime com nossa amiga de longa data, a outra filha dela, estávamos com muita saudade, amiga! Encontramos o rapaz que fingiu ser surdo e eles nos contou que era técnico... aproveitamos pra fazer uma consideração, ele precisa mudar algumas pessoas do time, vimos um jogador com o dedo machucado porque chutou o chão ... ele disse que a vida de técnico não é fácil, muita pressão da torcida, mas depois das nossas dicas acho que o time vai melhorar! Eles nos apresentou uma amiga dele que tava de pijama, no início não entendemos, mas depois descobrimos tudo, ia ter uma festa do pijama lá! Corremos então pra colocar o nosso também! Sem esquecer de comentar que encontramos de novo nossa amiga que dá de presente os lençois, boatos que ela é a mamãe Noel, ela apareceu e já lembrou da gente: " eu quero meu abraço, igual ao daquele dia", seu pedido é uma ordem, muito bor poder trocar essa energia com a senhora!
Muito obrigada, Mym por ser minha melhor companheira do mundo, no sentido literal, batemos o recorde de falar mais coisa ao mesmo tempo, estamos ficando boas nisso <3 

domingo, 28 de maio de 2017

"Ontem a gente tava chorando, hoje a gente tá rindo"

Chegamos no sétimo andar em trio, Evinha nos deus a honra de ter momentos maravilhosos e no mínimo hilário que eu amo desde sempre kkkkk. Logo na saída sentimos na pele como é fazer do erro um passo de dança, fui tentar fechar a porta do quarto e não conseguia de jeito nenhum ( por um momento achei que tinha quebrado a porta, mas ainda bem que não), aí Quitéria Pinguinho foi mostrar toda a sua habilidade em fechar portas de um jeito cômico, enquanto ela tentava  eu morria de rir de um lado, quando olhei pro outro tava Eulalya literalmente chorando de rir encostada na parede, o restinho de energia que ainda tinha pra subir subiu na hora. Logo um senhor lembrou de Evinha e de vez em quando ia lá pedir pra ir ver o vizinho que ele tava acompanhando lá no último quarto. Espiamos a dorminhoca pela brechinha porta e quando tentamos surpreender a senhora que ela tava acompanhante nos surpreendeu primeiro, depois combinamos como ia ser nosso São João, cada uma com sua função. Pra aquecer mais pro São João dançamos até quadrilha em outro quarto e descobrimos que mesmo já estando bem grande ainda cabia nós três dentro do coração nossa anfitriã no São João ( haja dia de São João pra gente conseguir ir pra tudo que combinamos). Chegando em outro quarto logo organizamos um trenzinho de massagem enquanto cantávamos as músicas que nosso produtor pedia, sua esposa simpatia vai ser nossa fotógrafa oficial e fã número 1 da nossa banda as anjas do forró, o quanto eles se permitiram e compraram o jogo pra mim foi o mais especial dessa atuação, e ainda ouvir um " tá vendo? ontem a gente tava chorando, hoje a gente tá rindo" foi mais especial ainda. Conseguimos carimbo nos braços que nem uma menina que tinha o nome dos pais no braço pra não se perder, qualquer coisa pode entregar uma de nós de volta pra Vera enfermeira. Finalmente chegamos no quarto do senhor que tanto pedia pra gente ver o amigo, e nos presenteou com um pompom de cabelo, disse que queria dar um pra cada, mas só tinha aquele, prometo guardar com o mesmo carinho que ele nos presenteou.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

A melhor senha de passagem secreta

Dia de atuar no alojamento conjunto, outro desafio, e mais uma vez que a palhaço muda meu jeito de enxergar as coisas. O alojamento é um dos lugares preferidos normalmente por todos os bebês, mas pra minha surpresa um lugar que não dos meus preferidos pra atuar, às vezes sinto que tô atrapalhando a logística das coisas, que tô incomodando a mãe (nesse dia em especial tava meio gripada e ficava com medo de me aproximar dos bebês kkkk ) e sempre fico muito presa no mesmo jogo, mas apesar disso sempre existem momentos que marcam.

Primeiro quando chegamos no primeiro quarto quarto vimos logo um bebê muuito pequenino, parecia  de porcelana, mesmo depois de negar que a gente levasse ele pra gente ela pediu pra Zá segurar ele no colo pra tirar uma foto, só pensava: que confiança, entregar no colo aquele serzinho tão pequeno e frágil no braço de uma palhaça que apareceu com mais outras 2 do nada, confiar também é comprar o jogo e isso já valeu grande parte da atuação.

Em outro quarto conseguimos mais três lugares no coração de uma das mães, ela disse que apesar de já ter muita gente ainda dava pras nós três, o portal de entrada foi um abraço coletivo de transbordar!
Na tentativa de conseguir aqueles brinquedos pra gente tentamos de tudo, mas não teve jeito, mesmo sabendo que ele chora, dá trabalho e que quando cresce tem que dar pros outros, ninguém queria dividir pra gente espero um dia entender.

Pegamos carona com uma moça que tava com duas almofadinhas na barriga e duas no braço, feliz da vida porque ia pra casa, ficamos felizes de poder tá presente nesse momento com ela.

O pré jogo

Já vou começar me desculpando pela mequetrefice do atraso e do DB que segue também hehe

Terça da semana passada fomos atuar na enfermaria de clínica médica de manhã, apesar de seus momentos bons, foi uma atuação particularmente difícil, não sei porque encontramos pessoas muito religiosas, meio monotemáticas em relação a isso, e eu não soube lidar muito bem, ficava querendo falar de outras coisas mudar de assunto, enfim.

Os momentos mais especiais foi a gente ficar esperando um senhor que tava no telefone na janela enquanto a gente traduzia em língua de sinais o que ele falava, a surpresa dele quando virou a gente subiu bastante minha energia! Depois foi entrar no quarto de Messi e do treinador da Argentina momentos antes do grande jogo, foi gratificante ouvir do técnico dizer : " ainda bem que vocês aqui pra eu relaxar antes do jogo". Saímos já torcendo que o jogo corresse super bem.

sábado, 13 de maio de 2017

...palavras não dão conta.

Chegamos no ambulatório de onco em dia de festa das mães, apesar de já ter muita coisa: coral, cabeleireira, manicure, ainda teve espacinho pra gente. Aconteceu competição pra saber quem tinha mais filhos, netos e bisnetos, as campeãs ganharam suas medalhas. Chegou uma moça oferecendo uma poção mágica que tinha o poder de teletransportar quem bebesse, chegamos na Disney e quando voltamos conhecemos uma senhora que tinha acabado de voltar de Portugal, com um xale que tinha comprado lá, ela também revelou pra gente que queria ser malévola boa e que a gente podia ser as auroras, Eulalya vai ser a Aurora criança e eu a Aurora adulta. Agora precisávamos encontrar um príncipe pra cada uma, entramos numa festa que tava acontecendo lá, mas nos distraímos com a música e começamos a fazer um concurso de dança, a campeã sem dúvidas foi Dona Glória, dançando todas as músicas com todo mundo e com a maior animação. Começamos a fazer um trenzinho de quadrilha que pra mim foi uma das coisas mais marcantes da atuação, a cada volta ele ficava maior, mais gente se rendia à vontade de dançar ali com a gente até que ficou um trenzinho enorme 
Depois de marcações de viagem, tentativas de conseguir massagens com as esteticistas , "roubamos" uma florzinha da decoração pra dar de presente pra nossa mãe postiça do dia Dona Cícera.
Nos despedimos desejando muitos feliz dia das mães pra quem era mãe, quem era filha, quem era filho, pra todo mundo. Nos despedimos muito felizes e gratas por aquele momento e por existirem profissionais dispostos a tornar aquele ambiente tão agradável apesar de tudo, é por essas e outras que esse é o meu lugar preferido de atuar


Acho que esse foi um dos menores diários que eu já escrevi, logo dessa atuação que eu senti tanto, já temos a explicação...
Foto com a rainha do dia : Dona Glória <3 

sábado, 6 de maio de 2017

Encontrando o desconhecido ( e o conhecido)


Atuar no COB era um mistério pra nós duas, nunca tínhamos atuado lá, a gente não sabia nem onde guardar as bolsas. Vestimos só a roupa de bloco e entramos pra deixar as coisas onde a gente guarda nos plantões, encontramos logo Charmosão na sua versão doutorando-palhaço e orientou só que a gente não entrasse em um quarto em que uma mulher estava parindo um feto morto. Voltamos pro vestiário nos maquiamos, subimos a energia e voltamos. De cara encontramos mais um doutorando-palhaço, a surpresa e energia no olhar de Mano quando encontrou a gente já valeu boa parte da atuação . " Por que tu usa roupa igual a nossa?" " essa roupa é última moda em Paris, vocês sabem que chegaram em Paris, né? Eu sou o comandante da companhia que trouxe vocês pra cá, qualquer irregularidade que vocês acharem por aí podem me dizer". Encontramos a famosa Laura com sua melancia Ester as protagonistas da foto mais famosa do COB nos últimos tempos, conseguimos outra foto com ela e com Ester. Ainda aprendemos uns passinhos de uma coreografia que ela fazia e falou pra gente que tinha festa aqui com gente gritando e tudo. Chegamos num quarto com mais gente e mais melancias, tentamos comunicação com elas e conseguimos falar com uma melancia que tava perto de chegar que disse pra gente que tava doida pra chegar e conhecer todo mundo, percebemos de longe um paparazzi que entrou pra ficar com a gente,  Charmosão na versão palhaço-doutorando revelou que também tava esperando uma melancia que recebeu nome digno de príncipe ou princesa, ele ainda não sabia o que ia ser. Eulalya logo percebeu que a roupa das três era um vestido bem mais bonito do que a nossa roupa e começamos a fazer uma campanha pra gente conseguir uma roupa melhor, conseguimos uma carta, um áudio e um vídeo delas dizendo que a gente merecia uma roupa melhor. (Queria que esse vídeo de uma delas realmente tivesse sido gravado, ela comprou o jogo demais, com certeza a gente conseguiria). Saímos em busca de opiniões de como devia ser nossa roupa e conseguimos várias dicas ótimas e Eulalya ainda achou uns pedaços de renda e de tecido na roupa de uma das acompanhantes pra usar. Vimos uma mulher que tinha acabado de chegar da festa com um brinde lindo e muito fofinho. Pela porta do quarto proibido  interagimos de longe com uma mulher do quarto, queria muito entrar pra falar mais com ela, mas a vontade ficou sendo projetada pela porta mesmo. Em outro quarto tava acontecendo uma festa, as pessoas estavam muito concentradas na festa e achamos q a gente não deveria entrar. Voltando pro saguão onde as pessoas que acabaram de desembarcar ficam, conhecemos a melancia João Victor e sua mãe muito simpática e risonha, tirou uma foto com a gente pra mostrar a ele no futuro e dar o recado que a gente queria muito ter conhecido ele. Conversando com uma cantora que tinha chegado conseguimos muitos sorrisos, não sei como, ela disse que tinha chegado pra fazer uma curetagem, apesar da situação triste ela passou uma força e uma energia tão boa pra gente que não sei de onde ela tirou. Passou uma menina com a touca colorida, apesar de Eulalya pedir ela disse que não ia dar, então chegou de novo nosso amigo Charmosão pra trazer toucas pra gente, com todas as cores do mundo, muito mais bonita que a dela, colocamos a touca e nossos adereços da cabeça por cima. A menina da touca depois até virou nossa amiga, e fez até uma denúncia de que um monte de gente ali trabalhava de graça, quase que nem escravo :O e disse que tinha q ter um carimbo pra poder ganhar dinheiro, já queremos achar essa fábrica de carimbo. Atuar no COB foi muito diferente de todas as atuações, a minha maior dificuldade pra mim é lidar com o fato das mulheres ali estarem em situações diferentes, nem todo mundo tava passando pela alegria de tá perto de ganhar um bebê, tinha gente passando por situações muito difíceis do lado de alguém que tava muito feliz e eu me senti um pouco em um campo minado. Também foi atuar com muitas pessoas conhecidas, algo que também não tinha acontecido muito, obrigada Aída e Carol por comprarem nossos jogos, obrigado Mano e Charmosão por não só comprar os jogos, mas principalmente pela energia de vocês, que vocês continuem permitindo que o palhaço  exista dentro de vocês como doutorandos, médicos e como pessoa mesmo. 

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Sobre aproveitar as oportunidades

Chegamos no HC num feriado que deixou o hospital bem deserto, mas no quinto andar não tava deserto assim, na verdade tava cheio de gente disposta a jogar. De gente que tinha engolido um rádio a gente que se bronzeava na praia No lindo que fazia lá fora. Recebemos algumas dicas de uma super blogueira, desde como ter um loiro platinado até dicas de moda, conseguimos até ganhar uma postagem no blog dela, mesmo a legenda sendo "como não se vestir no feriado de tiradentes" aceitamos, afinal, fale bem ou fale mal, mas fale de mim. Entre conversas sobres os médicos bonitos da nefro, dicas e críticas aos nossos looks e combinações de descer pra praia ( com direito a feijoada e tudo), Mym teve a oportunidade de estrear o lado rosa do seu nariz. Entrando na hemodiálise encontramos uma senhora que não parecia bem, dizia estar com muita dor, agoniada, de cara pensei " ela não tá bem, acho que a gente vai incomodar, melhor não insistir", Esmeralda fraquejou e queria desistir, mas Eulália não. Ainda bem! Seguramos as mãos dela, entre, choro e nossa tentativa de mudar de assunto e falar sobre coisas boas surgiram vários "muito obrigada" falados por ela e pensados por mim ( já te disse isso, mas pra deixar registrado, obrigada por não ter desistido e não me deixado desistir dela, Mym <3 ), ela falou de Natal terra de onde ela veio, combinamos uma viagem pra lá com seu Rosildo, a pessoa que mais compra os jogos que eu conheci até hoje, muito obrigada por toda a disponibilidade, simpatia e energia boa que despertou tanta alegria em mim. Do outro lado encontramos um senhor dos olhos bonitos apertando uma bolinha, puxamos assunto, ele nem deu muita bola, mas logo depois já virou nosso amigo e vai até nos levar pra fazenda da praia dele e fazer o transplante rim-olho com Eulália. Vimos uma senhorinha toda arrumada de óculos escuro e tudo, no início também não queria muita conversa com a gente, mas depois que a gente foi até pegar aquele lençol (que parecia pesar uma tonelada) pra ela, acho que conseguimos conquistá-la um pouquinho, ela até queria arrumar uma de nós duas pra um gatinho da cadeira ao lado. Já depois de termos passado por todos os leitos chegou mais uma senhora, que simpatia, que carinho de vó ela deu pra gente, de quebra ainda vamos pra arcoverde no São João, com um convidado bem especial: Marclébio <3  

Saí de lá com a sensação de que valeu sair de casa em um feriado "só" pra atuar. Afinal em que dia normal você consegue combinar tantas viagens, compartilhar tantos risos e encontros, sentir que ajudou a aliviar uma dor e de quebra ainda poder combinar uma viagem de São João com seu professor de Nefro? 

sábado, 15 de abril de 2017

o melhor bate-bate do mundo

Chegamos na enfermaria do sexto andar numa manhã bem chuvosa, não tava um dia muito animador, aquele céu cinza sempre desce um pouco minha energia, mas foi só ver a reação de Mym ao lembrar que o sexto andar era a pediatria que a minha energia subiu, os olhinhos brilhantes e o sorriso dela cheio de energia fizeram minha energia subir tanto que tive uma das contagens mais rápidas da vida. No primeiro quarto uma enfermeira nos ensinou a aplicar a injeção do riso, bilateralmente na região inferior do toráx, fazendo movimentos rapidinhos. O sucesso foi 100%, Vanessa da Mata do riso frouxo nem precisava tanto dessa injeção. Fizemos a lista com os convidados vips da festa além da playlist. Tentamos, tentamos, tentamos muito fazer o homenzinho em miniatura sair da salinha pra falar com a gente, mas ele só ria e se escondia, e na hora de rir nos deu um abraço bem apertado, talvez tenha sido até melhor ele não ter vindo logo, a expectativa desse encontro deixou tudo melhor. No corredor encontramos a dona de uma pedra preciosa preocupada com a irmã que tava no nono andar, mas que se rendeu a um abraço que a fez transbordar, provando pra gente que o choro também pontua, e como pontua. No caminho fomos elogiadas pelas nossas roupas por uma residente " posso tirar uma foto de vocês? Eu também sou palhaça sabia?" infelizmente não deu tempo de pedir pra ela provar pra gente que era palhaça mesmo por causa da correria das visitas, mas espero que ela ainda encontre muitos palhaços em outros dias pra matar a saudade. Entramos numa loja de bonecas, cada uma mais linda que a outra, mas ninguém queria vender, sempre ouvíamos que não tinha dinheiro no mundo que pagasse, conseguimos combinar algumas trocas, eu e Eulália íamos trocar de lugar com uma moça do quarto e assim poderíamos brincar com todas as bonecas. Chegamos num parque de diversões e com certeza foi a melhor ida pro bate-bate que já tive, um bate-bate imaginário, no fim teve corrida dos carrinhos e a definição dos campeões, mesmo depois das medalhas o prêmio que todo mundo queria era poder ir pra casa, só restava pra gente torcer que esse prêmio chegue logo! Já na hora de ir embora tivemos um encontro de partir um pouco o coração, a mãe de uma das bonequinhas esperava a gente no corredor pra conversar e dizer o quanto estava sendo difícil pra ela ficar ali no hospital, que a convivência com as outras mães no quarto não era muito boa, que ela estava muito estressada com tudo, entre massagens e mais um abraço triplo apertado, conversamos com ela, mas a sensação de não poder fazer muita coisa pela situação me deixou de coração partido e pensando nela desde aquele momento. Cada dia tenho mais certeza do quanto esse projeto é importante pra nossa formação, encontramos pessoas, percebemos suas vulnerabilidades, refletimos sobre as nossas, pra gente nunca esquecer que cuidamos de gente como a gente!

sábado, 1 de abril de 2017

O melhor chocolate do mundo para a melhor companheira do mundo

Chegamos eu e Mym no ambulatório de onco, cada uma com a história de sua experiência anterior, enquanto eu tava super animada por atuar no lugar de uma das minhas melhores atuações de novo, Mym não trazia muitas lembranças boas do lugar. Estava Mym com medo de ter outra experiência não tão boa e eu com medo de não conseguir ajudá-la a tirar essa impressão ruim de lá. E assim a gente foi com medo mesmo. De cara encontramos o irmão gêmeo de um menino que a gente tinha visto no show de rock na noite anterior, com a mesma blusa do Nirvana e tudo! Ao lado dele estava uma mulher que a gente tinha certeza que tínhamos encontrado ela no cinema essa semana, mas depois ela esclareceu tudo pra gente, na verdade ela era a Bela do filme, não conseguimos conter a felicidade e tiramos várias fotos, afinal não é todo dia que a gente encontra uma estrela de cinema no meio do hospital. Enquanto conversávamos com uma senhora super elegante que jogava no celular como quem pousava pra foto, ouvíamos umas risadinhas, um senhor do riso frouxo morrendo de rir, não entendemos ainda o porquê, Esmeralda e Eulália não sabiam o que era aquele trabalho voluntário que ele tanto falava, afinal ninguém ali tava com nenhum volante, mas seguimos, entre um riso e outro ele dizia a gente que conhecia muito bem aquele lugar e que era seguro passar pela porta do guarda-roupa e entrar pela floresta. Chegando na floresta parece que a gente encontrou várias flores em forma de enfermeiras, acho que essa é uma das coisas que deixam esse lugar tão especial. "O senhor veio com essas duas acompanhantes hoje foi?" disse a galega nossa vizinha da rua que só mora gente loira e que nos acolheu tão bem, "foi! hoje vim com três acompanhantes!". Daqui a pouco entrou Dona Ridiane com sua peruca dos cabelos tão brilhosos de fazer inveja, "vim ver as palhacinhas", " a senhora quer adotar as duas?" disse a galega, "eu quero tô precisando de carinho, vou contratar pra fazer cafuné em mim", " Ahhh, a gente é especialista nisso!", como amostra grátis fizemos uma massagem nela pra provar que era melhor ela adotar a gente pra fazer carinho do que pra lavar prato. Aconteceu até um mini desfile, Eulália e suas meias talvez um pouco fora de moda, mas que segundo Dona Ridiane era bonitas porque pareciam um arco-íris, Esmeralda e suas perninhas zambetas de sempre e Dona Ridiane fechou com chave de ouro desfilando com sua cadeira de rodas e dando tchauzinho de miss. Silvana observava tudo da sua cadeira de praia e com seu chapéu super estiloso e sua filha índia, combinamos com ela nossa viagem das próximas férias: quando uma de nós quatro ganharmos a rifa pra ir pra Fernando de Noronha com um acompanhante vamos eu e Silvana com duas malas bem grandes, uma pra caber a índia e outra pra caber Eulália.
 Chegou Seu Samuel com sua filha que parece mais uma modelo de tão linda, com pouco tempo de conversa descobrimos que ele vai abrir uma Fábrica de chocolate, quando perguntamos qual seria o nome pra nossa sorte e surpresa ia ser " O melhor chocolate do mundo", foi a nossa chance de ficar famosa, eu e Eulália (Minha melhor companheira do mundo) fechamos o contrato pra fazer a propaganda da fábrica e vamos ser convidadas VIPs na inauguração. Chegando do outro lado, vejo um rosto conhecido, uma das grandes responsáveis pela minha última atuação na quimio ter sido tão linda, ela pareceu também ter me conhecido. Mas será que era eu mesmo? " Você tava aqui ontem com um menino gordinho não foi?" "eu?? eu não, eu conheço a senhora, mas não é de ontem não, eu nem vim aqui ontem", entre a desconfiança dela e Eulália começar a achar que eu tinha ido lá sem ela, prometi provar que não era eu, quero voltar um dia com Xena pra provar que não somos a mesma pessoa (apesar de ser uma honra ter sido confundida com nossa guerreira maravilhosa). Já na hora de ir embora encontramos uma senhorinha com cheirinho de bebê, tão cheirosa, mas tão cheirosa que o jeito que a gente achou pra pegar um pouco desse cheiro foi dar uma abraço triplo bem apertado e aconchegante. Um abraço de agradecimento a todo mundo que fez daquele pedaço da manhã um momento tão especial. Agora acho que posso dizer que esse é o meu lugar preferido de atuação, e depois dessa vez, acho Mym vai começar a concordar comigo. Muito obrigada por mais esse momento eternizado,MCM! 

sábado, 25 de março de 2017

Um novo mergulho

Começou um novo ciclo, companheiras novas, a alegria e expectativa pra essa primeira atuação fizeram com que a energia subisse rapidinho, o "problema" de trocar olhares entre o trio deixou de ser problema quando Aah sugeriu que a gente se aproximasse mais nossos olhos e fazendo com que eu amasse ainda mais aquele momento. Mergulhamos juntas no corredor do 10° como se fosse a primeira vez. De cara encontramos uma modelo fotográfica lá de Brejo da Madre de Deus, que dividia o quarto com uma senhora que nos confessou que ator da globo ela queria que fosse Jesus Cristo ( Reynaldo Gianecchini tem uma grande fã) e do seu passado como dançarina de gafieira. Assumimos a missão de encontrar um fotógrafo pra o ensaio da nossa modelo, e por sorte encontramos, no quarto ao lado, Sr. Júnior, especialista em aerofotografia e recordista de fotos de palhaças em uma atuação (83 fotos ao todo). Virou meu convidado oficial pra todas as festas de aniversário do ano na casa do seu colega de quarto. Depois da travessia de uma ponte, encontramos um arco- íris, e consequentemente o pote de ouro, mas não ele todo no fim do arco- íris uma senhora nos contou que o pote quebrou e o vento espalhou o pó por todas as direções, ela teve a sorte de poder receber o ouro diretinho na mão dela. Na cama ao lado descobrimos tudo, Carol comeu uma parte do ouro e agora a gente tinha que achar um aspirador de pó pra poder juntar todo o pó de novo. Nessa busca fizemos a entrega de uma presente que um admirador secreto mandou pra Japa que vestia branco e usava touca, um presente metálico que parecia ser muito valioso. No caminho conseguimos mais modelos pra o nosso desfile e até arranjamos uma viagem pra Campina grande no São João, mas essa não era tão fácil assim. Assumimos a missão de conseguir tirar nosso guia e anfitrião de lá até o São João e chegamos à conclusão que a única coisa que faltava era um tapete mágico, porque vontade já não falta por parte de nós três e nem por parte do anfitrião que me surpreendeu por lembrar que umas palhaças passaram por lá há um tempo atrás procurando o carnaval, e principalmente porque dessa vez ele tava muito mais comunicativo e parecendo gostar mais de receber visita de palhaços. Encontramos um pessoal que ia viajar pra conhecer as estrelas e articulamos nossas caronas. Depois de receber um presente da nossa amiga Japa enquanto a gente já via o céu escurecendo, aparece um espião: " vocês foram em todos os quartos, não vem aqui não??". Não só espião, mas também modelo (tivemos a honra de ver um pequeno desfile) e palhaço, fizemos questão de dizer a ele o quanto era a realização de um sonho conhecer pessoalmente um e que se não fosse por ele a gente nunca ia descobrir que palhaços iam visitar o HC. Depois da atuação um sentimento que tomou o resto do dia, que satisfação poder fazer parte de tudo isso, muito obrigada meninas por essa atuação maravilhosa. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Um abraço muda o dia de qualquer um

Chegamos eu e Tascha para atuar no famoso ambulatório de onco, frio na barriga por atuar pela primeira vez  em um lugar com uma dinâmica bem diferente do que a gente tava acostumada, fomos com medo mesmo. A recepção estava cheia, de repente estávamos num jogo com muitas pessoas ao mesmo tempo, alguns momentos até conseguimos administrar e envolver mais gente outros momentos nem tanto. Fizemos bastante propaganda da festa que ia acontecer no outro dia lá no ambulatório e combinamos com todo mundo o que cada um ia levar! Conhecemos um casal que estava esperando o irmão de um deles fazer a primeira sessão de receber super poderes, aproveitamos a oportunidade pra conhecer por fotos todos os filhos e netos deles e depois de um pequeno quiz descobrimos que mesmo depois de muito tempo eles ainda lembram de detalhes de como se conheceram. Decidimos entrar pra conhecer o lugar onde se toma super poderes, era um lugar frio, mas só na temperatura mesmo, quem comanda tudo por lá são duas mamães-noéis muito atenciosas com todo mundo. Conhecemos uma senhora que nos revelou depois dessas sessões de tomar super poderes descobrimos que ela está quase virando a super Masterchef, e até prometeu cozinhar pra gente quando a gente for pra festa lá em Carpina. Encontramos Socorro, presença confirmada na festa do dia seguinte, depois de fazer sugestões de roupas pra gente usar na festa e até das músicas que a gente podia dançar falou: " muito bonito esse trabalho de vocês aqui, às vezes uma coisa simples pode mudar o nosso dia, eu gosto muito daqui, já perguntaram se eu queria ir pra outro hospital, mas eu não saio de jeito nenhum, adoro o cuidado das pessoas aqui. Às vezes só um abraço aqui muda o dia, o abraço representa entrega de uma pessoa pra outra". Depois de ouvir isso senti que a gente não podia sair dali sem dar um abraço em Socorro. "A gente já descobriu que a senhora tem o dom de dançar, já disseram que a gente abraçava muito bem, a senhora quer um abraço?" Timidamente respondeu: " quero , mas nem vou poder abraçar direito por causa desse soro" "tem nada não, a gente abraça assim de lado", eu de um lado, Antonieta do outro, poucas partes dos corpos se encostaram, mas se encostaram o suficiente pra fazer socorro transbordar, na verdade não só Socorro... É difícil descrever, por coincidência (ou não) recebi de um amigo uma das melhores definições de abraço que já vi: a vontade incontrolável das almas tentarem se encontrar, e que encontro. Tivemos a certeza de que o choro também pode ser consequência do encontro, de que nem só o riso "pontua" como Gentileza sempre fala, de que a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar. Pouco depois da gente se despedir dela e ir encontrar outra pessoa ela chamou a gente pra entregar dois chocolates e agradecer mais uma vez. Depois da atuação eu e Tascha concordamos que aquele era um dos chocolates mais gostosos que a gente já tinha comido, gostinho de mais um momento eternizado.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Existe música no silêncio

Chegamos eu e Páh no Alojamento conjunto, hora de subir a energia e decidimos apenas ficar nos encontrando com o olhar, com o tempo até o barulho da BR foi sumindo, uma conexão tão boa que nem senti falta de música. Como a gente se trocou no banheiro não tinha como deixar as coisas lá então saímos em busca de um lugar pra colocar nossas malas de volta da nossa viagem pro deserto e terminamos deixando na alfândega. Entramos no primeiro quarto onde tinham duas bonequinhas, fizemos de tu pra saber como fazia pra comprar uma daquelas, mas não teve jeito, aquelas bonequinhas não tinha preço nenhum que pagasse! Seguimos pra outro quarto e encontramos Antony, filho de Italiano com Rafa, ou seria com Suzy? A gente ainda não descobriu 100% se Suzy é mãe ou madrinha, o certo é que Antony é a cara dela. Encontramos Lorena, a mais nova princesa de bezerros e ganhei um dos melhores presentes do dia: segurar aquela pequena no colo foi sentir o peso da responsabilidade de estar ali e a leveza de um vida novinha cheia de energia. Entramos no maior quarto de todos onde tava acontecendo a criação do roteiro de uma novela, conhecemos o camera-man, a mocinha até que o vilão chegou dizendo que tinha acabado a hora da gravação. Quando passamos de volta no corredor ouvimos um " vão embora não, agora tá todo mundo acordado aqui pra ver vocês" de Suzy depois de dançar com ela e arrumar Antony e Heloísa (bebê do leito ao lado), prometemos dar o recado ao porteiro lá de baixo (paquera de Suzy) que ela tava procurando por ele. Chegando na alfândega a moça disse que tinha custado 50 reais por cada mala que ficou guardada. "50 abraços???" " Eu também ouvi 50 abraços" e damos juntas um abraço apertado na moça. 

sábado, 19 de novembro de 2016

"Fazer o riso tremer o medo, fazer o medo vira sorriso"

Querido DB, essa semana foi a nossa quarta atuação, sinto que a gente tá ficando cada vez mais conectadas, a ponto da gente falar a mesma coisa ao mesmo tempo kkkk Hora de subir a energia, fizemos um alongamento com as mãos dadas, e pra mim esse momento funcionou quase como o jogo, o que uma fazia refletia no movimento da outra e mostrou como a gente tá conseguindo se complementar e conectar bem <3 Entramos no corredor da hemodiálise e começamos a conversar com um rapaz, um encontro com alguns desafios, depois de alguns sermões meio religiosos dos quais eu, particularmente, não concordava e nem tenho muita tolerância pra ouvir, ele nos mostrou a tornozeleira eletrônica dele e contou que estava cumprindo pena em regime aberto, se não fosse pela carga pesada que ele levou a conversa, nenhum problema, eu até tentei em jogar em algum momento, mas ele claramente não tava aberto pra jogar sobre esse assunto então ficamos nós três sem reação e bem tensas por um tempo. Depois ele mesmo percebeu que a gente tinha ficado desconfortável com a conversa e mudou de assunto, depois até conseguimos jogar com ele e tivemos bons momentos. (Re)encontramos Dona Vera, nós três tínhamos ido na hemodiálise semana passada e ela logo lembrou da gente e falou "ainda bem que vocês  vieram, tava precisando pra me alegrar, já chorei e tudo aqui", pelo que ouvimos depois acho que ela vai precisar fazer uma cirurgia, mas não tocamos nesse assunto. Conversamos, cantamos e acho que pelo menos por aquele momento a tristeza e o medo deram lugar a sorrisos. Quase que Tascha conquista de vez o sobrinho de Dona Vera. Daqui a pouco chega Dr Diogo, na outra atuação a gente descobriu que ele tinha muitas admiradoras lá no quinto andar dissemos a ele e no fim todo mundo ficou com inveja de Dona Vera porque ele fez o que todas do quinto andar sonham: pediu o número dela e prometeu na frente de todo mundo que ligava. Encontramos de novo Seu Ivanildo e já temos convite certo pra uma festa no nono andar, convecemos ele a tocar numa banda de pagode e tudo. Depois encontramos Dona Rosinete que nos prometeu apresentar seu neto que tava completando 18 anos no dia e que segundo ela era lindo, só sei que quem tiver interessada vai ter que aprender a cozinhar de verdade pra agradar Dona Rosinete. Enfim, mais uma atuação que mudou o meu dia e o restinho da semana.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O poliamor da Hemodiálise

Querido DB, quarta foi o dia da minha terceira atuação, estávamos incompletas, Tascha não podia ir no dia, adaptamos a forma de subir a energia. Ao som de ''durma medo meu'' eu e Páh nos encontramos, e que encontro, olhos marejados, subimos o nariz. Durante a atuação estava me achando um pouco lenta nas reações, ainda bem que minha MCM é disparada e na maioria das vezes me salvava (Obrigada, Páh <3), acho que como eu tava lenta pra começar, terminava me empolgando e não vendo muito a necessidade de concluir o jogo, e lá vinha Páh de novo me salvando de novo e me puxando de volta, pelo menos acho que consegui reconhecer as cartadas dela. Ontem na reciclagem entendi porque eu tava me achando lenta nas reações e nos inícios, acho que entrei no jogo ainda meio fria, sem energia suficiente, talvez eu devesse ter esperado um pouco mais pra subir o nariz, mas ainda assim a atuação rendeu momentos muito bons! Entramos corredor da hemodiálise e achei o mais dificil até agora, parecia um pouco com um ambiente de UTI, alguns pacientes não pareciam estar muito dispostos, mas fomos mesmo assim. Ainda bem porque assim que viramos pro lado encontramos alguém que parecia esperar os palhaços todas as tarde da hemodiálise. Dona Vera Lúcia perguntou logo nossos nomes e pediu pra tirar uma foto nossa, disse já ter conhecido muitos palhaços, mas que sempre esquecia os nomes, tirou fotos nossas e anotou nosso nome num papelzinho, seremos as primeiras do álbum de palhaços de Dona Vera! Entre muitas músicas planejamos uma viagem pros Estados Unidos, e o casamento de Severina Disparada, passamos um tempo tentando descobrir de qual máquina daquelas saia o dinheiro que a gente ia precisar pra comprar as coisas. Encontramos Seu Ivanildo, tinha acabado de receber um suco com um recadinho, descobrimos que era de alguma admiradora secreta, uma das, ele contou pra gente que lá todo mundo vivia um poliamor e que ninguém se importava em saber, informação confirmada pela enfermeira (possivelmente uma de suas admiradoras). Marcamos uma visita na Usina Aliança, conhecemos Rafinha, acusado como concorrente de Seu Ivanildo no corredor e muito festeiro segundo a mãe, qualquer dia desses a gente vai pra festa com ele também! Não interagimos com todos de lá porque muitos estavam dormindo ou não abertos para o jogo, mas os que estavam valeram demais a atuação.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

"Só serei flor quando tu flores no verão"

DB, ontem foi o dia da minha segunda atuação e mais um dia de encontros, descobertas e de momentos com uma energia maravilhosa que esse projeto me proporciona! Tudo começou na hora de subir a energia, semana passada tínhamos tentando ficar olhando nos olhos uma das outras, mas percebemos que uma sempre "sobrava" em algum momento porque somos um trio. Decidimos tentar uma música, uma das que marcou a oficina. Ao som de oração nosso abraço ficava cada vez mais apertado, difícil descrever. "Coração não é tão simples quanto pensa...cabe nós três*". Cada dia tenho mais certeza de que minhas companheiras são as melhores do mundo! Nos lançamos no corredor do sétimo andar, diferente da pediatria onde nós fomos "atrações" e muita gente já ia interagir com a gente, dessa vez tivemos que buscar. De primeira conhecemos logo com uma celebridade de Iati, seu João, depois de muita conversa recebemos convites e já temos lugar pra ficar nas próximas festas e vaquejadas até de Minas Gerais. Descobrimos que existia um SPA no outro quarto, onde cabritinha fazia as unhas e maquiagem (agora salão nunca mais, dá pra resolver tudo no HC) e assumimos a missão de encontrar um par pra "Solitária", como não achamos nenhum pretendente à altura damos algumas dicas dos melhores horários e lugares pra encontrar um bom par no HC. Entre massagens e conversas sobre como Dona Maria arrasava corações na juventude ouvir um "era isso que eu tava precisando hoje" e receber um beijinho na mão como se fosse uma bênção representou um pouco do quanto foi gratificante esse dia! No quarto seguinte nos juntamos à conversa de mãe e filha sobre histórias de trancoso, relembramos os velhos tempo cantando Reginaldo Rossi, quando a filha decidiu nos levar até o quarto do início onde ela disse que havia uma rosa muito triste, fomos em um trenzinho conhecer onde ficava esse jardim, chegando lá vimos um jardim lindo onde a rosa principal disse estava cada vez melhor e recebia cuidados de algumas jardineiras, água, adubo e muito carinho, e me fez florescer junto com ela. Nos despedimos da rosa e do jardim e logo veio a frase que mistura recompensa e aperto no coração "vocês vem de novo, né?"

sábado, 22 de outubro de 2016

Dia de baile no sexto andar do HC!

Núcleo do dia: “Esse projeto faz mais por você do que você faz por ele”. Sempre escutei essa frase de alguns velinhos e hoje senti  o quanto ela é verdadeira, chegar no lugar que a gente já era acostumada ir, mas com uma intenção diferente foi incrível. A gente não tava lá pra fazer um monte de pergunta, auscultar ninguém e nem seguir nenhum protocolo, nenhum mesmo. Nos jogamos no vazio e aproveitamos o infinito de possibilidades que existe naquela enfermaria. Do planejamento de uma festa seguimos em busca de um sapato de cristal perdido em algum lugar da enfermaria e acabamos encontrando mais convidados pro nosso baile, Bruno e Emily foram escolhidos por Yasmim 1 e Yasmim 2 como rei e rainha que  depois da coroação desfilaram por todo o corredor em suas “carruagens” (cadeira de rodas). Depois de muita dança e de muitos momentos “seu rei mandou dizer” seguimos pra outro quarto. Lá estava Laurinha, de volta na enfermaria, no meio da nebulização sem muita disposição, conversamos um pouco, daqui a pouco chega Cristiane, a mãe de Jenifer, que terminou nos levando pro quanto onde Jenifer dormia e mais duas mães estavam com seus bebês , teve concurso de dança e até sugestão de pretendentes pra cada uma. Na hora de entrar na sala de repouso e se trocar passamos pra dar tchau a Yasmim 1, que com um sorriso revigorante perguntou: “ Vocês vêm amanhã de novo?”.
É, a gente sai achando que conseguimos melhorar um pouquinho o dia deles, mas na verdade percebemos que eles mudaram demais o nosso!