A atuação dessa vez foi no COB, onde nos arrumamos no quarto
reservado aos residentes. A atuação no COB, pra mim, sempre é um desafio. Talvez
por ser um setor completamente diferente dos outros estruturalmente e conjunturalmente.
Um ambiente repleto de mulheres nem sempre receptivas e, por vezes, com muita
dor. Mulheres que perderam seus filhos ou que aguardam ansiosas pela chegada do
primeiro. Muitos residentes em um espaço muito pequeno. As atuações no COB
sempre me surpreendem. Quando achamos que nada vai dar certo, encontramos
carinho, olhares, risos, braços abertos ao nos receberem. Dessa vez não foi
diferente. Entramos em um quarto onde foram extremamente receptivas, além de
jogarmos com uma mulher que se encontrava dentro do banheiro dos pacientes. Que jogo massa!! Calvino Pente Fino, com todo seu charme e sua malemolência típica, em um local repleto de mulheres, não poderia ter saído sem arrancar suspiros e algumas indiretas (ou diretas mesmo) das mulheres que ali contemplavam seu inefável dom da sedução. Esse calvino... tinha que ser amigo meu! Depois de passarmos em todos os quartos saímos com aquela sensação
de dever cumprido. Que delícia é atuar no COB.
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terça-feira, 28 de julho de 2015
São João na pediatria
Quando entramos na pediatria, recebemos de cara a
responsabilidade pelos colegas de animar um pouco mais a festinha de são joão
da pediatria que fora organizada pelo pessoal da brinquedoteca. Mas logo
naquele dia em que estávamos tão cansados? Era visível nosso olhar pesado.
Subimos a energia. Não senti que dei o meu melhor, mas dei o que poderia dar,
naquele momento. Único.
“Eu, eu mesmo...Eu, cheio de todos os cansaçosQuantos o mundo pode dar. –Eu...Afinal tudo, porque tudo é eu,E até as estrelas, ao que parece,Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...Que crianças não sei...Eu...Imperfeito? Incógnito? Divino?Não sei...Eu...Tive um passado? Sem dúvida...Tenho um presente? Sem dúvida...Terei um futuro? Sem dúvida...A vida que pare de aqui a pouco...Mas eu, eu...Eu sou eu,Eu fico eu,Eu...”Fernando Pessoa
Sétimo de novo, mas novo!
De volta ao sétimo andar, com o receio de uma atuação não
tão boa como a de antes, e o medo de repetir a baixa energia que foi da última
vez nesse mesmo setor, chagamos cautelosos. Mais uma vez fomos surpreendidos.
Os encontros do último quarto foram os mais incríveis da atuação. A brasileira
que morou na França, a paciente que dublava sem a menor coerência o meu
francês, seu marido extremamente calado no qual só escutávamos as risadas, as
duas estudantes do projeto que tem título de novela, O caminho. Muitos
encontros. Muita reciprocidade. Muitos sorrisos. Um até logo. Um até breve.
O caos da agonia se dissolve na alegria!
Depois da atuação na enfermaria do sétimo andar, onde não
saímos nada satisfeitos, veio a atuação no décimo primeiro andar. Foi
simplesmente incrível!!! Dava pra ver nitidamente o brilho nos olhos de Marieta
ao final da atuação. Vários encontros incríveis e ainda atuamos ao mesmo tempo
que acontecia algo relacionado a outro projeto, O caminho, ou seja, setor
lotado! Muitos, muitos, muitos estudantes onde alguns jogaram com a gente e
fizeram crescer ainda mais nossa intervenção, além de pacientes extremamente
animados e receptivos à todos que estavam ali. A poeira da atuação passada foi
embora em cada sorriso que vislumbramos, em cada gesto de amor e empatia! Rá!!
domingo, 17 de maio de 2015
Enfermaria de mão dupla
Essa semana atuamos na enfermaria do sétimo andar. Era
visível o cansaço da semana tanto meu como da minha MCM, e preocupações com as
atribuições que estavam por vir. Entramos em um dos quartos, um dos primeiros
em que passamos, e, ao menos aparentemente, o casal que estava no quarto
parecia nos receber bem, mas era notório que nunca compravam nosso jogo e sempre
colocavam a sua religião em primeiro plano, nos falando sempre de oração e nos
convidando o tempo todo para tal. Até que resolvemos sair do quarto e foi aí,
no momento em que saíamos que escutei “sem graça né?” dizia a mulher para seu
marido se referindo a nossa atuação. Desabei. Senti dez vezes mais cansaço do
que estava sentindo, tive vontade de parar, sentar, refletir, ir embora.
Entretanto, pensei nas pessoas que muitas vezes diziam ganhar o dia com a gente
e pensei “existem outros quartos para passarmos, se tá ruim, vamos melhorar,
mas não podemos parar, vamos em frente” e foi aí que entramos num quarto onde
fizemos uma atuação incrível. Fui do inferno ao céu em questão de segundos. Pessoas
incríveis jogavam com a gente, nos queriam ali, nos entendiam, pediam para não
irmos embora. E foi assim que percebi, o quão mágico pode ser uma tarde no
setor, diversas pessoas, diversos sentimentos, críticas e elogios em um único lugar,
mas um lugar onde nada caminha em um único sentido, onde até a enfermidade pode
ser uma questão meramente relativa.
sábado, 9 de maio de 2015
O retorno de uma parceria
De volta as atuações com minha dupla, Marieta Toboagua, fomos atuar na pediatria. Foi muito boa a receptividade do setor, tanto dos pequenos como dos funcionários e acompanhantes. Atuamos mais do que o tempo normal no setor e cada segundo, cada olhar, valeu a pena.
maternidade!!
Nessa ultima atuação sem minha dupla, eu e Malaquia atuamos na maternidade.Tudo parecia estar dentro de uma simples atuação quando encontramos um dos servidores do hospital abastecendo o setor e com ele uma caixa grande sobre rodas onde levava os produtos dentro. Depois que esvaziou o carrinho, ofereceu para um de nós entrarmos no carro e passear pelo setor. Malaquia entrou e eu empurrei, juntamente com o funcionário. Foi incrível. Entramos em um quarto onde estava uma senhora e vários estudantes e do nada abrimos a tampa e malaquia saiu pra surpresa e gargalhada de todos. Foi muito boa a atuação apesar de termos começado meio desacreditados pela grande quantidade de vezes que atuamos na maternidade e acharmos que íamos cair na mesmice. Ainda bem que estávamos enganados.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Enfermaria do sétimo andar
Hoje não achei que fui tão bem na atuação. Não consegui em
alguns momentos manter a energia. Passamos
em um quarto onde as pessoas eram extremamente receptivas, outros em que nem
tanto. Conhecemos um paciente, argentino, que estava no hospital por conta de
uma hepatite c e estava preso por conta de envolvimento com tráfico de drogas. Isso
me fez refletir um pouco durante a própria atuação, um dos momentos em que
percebi minha energia sendo direcionada pra outros caminhos que não da atuação,
esqueci por instantes que estava trajado de palhaço, apenas escutando o que nos
contava o paciente. Espero que consiga desenvolver melhores atuações, e que o
aprendizado de hoje me leve rumo a inestimada experiência de ser cada vez
melhor.
domingo, 5 de abril de 2015
Um, dois, três, trio mais uma vez!
Devido a questões de aposentadoria de Marieta durante três
semanas, a partir de hoje, durante essas semanas, minhas atuações serão em
trio! E não poderia começar melhor se não com meu velho companheiro Malaquia
Miopia e agora com Surdete Repete! Atuamos na maternidade e a atuação foi (
fo.... ) incrível! O pessoal foi
extremamente receptivo e nossa energia sempre lá em cima! Quase que não dava
tempo de atuarmos em trio por conta de um imprevisto com Cassis que chegou em
cima da hora quando estávamos já se arruando no setor, mas ainda assim,
consegui fazê-la esperar eu me arrumar... E a partir daí a gente se jogou no
vazio mais uma vez e o setor estava de braços abertos pra nos receber. Que venham
mais semanas de atuações como essas!!
De volta às atuações!
O retorno às atuações foi incrível. A gente se dá conta de
como faz falta atuar no setor. Confesso que fiquei meio inseguro com o retorno,
de como eu ia me desenvolver durante a atuação e, principalmente, como seria
atuar com uma nova dupla, como ela jogaria com os pacientes, como a gente
jogaria com os pacientes. Insegurança, medo, nervosismo, ansiedade. Tudo absolutamente
normal, mas sem nenhum motivo condizente. A atuação foi linda!! Incrível como a
gente, aos poucos, foi aprendendo a suplantar a insegurança com a coragem de se
jogar no vazio, como fomos ganhando confiança na nossa parceria ainda que no
dia, o COB, onde atuamos, estivesse com um clima extremamente pesado pela
quantidade de mães em estado de observação e na espera do parto. O momento auge
pra mim foi quando atuamos dentro do quarto onde estavam 3 pacientes e duas acompanhantes,
todas mulheres. A receptividade foi incrível e ficamos no quarto até
precisarmos sair por conta de uma entubação que ia ser realizada. Ficou a
inusitada certeza de que demos o nosso melhor. Nunca subestime a capacidade de
ser exatamente aquilo você é, pois isso é o que vai te levar muito longe! Até
breve Marieta Toboágua.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Décimo ala norte
Última intervenção de 2014. 2! Concluímos um ciclo. Um ciclo
de aprendizagens, conquistas, erros e acertos e com certeza um ciclo de muito
amor... amor ao próximo, amor ao erro, amor ao acerto, amor ao olhar, amor ao jogo,
amor ao amor, amor ao amar. Dessa vez atuamos também no décimo andar, mas
corremos o risco de atuar na ala norte, onde nunca tínhamos atuado antes e nos
jogamos no vazio. Desde o primeiro quarto, nos sentimos acolhidos pelos
pacientes e pelos profissionais no local que foram extremamente receptivos,
mais uma vez. Espero que as atuações de 2015.1 permitam aprendizados
gigantescos como 2014, surpreendam e nos tornem cada vez melhores na “arte” do
humanismo, na atenção, no improviso, no olhar, na compaixão e na virtude de sermos
palhaços. Que venha 2015.1.
Décimo ala sul
Dizem que Finjo ou Minto
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é,
Sentir, sinta quem lê!
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é,
Sentir, sinta quem lê!
Fernando Pessoa.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Pedi a t(r)ia
A intervenção dessa semana foi incrivelmente renovadora! Pela primeira
vez atuei no hospital em trio... e como me senti a vontade pra me jogar no
vazio! Saímos da mesmice e desatamos os nós decorados. Embora o espanto pelas
infantis brincadeiras de punho solto, pela primeira vez pedi à tia pra deixar,
aquilo era coisa de criança!
No enfermo do sétimo
Confesso que to escrevendo esse diário com um “pouco” de
atraso. Nós visitamos a enfermaria do sétimo andar semana passada, mas no corre
corre desse bonde que se chama vida terminei esquecendo de escrever. E nessa
dita hora em que me deparo escrevendo, confesso mais uma vez que não me lembro
tão bem assim dos detalhes da atuação da semana passada, embora as dancinhas do
meu MCM, malaquia miopia, sejam inesquecíveis. Na enfermaria já me sinto em
casa, de um jeito ou de outro, já fazem parte de Luiz Calvino Pente Fino.
“Alto aqui
do sétimo andar
longe, eu via vocêe a luz desperdiçada de manhã
num copo de café”
Los Hermanos
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Intervenção externa Dona Lindu
DB!! Depois de um milhão de anos abrirei novamente as
cortinas que guardam as palavras para viajar naquela minha primeira intervenção
externa, fora a de Olinda – quando estava ainda em formação- no parque Dona Lindu
em BV. Havia pensado em não ir para a intervenção devido a uma prova no dia
seguinte. Ainda bem que tive coragem para encarar o desafio e não me arrependi.
Que intervenção!! Foi simplesmente incrível. O objetivo: encontrar a música.
Será? O maior objetivo do palhaço é o encontro e foi exatamente assim o dia.
Vários encontros. Brincamos com os pequenos que estavam com os pais
coincidentemente para um evento que ia ocorrer do dia das crianças, brincamos
com os pais, brincamos com avós, tios, sobrinhos. A recepção foi calorosa e
muitos jogavam com a gente. As minhas principais dificuldades foram manter a
energia por tanto tempo e com algumas pessoas que, infelizmente, não jogavam
junto com a gente. Mas apesar das dificuldades, a sensação de intervir com
tantos palhaços foi incrível. Cada um parecia puxar a alegria contagiante do
próximo e assim se sucedia uma gigantesca onda de cumplicidade, amor e alegria.
Intervenção externa nos dá uma dose a mais de energia, recarrega nossas esperanças
e fortalece nossa eterna juventude!
Que venha 2015!
A nossa ultima intervenção externa foi na pediatria. Poderia
ter sido mais proveitosa se n fosse pela contusão em uma das minhas pernas que
fazia com que minha energia oscilasse bastante durante a intervenção no setor.
No entanto, essa intervenção deixou a vontade de dar cada vez mais o melhor aos
pacientes. Que venham as intervenções de 2015, que seja incrível o que for de
novo e magnífico o que for novo.
domingo, 23 de novembro de 2014
O que vem do encontro
Chegamos a enfermaria do sétimo andar. Passamos na maioria
dos quartos, exceto os que todos estavam dormindo. Fora esses, os quartos em
que passamos todos foram extremamente receptivos e brincaram junto com a gente.
Um quarto em especial ficou, o quarto de Carlos Antônio, que visivelmente não
estava bem, nem em termos físicos nem psicológicos. Esboçava o choro quase o
tempo todo enquanto conversava com a gente. Fizemos com que enxergasse além do
vivia naquele momento, nessa hora engolia a seco o choro. No final, ficaram
ainda mais suas palavras de agradecimento pelo nosso trabalho e sua vontade não
concretizada de nos acompanhar para animar o setor. Sua lição de vida levarei
comigo seu Carlos. A confiança na gente e apesar de tudo que nos contou seguir
em frente. Aprendemos imensamente. Nós que agradecemos. Nosso MUITO OBRIGADO!!
domingo, 16 de novembro de 2014
COB
Uma tarde incrível no COB. Fomos presenteados mais uma vez com
a receptividade dos pacientes e acompanhantes no setor. Cada sentimento ali é
compartilhado e cada expectativa de amor a um filho que se aproxima transmitido
na eternidade.
“Para
Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.”
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.”
Carlos
Drummond de Andrade
sábado, 8 de novembro de 2014
Materna idade
A maternidade dessa vez ficou por nossa conta! Mais uma vez
olhares inesquecíveis nesse setor. Pela primeira
vez não senti o relógio avisar que já tava na hora de acabar. Tantos novos
olhares nascendo naqueles quartos. Novos desbravadores desse mundo. E que nossa
atuação continue a receber os frutos do encontro. Esses breves aforismos entram
em consonância somente na cabeça de uma criança. Viva a materna idade de se
fazer criança de novo!
domingo, 2 de novembro de 2014
Uma flor no meio do asfalto.
Os encontros dessa vez aconteceram
no setor de enfermaria de clínica médica. Embora um pouco debilitado
fisicamente “graças” a uma faringite e com dificuldade em manter a energia por
muito tempo, a intervenção se seguiu com muita receptividade por parte dos
pacientes e tudo parecia fluir, ainda que meu estado físico não fosse 100%. “Uma
flor nasceu na rua!(...)Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio” Carlos
Drummond de Andrade.
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