Mostrando postagens com marcador Lagrimólia Curtinha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lagrimólia Curtinha. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Última com meu MCM

Estávamos programados pra atuar no ambulatório de oncologia, um lugar que a gente nunca tinha ido antes e que todos falavam bem. Logo quando cheguei na federal notei que tava tudo fechado e lembrei que era feriado, ou seja, sem ambulatórios. “Aff, ia ser a última atuação do semestre, num lugar novo, tava super ansiosa, e nem atuar vou mais”, e aí começamos a saga pelo whatsapp pra tentar atuar em algum canto. Fomos pro sétimo sul. Já seria nossa terceira vez lá. Começamos sem receber um quartinho pra trocar de roupa, apenas o banheiro apertadinho msm. E aí, o que acontece pra completar? Isso mesmo, eu esqueço meu nariz! “Ai meu deus, Marcelo, atua sem nariz também?”, pedi de uma forma bem dramática na hora. Mas a insegurança bateu real oficial. O nariz, digam o que quiser, tem um impacto grande e super chama logo atenção. Mas enfim, fomos só com  o nariz pintadinho de pinta cara. Ai jesus.
Comecei ainda um pouco desconfiada, por pura besteira, mas seguimos. Np primeiro quarto nos perguntaram o que eram aqueles narizes vermelhos e aí Marcelo disse que era gripe e eu rinite. O paciente ao lado do que estávamos falando ficou logo espantado e reclamando que gripe era muito perigoso pra eles. Todos riram e disseram que era brincadeira, mas ops, Marcelo tava gripado de verdade. 
Saímos do quarto e encontramos nossa colega super animada que tinha dançado com a gente da vez passada. Dançamos mais uma vez, dessa vez a música do pintinho amarelinho (acho que é esse o nome). Fomos em outros quartos, reencontramos outros pacientes, contamos e nos contaram novas histórias. Chegamos no último quarto (ou quase o último) e aí encontramos uma paciente muito parecida com nossa colega animada: "vocês são parentes?" "vocês são um clone?" "como eu sei que você é a original?" E num é que ela disse pra gente? Ela nos mostrou seus dedos especiais e únicos que nenhum clone poderia ter e nos deu a missão de achar esse clone e apresentar a ela.
Missão dada é missão cumprida.
Elas não eram parecidas. Mas  valeu muito a interação entre elas. Quando chegamos no quarto ela tava ensinando a fazer seus ornamentos de papel, todos estavam bem atentos. Uma paciente tava sentada, quietinha ao lado, perguntei se ela não queria aprender também e aí descobri que ela era irmã da nossa colega animada dos corredores, descobri que ela não tava tão animada no momento e conversamos mais um pouquinho. Mas aí, não podíamos ir embora daquele quarto sem uma dancinha final, nossa colega começou a dançar com a gente e qual nossa surpresa? A irmã dela também! Dançou no lugarzinho que tava, um pouquinho, mas até em pé ficou. E ainda disse que foi melhor que a nossa dança. Fizemos outra! Essa ia formando um trenzinho aos poucos. Ela ainda achou a dancinha dela a vencedora, e tenho que admitir, eu concordei.
Em algum momento da atuação, não lembro bem qual, a gente começou a conversar com uma senhora que tava assistindo TV. Ela disse que era acompanhante e depois de pouco tempo, pouco mesmo, tava contando vários problemas e vários estresses e toda a sobrecarga que ela passa pra gente. Faz você pensar como todo mundo precisa de cuidado e de um poquinho de atenção.

Enfim, DB, não tô lembrando mais de muita coisa, mas vai dar bem muita saudade de atuar com Marcelo, já tinha me acostumado com ele, vai fazer falta nossos aquecimentos ao som de várias músicas bem inusitadas - pelo menos na minha cabeça kkkk -, dele sempre levar um espelho, que nos salvou em diversas situações e dele sempre estar lá por mim! Mas por enquanto estou ansiosa pelo Clownnatal, cheio de palhacinhos!

Beijo DB, acho que da próxima vez já serei interna SOS <3

Décimo primeiro norte: recebendo muito carinho

Essa atuação foi num dia muito estressante pra mim. Tinham acabado de sair as vagas do internato nas USF’s: eram todas longe, todas pareciam perigosas, eu nem sabia se tinham acesso de ônibus e na minha cabeça a gente tinha até o outro dia pra escolher. Chorei um pouco antes de decidir ir mesmo pra federal atuar, contei a Marcelo que tava meio estressada, tava com bem pouca vontade de atuar. Mas aí né, a gente chega e recebe tanto carinho, tanto amor, tanta atenção que eu não lembrei de mais nada de estresse de internato. Eu prestei atenção na minha coroação como princesa; nas danças que a gente fez com uma acompanhante – muito animada, por sinal- , com músicas que a paciente escolheu e usando o celular da funcionária; na corrida de uber que dei pra Marcelo, que me deixou morta pq a cadeira tava meio travada; na vontade de dar uma passadinha no 11° sul, mas ser impedida por um portal que não deixava a gente ir. 
Voltei pra casa bem mais tranquila, bem mais leve, e com muito, muito carinho no coração. A gente recebe muito das pessoas. Muito mesmo. Recebe até quando não tá tão animado ou tão a fim de ir. 
Fica aqui o registro do meu muito obrigada. Espero que na hora eu tenha conseguido mostrar o quão grata eu fico por receber tanto carinho.

Sétimo sul: "Você acha bonito casar comigo e demorar um mês pra aparecer?"

DB, lembro bem pouco dessa atuação L
Mas vai uma listinha e uma sessão de fotos:
- Dançar e fazer book com uma mulher muito animada e descobrir que ela faz as decorações do andar com papel
- Reencontrar a esposa de Marcelo, que sabia seu nome completo, tinha mostrado o vídeo pra toda a família, sentiu falta de Martinha na atuação e ainda gravou o reencontro e me fez prometer que ia ficar de olho nele. (Confesso que a melhor parte do reencontro foi ver Marcelo levar uma bronca já da porta do quarto, e segundos depois perceber a razão)

- Andar mais uma vez de uber,  sujar o corredor com água e ter que chamar a funcionária pra secar nossa bagunça.


 "Finge que tá brigando com ela"


"Agora, vocês fizeram as pazes" 


"Vocês são famosos"


"Vamo tirar uma fazendo pose de dança" 

PS: eu que imitei ela - -kkkk

Sexto sul: a tão esperada pediatria (ou: DB de uma mequetrefe)

DB, fui extremamente mequetrefe e nem sei com quanto tempo de atraso tô escrevendo aqui.  Os próximos DBs também serão atrasados, então só vou me desculpar aqui. Mas vamos lá: pediatria.


PQP, DB, tava muuuito ansiosa por essa atuação, foi a primeira depois da oficina de reciclagem (depois de um tempinho porque tivemos uns contratempos) e tinha ouvido amores e ódios sobre o lugar.  Chegamos lá, Lagrimólia e Albert, e encontramos um menininho que disse ter medo e que tava todo tímido. Conquistamos ele com uma chave – ele ajudou a fechar a porta que tava difícil mesmo de fechar – e aí depois fomos jogar futebol com um dado dele, brincar de pega-pega, de correr atrás dele, de um milhão de coisas, até restarem 2 palhaços ofegantes e quase mortos que não aguentavam mais. Demos uma pausa nessa brincadeira, fomos interagir com uns bebezinhos muito fofos e com suas mães. Depois vimos o menino que a gente tava brincando antes meio cabisbaixo e fomos lá pedir pra ele nos apresentar outros amigos. Conhecemos Tartaruga (T-H-A-L-I-T-A -> Tartaruga),  muito braba, arrancou meu nariz, me deixou sem respirar, Albert teve que fazer uma RCP em mim no chão do quarto dela, xingou a gente de tudo o que é jeito, tirou onda mesmo e fomos brincar de esconde-esconde. Mais uma vez mortos , paramos o jogo e fomos, nós quatro, conhecer mais uma coleguinha. Conhecemos uma menininha toda tímida, muito fofa, e fomos brincar de verdade e consequência. Uma das perguntas foi se palhaço era do mal e levava uma faca com ele, eu prontamente disse que sim, fingi pegar uma faca no lixeiro e com a mão vazia olhei pra eles. Para minha surpresa: todos saíram correndo MUITO.  Até a menina com dor na barriga. Meu coração doeu. Lá vai agora eu e Marcelo atrás deles dizer que era brincadeira. Voltei com a menina que tava com dor na barriga, ela queria ir no quarto “ver como tava o coração dela”, veio logo aquele desespero do que poderia ser que ela tinha, e aí a ela colocou o oxímetro no dedo e foi me ensinar a ver as coisas (vi que tava tudo ok) e perguntei se aquilo era um jogo e qual se ganhava quem tinha mais pontos. Acabei fazendo polichinelo com o oxímetro no dedo pra aumentar minha frequência cardíaca e tentar ganhar dela. Foi muito bom. Marcelo, Tartaruga, e o menino vieram depois e também entraram na brincadeira. Voltamos para o corredor e fomos tentar inventar um jogo, mas não deu muito certo, já estávamos cansados querendo ir embora. Tentamos ir embora, entramos no quartinho pra trocar de roupa, mas quase que os meninos derrubavam a porta, saímos, jogamos mais um pouco, fomos expulsos. Pegamos nossas coisas, e trocamos de roupa em outro andar. Foi muito, muito boa a atuação.  

sábado, 21 de outubro de 2017

Sétimo sul: em trio pela primeira vez.

DB, a gente acha que tá se acostumando e tal, e aí nem tinha batido o nervosinho pré-atuação ainda. Achei que já tava me acostumando em ir sem planejar nada, e a gente ainda ia ter uma conversa com Bru, pra falar como tava sendo e eu tinha toda uma listinha de dúvidas. Aí me chega Martinha, toda sapeca, dizendo “Olha o que tem na minha bolsa!” Ela vai atuar com a geeente. Olar, o nervosismo bateu hahaha. Na mesma hora vem aquela coisa na cabeça sobre ela ter mais experiência e que ia ser bom ver como é a atuação, e bate também aquela insegurança de “ai meu deus, e se a gente tiver fazendo isso errado? Como vai ser com uma pessoa a mais? Já tinha me acostumado com Marcelo”. Aí no caminho mesmo essas coisas são todas desfeitas porque vem o discurso de que não tem um jeito certo, de que ela não um é uma supervisora, de que ela só vai estar lá pra atuar com a gente, nada mais que isso. Ainda bem, né, DB? Kkkk. Mais uma vez essa fantasia que a gente tem na cabeça é quebrada quando eu começo a dizer as minhas dúvidas pra Bru e pra Tinha e as respostas são tipo “seja uma folha em branco”, “minha experiência não vai servir pra você”, “não é um exemplo a ser seguido”. Aff, que difícil isso de atuar. Mas ficou muito uma coisa comigo: “Não tente dar conta do quarto todo”. Era uma coisa que tanto eu quanto Marcelo sempre ficávamos ansiosos e tava sempre na nossa conversa pós atuação.
Albert, Lagrimólia, Esmeralda e uma mulher que tava cheia de malas com siri dentro. Ai, eu tenho medo de siri. “Vamo sair de perto dela?”
Nessa atuação aconteceu uma coisa que nunca tinha acontecido, a primeira pessoa que a gente foi falar, tava triste e chorou pra gente. A gente deu alguns abraços, disse pra ficar forte, pra ter fé, foi tranquila a interação, mas vem aquele impacto. A segunda pessoa que a gente encontrou também teve um quê mais pesado. Ela achou que a gente só tava ali pra fazer graça, a gente explicou que não. Demos um abracinho, beijinhos, acabamos encomendando pipoca pra um filme que ela ia assistir no cinema, e nos foi dada a tarefa de levar via encomenda um beijinho de cada na parente dela que tinha acabado de sair de uma cirurgia. Chegamos, entregamos o nosso pacote e nos foi pedido mais do mesmo produto por uma outra acompanhante do quarto. Foi uma sensação boa. Ainda no corredor encontramos duas senhorinhas, uma delas, acho que Maria José, já começou perguntando do marido dela, nos contou que casou numa outra ocasião que tinha vindo um bocado de gente vestida parecida com a gente. Hmmmmmmm. A gente não conhecia o marido dela, e ela perdeu o álbum de fotos do casório, mas conseguimos cantar a música do casamento e dançar uma valsa sentada, ao som de Detalhes (o início, que foi o que a gente lembrou) de Roberto Carlos, que ela não tinha conseguido dançar no dia.
Andando pelo corredor encontramos uma mulher que não podia rir. Ela tava caminhando, mas ela não podia rir. De jeito nenhum. “Mas a gente só queria caminhar contigo, a gente pode?” Ela tinha o riso frouxo. E aí ficou combinado que cada um ia caminhar pra um lado e a gente se encontrava no meio do caminho. Onde é o meio?
Achamos uma festa sendo montada e tentamos de todas as formas ser convidados. Uma festa vermelha e branca, que não era do náutico, pra comemorar a aposentadoria das colegas. Iniciamos uma lista de convidados e colocamos nossos nomes, disseram que era de 9h da manhã do outro dia. “A gente vem, viu?”
No próximo quarto já espalhamos a fofoca da festa. Festa boa é festa cheia de gente. E descobrimos que na verdade, aquilo já era preparativo pro casamento de Albert e de uma- mulher-com-nome-comprido-que-eu-esqueci. Teve cerimonia com daminha, gravação, música e quase que até noite de núpcias tinha. E adivinha quem tava de convidada? A mulher que não podia rir. E olhe, DB, que teimosa! Ria que só. A gente não entendia por quê. Mas ela ria, e ria mais. Saímos do quarto e ela levou uma bronca. Quem já viu rir tanto quando não pode?
Aleatoriedades:
*Em algum lugar no meio do caminho encontramos uma palhaça-panda. Ela tinha um panda de pelúcia, uma tatuagem de panda e até apelido desse jeito. Disse que tinha visto palhaço, a gente procurou e nem achou. Só podia ser ela, né? Ela admitiu depois e nos contou que era a palhaça-panda.
*Um dos funcionários fez um complô com Esmeralda e me deram um susto. Já viu isso, DB? Que absurdo! Kkk Mas achei bem feito que depois ele deu um susto nela também!
*A gente marcou uma viagem pro mesmo horário da festa. Eita! Passaríamos pela ciadade do abacaxi, depois pela cidade do feijão, milho e madioca, e depois a gente chegava no nosso destino.
* Encontramos um agente secreto que sabe ver a previsão do tempo. É só perguntar pra ele de qualquer lugar, que ele responde pra gente se vai chover ou se a gente pode ir pra praia. Que útil, né? Ainda bem que agora eu tenho um amigo assim.

Quinto norte: SOS, meus amigos fazem Contação de Histórias aqui.

DB,
Dessa vez, em casa mesmo eu já tava nervosa. Sabia que dois dos meus melhores amigos provavelmente iam estar na nefro para a contação de histórias. Eles iam conhecer Lagrimólia, SOS. Avisei logo a Marcelo que isso podia acontecer, mas que eu ia tentar não fugir. Vamo lá, né, DB? A gente sempre vai com medo mesmo.
Cheguei lá e foi inevitável dar uma olhadinha: nada de Carol e Marcelinho por aqui. Ufa!
Coloca a pele, coloca a maquiagem, sobe a energia com música. "Marcelo, bora subir o nariz diferente hoje?" Aí deu meio errado kkkkk. A gente se enrolou um bocado, nao subiu na mesma hora, a informação não foi exatamente entendida da mesma forma. Mas enfim, nariz posto.

O primeiro quarto foi uma festa. A gente entrou de penetra, não levamos presente e nem comida, mas fomos bem recebidos. Era da índole da festa receber bem. Recebia bem pré-adolescentes, adolescentes, palhaços, adultos jovens, adultos não tão jovens, uma senhorinha (que era a mais animada
)e um senhor, que acredito que fosse o anfitrião, mas nem tenho certeza pq eu era penetra hehehe. Chegamos perguntando de bolo e música. Quem já viu festa sem? O bolo ainda não tinha chegado, mas a música demos um jeitinho de arrumar. Como a festa estava acontecendo no dia das crianças, resolvemos começar por xuxa. E quem disse que a gente lembrava? Começamos um hilariê meio incerto da letra, mas que chamou atenção da convidada mais velhinha da festa, que se animou de uma forma que levantou e dançou com a gente. Cantamos outras músicas e aí, mudamos o tema para uma música infantil mais atual: MC Sheldon. O que está acontecendo com as crianças de hoje? Hahaha. Mas aí veio a contribuição da parte mais jovenzinha da festa; uma contribuição tímida que no máximo disse se conhecia ou não as músicas, e que ficava encabulada quando chamávamos para dança. Eles passaram a vez para um outro convidado, que tinha vários músicas no celular e a festa continuou. Depois de muita dança, a festa acabou quando os convidados começaram a ir embora porque já tava tarde, nós penetras, também fomos.

Saindo dessa festa, ainda em ritmo de dança, enquanto caminhamos no corredor, encontramos com quem? Isso mesmo, DB, com Carol e Marcelinho, meus amigos que eu morrendo de nervoso de encontrar, já tava certa que tinha escapado. Marcelo, meu MCM, notou na mesma hora, e claro que a primeira coisa que ele fez foi correr pra interagir. Vamos lá.
Eu nem lembro bem o que a gente falou no começo, só lembro que fiquei bem nervosa e que minha vontade era sair correndo (descobri depois com Danda que isso acontece com muita gente). Mas aí entramos no quarto, os quatro, e íamos tentar englobar todo mundo da melhor forma. Não deu tão certo no começo. A gente chegou para conhecer os habitantes daquele lugarzinho, os quais já eram conhecidos por eles. Chegamos um pouco mais perdidos, e logo de cara, perguntaram pra gente se podiam tirar fotos conosco. A gente topou entrar no book e, depois de um deslize que excluiu Carol e Marcelinho, a gente tirou nossas fotos. Não lembro tão bem a ordem das coisas, mas em algum momento surgiu o jogo. Um dos pacientes, o que pediu pra tirar as fotos, tinha
nos perguntado de outros três palhacinhos que tinham ido na semana anterior e que eram altos e magrinhos. Não deixamos passar batido na hora das fotos. Foi tirada mostrando que Marcelo não estava tão em forma kkkk. Quando fomos embora Marcelo reclamou disso e tentando se explicar, ele disse que lembrou deles porque eles eram muito engraçados e fizeram brincadeiras muito boas. “A gente é sem graça também? OUTCH” E aí foi isso, todo mundo tirando onda com a cara de Marcelo, dizendo que ele precisava fazer dieta tirando onda com a cara da gente, dizendo que éramos sem graça. Saímos reclamando e foi ótimo.

O próximo lugarzinho foi a salinha da hemodiálise. Não tínhamos certeza se podíamos entrar ali, mas perceberam nossa dúvida e nos convidaram. Daqui ficou marcada uma pessoa. A primeira nos foi indicada pra gente, ela mesma disse que tava muito preocupada, muito ansiosa. Enquanto a gente tava começando a conversar, chegou alguém pra examiná-la. Prontamente, comecei a examinar meu MCM do mesmo jeito. Tinha que imitar igualzinho. Depois disso a gente quis saber o que ela gostava e ela disse que queria aprender a dançar. “O quê? A gente dança tudo! Podemos dar aula pra você!” Primeira aula: TANGO. “Tem que ser intenso e com olhares penetrantes” “Agora vamo fazer uma pegada que tu corre, dá uma cambalhota, gira e termina abrindo escala!” “Certo, vou correr!” A bichinha ficou nervosa, achando que a gente ia derrubar tudo. Mas claramente uma cambalhota e um pulo podem ser feitos de várias formas e com várias interpretações. Próximo ritmo: SALSA. Lascou. Ninguém sabia. A gente deu uma tentadinha, disse que não sabia, e nos despedimos.

Stuff:
*Fiquei realmente nervosa encontrando Carol e Marcelinho. E teve uma parte que a gente ficou meio perdido, sem saber se tava invadinho o espaço do outro no quarto. Eu e Marcelo sentamos pra escutar eles começarem a contar a história, mas a gente notou que não ia dar pra ser assim durante o tempo todo, não sabíamos se era pra interpretar a história, enfim, acabamos indo embora e acho que foi a melhor coisa mesmo. Mas depois quando a gente foi conversar sobre a atuação, fiquei um pouco com a sensação de ter invadido o espaço.

* Deixando aqui o registro de como foi ótimo atuar com tanta gente num quarto só. No começo deu um nervosinho de como a gente ia dar conta, mas Marcelo começou desenrolando e daí fluiu e foi ótimo.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

11° N - muito curtinho, quase eu.

Foi nossa atuação mais rápida.
Poucos quartos. Quartos só com uma pessoa. Quartos fechados. Quartos sem ninguém.
Vou falar apenas do quarto de uma senhora e de sua acompanhante. Falando com a gente ela já tava saltitando. A gente dançou um bocado com o celular de Vera, uma das mulheres da limpeza, cantamos Waldick Soriano, foi um quarto bem animado.
"Já acabou? Foi muito rápido! Será que a gente pode ir no Sul?"
Fomos no sul.
Mas a gente só deu uma passadinha. Encontrou Seu Campos e deu um tchauzinho de longe, ficamos meio assim e voltamos pro nosso lugar de origem.
"É isso então? Acabou?" Acabamos, mas a energia tava alta ainda.

Como de costume, listinha de coisas (pq essa palavra é maravilhosa e serve pra tudo!):
*Como eu fui péssima e escrevi o DB atrasada, já falamos com Bru sobre acabar e estar ainda com a energia alta, então a gente já sabe o que fazer na próxima.
*Um não bem recebido! A gente recebeu um não, e aí jogamos com ele, foi ótimo. Fizemos coraçãozinho no vidro e só passamos escondido
* Brega/Safadão/músicas do tipo, viraram o estilo oficial de subir a energia, kkkkkkkk, o que é Marcelo na minha vida?
*Fiquei com um leve receio por ser na oncologia, mas na hora foi super tranquilo, nem lembrei.

Abaixo, trecho de Torturas de Amor, uma música de Waldick Soriano (leia com voz de interlocutor de rádio)

Volta fica comigo 
Só mais uma noite Quero viver junto a ti Volta meu amor Fica comigo não me desprezes A noite é nossa 

Décimo primeiro sul: cada quarto uma história

DB, tô te escrevendo bem atrasadinha, mas vou tentar lembrar o máximo.
1) Fomos eu e Marcelo bem independentes pedir a chave da salinha e perguntar sobre quartos em isolamento e tinham dois.
2) Fomos colocar a pele,  a maquiagem e subir a energia e tínhamos combinado de fazer tudo isso com música. E aí eu coloquei Elephant Gun,bem vibes oficina, e Marcelo me apareceu com MC Sheldon (hahahahha, melhor pessoa!).
3) Missão: devolver a chave sem sair do jogo - sapatinho de cinderela - mas não dá também pra virar muleta nos quartos.
Agora, sem tanta ordem.

Quarto de Dona Severina e Duda
Foi quase o último quarto. Duda uma adolescente e Dona Severina uma senhora. Duas celebridades. Tinham uber, comida, água, casa, televisão tudo de graça e só quem ganha coisas de graça é gente famosa. Dona Severina mesmo, estrela que é, nunca prende o cabelo. Não gosta. É daquelas celebridades mais reservadas, quando sua vizinha Duda quis tirar fotos com seus fãs, Dona Severina não quis aparecer de jeito nenhum.
Duda era daquelas celebridades mais abertas às entrevistas e às fotos. Capturamos várias de suas poses e ainda conseguimos tirar umas fotos com ela. Saímos em revista e tudo! Ficamos famosos com a fama dela e, claramente depois disso, não podíamos mais ficar tirando qualquer foto. Fomos embora desfilando, porque celebridade só anda assim.

Quarto de Seu Campos
Foi um dos primeiros. Aqui a gente teve uma sorte danada! A receptividade foi imensa e a gente ganhou o jogo de presente. Mas, calma, DB, tô me adiantando.
A gente viu de fora que eles estavam assistindo a novela. "Vamo jogar com isso?" adiantaram-se os pensamentos de dois palhacinhos. A gente bateu na porta, perguntou se podia assistir junto, e um homem sentado, perto da porta, disse que sim. Entramos, sentamos em cadeiras - não lembro bem se eram invisíveis ou se existiam msm - e íamos começar a fazer alguma coisa, quando um senhor, que estava deitado na cama B, levanta e diz "Peraí, tá tudo errado, podem voltar. Pra assistir filme aqui no cinema tem que pagar o bilhete aquele porteiro ali - apontou pro rapazda porta - se quiser pedir pipoca, pode falar comigo que eu ensino pra onde liga." WHAAAAT? A gente ganhou esse presente mesmo? Como assim um jogo com uma vontade tão clara? Vamo nessa! E aí a gente entrou no jogo, pediu pipoca pra garota da televisão, fiquei anotando o pedido do rapaz da cama A - que infelizmente eu não lembro o nome -, e quando vejo, Marcelo tá ganhando um autógrafo na camisa. Ele então, me explica, que ele é um parente distante de Eduardo Campos, e que aquele autógrafo é valiosíssimo e que a gente ia pagar todas as nossas dívidas do cinema com ele. Ficamos mais um pouco, demos uma letrinha do autógrafo de pagamento e fomos embora.

Quarto do PEM 
Esse eu não lembro tão bem, DB, mas lembro que tinha um senhor que parecia estar dormindo, a gente ia embora, mas sua filha sinalizou pra gente entrar, disse que ele tava precisando. Entramos. Fomos conversando, ele não parecia tão animado assim de conversar com a gente, mas fomos vendo. "O senhor tem filhos?" "Ele tem onze" - ela nos respondeu. "Onze filhos, quando vem todo mundo deve ficar uma festa aqui no quarto!". "Só quem vem sou eu, os outros moram pertinho, mas só quem vem sou eu." Eita. Mas aí veio o momento do PEM. Marcelo ficou insistindo um pouco em perguntar o porquê disso e eu notei que ela ficou desconfortável, mas aí, PEM, não consegui sinalizar pra Marcelo. Ela me olhou, pediu pra mudar de assunto com as mãos e aí, sinceramente não lembro direito, mas a gente mudou o foco. No final távamos falando sobre como conseguir paquerar tanto e ter tantos filhos, e saímos com dicas. Mas o momento do PEM ficou uma dúvida real. Como eu posso puxar meu MCM e mudar o foco quando tô percebendo que não é um bom caminho?

Quarto do não
Recebemos nosso primeiro não. A gente ia passando, ela virou o rosto. "Eita, acho que ela não quer."
Passamos de novo pra ter certeza. É, rosto virado. Depois do último quarto passamos mais uma vez, ainda era um não.

Quarto que Marcelo casou

A paciente tinha um pouco de dificuldade pra falar, mas ficou visivelmente satisfeita que a gente tava ali. Se encantou com Marcelo. Mostrou pra gente uma bíblia. Marcelo casou.

Um dos quartos do isolamento
Lembrei que alguém falou que tinha jogado da porta uma vez e aí a gente tentou fazer isso, falamos alguma coisa sobre a novela com o acompanhante, demos vários tchauzinhos pra paciente, e foi isso.

Mais um quarto com novela passando 
Eu lembro que foi pouco depois do cinema, então a gente já tinha jogado um pouco com isso. Mas acabou que foi muito diferente. Aqui a gente botou pra lascar em Nazaré. Denunciou ela mexxxxmo. Disse todos os spoilers e contou logo que ela não prestava. Saímos com a consciência tranquila de ter feito nosso trabalho de bom cidadão de não deixar as pessoas se enganarem com aquelas lágrimas de crocodilo.

Dificuldades e outras coisas:
* A hora boa de sair do quarto é sempre um desafio
* Terminamos o último quarto e aí encontramos Dona Severina no corredor, íamos tirar fotos, mas aí ela não interagiu, acho que nem notou, percebemos que o momento tinha passado e acabamos a atuação.
* Pedir a chave com jogo, acaba sendo sempre meio parecido. Devolver a chave depois, vestido com nossas roupas normais, é meio engraçado.
* Perceber e comunicar o PEM na hora
* Uma grande dificuldade: fazer as duas pessoas do quarto interagirem na mesma hora
* Quaro das duas senhorinhas, uma fazendo tricô (crochê?) e a outra contando dos netinhos. Muita positividade num quarto
* Quarto dos artistas, um dançarino de brega (na verdade de tudo), mas que não tava podendo dançar. E o outro desenhista.