Mostrando postagens com marcador Sebastiana Tetinha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sebastiana Tetinha. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de julho de 2015

O jeito certo de fazer a macaxeira

   O COB sempre é uma tensão. O pessoal está ou com dor, ou triste porque perdeu o filho, ou simplesmente não vai com tua cara. Mas na atuação desta semana, acho que conseguimos alguns trunfos. Já no primeiro quarto, na maca do corredor, conseguimos interagir com uma grávida, ela queria subir para a festa do 9º andar e nós queríamos tentar fazer ela gostar de lá. Eu com minhas leseiras despertei nela um reconhecimento de um parente meio boba e isso foi um passo para fazer ela nos encontrar, surgiu o tópico da macaxeira e com ele fomos tentar encontrar mais algumas pessoas que gostam disso. Uma das grávidas, bem nova, estava deitada, e com ela conseguimos pouca coisa, mas conseguimos que ela falasse conosco, o que já foi uma vitória, ela não gostava de nada das comidas que propomos, mas só o fato da sua cara de nojo ser esboçada já me fez me sentir responsável por desviar sua atenção.
  No próximo quarto sempre e bem complicado, geralmente é o quarto das pessoas que perderam o bebê, e o clima lá é de dor em todos os sentidos. Com uma das pacientes que andava bastante os contatos foram no corredor mesmo, a outra com tanta dor não conseguiu se comunicar, mas ainda jogamos com a irmã, dizendo se tanto azul não lembrava ela da praia e da macaxeira. Na outra cama tinha uma paciente bem legal, muito disponível, tentou contato conosco, mas sua acompanhante era bem fechada e meio enjoada. Nesse mesmo local uma enfermeira nos ajudou muito, ela ensinava posições de não sei bem o que para uma das pacientes, e começamos com isso a desenvolver a posição do preparo correto da macaxeira, essa posição traria um novo filho para aquela mulher e eu iria casar com ele. Foi tão bom ver ela a delicadeza com que ela me disse que seu filho não estava conosco, e melhor ainda como ela recebeu minha ousada proposta de casamento com a futura nova criança.
   No corredor lágrimas se tornaram tema da nova conversa, não sei bem ao certo se conseguimos para o choro, porque ela fiou melhor, ou se ela só queria se livrar de nós, mas o foco é que paramos as lágrimas.
   No outro quarto só zuera, estávamos com a futura mãe do filho de Brad Pitt, e com a mãe de Caio Castro, filho de Traste Castro, mas que mesmo sendo meio meio-boca gerou não só Caio, como Bruna Marquezine. No outro foi muita foto, em todas as posições, com a grávida tatuada, com a mãe dela, com a acompanhante que mal conhecia a grávida, mas que com tanta arrumação, queria era conhecer o médico e com a fotógrafa saliente que empurrava flash na filha com dor de cabeça, aí empurramos flash nela para desviar.
   No outro quarto foi bem parado, as mulheres dormiam ou se cobriram quando chegamos. Mas no corredor fechamos com chave de ouro, duas amigas bem fofas parentes de uma médica, estavam lá e elas eram tão meigas que sua amizade de anos transpôs para nós uma proximidade que parecia ser de muito tempo. Quero ir para Alemanha visitar seus descendentes, mas Porta Alegre também serve. Qual filho está disponível?

   Muito bom ter nesse penúltimo dia, minha segunda visita a esse local tão controverso para mim, realmente me ajuda a ver como e digivolvi ou evolui da primeira atuação para esta final.

Com uma pamonha, um médico, e uma quadrinha, se faz mais que chuva!

  Na atuação no décimo primeiro andar, tenho que dizer que usamos e abusamos de um pilar extra palhaço. Na noite anterior, uma quadrilha muito animada, organizada pelo grupo Caminho, era o assunto do momento, só fomos a palha que serviu de combustível para a fogueira que ela tinha deixado.
   Primeiro roubamos a chave do caro do enfermeiro chefe e nessa fomos pelos corredores atrás de alguém para fugir conosco. O povo não queria fugir, queria pamonha, e acabamos nos tornando pamonheiras, sem pamonha, mas com uma ilusão. Num dos primeiros quartos, encontramos moças bem salientes, uma era totalmente afim do médico e para entrar na onda ficamos também.
   O segundo passo para que este enlace acontecesse, foi tirar os nossos namorados do caminho, em um dos quartos uma das acompanhantes quase fez Carambola ligar para o boy dela e perguntar se tudo que ela tinha falado era verdade. Pronto já temos a viúva.
  No próximo quarto, encontramos o local para embelezar as meninas, foi tanta selfie, que a próxima quadrilha vai bombar.
  E nessa fomos indo, querem pamonha? Vá comprar na padaria da Caxangá. No próximo quarto vamos atrás do puxador: “Eu amo você, mas vocês tá aqui eu lá”, homem, acha alguém que tá aqui; “Você faz meu coração parar de dor”, meu senhor vou trazer uma cardiologista, vamos ver se assim seu coração se recupera, e sua cantoria também.
   Não sabe dançar quadrilha, vamos te ensinar: olha a chuva, olha o braço, é para ir pelo outro lado, olha o sorriso, esse pode vir e ficar.
   No próximo quarto estava a noiva e o noivo, pegamos vocês em má hora foi? Estavam se agarrando no quartinho? Cuidado com o pai. E no próximo, vamos achar o lugar do casório. Vamos ser bem recebidas, vamos receber banho de mãe e eu vou ser a rainha do milho.

   É, meu reinado ficou na imaginação, mas todas essas promessas e ilusões vão sedimentar na minha memória o quanto esse dia foi prá lá de Bommmm!

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Do you believe in life after love?

Não importa quanto eu tente
A faculdade continua me afastando de você
e não consigo chegar até você
Não há conversa com você
é tão triste a sua partida
vai levar tempo até eu acreditar
mas depois de tudo ter sido dito e feito
sou eu que vou ficar solitário

Você acredita em vida após o amor?
Alguma coisa dentro de mim está me dizendo
que realmente não creio que eu seja tão forte assim sem você
Você acredita em vida após o amor?
Alguma coisa dentro de mim está me dizendo
que depois de hoje, eu acredito sim

o que acha que devo fazer?
sentar e apenas me esgotar
bem, isso eu não posso fazer
depois, não tem essa de voltar
preciso de tempo para ir adiante
preciso de um amor para me sentir forte
pois eu tive tempo para pensar bem
e talvez seja bom demais para deixar para depois

bem, sei que vou superar isto
porque sei que somos fortes
e eu preciso mais de você
e eu preciso mais de você

    Um plágio e uma imagem falam mais que mil palavras, muito minha MCM e  muito obrigada a todos que hoje me fizeram sentir que existe mais de mim do que apenas cobranças, falhas e cansaço. Existe muito amor, muita energia para me sentir bem com cada sorriso que vocês me davam, eu sou mais do que minhas metas. Eu sou aqueles momentos.
   Por mais dias com futuros Neymars com suas cócegas e tesouros debaixo dos lençóis, que existam sempre novas tentativas para se  falar com aqueles que por outros problemas não temos acesso, por novas formas de dar uma risada para pais exaustos, por mais cabeças caídas de bebês nos braços das mães, por mais toques no narizes, por mais banhos de álcool e de risadas, por mais mãos colocadas no queixo para nos observar, por mais telefones que ligam, quando achávamos que eles não iam tocar, por mais fugitivas de Alagoas, por mais histórias de três porquinhos, com meus cabelos de palha, por rasgos na saia devido a puns, por cartas desenhados para nós, e por mais Micas. Micas para todos, com suas covinhas, suas mãozinhas, seu sorriso e sua palavras cavou no meu coração uma paz, uma vontade de amar e de poder não diminuir minhas oportunidades para isso, por achar que não tenho nada a oferecer.

  Quando eu não tenho nada a dar, percebo que é vocês que me dão, e é de tanto receber, que eu posso finalmente me sentir capaz de ter uma vida, depois de tanto amor. 

domingo, 31 de maio de 2015

Benjamin Button

Como no “Curioso Caso de Benjamin Button”, saímos da pediatria para a maternidade.
   Essa semana levamos nossas mochilas e fomos atrás de bebês de tablets, de nossas mães e nossos pais, de conhecimento, com um papai que sabe muito sobre a sabedoria popular: porque o surdo pede algo escrevendo, e o cego? O cego fala. Eu sei não tem contexto nem hora, mas acredite na hora também foi uma boa prosa para eu entender. Vimos o bebê acompanhante, fizemos casais, e eu casei, que feio né, com aquelas almas tão lindas e puras já impor algo tão adulto, mas não tem como evitar quando o menino mais lindo do corredor olha para você. Tinha até um bebê com o nome Caminho, de pureza no olhar, já fazia arte e sabia colocar os talentos do povo para fora. Essa atuação foi como um recém-nascido mesmo, fofa, passou rápido e deixou muita saudade e amor.
   E só para explicar o  porquê da referência ao filme, primeiro adoro filmes, e segundo não fui só das crianças para os bebês que se deu minhas semanas com essas atuações, mas também foi de um coração saturado com problemas da vida, da faculdade, pelo cansaço para um coração sem preocupações e cheio de amor, pois como dizia Chapin “Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente”, e completando, é quando começamos a retomar coisas da infância e os sentimentos que tínhamos nela que começamos a realmente apreciar a vida. Nunca esqueça, qualquer raiva pode ser curada com a imagem de uma criança, pelo menos a minha.

Terminando o texto do pensador de Martha Medeiros kkk, eu concluo dizendo:

“Sou uma mulher que balança
Sou uma criança que atua!”


O Curioso caso de ...

   Começo esse diário que está atrasado, dizendo que tudo foi intencional para ele seguir juntamente com o diário que depois vai vir. Mentira. É porque meu computador quebrou. Mentira. Nossa, mentiras são ruins, atrasam nossa vida e são a pior forma de machucar alguém, mas se você pegar uma cadeira de hospital, duas palhaças maluquinhas e um olhar criativo de criança, a mentira pode ser torna algo realmente diferente de todos esses passados ruins.
Minha relação com criança é bastante dúbia, saída de uma péssima prova de pediatria, ir para o ambulatório de pediatria e algo realmente nada a ver, mas novamente existe algo de mágico nessas escalas da palhaço que nos fazem retomar nossa paixão pelas coisas.
   Ao chegar lá com minha MCM linda, fomos tomadas por tanta fofura, travessura, e sapequice, que realmente não deu para não se encantar. Naquele dia entendi que um paciente pode estar doente e com um estado geral bom, a ponto de quase derrubar um leito “ brincando”. Fora isso vimos bebês, ligamos para meninas, e brincamos de estátua com duas peças muito malandras. Com um deles, João, começamos a brincadeira da mentira. De repente aquelas cadeiras se tornaram as provedoras da verdade ou da mentira para quem sentava nelas, uma dança das cadeiras e da honestidade se deu, mas o resultado foi por incrível que parece apenas diversão e amor.
No próximo texto falo ainda de projetos de crianças, e como no filme do “Curioso Caso de Benjamim Button”, peço para vocês virem comigo nesta regressão.
E começo a jornada com parte dessa frase que peguei do Pensador, de Martha Medeiros, adaptada por mim:
“Sou uma mulher madura
Que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura
Que às vezes usa salto alto...”



domingo, 17 de maio de 2015

Pandolfo, me traz uma capa

    Depois de uma abstinência de atuações (estava me preparando para atuar melhor, me reciclando) cá estou para uma linda visita diurna na enfermaria do sétimo andar. De forma geral foi muito lindo, conseguimos estabelecer contato com pacientes, funcionários e até mesmo com aqueles pacientes que ainda iam se internar. Uma notificação importante é que mesmo sem falar, o olhar de lindas meninas, as M de uma turma de medicina, também foram   muito bons.
   Vimos um poeta que estava na entrada, esperando vaga no hotel, que de fato deveríamos sequestrar e colocar em um potinho, se cada vez que a tristeza batesse aquelas palavras de força fossem ditas, teríamos realizado nosso trabalho. Conhecemos ele ao irmos deixar duas lindas que iam viajar para seus lares, elas tinham pegado nossas bolsas e acabaram levando elas embora também. Sorte nossa que até policias vieram atrás de nós, pena que as acusadas também éramos nós.
    Pelos corredores estava um fofoqueiro que curiava a vida do povo. Uma enfermeira muito linda e cheirosa, e um faz tudo que seduzia geral sem aquela camisa, mal sabia ele que aquele andar estava ouriçado. Em todos os quartos tinham mulheres querendo nadar nuas, e achar médicos gatos, tinha até uma Joelma com uma Chimbinha, que diferente do original falava muito. Um dos quartos estava tão animado que a disputa ficou entre o silicone ou o peito caído, acho que encontraram a dupla perfeita para tal debate, afinal eu e Carambola somos amigas do peito, né.

   Meu diário meio confuso e cheio de histórias reflete bem a atuação, muita liberdade criativa, muitos jogos leves e naturais, foi realmente muito bom, pena apenas dos quartos que não entrei devido ao certo perigo que eles podiam oferecer. Pandolfo, quando nos encontramos me traz um a capa, para eu poder finalmente ser resistente a tudo e poder entrar em todo o lugar.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Cartas para Pandolfo: Sobre Edna e o futuro

E ai Pandolfo,
O nível tá diminuindo né kkkk, vê, hoje tenho uns paranauês para tu me ajudar. Eu e minha linda MCM, fomos hoje para o décimo primeiro andar. Carola estava com medo de não ter mais jeito com os adultos, mas da mesma forma que ela tem medo do seu cabelo não estar bonito, estes são proposições sem fundamento. Seu cabelo é divino, e ela se saiu divinamente bem. Entre os encontros tenho que destacar dois: O encontro no quarto das meninas safadinhas que queriam olhar os médicos bonitões e o encontro com Edna.
  Tenho que comentar também sobre alguns amigos que fizemos. Conseguimos um senhor muito fofo e de um olho azul lindo, que sabe como consertar elevadores e vai me permitir finalmente sair daquele andar, afinal eu só saio de lá quando ele melhorar e puder me tirar daquele local, para todos juntos, irmos para a fazenda do seu colega de quarto, comer muito. Mas é claro que isso vai ser antes de eu virar uma menina comprometida, porque como é de praxe, eu dei uma de pedófila e me arranjei com um menino de seus sete anos. O meu futuro noivo não me conhece, mas se eu tiver a felicidade de ser que nem seu avô, pode ser até que dê certo. Seu avô, tinha 99 anos de muita lucidez, disposição e olhar delicado e puro, e é claro muito bom gosto, porque depois de alguma relutância aceitou que eu virasse sua neta de coração.
   Entre as visitas, fomos convocados a ir no quarto de Edna, e foi lá que a revi e a conheci de verdade. Edna estava dando trabalho, porque estava muito chorosa, devido a solidão e a recente mudança de quarto, Carola já era uma velha conhecida e para ela soube falar muitas palavras que revigoraram seu dia. Eu a iludi um pouco, afinal antes eu era duas e virei uma só e já fui até um palhaço que gostava de atirar, mas de qualquer forma, um encontro que começou com choro se tornou em riso e muita satisfação. Mas, não era primeira vez que via Edna, e não era a última que escutaria falar seu nome. Edna foi a primeira paciente que eu como estudante fiz a anamnese a duas semanas atrás. Nos encontramos antes, com diferentes posturas e objetivos, e muitos professores a citam devido sua condição muito peculiar, mandando ir vê-la para fins acadêmicos. Mas, tenha certeza Pandolfo, depois que a conheci como palhaça, posso te garantir que só me encontraria com ela para ver ela feliz, para conversar e não para notar sua pele, ou respiração.
  Por muito dias, fiquei refletindo sobre como essa situação me incomodava, em motivos acadêmicos porque percebi como me ligava emocionalmente ao paciente, e como isso não era tão bom, e por motivos pessoais, por de alguma forma achar, meio incorreto a forma tão analítica que temos que abordar os pacientes. Enfim, muitas reflexões depois, percebo que talvez os dois precisam existir. A forma analítica vai me permitir que no futuro eu tenha condições de ajudar pessoas com Edna, e minha forma pessoal e emocional vão ser sempre as razões que vão me levar a me esforçar na minha busca analítica acadêmica, porque apesar de divergentes esses dois caminhos tem a mesma meta, trazer felicidade para pessoas tão lindas como Edna.

  A ela dedico muitas coisas, a minha primeira anamnese, o meu encontro único, e principalmente minha primeira percepção de qual minha real meta na vida. Que cada futuro paciente ou pessoa que eu me encontrar, eu tenha a capacidade de expressar tudo que Edna me ensinou.

Cartas para Pandolfo 2

Caro Pandolfo,
  Sua MCM, ou não é bem quista, ou tá com os horários conturbados, porque minha MCM linda Niveta, foi tirada de mim, #chatiada.  Mas, não se preocupe a minha nova MCM é linda também, e é uma menina super poderosa mesmo, porque nem o elemento X, falta para ela, Carola Carambola é realmente muito especial. Com ela, aprendi algumas coisas, como por exemplo, que as vezes eu me privo muito do contato e que realmente eu imponho algumas distâncias entre mim e as outras pessoas. Carola é sem frescuras, e ver uma cena linda dela quebrando todos os meus protocolos e abraçando uma criança de forma natural e com amor, me fez repensar nas minhas próprias barreiras.

   Nosso primeiro encontro, foi na Pediatria, podemos desfrutar do nosso usual jeito moleque com dois garotinhos muito sapecas, e até mesmo consegui fazer cosquinhas neles, mediante uma competição de controle de cama móvel. Em busca da nossa própria cama, achamos o menino mais pop do andar, e vimos a menina mais linda que eu já vi. Lívia era muito linda, parecia uma boneca de porcelana de tão perfeita, acho que os moldes foram feitos dela, além disso era inteligente, dançava, falava super bem e tinha todo o encanto do mundo, fiquei abobalhada com ela, acho que toda a cota de beleza e perfeição das Lívias foi parar naquela menina, e sendo detentora de parte dessa cota, te confesso que não quero cobrar nada, porque aquela pequena tem que existir e continuar mais e mais perfeita. Entre os quartos e corredores podemos brincar com algumas crianças, algumas estavam meio tímidas, mas foi muito legal quando evitamos uma guerra por um ursinho, usando outro brinquedo e fazendo jogos com ele. Dentre as tristezas, era muito incômodo ouvir os gritos de dor e o choro agoniado que viam de um quarto, infelizmente não podemos entrar lá. Mas de alegria, tenho que te contar que finalmente consegui um encontro a muito tempo desejado. Lembra daquele garotinho que flagramos muito mal e fazendo xixi em uma das atuações e que tentamos, mas de nenhuma forma conseguimos conquistar, pois ele estava bem melhor, mais saudável, e mais alegre e com ele eu e Carola brincamos e fizemos jogos muito bons, sinceramente cada momento que passava ali, cada riso, ou conversa que desenvolvia com ele e com sua mãe eram uma vitória pessoal minha e me deixava não só feliz, mas grata por ter segundas chances e poder perceber que os momentos certos vão surgir  para que neles possamos desenvolver o melhores encontros que podemos ter.

Cartas para Pandolfo

Prezado Pandolfo,
  Vamos deixar de formalidade né, afinal você sempre será meu MCM. Sei que agora você está com duas lindas flores e vai esquecer desse microfone aqui, mas a partir de agora eu vou te contar como estão sendo os meus dias e meus momentos nas atuações, para que sempre que você ou qualquer outro MCM de outra dupla precisar, tenha aqui, um pouquinho da palhaço sobre meu olhar. Sei vocês já estão cobertos de abelhas, devido a tanto doce, então, lá vai.
  Hoje atuei pela primeira vez com Niveta, minha nova MCM. Quem a vê pensa: olha que meiga, que delicada, que bailarina.  Minha gente, ela não é assim não. Ela é bem mais, de seu sorriso calmo e sua postura elegante sempre surgem um jeito envergonhando muito engraçado, e uma malandragem única. Realmente vamos ter encontros muito bons pela frente, vamos aprontar muito. E para agitar o clube da Luluzinha, recebemos a visita ilustre de Caquito Grilo, com toda sua maestria, safadeza e disponibilidade. Pandolfo, pude mostrar um pouco do nosso jeito bem correto de subir a energia, conduzi uma dança muito culta e tradicional, chamada a Moriçoca Soca, Soca.
 Decidi esse semestre diminuir o falatório, inclusive nos diários, será que vou conseguir? Dan, Dan, Dan. Por isso, vou citar alguns momentos bem especiais: No quarto, com duas lindas, consegui fazer Caquito casar, separar, ser chifrado, isso com quatro mulheres, incluindo Niveta, e todo esse jogo surgiu de um desenho, que trazia escrito: Norma e eu “sem intenções”, li Corna. Nesse quarto, fomos convidados pela filha de dona Amara a ir no seu quarto para visitá-la. Dona Amara é alguém que me lembro de outra atuação, acho que você vai lembrar que na atuação passada, me abismei como uma simples dança boba consegue deixar alguém tão feliz. E novamente, me deparo com uma senhora linda, disponível, com aperto de vó, com olhar de amor, com conversa boa e que o sorriso ilumina a alma de qualquer um. Dona Amara, me fazes amar a vida e acreditar que as vezes, mesmo com tantos problemas, a pureza, a magia e a beleza de uma criança, ficam vivas enquanto podemos respirar. Ao seu lado na outra cama, uma paciente sentia muita dor, e fiquei feliz que a mesma mão que acalentava suavemente a mão de dona Mara, conseguia trazer força para aquela mulher. Novamente naquele mesmo quarto, consigo ver que fingir ser um balão diante do ventilador pode arrancar pureza de uma eterna criança e enganar a dor por alguns minutos.  E olha que mundo pequeno, a filha da dona Amara, morou muito anos com ela em uma praia chamada Bertioga, praia esta que uma amiga minha chamada Lívia, quando pequena foi. Nesse local, ela comeu churros vendidos na praia, e nessa data a única pessoa que vendia churros lá, era a filha da Dona Amara.

  Tá vendo Pandolfo, se até um dia, a vendedora de churros encontra com sua cliente mirim gulosa, um dia novamente vamos nos encontrar, e vou poder te passar, tudo que aprendi com essa nova iluminada MCM nos nossos encontros, e com essas novas experiências que prometem para esse novo ciclo, serem mágicas!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Muito o que pensar

   Se alguém ler isso, não me achem muito estranha não. Eu sei que tipo, atuação externa na pediatria, com um grupo de palhaços, parece ser um sonho de consumo, mas não sei se foi o dia ou como eu estava, mas simplesmente não achei tão legal assim.
  Tinha atuado pela manhã na onco e atuação tinha sido bem legal, e estava realmente muito animada para ir à tarde. Apesar de saber que atuar duas vezes no mês mesmo dia, subir a energia duas vezes podem ser desgastantes para qualquer qualidade de atuação, eu realmente estava empolgada em atuar.
Infelizmente uma situação chata aconteceu antes de eu ir e tipo uma bola de neve começou a acontecer. Fiquei chateada, ai depois fiquei mais chateada porque tipo não estava mais 100% para a atuação. Só isso já serve para baixar a energia, mas fui mesmo assim.
   Teimar acho que foi o meu pecado. Ficamos em um grupo de cinco e tipo o grupo tá só com gente linda e cheia de energia: Flora Pinica, Martina Mandacaru, Josefina Chapelina e é claro meu MCM Pandolfo Bufaflor. Diante de pessoas com tanta energia, não consegui me encontrar. Em muitos momentos me senti apenas parada observando. Não que não tenha visto algo ruim, pelo contrário, a forma como esse pessoal conduz os blocos naquele hospital só pode ser descrito como mágica.  Mas mesmo assim minha inércia me incomodava bastante. Além disso, muitas pessoas tornam mais difícil ter coesão nos jogos ou conversas.  Para mim os melhores momentos foram aqueles em que reencontrei os meus velhos companheiros da nefro e pude desenvolver minha dinâmica com eles, entre eles: Risadinha, Musa, e Comandante. Novamente me pergunto, estou acomodada? É muita astúcia mesmo, mal tenho uns seis messes de palhaço e já estou acomodada.  Na pediatria foi mais aquela confusão, encontramos novamente gente mais energéticas e mais altivas até mesmo do que nós, e foi tanta energia e rapidez que meio jeito, acho que não se encaixo. Me encantou os momentos em que fiquei brincando com os bebês tentando encontrar o olhar deles, ou fazer eles encontrarem os passo de dança de meus pés e mãos.
   Enfim novamente encerro esse diário (os dois são do mesmo dia, então ainda não deu para pensar) será eu me acomodei? Será que sou morgada? Preciso mudar, ou meio jeito é que não combina com essa explosão de energia? Isso é só uma crise existencial, porque talvez não tenha entrado na energia certa na atuação? Uma atuação pode mudar os estado de espírito de alguém, ou ele pode atrapalhar a atuação? Essas dúvidas são só minhas?

Como vocês podem ver, meu recesso vai ser repleto de reflexões...

Tempero

  A última atuação foi na oncologia, fomos eu Bufaflor e Caquito Grilo. A oncologia é um local muito diferente. É um local em que todos os paciente podem nos ver de imediato e tipo meio que ficamos em uma local e do outro lado da sala está um outro grupo de pessoas com quem não estamos interagindo, mas que está nos vendo. Não sei se soube explicar, mas tipo meio que sempre fica aquela sensação de tipo deixar uma pessoa e ir para outra, a diferença nesse caso é que as paredes do quarto não estão presentes para nos impedir de ver como os pacientes ficam quando novamente saímos do seu contato.
   Creio que o jeito que eu e Bufa lidamos com nossa atuação é um tanto quanto intimista, digamos assim, o que brincamos, o que conversamos é meio só nosso e do paciente, ou nosso e do quarto, não costuma ser nosso e de tipo uma sala com umas quinze pessoas. Para a oncologia e para a sala de espera da onco, não combina muito o nosso jeito, e se tivéssemos ido sós, não sei se desenrolaríamos tão bem, quanto com Caquito ao nosso lado. Caquito é uma explosão, ele meio que sai mesmo correndo pelos lados, agarrando as pessoas, consegue estar de um lado e brincar com a pessoa do outro, não tem tantos pudores que eu e Bufa costumamos ter. Ele se joga no vazio mesmo sem medo, e de uma forma tão singela e doce que mesmo que esteja assumindo uma postura meio  forte, continua sendo bem aceita.
 Caquito brincou com o fato da suposta bebedeira dos pacientes, ao ver aqueles galões de remédio que por horas é injetado neles, brincou com minha burrice e com a falta de sedução de Bufa,  seduziu muitas e até agarrou uma mulher.  Encontramos nossa Jane, que não sei se porque estava sem Tarzam, ia de um lado ao outro. Jogamos de segui-la e assim foi, de súbito eu  os meninos estávamos no refeitório do hospital e Caquito adentrava cada vez mais, algo que nunca pensei em fazer. Para mim era estranho ir para a sala de espera, imagina descer as escadas de palhaça. Foi algo novo e me mostrou que talvez eu já esteja acomodada a certos padrões. Preciso mudar? Ou não? Isso são pensamentos para as férias...

  Enfim a atuação foi muito boa.  Caquito com sua energia realmente é inovador e ao mesmo tempo fofo, Pandolfo como sempre meigo, e um ótimo MCM que entra mesmo nas brincadeiras e consegue seguir com energias bem maiores apesar de parecer calmo, e eu ... sei lá, eu fico ainda no velho dilema de se sou o tempero que faltava, se não tempero nada, ou se exagero a comida...

domingo, 1 de fevereiro de 2015

O coração dos outros bate, o meu apanha

  Hoje Pandolfo e eu fomos para a nefrologia. Diria que tivemos muitos pontos baixos, muitas patadas e momentos de silêncio. Mas o que mais me marcou no dia de hoje, foi a impressão de ter encontrado velhos amigos para conversar.  As conversas foram sobre a vida inteira, ou sobre um simples retorno, de certa forma me senti realmente amiga de muitos dos pacientes ali, não apenas pela pergunta que alguns fizeram: Faz tempo que não te vejo aqui?, mas principalmente por chegar como alguém já esperado e poder ter deles familiaridade. Tal fato poderia ser uma armadilha, podendo nos jogar para uma zona de conforto, porém assim não se fez, pois como velhos amigos sempre uma boa e velha brincadeira surge.
 Logo ao sair do corredor encontramos chefa. Ela era uma acompanhante que estava no corredor, e que logo colocamos na posição de comandante, perguntando para qual quarto ela ia nos mandar para trabalhar. Só que chefa não era muito boa para indicar não.  Nos mandou de cara para um quarto onde tinha duas Maria José e uma mulher que iniciou “bem “a atuação. Essa paciente na nossa entrada, fechou logo a cara e disse “não quero graça hoje não”. Passou todos os momentos em que ficamos no quarto bufando e com a cara amarrada, na hora que iríamos embora disse “vão tarde”, enfim não foi muito receptiva. Já uma das Maria era um tanto apática, nossa presença não fazia muito diferença, já a outra nos recebeu muito bem e entrou em várias das brincadeiras, investimos nela o quando podíamos, inclusive em sua filha, que apesar de muito simpática, tinha acabado de ser assaltada e estava resolvendo alguns problemas. É,  ali não era o nosso momento.
   Ao sair fomos para chefe, reclamar que ela não sabia nos administrar direito. Qual é o próximo local? Ela mandou para um quarto e fomos expulsos de lá, pois estava sendo feito um procedimento de raio X. Chefe para onde vamos? Para lá. Um quarto onde uma senhora estava isolada, pois seu marido tinha pegado uma bactéria e piorado. O clima não estava nada bom. Ela era apática em relação a nós, mas respondia e interagiu uma hora em que falamos de flores, já que ela era de Jardins de São Paulo. Depois de tantas furadas, chefe finalmente nos levou para um local que podia nos acolher. Ela nos apresentou seu acompanhante, seu Cícero. Um sanfoneiro muito renomado, tinha uma Banda chamada Verdes Mares, e já tinha se apresentado em vários lugares. Conversamos muito com ele, soubemos de suas conquistas: 4 esposas, 134 amantes, 11 filhos, 25 netos, uma filha mais nova de lindos cachos dourados, dois filhos sanfoneiros, um salário de dez mil, uma casa de show para 4 mil pessoas, dois carros e muitas lições de vida. Entre muito bate papo, parecia que Sebastiana e Pandolfo assumiram Lívia e Caio por um minuto, escutávamos, tirávamos onda como amigos antigos. Mulher casada tem cheiro de chumbo. Chefa, vou te cheirar. Eita, chefa é de ferro. O chumbo de Pandolfo é pequeno. Vamos aprender a seduzir. Marcamos até de pegar o CD dia 22. Foi uma conversa entre amigos, com o incremento de algumas risadas. Vamos ali pegar uma caneta, para ter o autógrafo da sua celebridade. E realmente pegamos a caneta e seu autógrafo.
   Nos outros quartos o clima novamente foi nesse ritmo. Fomos no quarto do seu Severino e de Musa, que nessa hora descansavam, lá encontramos uma antiga amiga que desdá nossa primeira visita estava lá, brincamos como sempre. Conhecemos uma nora e sua sogra, quando estávamos sós, ela falou que a sogra era uma cobra. Ela por sinal nos deve até agora dez centavos, afinal fizemos sua sogra rir, prenda impossível a seus olhos. Ao voltar novamente ao quarto, seu Severino e Musa já estavam acordados, e com eles começamos a falar. Tudo ia no mesmo jeito leve de sempre, até que descobrimos que seu Severino já foi no show de Rita Cadillac e não tinha conseguido pegar a calcinha dela.  Sebastiana: Se eu jogar a minha, o senhor se levanta até dessa cama? Severino: Opa agora nós vamos ver? Risadas a mil, bom para ver como uma leve safadeza pode animar uma velha amizade.
    Na área da hemodiálise, outro senhor espilicute. Seu Manoel, como sempre rejeitando a mulher e querendo fogo das outras. Me disse que eu estava fraca, não tão animada como antes, foram necessárias várias novas chegadas e gritos pra ele ver a força, que estava errado. Mas como seria de praxe, a alegria pura de seu Manoel só veio mesmo, quando descobriu que estava entre três mulheres, ai podia ser fraca como fosse, como ele mesmo disse ele estava topando tudo.
      Pandolfo também foi seduzido ao som de Pablo, e descobrimos que os corações dos outros batem, e o meu só apanha.  Dentro dessa dinâmica fui ensinada, que se alguém canta que a “Muriçoca soca, soca, soca”, coisa boa ela não quer, e que se Pandolfo canta “Esse cara sou eu”é porque tem safadeza também. Vimos outra velha conhecida, hoje sua bola de stress virou uma bola de tênis, e ela uma jogadora profissional de tênis, que ao invés da raquete usava a mão, e ia treinar de bater na gente. Falamos da novela e de todos os babados que iam ainda acontecer.
    Junior e Pandolfo, amanhã, iam ficar muito felizes com o jogo do Sport. Quem será a palhaça que não é do Santa Cruz como eu, que conseguiu o coração de Junior e todos os lanches que ele tinha trazido? Se eu revelar para ele que não torço para nada, posso comer?
     Na sala de espera, nosso comandante militar estava lá. Ele e o amigo, o motorista do Curado, nos falaram muito sobre o fato do Curado só ter gente feia. Epa, eu sou de lá, isso significa alguma coisa? Indiretas não faltaram para “minha beleza “. O comandante ainda comentou sobre o seu rebaixamento a segurança de guarda- roupa, e teve também sofrência truando com Pablo no celular do Motorista.
Momentos peculiares da atuação:
·         O contato que apesar de sem muito retorno, devido as condições, que tive com a cozinheira de pele muito macia, que esperava sua entrada na hemodiálise. Mesmo sem forças, seu cabelo e sua pele continuam lindos, macios e hidratados. Como uma flor, tenho fé que essa água vai invadi-la como um todo, e vai lhe retornar a vida.
·         Ao sair dando tchau sem a roupa de palhaço, por um momento, passamos pelo quarto das Marias. A mesma Maria apática brilhou os olhos a nos ver sem nada. Talvez a melhor roupa para ela fosse algo menos chamativo. Sem a maquiagem e sem o nariz, na nossa forma normal, foi quando ela nos chamou de lindos.
·         Na descida uma linda de outro andar, e de um atuação longínqua nos reconheceu e ainda retomou uma antiga brincadeira com Caio, que nem eu lembrava que tínhamos feito. Ela perguntou se eu ainda ia vender ele, porque ela estava querendo um abajur. E eu boba com a lembrança disse: Deu sorte, ele tá na promoção.

    É estranho gostar tanto dessa sensação de familiar, e ao mesmo tempo não querer que ela exista? Afinal, quanto mais próxima o contato se torna, mais tempo aquelas pessoas estão lá. Parece que mesmo sendo a amizade batendo, meu coração continua a apanhar.


 Foto tirada depois da atuação com o autógrafo do seu Cícero. Mesmo que a água tire, depois do banho, ele ainda vai ficar um tempão marcado na nossa vida.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Como diria Edna Modas, SEM CAPAS

   No filme Os Incríveis, Beto é um ex-super herói que volta à ativa. Ele está fora de forma, cansado, e apesar de animado e com muita vontade, todos duvidam que ele tenha capacidade de voltar a combater os perigos. Ontem eu estava um pouco Beto. Estava cansada, fora de forma depois do recesso, e apesar de ansiosa por voltar a atuar, eu não achava que estava preparada para ir justo para PEDIATRIA.
   Mas para minha surpresa, ontem, as horas passaram muito rápidas. Logo de início, conhecemos Mari e sua vó Idi. Super espilicute, Mari foi muito receptiva e carinhosa, apesar de não acreditar em quase nada que dizíamos. Essa chave é um inseto, Mari. É não, é uma chave. Então, por que ela tem nome? Mari, ninguém vai conseguir brincar de jogar essas comidas na panela. Opa, e não é que conseguimos. Sebastiana não é boa para jogar vôlei, mas vôlei com panelas de plástico, até que vai. Pandolfo essa Mari é muito rica, ela come pão mole e tem um Tablet, acho que ao invés de palhaço você é seu empregado.
   E assim fomos indo, nos próximos quartos vimos lindos bebês. Uma fofa, gostou do meu cabelo. Conhecemos também duas Vivianes lindas. A primeira uma funcionária muito fofa, e a segunda uma bebê linda, seu sorriso era constante e nossa alegria ao vê-la também. No corredor, o pessoal do Conselho Tutelar. Corre Pandolfo, eles vieram nos prender. E vários fugitivos estavam naquele hospital. O primeiro deles surgiu no quarto de Alan e de Igor. Igor e Alan, dois meninos com seu estilo bad boy, seus jogos no Tablet e famílias muito lindas. Eles se enturmaram logo com Pandolfo, afinal meninos entendem dos paranaêus. E me rejeitaram. Sebastiana é feia, gorda, jamais namoraria com ela. Um dia eles vão me querer e eu nem vou dar bola para eles. E para elevar ainda mais minha autoestima, surge David, melhor Dennis o pimentinha. Um visitante do hospital que foi nos ver. Como o pai de Igor falou, ele devia era estar fugindo da mãe. David também não me queria a princípio, me chamou de gorda, puxou meu nariz só para dizer que eu era palhaça sim. Tinha tudo para odiar ele, mas não. Bastava ele rir, ou fazer aquelas poses enraçadas, que me derretia toda. Em uma das suas várias tentativas de me puxar a força, já estava começando a me irritar, ai David vem com uma dessas de desarma qualquer um: “Vem para aquele quarto, tem um menino que fez cirurgia agora, ele precisa de vocês.” Tem como não amar, se fosse filme adolescente eu era aquelas meninas feias rejeitadas pelos bacanas (Alan e Igor) e encantada pelo mais durão da escola (David/Dennis). Fomos até o quarto, a criança estava dormindo. E no final do enredo teen, David pergunta: vem comigo? Esse cara de sapato não é seu marido. Como diria o sábio Pandolfo Cara de Sapato, quem muito desdenha, quer. Até Igor e Alan ficaram posando para fotos conosco, se fossemos assim tão feios, eles não iam mostrar para ninguém.
    No decorrer tivemos outros lindos encontros. Vimos um bebê bem desconfiado, mas que não tirava o olho de nós. Era o niver da Lídia. Parabéns para você no ritmo de funk, afinal a gatinha no leito ao lado da Lídia adora dançar. Ela sorria tanto quando dançávamos, assim como a Lídia ao escutar seu nome.  Depois um bebê que tinha mais expressão do que eu e Pandolfo juntos, vai ser ator. Se não gostava, arqueava logo a sobrancelha, e era muito corajoso, afinal tinha medo de nós, mas me deu a mão para leva-lo de volta até o quarto.
  Mas nem só de vitórias forma feitas as batalhas de hoje. Em um dos quartos chegamos justo na hora em que um dos meninos estava urinando. Foi o “time” errado e desde de então não conseguimos mais nada, sua mãe cansada também não conseguia fluir conosco. Fizemos uma brincadeira de fechar os olhos, para ele não ficar mais com vergonha. Mas saímos do quarto sem abrir eles, porque ali não víamos nenhuma luz no fim do túnel. Outro menino nos rejeitou do início ao fim. E com o Juliano, devido a correria em que se encontrava, não foi possível bolar nada.
   E não podia terminar, sem falar do menino fofo, vulgo Patati, que nos prendeu no andar. Ele realmente queria que eu fosse uma super heroína. Queria que eu corresse atrás dele, pulava bem alto para tentar alcançar a mão de Pandolfo, e só ficando invisível para poder fugir dele. Ao entrar no quarto para nos trocar, ele batia na porta com muita força. Saímos, e lá, tudo começou de novo. Em uma de minha tentativas de fugir, ele me puxou pelo meu casaquinho.  Ele foi a minha turbina do avião. Matou todas as minhas energias físicas. Até que ele cansou de tanto correr na velocidade da luz, e me permitiu levá-lo até sua mãe. Outro fugitivo indo para a cadeia, falei para o pai de Igor.  No caminho ele me chamava de Patatá. Ai meu deus, depois de tudo que passamos, é assim que ele me considera? Só sou Patatá, se ele então for meu Patati, e dessa forma, não fico ofendida. Próxima lição Patatá, nunca use capa se não o Patiti vai te pegar.
   Mas se Patiti queria que eu fosse uma super heroína, o Anderson e sua mãe me deram reais poderes. Anderson e sua mãe eram surdos-mudos, como bem Mari me avisou, assim que perguntei o nome deles. Mas eles deram para nós, primeiro o poder de ler mentes. Por telepatia criamos o laço mais lindo. A mãe de Anderson, de açúcar, com tudo que há de bom, deu o seu elemento X para nossa atuação. Ela jogou a brincadeira do cupido para nós em resposta a minha brincadeira com um coração e de repente Pandolfo era um cupido que flechava eu e Anderson. Eu jogava então meu buquê de casamento e mãe dele pegava. Eu virei então o cupido dela e de Pandolfo. Nossa música era a risada linda dos dois. O brilho do olhar deles foi um dos mais lindos que já vi nessas atuações. Com simples gestos, e com muita risada, Anderson e a mãe transformaram as asas de cupidos em asas de verdade para mim e para Pandolfo, porque saímos tão leves e em paz daquele encontro, que parecíamos estar voando.




  Pessoal que lê este diário, cri, cri, cri kkkk, mas tudo bem, se alguém, algum dia ler, queria compartilhar isso que achei com vocês. Juro que elas não foram batidas com pau de selfie, ou pedimos para alguém bater. Durante a atuação no quarto da linda Lídia, sua tia, vulgo Garota verão, bateu essa foto enquanto dançávamos e cantávamos parabéns para Lídia. Eis que eu, como não tenho nada para estudar, fiquei de boinha no Facebook, e achei essas fotos. Juro que não sou amiga de face da tia dela, e na verdade nem sei o seu nome, e ela nem sabe quem somos, a legenda só trazia ' Visita animada".  Infelizmente, porque Garota verão é muito gente boa, não a adicionei, nem comentei nada, somente peguei as fotos para sempre lembrar deste momento.Tenho que confessar que já tentei fazer milhares de caras e bocas para ficar gatinha em fotos, mas foram nas que menos me esforcei que vi meu rosto e sorriso mais sinceros, até Caio que não é fotogênico, como gosto de implicar com ele, nunca esteve tão lindo. Acho que tínhamos um holofote muito bom. Se os fotógrafos soubessem onde achar ele, muitas outras fotos seriam batidas nos quartos do HC. Enfim é isso, beijoss

domingo, 14 de dezembro de 2014

Um belo trabalho, uma bela acochada tropical


Querido Pandolfo, vou lhe contar como foi a minha sexta. Sua MCM fui muito bem recebida por Telma Tropical e Tonico Acochador.  Fomos para o décimo andar. Foi tão legal ver o lindo o sorriso da Telma e o olhar brilhante do Tonico. A falante Sebastiana logo brilhou o olhar. Tentei ser menos tagarela para não assustar, mas acho que não consegui. Encontramos uma tia minha lá, a Tia Tetinha. Ela escondia seu busto com os braços como todas as tetinhas fazem. Encontramos a vô Lu. Foi fácil fazer uma música em família e Telma logo dançou.
    No ritmo da música reencontramos Vanessa, ela hoje falou conosco, mas continuou divã sem dar autógrafo. Ela também estava com Maria que conseguia ser mais divã que ela, e andava se requebrando. A seguimos até o quarto de Zezé. Aquele quarto estava realmente repleto de estrelas. Para minha tristeza, Pierce, o sempre falante Pierce, estava calado e muito triste, não falou conosco.
   Seguimos em direção ao quarto da riqueza. O caba era tão rico, que sua comida vinha do Japão, seu prato era de prata e Tonico ganhou uma cueca de ouro, Telma uma calcinha de ouro, e uns dentes urinados que latem (a tia de Telma sempre disse que ela era feroz) e eu um pinico. Ele teria que ser bem grande para conseguir aguentar a quantidade de coisa que eu boto para fora.  Aquele homem era um poço de invenções. Sabia Pandolfo, que calça pela metade se chama Cacete?
    No próximo quarto conhecemos uma mulher incrível, demos tantos apelidos para ela que juro que não sei qual era seu nome de verdade. Dela recebemos de tudo um pouco, elogios, carinho, dor, e o mais importante: confiança. Seu pé enfaixado e com uma dor que piscava, virou uma árvore que piscava, e seu lençol um enfeite dessa árvore. Ela elogiou o nosso trabalho, e Tonico esperto contou o meu segredo: meu trabalho era tão grande que não cabia no pinico de ouro que eu tinha. Que mentira! Ele na verdade é leve como uma nuvem, e cheira a flores! Vou deixar um pouco dele lá no banheiro. Pisca pisca ficou incrédula, não acreditou que eu tinha deixado algo lá, ou acreditou demais, é tanto que mesmo com dificuldade se levantou e foi ver. Não acredito que cai na de vocês. Olha para o céu pisca pisca, o meu trabalho está lá. Foi tanta abertura na nossa relação, que descobrimos a morte recente da mãe dela. Um choro, um conforto, e finalmente seu sorriso brilhou novamente. Vamos pegar material de trabalho: ameixa e repolho, para ajudar a senhora a transformar sua prisão de ventre em uma linda nuvem, ou a senhora quer xixi, uma comida japonesa muito boa? Telma comeu tanto que seus dentes estão todos ourinados.
    Como o andar é realmente muito rico, o próximo quarto foi o da rainha. Sentada no seu trono, estava rodeada de duas princesas. Tão ricas! Uma vestia um arco-íris e outra vestia pele de tigre. Suas unhas eram de prata e seu sorriso de ouro. Arrochador logo foi se engraçar com a segunda princesa e eu e Telma ficamos à espera dos nossos príncipes.
     No outro quarto, talvez a gente desencalha-se se aqueles belos olhos da mãe e da filha fossem trocados pelos nossos, por que será que elas não quiseram trocar? Como eu e Telma íamos conquistar o menino da fisioterapia e tirar Tonico do quarto sem aquele azul tão lindo e brilhoso? Acho que você também teria ficado lá Pandolfo.
    No outro quarto encontramos um jogador da seleção. Ele ficou analisando as nossas jogadas, ou melhor, os nossos passos de dança. Mas logo Dunga ligou para ele. E ficamos no quarto com o rei e rainha da corrida de burro, ou qualquer nome regional dado no interior a esse bicho. Ela com vários dons:  de baiana a jogadora. Ele o manjador dos computadores, tinha um tablete, um celular e um computador, e adorava baixar músicas antigas neles, essas eram as boas. O próximo ano vai ser tão bom, até a baiana vai aprender a usar a tecnologia. Será que o senhor ganhou isso tudo com a corrida de bodes? Afinal vale mil reais. Podemos carregar o senhor na nossa carroça, e seremos três burros, contanto que nos pague três mil reais. Ganhamos Pandolfo mais do que dinheiro, ganhamos sorrisos. Tão preciosos para mim e para você. O rei era justamente seu Joaquim, aquele senhor que na nossa última vez no décimo, nos expulsou e ficou triste com a história malvada do seu companheiro. Como queria que você também experimentasse a beleza daquele sorriso.
   Enfim Pandolfo, tenho muito a agradecer, Telma e Tonico são incríveis. A doçura de Telma e o charme de Tonico, a energia dos dois, me lembram que mesmo com o decorrer das atuações nunca devemos perder aquele brilho no olhar da oficina em que nascemos. Suas brincadeiras com coisas simples me mostraram que as vezes não precisa nada mais do que um pinico e um trabalho de repolho para melhorar o dia de alguém. Senti sua falta MCM, e do seu jeito moleque, não vejo a hora de revê-lo e dividir com você tudo de bom que consegui na sexta.

    

O Caminho para Olinda


   Na atuação dessa semana, voltamos para o sétimo andar. Mas dessa vez foi tudo tão diferente. Foi tudo tão leve, os tombos foram tão fáceis de levar e as subidas foram mais rápidas. Logo ao chegar encontramos com o pessoal do caminho. O seu líder é um amigo nosso de longa data, o querido Flávio. Foi ótimo trabalhar como palhaço interrompendo seu estudo para parasito. Conheço dois amigos de Sebastiana e Pandolfo que deveriam estar fazendo a mesma coisa.  Encontramos hoje com várias autarquias: Rapunzel, que é avó de Wesley Safadão. Eu fiz até trança no cabelo da mãe de Wesley. Morram de inveja fãs de forró.
Descobrimos autores de livros e pertubamos um pouco eles e as fontes de sua inspiração.
Como é seu nome? Maria. Errado. Vai perder menos um ponto Igor, somos os avaliadores do Caminho se não lembrar o nome dos pacientes vão ser expulsos. Lívia! Não este não é meu nome. Igor meu nome é Sebastiana. Do nada você reprova no Caminho. Olha quem fala, a memória perfeita não é?
    E por falar em memória em um quarto encontramos uma fotógrafa, integrante do Caminho, que registrou algumas fotos minhas e de Pandolfo em Olinda. Antes mesmo de sabermos que éramos uma dupla, ela nos registrou. Ela nos reconheceu e perguntou até sobre meu leque, minha memória falhou e da deturpação da memória surgiram a melhores histórias. Como assim Pandolfo você conhece ela de Olinda? Onde você perdeu esse leque Sebastiana? Me diz seu nome, cpf e telefone fotógrafa, adoro gravar o número de minhas “amigas”. Não registrem com fotos as ameaças que faço para uma colega. Como acabar com um relacionamento, com uma fotógrafa, uma lembrança e várias pacientes fofoqueiras.
   Em um dos quartos um paciente registrou muito bem o meu sentimento naquele dia. Cada vez que eu passava, ele me falava que eu parecia mais velha. Na hora a brincadeira da idade foi ótima, mas realmente eu sinto que nesta visita ganhamos alguns “anos”, uma maturidade para encontrar um quarto, no qual uma paciente nos disse não, e mesmo assim dar tchau e não abaixar a energia. E não existe melhor cenário para tal do que o sétimo andar, local em que sofremos os maiores baques quando realmente éramos novinhos.

domingo, 23 de novembro de 2014

Fogo da Paixão


    Hoje um Fogo do Amor acendeu a rotina de Pandolfo e de Sebastiana, a resistente árvore do deserto com seu calor e energia veio embelezar nosso jardim. Nossa bela Martina Mandacaru nos acompanhou na sempre prazerosa Nefro.

   Hoje foram tantos estímulos que seria impossível escrever todos eles no diário, teve grinalda, teve convite para fazer festa de casamento, teve paciente virando padre, teve Pandolfo triste, afinal o” Bufa Flor com suas duas esposas” ia perder a amante se não desse conta do recado. Teve até noivo! Aquele cirurgião de verde de repente surgiu na brincadeira. DO NADA,  Martina queria que a brincadeira se transformasse em verdade. Teve reencontro. Aquele senhor continuava no seu intenso cuidado com a esposa, o tempo não destrói a dedicação. Dona Alta, Dona Alta que bom saber que finalmente está de alta.

    Teve Musa e seus companheiros ensinando a seduzir e renegando Pandolfo. Esse menino precisa ser mais sensual! Musa acaba de revelar que o homem de verde é na verdade compartilhado, eitaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, B.A.R.A.C.O!

    Vamos lá para a hemodiálise. Dona Jacira, não adianta me cortar com essa sua conversa, eu sei que a senhora quer, e nos quer... e não é que ela quer mesmo, até com Pandolfo casou. Momento periguete do dia: que sorriso lindo o desses médicos, ai se não fosse comprometida com Pandolfo eu ia atrás... Marido chato esse meu deixa nem eu pegar o telefone desse lindo cara da hemodiálise de olhos azuis, amor se eu não pegar a enfermeira oferecida vai roubar ele de mim, já é o quinto que ela me rouba. Pacientes safados, prometem mundos e fundos para essas enfermeiras e elas caindo na lábia deles. Aiiii meu Deus, seu Luciano é cantor e tá só resolvendo os babados. Babados fortes esses, hein? Não é à toa que sua banda FOGO DA PAIXÃO é um sucesso.

    Homem de branco, homem de branco vai nos deixar para cuidar do quarto, pelo menos as pacientes vão ver coisas mais bonitas do que o senhor...

Ai meu Deus vamos para a sala de espera, calma momento vamos mendigar comida... é não rolou nenhuma migalha, vamos para a sala de espera...

   Rafinha, que bom te rever, quer casar com nossa filha Martina? Fecha as pernas Martina assim você perde outro casamento! Olha lá o seu Manoel... quer segurar minha mão, e a da minha filha? Ela é mais gorda que eu? Pega na barriga dela! Eitaaa é gorda mesmo... Como assim o senhor pegou na barriga de Pandolfo? Gosto de homem não... Pega na barriga dela mesmo... Opa é na barriga não na bunda, sua esposa vai brigar... Manoel se não parar de se amostrar vou te colocara na UTI... Por que seu Manoel, de repente o senhor está sussurrando? ... Rafinha ainda quer minha filha oferecida? ... Quero mais não... Não precisa fugir com ele na cadeira de rodas filha, desespero afasta mais ainda o amor...

   Sentido, fomos batizados pelo general do exercito, somos agora oficialmente palhaços em sentido e em ordem...

    Isso foi tudo por hoje pessoal... Ufa que dia intenso, muito obrigada, filha, amante do meu marido, amiga para toda vida, minha linda e intensa Martina Mandacaru, sua energia complementou bastante nosso chegar de mansinho da atuação, pode sempre nos visitar, quem sabe descolamos mais paqueras, tanto eu e Pandolfo, como você...

    É MCM o fogo é muito bom e foi muito bom vê-lo, melhor ainda para perceber como somos similares, e pode ter certeza que isso me deixa muito feliz!

domingo, 16 de novembro de 2014

Desculpe MCM por ser um fantoche teimoso


     Confesso que na intervenção de hoje cometi vários erros. Não que eu nunca cometa, nossas atuações basicamente são feitas de erros bem aceitos, mas o que falo são erros de condução dos erros. Complexo não é? Mas é mesmo.

    No décimo andar existem dois locais, um local destinado a algumas pessoas que esperam para fazer cirurgia de redução de estômago, e outro destinado para pessoas que creio possuírem problemas de diabetes, no qual se encontram várias pessoas amputadas. O clima como um todo é muito pesado nessa segunda parte do hospital, muitas pessoas idosas, que recentemente acabaram de fazer uma cirurgia.  Nos primeiros quartos, não conseguimos muitas brincadeiras, basicamente conseguíamos um contato maior com as acompanhantes e pouco com as pacientes. Ao seguirmos para um dos quartos, vimos um grupo que estava no corredor, eles nos chamaram e lá fomos nós. Uma delas estava no oitavo andar e subiu para fazer a caminhada, e os outros estavam internados no andar. Com eles desenvolvemos brincadeiras bem produtivas, sendo a maioria em torno de Verônica e sua timidez repentina que travou seu falatório constante. Nesse momento começou a trollagem. Eles disseram que no quarto 1004 tinha uma menina muito animada, que ela ria de tudo e que ia adorar nossa visita. É não foi bem assim que aconteceu.

   Como meu MCM Pandolfo descreveu muito bem, Luana era uma dementadora de palhaços. Ela não se contentava em não rir, ela realmente demonstrava que detestava tudo que fazíamos, mas ao mesmo tempo não nos deixava ir embora. Meu MCM menos inocente do que eu, já tinha percebido desde do primeiro momento que Luana realmente era o oposto do que nos falaram. Eu teimosa e inocente ao invés de ir embora ao perceber como Luana era, não me conformava em não conseguir fazê-la rir ao menos uma vez. Conseguimos duas vezes, e era perceptível que ela gostava de brincadeiras pesadas que tentávamos evitar. Ela constantemente tentava transformar a visita em um questionário de nossa vida, e foi um ótimo treinamento para realmente nunca deixar a vida de Lívia transpor a vida de Sebastiana. Por fim depois de meu MCM tanto tentar me chamar finalmente meu ego cedeu e fomos embora. Mais tarde fomos informados por aqueles que nos mandaram para lá, que Luana era uma menina muito mal humorada e extremamente difícil de estabelecer contato. Erros cometidos: Não ter percepção para não ser enganada, não conseguir me conectar com meu MCM e perceber as formas que ele tentava me mostrar de que estávamos entrando em uma furada, não respeitá-lo e permanecer muito no quarto. Foi muito bom perceber o quanto tenho o apoio dele, e principalmente o quanto essas atuações não são paninhos vermelhos que tentamos pegar. Risadas não são o foco.

   Vida que segue, fomos para os quartos, eu um pouco desenganada de minha vida de clown, chegava para os pacientes e dizíamos que não éramos palhaços, porque éramos muito ruins, até do circo tinham nos expulsado. Eles riram tanto disse que comecei a pensar que realmente eles concordavam. Mais uma tapa então. Em um dos quartos fugimos do nosso querido dono, o enfermeiro malvado que nos perseguia, nos salve por favor, ele passa e nos falamos, somos escravos, somos muito mal tratados, ele volta, eu amo esse local, nunca vi coisa mais linda.

    No quarto do seu Severino mais uma armadilha, os acompanhantes riam com qualquer coisa, e um deles nos tratou como médico e como enfermeira, e depois nos jogou uma bomba. Falou que nós tínhamos cortado o pé do seu Severino. Para que fez isso rapaz! Mesmo todos do quarto rindo, não compramos a brincadeira, mudamos de assunto, mas foi isso que ficou para seu Severino e junto com a dor que sentia, não quis mais nem olhar para nós, com um bico que acho que era careta nos expulsou de perto dele. Aceitamos fizemos nosso final e saímos. Hoje tá tensoooooooooooooo!

  No outro quarto lá estava seu Alcides, mais uma rejeição, mas pelo menos essa rendeu piadas. Ele não entrava nessas tabacas, ele falou essa ou outra expressão que significava coisa para enrolação. Assim não dá, outro tapa, não aceito seu Alcides que de mim o senhor não quer nada, prefere Pandolfo é? Não, prefiro você! Assim o senhor acaba com o senhor do lado, a mulher dele fica com Pandolfo e ele fica só? Me troca por muito dinheiro vai? Oxe ele não precisa disso não e tão doce, apesar de só muriçoca querer? Alcides: Vocês têm muita linha para pouco anzol! Assim não dá, só na tapa o senhor vai me matar. Vou atrás do netinho do outro senhor, que com seis anos já é vendedor.

      Deixámos o quarto, seu Alcides sem nos amar, pelo menos teve algo para conversar, acho que isso já agitou seu dia. E eu com mais um casamento com uma criança. Sebastiana é meio pedófila.

    E assim terminou a atuação, muito tapa, muito erro, muita tensão, se assim fosse na primeira atuação estaria devastada, mas posso te dizer querido diário que não estou. Acho que realmente evoluímos, aceito bem melhor e reconheço bem mais minhas falhas no dia de hoje e agradeço bem mais o MCM que me foi dado. Junto com ele tive o melhor momento da intervenção. No nosso primeiro dia falei para ele que se ninguém, se nem as moscas nos quisessem, íamos ficar os dois no corredor um tentando animar o outro. E assim foi. Depois de tanta coisa, me pego brincando com os enfeites de Natal do hospital, pulando pelo corredor para com minha cabeça tentar alcança-los, ao meu lado pulando mais alto que eu, Pandolfo. No nosso pequeno corredor de rejeição, cada vez mais chegamos mais alto do que achávamos que podíamos chegar.

sábado, 8 de novembro de 2014

Onze motivos e um segredo


Existem onze motivos para eu amar cada dia mais essas atuações:
1-      Somente na atuação eu posso roubar um celular, colocar a culpa na irmã da dona, fingir que eu e Bufa estamos sendo procurados pela polícia que acompanha os visitantes e sair correndo de medo do quarto ao saber que uma das irmãs é policial.

2-      Somente na atuação, posso ser a protagonista da novela Esmeralda, dar autógrafo, mesmo não tendo olhos verdes, mas para que ter? Minha calça verde me representa, e eu brilho tanto que deixo as pessoas cegas.

3-      Somente na atuação, eu posso assistir um programa de assassinato, e nele conhecer uma travesti que só quer aparecer na televisão, e de súbito também querer ser famosa como a travesti e cometer algum crime.

4-      Somente na atuação eu posso chegar perto de uma senhora bem razinza e dela conseguir um sorriso. Com ela, descobrimos sua insatisfação com a falta da televisão, e seu amor por programas de desgraça, está no sangue da família, parece que ela é parente de Marcelo Rezende. E lá vamos nós para o outro quarto fazer uma televisão sem fio, vendo as notícias de morte e levando para quem mais sentia falta delas.

5-      Somente na atuação eu posso fazer novamente rir, pessoas que não podem rir devido a dor, e fugir do quarto com meu cúmplice para não cometer mais esses crimes.

6-      Somente na atuação eu posso encontrar uma rosa, tão cheirosa, com aquele hidratante de ameixa do Boticário, e pedir para passear com ela por todos os locais de Recife para ver se a cidade fica perfumada. Íamos fazer isso ou na bicicleta da sua filha, ou na motocicleta do seu filho, que afinal era mais rico do que a irmã. Somente na atuação eu e Bufa podemos causar discórdia familiar.

7-      Somente na atuação podemos ver um sorriso daqueles que não podem sorrir. O brilho no olhar, a atenção e o esforço que era feito para falar seu nome mostrava mais do que uma boca aberta com dentes.

8-      Somente na atuação, admiramos a beleza daquela BR, que lá de cima para muitas pessoas não é nada demais, mas que para outras é uma bela paisagem. Somente na atuação podemos, dançar frevo, forró e virar pião, e mesmo da forma desajeitada com que fazemos isso ganhar um elogio. “Que coisa linda.”

9-      Somente na atuação eu sou Claudete, Bufa é Cláudio, e assim podemos entrar no fantástico mundo dos Cláudios, que expulsaram o Manoel, porque esse não se chamava Cláudio e que mesmo torcendo Santa, querem que eu vire Sport.

10-   Somente na atuação, aprendemos a emagrecer, aprendemos como eu sou complexa, assim como as outras mulheres, aprendemos como ter calma e paciência e percepção em meio as dificuldades, isso tudo com dois rapazes muito centrados e atentos. Somente com atuação eu aprendi que Josefa também, se chama Zefinha, ou Nininha, e por isso tem três votos de decisão na enquete feita, mas que como Rosa tem um jardim também pode votar por milhares de flores.

11-   Somente na atuação aprendemos, que o tanto de perfume que uma pessoa passa pode ser para encobrir a dor de barriga da companheira. Aprendemos que alguns são menos privilegiados e por isso não tem colchão, e que é necessário entender se isso aconteceu pela dor de barriga. E aprendemos que se as pessoas apesar de rirem, falam muitas vezes que querem descansar, é porque está na hora de sair de lá. Somente na atuação podemos atrapalhar mulheres assistindo novela e não sermos linchados por isso.

  O segredo é que nesse 11º andar, eu imaginava que não dava muito para brincar, ou para jogar, devido a condição em que muitos se encontram, mas pelo contrário, foi um dos dias mais produtivos em jogos, brincadeiras, conversa, companheirismo e em amor por cada um que eu conhecia. Em alguns momentos, eu era trazida para a realidade novamente. O nosso querido Mionzinho, que estava com vários problemas, creio que devido a diabetes, estava levando um banho de perfume de sua linda esposa, que inclusive passou perfume em nós. Mas de súbito sua glicose baixou e ela ficou bastante preocupada, saímos do nosso mundo de encantamento e chamamos o enfermeiro, demos um abraço nela e falamos que tudo se resolveria. Ao terminar a atuação, fomos no seu quarto ver se Mionzinho estava melhor, ele estava estável, abraçamos a sua esposa novamente e fomos embora. Somente na atuação, posso me deparar com a felicidade que pode emergir apesar das dificuldades, e com dificuldades que as vezes nos tiram da magia da felicidade.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Quero olhar bebês


   Hoje foi difícil. Como manter a concentração e foco? Só queria passar minha vida vendo aqueles lindos bebês. Entramos no primeiro quarto e vi aquelas criaturas sob a luz azul, tão pequenas, tão frágeis. É estranho querer ser algo tão intocável, mas o que não faria por aquela paz e delicadeza, por aquele véu de novidade que cobre tudo que se vê, por meu instinto principal ser o aconchego. Nossa deu para perceber que era difícil criar jogo quando fico pensando nessas coisas. Mas tinha que perder minha concentração nos bebês, e começar a atuar.  No primeiro quarto, nosso saudoso Bufa não se deu muito bem. Poxa realmente achava que o seu sucesso de modelo ia rolar na maternidade, mas hoje ficaram do meu lado para provocá-lo, mas afinal que tipo de palhaço dá para a palhaça da sua vida uma maça estragada de casamento, assim não tem mulher vá querer ele, isso é uma palhaçada.

    Semana passada ele encontrou os amigos do futebol dessa vez encontrei as minhas amigas da fofoca. Próximo quarto, sentamos no chão bem pertinho da moça e de sua mãe, vamos fazer uma roda para cochichar e não acordar ninguém, né Neném que é mais nova do que seu próprio neto neném? Seu filho já tá com uma namorada? Sim, a bebê do lado. Como diria Cazuza, “nossos destinos foram traçados na maternidade ... A vida é cômica, adivinha de onde elas eram: de Buenos Aires! Realmente é uma cidade linda, tem televisão na praça, e até frio faz. Enquanto Bufa pega conselhos para ser um bom marido com a mãe, junto com a filha marco de conhecer os amigos policiais de seu marido, porque afinal policial é o que há de melhor.

  Fomos agora para sessão de fotos. Vinte reais uma foto, só que quem cobrou foi a fotógrafa. Acredita que batemos mais de dez fotos, pena para ela que na nossa roupa não tem bolso algum.  Você sabe como passar na ponte? Não, nos ensina. Se o soldado mandar ir em frente, vira de costas e vai em frente. Só os que tem lógica entenderam, pena que não tínhamos. Olha, a palhaçoterapia também é local de aprender questões de lógica de concurso público.

    Como te fazer rir moça? Me dá comida, que eu abro a gargalhada. Bufa tira do bolso um papel de bala amassado. Poxa a cara de decepção dela foi ótima. Mas não é que a sorte estava ao nosso favor e o carrinho do lanche estava passando, fomos ajudar a moça a entregar. Finalmente conseguimos facilmente risadas.  Ri tanto que assustei, é unanime todos acham minha risada estranha.

   No outro quarto, uma querida estava cirurgiada e não podia rir. Não foi culpa nossa, qualquer coisa que fazíamos ela ria. Cobria o rosto, virava cara, mas não tinha jeito. Quando não queremos elas riem até demais, mulheres, mulheres, como diria Bufa, mulheres são complexas. Ficamos na corda bamba literalmente, no caso de Bufa tá mais para linha bamba.

   No outro quarto, percebemos todas as mutretagens das fofoqueiras do 912. Elas achavam que acreditávamos que elas ficavam olhando com cara de paisagem para o bebê porque gostavam dele né, sei... queriam é se bronzear na luz azul. Projeto verão 2014, tenha sua incubadora e vá fazer sucesso na praia. Nossa que Camila malvada, foi visitar a prima grávida, e acabou fazendo confusão com a mulher do lado. Todas têm um pé atrás com Camila. Afinal se eu pergunto dela e você ri é porque tem alguma coisa por trás. Quem ri, consente. Do nada sou acusada de pedófila, mas quem me culpa por ser apaixonada por Alejandro Sanz dos olhos azuis, ele vai deixar meu coração partido.

    Ai meu Deus, como é seu nome? Ipatugina. Meu deus, é uma cidade? É não, é minha avó sendo doida. E o filho de Ipatugina despertava o gingado em todo mundo. A moça que o segurava, quando estava com ele nos braços, balançava de um lado para o outro, e quando a mãe foi amamentar, ela ficava batucando sua bunda. Já nasceu para ser dançarino de axé.         Meu sonho é ter um robe. Talvez a noite eu passe e roube seu robe. E novamente dei uma de a Praça é Nossa. Mas funciona, é tão tosco que o povo ri. E que dinâmica legal de Bufa com a moça, foi ótimo narrar as reações dela quando ele invadia e deixava de invadir o seu espaço.

  Vamos embora, opa pera aí, faltou conhecer ela, a mãe da amarela Maria, Maria Gabriela amarelaaaaaaa. Que encanto, que força. Ajeitou a TV, foi crítica de moda e mostrou a linda bebê que já ia ver amanhã, quando tivesse alta. Vão lá no 913, vocês não vão se arrepender.

  E lá fomos, no caminho começamos a imitar uma das moças do primeiro quarto que falava no celular, ela passou o telefone, porque o marido não acreditava que ela estava rindo de palhaços. Falamos com ele, mas Bufa do mal desmentiu, somos palhaços não, sua mulher tá doida. Assim não dá, Bufa acabando casamentos, a bixinha não conseguiu nem desmentir, de tanto que riu.

   E chegamos no 913. Conhecemos Dilma, Aécio e Marina. Ah tenho que curtir a foto deles no face. Dilma estava no centro, dormindo rindo, e os outros dois estavam do lado com a cara fechada, é os babys imitando a vida. Como assim você coloca eles para brigar? É Aécio deu uma surra em Dilma, e Dilma em Aécio ainda dentro da barriga. São todos farinha do mesmo saco, e da mesma barriga.

    Ufa Bufa, que dia, saímos mortos né? Mas é assim mesmo, quem sabe agora posso tentar ser um bebê, pensar na carinha deles e dormir hoje mais feliz e calma.

domingo, 26 de outubro de 2014

Impacto


   Tenho que confessar que nunca tinha ido a uma sessão de hemodiálise. Sempre que imaginava como estes locais seriam, ficava pensando que talvez eles fossem similares as sessões de quimioterapia aos quais eu já tive a oportunidade de conhecer. Muitas horas ligados presos a um mesmo procedimento, alguns com reações adversas fortes, outros conversando e fazendo o que podiam para passar o tempo. Não foi bem isso que vi na Nefrologia. Vi cenas muito fortes, pessoas muito debilitadas, as horas além de longas para aquelas pessoas também eram desprovidas de qualquer vitalidade, muitas delas sentiam muita dor e eu em minha restrita visão de mundo, me deparava com uma nova realidade impactante.

   Logo que chegamos, eu e Bufa, fomos recomendados a não ir para o local das sessões, estava ocorrendo a troca de pacientes, lá estaria conturbado, fomos então visitar os quartos. No corredor um senhor buscava algodão, interagimos com ele, e este com um sorriso meio preso, segui para o quarto, decidimos então acompanha-lo. Ele ia cuidar de sua esposa que dividia o quarto com mais duas senhoras acompanhadas por suas filhas e uma amiga delas. O senhor se voltou para sua esposa, ela estava com muita dor. Ficamos brincando com as outras mulheres do quarto. Quanto amor elas nos deram, ensinamentos e carinho. Tinham uma risada fácil e aconchegante, propuseram muitos jogos e sempre tinham uma palavra de agradecimento e carinho.

    Com elas e com Bufa, meu eterno amigo da onça, aprendi que se falo que sou de Buenos Aires, posso estar falando que sou de uma cidade daqui de Pernambuco. Ser de fora é complicado, motivo para dar muitos foras.  Uma delas sempre que tentávamos sair do quarto, se levantava, só que ela não podia, ficamos um tempo a mais com ela, e foi quando percebi que apesar de tanta simpatia e risadas ela também estava com muita dor. Em um dos momentos não me contive e segurei sua mão e simplesmente tentei não fazer ela rir, só queria cuidar dela e mesmo que com um carinho na mão, tentar diminuir um pouco seu desconforto.

   Fomos novamente em frente, descobrimos que alguns não provam nossa escolha labial, e acham o batom laranja incorreto, isso nos fez ir atrás de um batom mais sensual. Bufa queria também achar apoio para seu sofrimento com futebol, fizemos uma aposta para ver se alguém ali como ele também era apaixonado por esse esporte. Nos primeiros quartos me dei bem, mas depois perdi feio, Bufa encontrou companheiros que tentaram me provar o valor do futebol, mas o maior lucro da história foi a melhor ficada de merda de nossas atuações. O senhor tão compenetrado no cuidado com sua mulher, não nos dava muita atenção, nós respeitamos ele, mas nesse jogo específico, Bufa rodeado por mulheres, se virou para o único homem do local e perguntou se ele também gostava de futebol, se ele era seu parceiro no bom gosto. Não esperava que ele fosse ao menos responder, mas ele nos deu um não com a cabeça, tão simples, certeiro, sorrateiro e lindo que caímos na risada. Eu ganhei um aliado na opinião, Bufa ganhou rejeição e todo ganharam alegria.

   Do senhor Severino ganhei um 9,5 no quesito beleza, Bufa me deu dez e fiquei com a média 9,75. Nunca imaginei que vestida de Sebastiana ia ter a pontuação mais alta da minha vida.

   Finalmente fomos para a hemodiálise. Ao entrar, tentava encontrar no olhar, ver alguém para interagir, porém a grande maioria dormia, ou gemia de dor, eles estavam apáticos. Junto com o sangue corpo que fluía para fora do seu corpo, ia sua energia também. Tentei me conter e passar a energia que tinha para eles. Conseguimos interagir com uma moça que assistia TV, ela foi bastante receptiva e acho que realmente desistiu de roer as unhas depois que viu as minhas. Uma das senhoras que estavam naquele quarto tão querido, cuja a sua filha nos recebeu tão bem, também nos acolheu. No início ela prestava atenção, até que no meio de uma risada ela simplesmente virou o rosto e fechou os olhos e foi dormir. Acho que seu cansaço conseguiu superar a atenção que tentava nos dar.

  Essa situação se repetiu com muitos, apesar de eles tentarem, de súbito pareciam que não estavam mais lá conosco. Queria tanto pensar que era apenas rejeição, mas infelizmente a ideia de que era realmente dor e fraqueza me assombra.

 Apesar disso conseguimos criar alguns jogos legais. Bufa virou a globeleza, uma das enfermeiras conseguia se teletransportar. Eu virei Dilma e Bufa Aécio, e as propostas políticas foram trocadas por eu torço pelo Sport, e ele pelo Santa Cruz.

    No último quarto, fomos levados para uma boate, o pisca pisca da luz que falhava no quarto foi ótimo para interagir com uma linda moça que com seu sorriso comprava nossas brincadeiras e loucuras.

   A visita foi muito boa, todos os momentos me marcaram bastante, mas um deles me fez refletir por dias: admiração pelo o senhor que cuidava de sua mulher. Ele tinha uma paciência, um carinho, uma positividade, entre os gemidos constantes de dor de sua esposa, não cansava de repetir, já vai passar, isso enquanto alisava sua cabeça e limpava sua boca com um algodão.  Queria poder demonstrar o amor que ele sentia para com aqueles que amo da mesma maneira que ele, sem cobrar, de forma constante e pura apesar das dificuldades.