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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Família


Boa noite!
Ontem foi um dia especial. Em meio à perspectiva de férias e correria de fim de período, surgiu a oportunidade de atuar mais uma vez. Dessa vez escolhemos a maternidade. Ao contrário de algumas outras vezes, estava bastante cheio e tivemos a oportunidade de encontrar muitos olhares diferentes. Eu adoro atuar na maternidade porque sempre encontramos rostos tão felizes pela chegada de um bebê, que a felicidade acaba transbordando para nós. Coincidiu chegarmos junto com as visitas, então a quantidade de rostos iluminados foi maior ainda. Irmãos, tios, pais, avós, primas, amigas, todos celebrando os novos encontros. Minha MCM mais uma vez me surpreendeu pela facilidade que tem de tocar as pessoas. Encontramos um parente: O Senhor R. é palhaço na restauração. Foi visitar a filha recém-nascida, mas nos adotou, e acabou participando de todos os jogos em todos os quartos. Rendeu boas risadas e espalhou alegria com um bom humor contagiante. Pelo cansaço, tendo a reclamar um pouco, mas como dizem os velhinhos, as atuações que menos queremos ir, são as mais incríveis. A de ontem com certeza ocupa um lugar especial no coração.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Amor de mãe

A atuação de hoje já começou com um gostinho. Nostalgia. Não é a última, mas já da pra sentir aquela saudade. O setor não poderia ser mais convidativo: COB. hoje estava particularmente movimentado. Mães de todos os tipos, com todos os sentimentos possíveis: ansiedade, cansaço, tristeza, alegria.... Mas todas dispostas a encontrar conosco. Foi incrível. Por mais atuações que eu tenha feito, sempre me admiro com a capacidade das pessoas de participar desse encontro com a gente. Revelar medos, segredos, histórias e compartilhar olhares. As enfermeiras tiveram uma participação bem particular, sempre dispostas a abraçar o jogo. Foi lindo! Quero levar sempre o amor dessas mães nos próximos encontros que a vida proporcionar. 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

São joão

Boa noite!

A enfermaria do decimo primeiro estava lotada hoje. Nessa época de São João parece que os internos, maioria do interior, sentem ainda mais falta de casa. É muito bonito ver os relatos de todos eles. Os sorrisos que recebemos foram abertos e receptivos. Apesar do cansaço, foi um dia inesquecível.


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Sábias são as crianças!

Bom dia!
A atuação de hoje tinha tudo para ser corriqueira. Poucas crianças na pediatria, pouco movimento, muito cansaço. Mas hoje, mais uma vez, se cumpriu o que nossos velhinhos nos dizem sempre: quanto menos você quer atuar, mais perfeita é a atuação. 
Minha MCM continua me surpreendendo com a delicadeza dos encontros que ela promove. É lindo só observar, melhor ainda é participar. Mas hoje eu e Sebastiana tivemos uma terceira MCM: Mica, que no auge dos seus 2 anos de idade peregrinou conosco em todos os quartos, levando seu sorriso sincero por onde passava. E olhe que ela mal sabe falar. Foi incrível. Cada criança nos presenteou com um encontro sincero, fora a alegria quando olhavam para nós duas. Quer dizer, nós três. Melhores momentos foram vários. Mas foi muito divertido virar um dos três porquinhos pela voz e imaginação de um menino, que conta histórias como ninguém. O lobo mau que se cuidasse. 
As 2h e meia de atuação passaram que nem sentimos. E não tem descanso que pague esse cansaço que, no fim das contas, acaba se transformado em amor. E é só esse último que fica.
❤️

sexta-feira, 29 de maio de 2015

MÃEternidade


Bom dia!
A atuação dessa semana foi surpreendente. A maternidade estava lotada. Enfermeiros, mães, bebês, alunos, e até parentes por conta do horário de visita. Minhas ultimas experiências na maternidade foram maravilhosas, e a expectativa é grande. Minha atual MCM só fez tudo se ainda mais especial. É bonito ver como todo mundo se entrega ao encontro com o desconhecido. E compartilhar desse momento de amor com aquelas mães é um privilégio. Esse projeto tem me proporcionado momentos incríveis.

"Amor de mãe pode ser traduzido em uma palavra: doação."

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Boa noite




Sempre acho que escrevo o diário para mim mesma. Mas, se por acaso alguém estiver acompanhando, deve estar farto de me ouvir reclamando de cansaço. Nada melhor do que começar o de hoje com uma novidade nada novidade: estava morta de cansada. Fui quase me arrastando com minha MCM para a pediatria. Logo hoje que teríamos que ter energia em dobro pra lidar com as sempre animadas crianças do HC. Decidimos testar a teoria que os velhinhos defendem: os dias de maior cansaço normalmente são os melhores. Se hoje foi o melhor eu não sei, porque esse projeto já me proporcionou momentos incríveis. Mas é impressionante como a magica realmente acontece. Encontramos olhares tão inocentes, mas tão ansiosos em nos receber. E parece que todo o cansaço se esvaiu quando ouvi o primeiro “vamos brincar?”. E a tarde seguiu sempre com um amor crescente. E quando vi o sorriso de João, chamando o colega, inicialmente tímido, para brincar, o hospital virou um verdadeiro palco de faz de conta e a imaginação reinou. “A brincadeira tá incrível.” É, João, a “brincadeira” de hoje foi sensacional.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Lar

"Com a linha do horizonte um pássaro fez um ninho. Agora todo olhar perdido tem um lar."
Hoje meu olhar, tantas vezes perdido, encontrou muitos lares. O lar do encontro com a minha MCM. O lar dos olhares sempre e cada vez mais acolhedores que recebi. O lar dos sorrisos infinitos. Só tenho a agradecer, nada mais.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Palhaço pelo avesso

Boa noite!
O dia de hoje foi bem atípico. Eu e minha MCM nos encontramos e passamos por todas as etapas até subir a energia. A enfermaria do décimo primeiro, inicialmente calma, estava cheia de pessoas que queriam interagir. O que aparentava calmo, começou a ficar movimentado. Era medico pra um lado, enfermeiro pra outro. Acabou que atuamos e interagimos com muita gente diferente, o que foi incrível.
Hoje, no entanto, eu pude exercer uma imagem bem diferente da que normalmente se tem do palhaço. Lembro que em nossa formação, o que mais trabalhamos é: palhaço não tem a função de fazer rir, mas de encontrar. Por mais que trabalhemos isso incansavelmente, acho que todo mundo tem uma ideia formada de que o palhaço acaba se encontrando no riso. Felizmente, ou não, hoje foi um daqueles dias em que levamos uma rasteira e aprendemos de novo que o importante não é o fazer rir, mas o olhar e o encontro. Os encontros se deram, também, no riso, mas não só nele. Vi um senhor com um olhar que me desconcertou: 99 anos de pura lucidez, gentileza e coragem. Que sorriso contagiante! Guardei cada momento que passei naquele quarto no coração.
Mas, como sempre, gosto de eleger um momento muito marcante. O de hoje vai para o ultimo quarto em que atuamos. Uma paciente, ja conhecida nossa, está no hospital há uns 4 ou 5 meses. Hoje ela estava particularmente sensível. Nos disse que era muito difícil, que não aguentava mais, e que estava cansada de ver todos os companheiros de quarto indo embora e ela ficando para trás. O que dizer a ela? Como colocar todo o amor no olhar? Foi difícil. Os médicos haviam pedido que fossemos vê-la. Nunca tinha sentido que tinha feito tão bem a alguém. Ela se transformou. Sorriu, apesar de não ter perdido o momento sensível em que se encontrava. Desabafou. Chorou. Abraçou. Foi um momento que, segundo ela, ela explodiu, e talvez agora as forças tenham sido renovadas para ficar no hospital por mais quanto tempo ela precisar. Só consegui pensar o quão privilegiada eu sou por conta da minha saúde, e que eu posso, realmente, fazer a diferença no dia de alguém.
Rezo por muito mais dias como esse.
Como diria minha amiga Martina Mandacaru, Beijos com MUITA luz.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Recomeço


Boa noite!

Finalmente voltando à ativa! Tudo novo de novo.

A saudade das minhas MCM’s estava grande. Infelizmente trocamos de duplas e não as encontraria nessa nova etapa. Felizmente, fiquei com alguém tão maravilhosa quanto.
O primeiro setor: pediatria. O cansaço da semana como sempre era um pouco desestimulante, mas parece que quando começamos a atuar tudo se dissolve. Sono, cansaço, mau humor, tudo dá lugar à intenção de levar amor pra aquele cenário às vezes tão triste.

Já havia estado na pediatria, mas hoje foi completamente diferente. No geral, as crianças acabaram interagindo mais. No entanto a maioria era menorzinha, então não dava pra haver uma interação tanto de conversa e ficamos mais na brincadeira. Mas os que interagiram bem nos acompanhavam pelos corredores e tudo virou uma grande festa.

Acho que o momento que eu elegeria como ponto alto foi quando uma da crianças, tímida e chorosa, que não quis interagir de jeito nenhum, me deu um abraço espontâneo. Fiquei surpresa porque ela não desgrudava do pai. Foi apenas um momento e depois ela voltou a ficar tímida e a não querer interagir. Mas por um instante senti que estava fazendo um bem gigante. Mal sabe ela que o maior bem quem fez foi ela com o abraço tão sincero.

Foi um recomeço e tanto.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Carnavalizando


Bom dia!

Uma pena eu ter deixado para escrever o diário tão longe do dia. Vim falar sobre quinta passada (dia 12). Fomos escaladas para a enfermaria do decimo primeiro. Final de período é sinônimo de cansaço acumulado. Confesso que o corredor da enfermaria, do tamanho que é, não parecia muito animador.

Felizmente, graças às minhas MCM’s, que me animam sempre, coloquei na cabeça que aquele poderia ser o mais perto de carnaval que muitas pessoas ali teriam. Logo o cansaço se converteu em animação, e o relógio deixou de importar. Subimos o nariz e, como sempre, a partir disso tudo se transformou.

Com adereços carnavalescos e tudo, começamos a visita aos quartos. Vimos diversos rostos conhecidos. Gente que esta la faz mais de um ou dois meses, mas que nos recebe sempre com o mesmo sorriso. Dona Ed., companheira fiel, já brinca quando nos vê. Com certeza, mesmo que não saiba, ela acabou nos dando um presentão nesse carnaval. “Como é seu nome?” “Me chamem de meu bem”. Seu ‘Meu bem’! Que disposição! Que juventude. Que leveza. Melhor que ser recebida por um sorriso, é quando nos recebem relutantes, e depois se entregam completamente. É uma transformação que não me canso de assistir.

Mas o ponto alto de quinta começou com um sorriso gigante e uma conversa cativante. Seu Ot. nos disse que, se Deus quiser, falaríamos pela boca de um anjo e ele sairia logo do hospital. E não é que, quando estávamos já encerrando as atuações ele nos chamou bem sorridente para agradecer, porque no dia seguinte teria alta. Ficamos imensamente felizes. Claro que não tivemos responsabilidade pela noticia repentina, mas a sensação de participar, de alguma forma positiva, da vida dessas pessoas sempre me preenche quando estou atuando. É por isso que, independente de cansaço, estamos fiel e semanalmente no HC, transformando e sendo transformadas.              

Nosso carnaval começou mais do que bem.
Feliz (atrasado) carnaval pra todo mundo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Menos é mais!

Bom dia!

Queria ter escrito o diário ontem! Talvez as lembranças estivessem mais vivas. Que dia incrível! Uma das minhas MCM’s não pôde atuar, então dessa vez a Maternidade teria que se contentar apenas comigo e com Maria. Apesar de cansadas, por esse setor nos trazer tão boas lembranças, subimos empolgadas para os encontros que teríamos.

Quando chegamos lá: surpresa! O COB estava em reforma, e a maternidade tinha apenas um quarto ocupado, e só com duas mães dentro. E agora? Atuar ou não atuar? Nos jogamos no vazio e resolvemos acreditar que faríamos a tarde de duas mães e de algumas poucas enfermeiras mais feliz.

Foi sensacional! Vimos na prática que menos é mais. Ficamos quase uma hora no mesmo quarto, com o desafio de manter um jogo vivo por esse tempo que de inicio nos parece espantoso. Conseguimos nos aproximar, tocar e ser tocadas por aquelas duas mães na tarde de ontem. Elas se entregaram de uma forma admirável. Compraram tudo que propusemos e deram vida ao jogo.

Em meio ao caso da enfermeira que tinha roubado todos os bebês do setor (no jogo, é claro), Maria e Carola revivendo Titanic, a duvida se uma das barrigas era de gêmeos ou não, as brincadeiras com as auxiliares de limpeza pelo corredor, biscoitos na cozinha, conversas agradáveis e risos sinceros e inesperados, ficou decidido que Maria será madrinha de todos os meus 10 filhos.

A Maternidade, mais uma vez, não deixou nada a desejar. Foi umas das atuações mais incríveis que já tive a oportunidade de participar. Que as duas meninas que, mesmo na barriga, também fizeram parte de tudo isso, venham com muita saúde e tragam muita luz a esse mundo.


Parafraseando Martina Mandacaru, Beijos e Luz.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A melhor parte da vida

Bom dia!

Nossa MCM Maria voltou!
A atuação de ontem começou um pouco corrida. Não nos encontramos na hora de sempre, então começaríamos a atuar mais tarde. Pela segunda vez, o corredor gigante da enfermaria do décimo primeiro nos deixou animadas, mas preocupadas que não desse tempo de atuar em todos os quartos.

Engano nosso, foi ainda melhor que da outra vez. Encontramos os pacientes muito dispostos a se entregar. Algumas carinhas já conhecidas, outras novas. O fato é que todos, sem exceção, até quem não podia falar, interagiram e o resultado foi uma explosão de olhares incríveis.

Um dos momentos mais comoventes foi o encontro com seu F. Segundo as enfermeiras ele não sabe, mas talvez não tenha muito mais tempo. Me doeu pensar nisso. Tamanha lucidez, tamanha sabedoria nos ossos cansados. Fiquei com vontade de ficar lá com ele a noite toda. Descobrir cada história nova que ele tivesse pra me contar sobre a vida que viveu. Infelizmente, é uma das certezas da vida. Só espero que, por quanto tempo mais dure a dele, ele consiga viver bem e feliz.

A atuação de ontem terminou no grande corredor, onde uns 5 pacientes e alguns de seus acompanhantes estavam reunidos como se fossem amigos há anos, no que eram apenas vizinhos de quarto no HC. Que bonito foi vê-los rindo, contando histórias, brincando e encontrando conosco e uns com os outros. Ah, se todo corredor fosse assim...

O saldo foi extremamente positivo e, ao contrario do que pensava, deu tempo não só de atuar em todos os quartos, como de fazer magia em todos eles. Um amigo me disse que ficou impressionado quando eu lhe disse que o palhaço tem toda uma mística que nos encanta. Não é um simples subir de nariz. Mal sabe ele que, na verdade, é a “máscara que menos esconde, e a que mais revela”. É a melhor parte de mim. E ontem, Carola foi ainda melhor. Dormi com o coração transbordando.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Voltando à velha rotina

Voltando do recesso. O cansaço por causa da faculdade já era grande. Imprevistos. Nossa MCM Maria Malhação não poderia atuar conosco. Seríamos eu e Beth mais uma vez, mas Maria se fez presente de alguma maneira. Fomos escaladas para a Nefro. O setor era novo, mas apreensão de estrear ainda era a velha de sempre. “Não planeje. Nada do que você planejar dará certo”.  Sem planejar, subimos a energia e fomos em direção à sala de hemodiálise. 

Parecia mais um corredor. Tinha muita gente. Depois de ouvir comentários de tantos tipos, estávamos sem saber o que esperar.

Mas foi lindo! Toda vez ouvíamos uma frase dos novinhos dizendo que, mesmo cansados, nunca se arrependeram de fazer um esforço e irem atuar. Eram sempre as melhores atuações. Não sei se posso dizer que foi a melhor, mas conhecer A enfermeira M., e tantos pacientes transbordando de amor foi incrível. Bem que eles estavam certos. Tinha gente pra todos os gostos, idades e sorrisos. Mesmo com o incômodo de passar 4 horas conectados a uma máquina, aquelas pessoas ainda sabiam ser doces, fazer elogios e encontrar. Foi tudo de coração pra coração.

A impressão que ficou foi a melhor possível. Com um ressalvo para os enfermeiros. As vezes não atentamos para as pessoas que trabalham ali. Foi bom sentir o carinho e a abertura para interagir conosco. Que venham dias ainda melhores. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A arte de ser criança

Como descrever a atuação de hoje? Desde que entrei na palhaço que sonho em atuar na pediatria. Quando aconteceu de eu e minhas MCM’s sermos designadas para lá, fiquei doente e a tarde de sorrisos acabou acontecendo sem mim.

Mas finalmente a espera acabou e pude ver o brilho nos olhos das crianças hoje com uma das minhas MCM’s em uma reposição. Que experiência! Nunca vi tantos sorrisos instantâneos. Brotavam crianças e mães no corredor querendo participar da festa, do desfile, da marcha. Encontramos crianças para todos os gostos, idades e jeito. Voltamos, junto e por causa delas a ter uma idade onde somos mais crédulos e nos deixamos envolver mais facilmente pela magia. Magica de olhares. Magica de trocas de cor de nariz. Magica da cura. Magica da entrega. Magica do encontro. Foram quase 3 horas de atuação mas eu mal posso esperar para voltar lá.

O ponto alto da atuação, e olhe que os candidatos a pontos altos hoje são muitos, foi quando conseguimos encontrar S., um menininho que, por conta das dores, não estava querendo participar dos jogos. No final, ele estava sorrindo. Até adquiri poderes de homem aranhas mas, no final, foi S. que me envolveu com sua teia e me proporcionou um sentimento de contentamento que jamais esquecerei.

“(…) Todas as pessoas grandes foram um dia crianças – mas poucas se lembram disso.” 
"O pequeno príncipe tinha, sobre as coisas sérias, ideias muito diferentes do que pensavam as pessoas grandes"
Antoine de Saint-Exupéry

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Voltando aos trabalhos!

Que saudade estava de atuar! Hoje foi ainda mais especial! A oncologia estava lotada de amor! Como foi uma reposição, minhas MCM's não atuaram comigo. Tive a companhia ilustre de Martina Mandacaru! Que olhar novo incrível! Me deu a chance de interagir com alguém diferente e que me ensinou muito!
O setor estava vazio vazio, por conta de uma máquina quebrada. Nos restou atuar do lado de fora, na sala de espera e no corredor. Inicialmente estávamos muito nervosas, com receio de não conseguir interagir com os transeuntes. Mas todos se mostraram muito abertos e dispostos. Participaram, cantaram e espalharam sorrisos nessa manhã de terça-feira. Viramos médicas, esposas, recepcionistas, bisnetas, amigas de infância, enfim, ganhamos uma família que encheu nossos corações da mais pura alegria hoje.
Uma das coisas que me chamou mais atenção, além do encontro com minha MCM de hoje, foi a participação de um médico em especial. Acho que Dr. LG já foi da palhaço algum dia. Seu olhar me disse tanto. Ele foi de uma generosidade inigualável e nos mostrou uma disposição infinita pra participar do nosso encontro.
Guardarei o dia de hoje como um dos mais especiais. Espero ser surpreendida com outros ainda melhores. 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O ano termina, e nasce outra vez!

Boa noite, Pessoal.
Não sei se vocês tem essa sensação, mas eu acho que tudo fica mais mágico no natal. Todo mundo fica mais feliz, com as esperanças renovadas e querendo correr atrás dos objetivos e sonhos. Era bom que o Natal fosse eterno!
Essa semana, nossa ultima atuação do ano e já em clima de natal, eu e minhas MCM’s ganhamos um presente: por atuar fora do nosso horário, fomos escaladas para a Onco. Quanto amor tem naquele setor! É impressionante! É quase palpável.
Logo de cara, fiquei surpresa com a quantidade de gente. Da ultima vez que atuamos lá a quantidade foi menor. Mas a quantidade de gente se tornou um desafio e os resultados foram surpreendentes. Só pra começar, descobri que em mim habita uma estilista famosa que não conhecia. Acho que foi uma das primeiras, se não a primeira vez que um objeto entrou de fato no nosso jogo, como forma de caracterização e tudo mais.
Sempre fica na minha mente um momento ou alguém em especifico que marca muito. Hoje escolheria duas pessoas: L., que no auge da sua adolescência se mostrou bem humorada e simpática, mesmo já enfrentando uma doença desse porte sendo tão nova. Não tirou o sorriso do rosto um minuto sequer, e entrou de cabeça nas brincadeiras. O outro momento foi nossa conversa com Dona M. Ela nos surpreendeu ao perguntar onde poderia voltar a estudar. Ela quer completar o segundo grau. Como sua pergunta nos tocou. Uma quase “analfabeta”, como ela mesmo se chamou, mostrou muito mais garra, força de vontade, bondade, honestidade e leveza que muitos letrados que encontramos por ai. Saí do setor com a vontade de ser invadida por esse espirito natalino de bondade, amor e doação ao outro.
Desde já peço desculpas pelo tamanho que ficou esse diário. Infelizmente, se você está lendo, ele agora vai dobrar de tamanho. Mas não posso terminar sem compartilhar esse trecho de um texto inspirador.

Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil.
A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.

O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.”                                         Carlos Drummond de Andrade



Feliz natal pra todo mundo!

Atrasada, mas vale a pena falar.

Boa noite, Pessoal.
Meio atrasada, vim falar sobre a atuação da semana passada. Estava com saudade de atuar com minhas MCM’s. A expectativa de sempre era um pouquinho maior, porque não atuava havia uma ou duas semanas, e o corredor da enfermaria estava cheio de gente conhecida. Mas la fomos nós três nos trocar naquele banheiro apertadinho já familiar.
O setor, além dos residentes e colegas de faculdade, também estava movimentado em termos de pacientes. Então pudemos desfrutar do sorriso de muita gente! Energia la em cima, começamos uma atuação que durou quase 3 horas. E como foi gratificante! Queria poder lembrar de cada detalhe, cada sorriso com mais clareza. As pessoas foram tão receptivas! Dona MJ se emocionou quando falamos em reunir seus 12 filhos para o natal. Maria, boa praça que só ela, foi quem fez nossa alegria, e não ao contrário. Não sei se é impressão, mas às vezes parece que as pessoas, em relação às nossas primeiras atuações, estão mais receptivas ao trabalho da gente. E pensar que eu achava que seria difícil atuar na enfermaria...
Espero que essa alegria se multiplique mais e mais.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

"Eu adoro quando vocês chegam."

Boa tarde, pessoal!
Não costumo me estender muito nos diários e hoje não vai ser diferente. Principalmente porque a atuação dessa semana foi meio conturbada para mim. Provas, trabalhos, afazeres, muita coisa e pouco tempo. Pra completar eu estava adoentada. Energia estava em falta. Como subir uma energia que provavelmente nem existia?
O setor dessa vez foi a enfermaria do sétimo andar. Era um dia diferente do usual para mim e minhas MCM’s. Não sei porque ainda me surpreendo, mas elas sempre me puxam e conseguem fazer com que eu tire energia de onde eu achava que não tinha. O aquecimento dessa vez foi corrida de olhos fechados. Loucura total!
Fomos muito bem recebidas desde o inicio pelas pessoas do corredor. É impressionante como a magia acontece quando as pessoas se abrem e dão oportunidade. Que atuação bonita! Ouvimos coisas encantadoras. “Parabéns por esse trabalho tão bonito”. “Isso que vocês fazem é incrível”. “Chegou a alegria do hospital”. “Eu adoro quando vocês chegam”.
Pontos altos tiveram muitos, mas se eu tivesse que escolher um, seria o que conseguimos arrancar um sorriso de Dida, que estava muito irritado por causa do atraso no seu exame. Relutante, ele se deixou contagiar, e quem acabou conquistada fomos nós. O quarto virou um verdadeiro ninho de gargalhadas.
Infelizmente não consegui entrar no ultimo quarto porque um mal estar me pegou desprevenida e tive que interromper a atuação por esse dia. Mas o sorriso dos que eu consegui atingir valeram demais. Que na próxima atuação eu possa ver mais, sentir mais e dar mais do meu olhar e da minha energia para quem precisar, e principalmente receber toda essa energia que essas pessoas sempre conseguem emanar pra mim.

Ansiosa!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Um dia de surpresas

Boa noite, pessoal!
A atuação de hoje foi um pouco diferente. A começar pelo dia e pela hora. Normalmente atuamos na quinta a tarde, mas hoje atuamos segunda pela manhã. Para nossa surpresa, fomos escaladas para Oncologia. Sempre ouvi comentários incríveis sobre Onco, mas confesso que estava um pouco preocupada. Mas depois de ter atuado hoje só o que posso dizer é que os comentários eram pura verdade. Que setor incrível. Ao contrario de pessoas abatidas, encontramos alegria, risos e olhares incríveis. Desde os enfermeiros, até as pessoas na sala de espera. Foi difícil segurar a empolgação em muitos momentos. A imagem tão carregada que tenho do câncer se dissolveu por uma manhã no riso de Dona Severina, no abraço de dona Marieta e nas conversas com Ivanildo. O cansaço ficou de lado perto das brincadeiras, dos encontros e da poesia de Dona Carminha. Queria poder guardar a imagem de cada um na mente sempre. Mas de uma coisa estou segura: o bem que eles me fizeram vai ficar inerente em mim, e servirá de alimento para o bem que eu possa vir a fazer aos outros. Nas palavras de minhas MCM’s: Hoje foi TOP!

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Que preocupações?

Boa tarde, pessoal!
Todo mundo sempre diz que quando a gente menos quer ir pra atuação, é quando ela acaba sendo a melhor de todas! Apesar de querer ir ontem, as preocupações com as atividades que tinha pra fazer estavam batendo à porta. Mas minhas MCM’s me animaram muito. Até corrida no banheiro pra aquecer teve.
De fato, foi sensacional. Nunca tinha visto tantas pessoas entrando no jogo quanto ontem. Foi incrível ver tanta delicadeza, tanto encontro, tanto olhar. O COB é uma área onde os pacientes estão muito fragilizados. Encontramos mulheres que, coincidentemente, estavam ali por terem perdido o bebê ou estava em processo de aborto, sofrendo todas as dores que vêm com isso, físicas e emocionais. Mas nem por isso elas deixaram de sorrir. Foi tão bonito. Um olhar do que é ser palhaço bem diferente pra mim. Não só o que faz rir, que é o que vem sempre em mente apesar de sabermos que não é só isso. Foi um palhaço que segura na mão também. Que oferece palavras de consolo. Como eu cresci ali dentro! Como Carola cresceu ali dentro! Foram apenas dois quartos com pacientes, mas o carinho dessas mulheres, o carinho das famílias que estavam ali e de todas as enfermeiras, que também entraram no jogo em unanimidade, foi incomparável. Me senti abraçada, e não que estava abraçando. Percebi como nossos problemas são pequenos. Com a presença de “Sol”, da família “Do céu”, do time massa de enfermeiras, de Maria e "da sogra dela", de R.M. e J., o dia hoje foi um verdadeiro misto de sentimentos. Todos maravilhosos. E sabe aquelas preocupações? Parece que se dissolveram. 

Muito amor pra todo mundo!