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domingo, 7 de junho de 2015

Fim de Ciclo

E nada melhor que terminar as atuações desse semestre, onde tudo começou: na maternidade!!

Ao entrar naquela enfermaria um flashback surgia na minha cabeça. Lembrava do nervosismo, das expectativas em cima de mim, das responsabilidades da faculdade, da necessidade do encontro com os pacientes. E felizmente, tudo tinha dado certo. Diria, perfeito até.

Ao mesmo tempo percebia que essa intervenção seria a última com a minha Tatssss. Eu já tinha refletido bastante sobre esse dia, desde o início do projeto. Imaginei que seria um momento triste, bem delicado e difícil. Gostava muito de atuar com Maricota.

Bom demais rever uma das enfermeiras da maternidade, que lembrou da gente quando tivemos a nossa primeira atuação lá mesmo. Mais uma vez, brincou com gente, juntamente com os pacientes. Sempre quando vejo essas situações, revelo um grande apreço pelo profissional, pois ele se disponibiliza pra gente, compreende nosso projeto e participa dos jogos. Acho um ato de muita humildade. Tem o meu respeito! :)

Felizmente, terminamos a atuação como se não soubéssemos que ali seria o nosso último encontro. Mas certamente nos abraçamos com um gostinho de "até breve".

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Levando na cara

Oláaaaaa,

E mais uma vez, dando continuidade a série "Colocando os Atrasos em Dia", ou também chamada "Dudu deixando de ser sem-vergonha". Vai que tá bom!

Lembra dos cinquenta conto? Então, eu e Tats tivemos a ideia (mentira, Tatá pensou em tudo, teve a ideia toda rs) de comprar alguns jogos de tabuleiro para a enfermaria do sétimo andar, para que os pacientes de lá tivessem a oportunidade de se entreter naquela mesa do corredor, onde eles normalmente almoçam e jantam, e o melhor interagem com os colegas de quarto. Acreditamos que foi a melhor opção. Seu Epitácio e dona Lourdes gostaram muito dos presentes, tanto que eles insistiram em ficar com o tabuleiro de xadrez, pois seu Epitácio gostava muito de jogar em casa. Foi um momento muito legal! :)

Isso tudo aconteceu antes da nossa atuação, que teve uma importante participação do lindo mais lindos de todos, Caio lindão. Pela primeira vez, atuei com mais duas pessoas. Foi uma experiência bem interessante e deu pra avaliar muita coisa. E assim nós fomos para pediatria. A pediatria considero o setor mais difícil de todos, pois tratamos com crianças, que tem um universo completamente distinto do nosso. Lidar com adultos é muito mais fácil; nossos jogos e conversas sempre batem (nem sempre rs). Atuar na pediatria pra mim ou é 8 ou 80. Ou tudo pode dar muito certo, ou tudo pode dar errado. Depende muito de você. Com crianças, não temos falsidades. Nenhuma criança vai ri educadamente de você, só porque você fez uma bola fora no setor. Com adultos às vezes encontramos isso. Então, era necessário muito equilíbrio da gente.

Iniciamos a atuação com três palhaços. Mas quem iria ser o passivo, o ativo, o branco, o colorido, augustus... Não sabíamos como seria. Preferi abrir mão da postura mais ativa, e fiquei mais pra subsidiar os jogos. Deu muito certo no início. Entretanto, encontramos crianças um pouco mais "chatinhas", digamos assim, que pegou muito no pé da gente. E não foi por falta de vontade nossa, tentamos bastante agradá-los. Mas foi complicado. Até que suas mães nos avisaram.

Até pelo nível amador que temos como palhaços no projeto, acredito que atuar com três pessoas seja muito difícil. Sempre alguém vai ter que abrir mão completamente. A responsabilidade de trios seria melhor para aqueles mais experientes, que sabem fazer o rodízio com equilíbrio, em que todos podem participar integralmente, e participem dos jogos. Confesso que pra mim foi difícil, por não nunca ter tido uma experiência como essa antes. Quem sabe nas próximas eu possa evoluir e ajudar meus companheiros nessa busca implacável do olhar? :)

Obrigado pela experiência, lindxsssssssssss

cinquenta conto movei

oieee,

Após quase seis meses sem produzir diários de bordos, declaro início a uma longa maratona para finalizar o meu atraso, chamada "Colocando os Atrasos em Dia", ou também conhecida "Dudu deixando de ser sem-vergonha". Vai, é noix!

Lembro-me que estava com saudades de atuar, principalmente daquele friozinho na barriga e do nervosismo inerente que sempre bate na canela. E, claro, da Cambalhota! rs Finalmente, após uma semana sem atuar, voltamos às atuações justamente no 7º andar, setor no qual tivemos a menor fluidez. Muitas coisas aconteceram naquele dia. Talvez por não estarmos tão bem... Ou pelo fato do fluxo da enfermeira ser daquele jeito mesmo... Não sabemos...

Entretanto, como diria Tatssss, quando estamos bem tudo parece ser mais fácil. O que faz termos maior fluidez depende de nós mesmos. E como foi excelente a atuação! Praticamente, todos os quartos nos receberam bem, todos foram bem receptivos, não sentimos nenhum tipo de rejeição, brincamos muito! Isso ajudou bastante! Acredito que o nosso maior combustível foi essa vontade de voltar a atuar de fazer o bem ao próximo, sem pensar muito, sem raciocinar muito, sem dar chance aquele pensamento"aaaiiin, será que to fazeno direiiitxxxo?". Isso não importa quando subimos o nariz. Não importa. Tudo que você fizer em cima picadero é válido! E o mais gostoso de tudo isso é a retribuição dos pacientes. E nesse dia, a retribuição passou dos limites! rsrs

Até então, nunca tinha visto uma enfermeira no qual os pacientes e os seus acompanhantes jantavam juntos na mesa do corredor, conversando e assistindo TV. Meu Deus! Vimos aquilo como prato cheio! Era pra explodir! Nossa euforia foi tanta, que o Seu Eustáquio se empolgou e foi, como quem quer nada, me entregou 50 conto! E disse: "o meu fi, pra vc tomar uma guaraná com a mossa ali embaixo". Aí eu fiquei: "WHAAAAAAAAAAAAAT?" A cara de Maricota foi impagável. rsrs  Ela se surpreendeu tanto com ação, que terminou respondendo por Tayanne, e não mais por Cambalhota: "Mas Seu Eustáquio, nós não precisamos disso... Dudu devolva, vá". Entretanto, eu queria brincar com o fato, e disse:  "Mas eu meeeixxmo não, se tu não quer, eu quero! Tomar meu guaraná sozinho, tu soooix besta, é?" Mesmo assim, não deu certo. Tatssss tava muito surpreendida com tudo e me chamou pra continuar andando pelo corredor, e assim fomos.

Porém, aquilo ficou marcado na minha cabeça a atuação inteira. rsrss Ao mesmo tempo, achei um absurdo um paciente ter a iniciativa de nos pagar por aquilo que é voluntariado, mas também me senti valorizado: "q legau, o paciente gostou tanto que nos pagou". Claramente, uma situação muito hilária, mas também incômoda pra gente, pois poderia gerar qualquer comentário desagradável dos pessoal de Staff em relação ao nosso projeto: "aaah, agora tão recebendo dinheiro do pacientes né??".

Ao fim da atuação, insistimos umas duas vezes para entregar o dinheiro de volta ao Seu Eustáquio. Uma vez com os enfermeiros, mas não achamos legal entregar a terceiros. Depois fomos lá, mas ele não aceitou... Não queríamos insistir mais. Ficaria chato. Já era tarde, eles precisavam dormir. Saímos de lá surpreendidos, mas sabíamos o que fazer com o dinheiro... Cenas do próximo capítulo! rsrs

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Contagem Regressiva

Olá, :)

Passei um looongo tempo sem escrever por aqui, devido aos atropelos da vida, vulgo faculdade! kkkk Entretanto, sempre mantive minhas anotações próximas, para que eu pudesse escrevê-las posteriormente com mais fluidez e com mais tempo.

A atuação foi no 10º andar e nada melhor do que encontrar minha companheira para dar continuidade a nossa aventura semanal! Como sempre de bem com vida, mas tinha algo que a incomodava, perguntei-lhe e me respondeu: "é porque depois daqui tenho simpósio de emergência..." Hmm, tava explicado. Normalmente nossas atuações costumam passar um pouco da média habitual de 2 horas, para algo entre 3,5 horas, hehehe Não é porque a gente faz de propósito, é porque... Não sei! E eu entendi sua preocupação perfeitamente. Bastava não se empolgar tanto quanto nas atuações anteriores. Não definimos um tempo pré-estabelecido, deixamos o jogo rolar...

Encontramos de primeira o quarto de Marcelo, homem de mãos frias, e de risos fáceis e quentes! E do seu companheiro com o seu número infinito de ceroulas. Realmente queria carregar algumas pra mim... rs Como esquecer de Cíntia e suas belas unhas pintadas pela sua simpática mãe. Nem parecia que estavam no hospital.

Dentre várias visitas legais, também encontramos alguns percalços como nossa impotência diante de pacientes bastante debilitados que nem notavam nossa presença ali, e quando notavam não faziam questão da nossa visita. O que nos resta é respeitar sua opção e desejar sua recuperação. Mas também encontramos aqueles que mudavam de opinião durante a visita! Isto é, nos mandava pra fora do quarto enquanto estávamos no maior carinho e amor. Sim, estranho! kkkkk Mais uma vez: nos resta respeitar e desejar sua reabilitação.

Finalmente, aconteceu uma coisa que sempre sonhei que tivesse em alguma atuação no hospital: cantar parabéns no dia do aniversário de algum paciente! E conseguimos!! Foi o aniversário de dona Elineide! Foi mtttt legal! Encontramos sua maridão gente boa e seus filhos carinhosos. Dançamos, cantamos e desejamos mil felicidades!

E no final, uma surpresa muito boa. Enquanto estávamos conversando com algumas pacientes na mesa do corredor, já nos preparando pra pegar nosso voo da volta, chega dona Joana, aquela mesma que nos recauchutou durante a visita, pra dar um abraço forte na gente! É muitxxxo louco esse projeto! Por isso que cada vez mais me apaixono e tenho mais vontade de atuar toda semana!

Infelizmente, terminou que nossa atuação demorou um pouquinho e atrasei tatssssss... Desculpa tatssssssss! :*

domingo, 16 de novembro de 2014

"Sejam Bem Vindos"

A atribulada sexta-feira na faculdade terminou de forma triunfante. Sim, estávamos cansados da maratona de provas; Tatá tava com dor de cabeça; acabei esquecendo meus sapatos em casa... Mas a energia era outra! Não nos deixamos abalar! Ajustamos os ponteiros da última atuação durante a preparação e na dança tropeçamos inesperadamente no vazio. E como foi bonita essa queda. :)

Após um mês, estávamos novamente na nefrologia. Guardo boas recordações daquela atuação. Ao invés de sonhar para acessar as memórias daquele dia, resolvi reencontrar com cada um dos pacientes e reviver as boas recordações. Como foi bom reencontrá-los e ser reconhecidos por eles! :) Além de reencontros, tive belos encontros, digamos amor a primeira vista, com a disponibilidade de Kátia, que sentia fortes dores depois do exame; com as limitações de Daci, que até se recusava a conversar com a staff; com o surpreendido Arnaldo, que a partir de agora espera mais visitas inesperadas, com a Joseane Carretel; com orientações de relacionamento dadas pela Rosângela e Irineu...

Entretanto, gostaria de construir meu diário de uma forma diferente, com algo inusitado e, ao mesmo tempo, memorável. Durante nossa visita na hemodiálise, chamou-nos atenção a intervenção de um médico para com os seus pacientes. Presenciamos seu cuidado em explicar suas situações clínicas, em consolar seus momentos de fraquezas diante da gente, atitudes até então nunca vistas por mim na academia. Até que no final da nossa visita na hemodiálise, ele nos abordou e perguntou se fazíamos psicoterapia. De imediato, pedimos discretamente para conversar com ele depois da atuação. E assim fomos. Com muita simplicidade e humildade, ele nos perguntou se fazíamos parte de um grupo de teatro. Sabendo depois que éramos estudantes de medicina, reconheceu que sentia até ciúmes da gente, pelo fato de obtermos muitas informações em tão pouco tempo, que ele próprio demora para conseguir pouco. Até nos recomendou a busca de apoio psicológico ao longo da graduação, para cuidarmos da nossa saúde mental. Além disso, nos apoiou em dar continuidade ao projeto, uma vez que o lado humanístico da Medicina está indissociável da parte científica, por isso o estudo deve ser valorizado e direcionado, não para o nosso ego, e sim para os pacientes! Devemos estudar por eles! Eles que precisam de todo suporte nessa fase da vida tão frágil e desnuda. E isso é o mais belo da Medicina: não é o fato de "darmos a vida ao doente" ou até mesmo "curar os mais necessitados", e sim prestar assistência para um ser humano desnudo de preconceitos e fracos organicamente. Isto é belo! Por isso, é tão fácil conversar sobre coisas inimagináveis com os pacientes, uma vez que eles estão carentes de atenção e apoio. Esse cara nos deu um banho de aprendizagem. Ao longo dessa semana, tive a última aula com o professor Petrus, e dentre os seus ensinamentos cristãos, após o fim da aula, ele me pediu para sempre encher meu pote com doses homeopáticas de "sal da terra". Como assim? É buscar temperar esse mundo sem sabor e sem graça; é fazer uma revolução cotidiana, mesmo silenciosa;  é imprimirmos às nossas ações aquela discrição e ao mesmo tempo doçura e firmeza essenciais; é sermos um pontinho de luz, suficientes para iluminar nosso caminho, que às vezes se vê ao longe, renova a esperança de quem o avista, e dá a certeza de uma caminho seguro. Sejamos a diferença nesse mundo sendo sal e luz, mesmo silenciosamente.

Acredito que a atuação dessa sexta-feira foi um marco para mim. Parece que comecei o projeto agora. Seja bem vindo, Tuberculino Bang Bang. Termino a semana levantando um pouco a minha cabeça e abrindo os olhos. O horizonte é distante. O pote ainda é pequeno. O caminho é longo. Recentemente venho passando metamorfoses. Segue um poema de José Régio de 1925, um português que descreve um pouco meu sentimento hoje.

Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus ironias e cansaços)
E cruzo os braços
E nunca vou por aí...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca princípio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui!"
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Palavras de Regeneração

Que sexta-feira foi essa? Nunca estive tão cansado ao final de uma semana. Muitas provas, poucas horas de sono. Dor de cabeça chata...  Ingredientes que fariam da minha atuação bem mequetrefe, senão fosse minha companheira alto astral! :) E pelo incrível que pareça, não fiz meu diário no final de semana, como sempre fazia. Estranho né? Não tive tanta ansiedade para fazê-lo, talvez pela dificuldade de encontrar palavras balanceadas. Porém, vou retratar um pouco do que aconteceu naquela tarde.

Ainda nas rituais preparações, tinha dito a Tats: "Tatsss, hoje é contigo visse...". Fui muito precipitado e mequetrefe. A melhor graça dessas atuações é justamente essa incerteza que nos seduz para se jogar nessa piscina de bolinhas de plástico, sem esperar sorrisos pilambetáticos, e sim encontros puros de magia. Perdão Tatssss... :(( Era a fadiga falando! hehehehe

Ao longo da nossa atuação, encontramos companheiras fiéis que nos acompanharam em cada quarto, distribuindo conosco um pouco de afeto e da palavra de Deus. Sim, o nosso envolvimento com a religiosidade foi bem nesse evidente nessa atuação, pois foi algo bastante estimulado pelos próprios. Inclusive, tivemos experiências interessantes com rituais até então nunca vivenciados por nós. Participamos de tudo e respeitamos, pois foi uma forma de eles retribuirem nossa presença ali.  

Conheci dona Edilene em um dos quartos, entretanto ela não estava presente naquele quarto, seu pensamento vagava em outros caminhos. Perguntei-lhe: "Ei moça, qual é o nome? Por que estás tão caladinha?". Ela me encontrou e disse: "O filho que carrego junto a mim está morto". Eu realmente esperava qualquer coisa, menos aquilo. Me tremi um pouco, mas compreendi sua situação ali e recebi sua mãos quentes. E os nossos olhos seguiam de mãos dadas,  uma companhia que muito me satisfez, pois foi uma oportunidade de consolá-la, mesmo silenciosamente.

Além disso, essa sexta-feira foi uma dia de descobertas: consegui diferenciar se a Maricota estava grávida ou constipada (ou "cheia de miiiierda" rsrs); descobri que bebês de brinquedo podem matar, por isso devem ser despejados no fogo; já posso ser contratado para babá de Pedrinho; e se a Medicina não der certo, serei modelo da dona Evaneide! E a descoberta mais abençoada de todas (não é bem uma descoberta): Jesus nos ama!

Segue o trechinho do recado de Evaneide para mim:


"Deus é fiel. Jesus te ama. Continua alegrando a vidas das pessoas. Por Deus, se agrada muito. Deus vai te dar a vitória. Amém. Glória a Deus. Ass.: Evaneide - 07 de Novembro de 2014"

sábado, 1 de novembro de 2014

O Voo dos Pássaros

Antes de partir para o meu encontro com Maricota, encontrei muitas pessoas queridas ao longo do meu dia, que recarregaram minha energia depois da semana cansativa com muitos abraços, desde o pequeno Thomas Edson de 3 anos do ambulatório de Puericultura até aqueles mais silenciosos da biblioteca. Eu precisava muito disso. E a minha companheira também! Ela também teve um dia cansativo e estressante. Mais do que nunca o "estar 100%" foi necessário para iniciarmos a atuação, no desconhecido 10º andar.

De início, pareceu que a nossa atuação seria semelhante com aquela realizada no 7º andar, justamente pelo fluxo mais calmo e pacientes mais debilitados. Felizmente, eu estava enganado! Cada enfermaria que conhecemos é única! Talvez, seja isso que me leva sempre a um pouco de nervosismo antes das intervenções; é impressionante, nem mesmo depois de cinco atuações. Nos primeiros quartos conhecemos mães e filhas doces e dispostas, as quais nos deram muita confiança para continuarmos a nossa caminhada. Elevar a nossa energia e a do setor era preciso. Até presenciaram uma enfermeira cearense me colocar no bolso! hahaha

Logo depois, como passarinhos, fomos pousar em um quarto, onde apenas um paciente e a sua acompanhante estavam presentes. Pareceu meio estranho, mas o vazio nos colocou lá. Interessante que a nossa chegada silenciosa não atraiu os olhos do Seu Alcides, nem mesmo a nossa chegada barulhenta. Parecia que a TV estava no meio do Picadero. Os passarinhos queriam voar novamente. Tentamos mais uma vez. Entretanto, "Malhação" parecia ser um lugar mais confortável para um olhar tão desolado e desesperançoso. Não era simplesmente assistir à novela, era, de fato, assistir ao vazio. Esse mesmo vazio que nos propõe a experiências únicas dentro desse projeto, também é o mesmo que acalenta olhares perdidos.

E quando menos esperávamos, o vento trouxe esses passarinhos para um quarto, onde mais uma vez a TV parecia ser o centro das atenções. Entretanto, conseguimos vários momentos de interação com Seu José já de "alta hospitalar", com o fiel Seu Dirceu e com a espontânea Vivi; que significaram bastante pra eles e, principalmente, para nós, pois mostrou que estávamos no caminho certo, em busca da crescente energia.

Depois de uma aposta com Vivi pra ver se eu conseguia um café com a senhora do jantar (quem perdesse levaria o outro na cadeira de rodas até o fim do corredor, hehehe), demos uma "avoada" pelo corredor e soltamos beijos para @s lind@s que já estavam jantando. Entretanto, paramos justamente no quarto do Seu Severino e do Seu Joaquim, onde fomos muito bem recepcionados e até esperados pelos seus acompanhantes. Seu Joaquim estava bastante triste pela recente amputação da perna, já Seu Severino não queria jantar e já estava há dois dias sem comer; condições que exigiram demais de mim e da minha companheira; em vários momentos não era Bang-Bang e Cambalhota que conversavam ali, e sim Eduardo e Tatá, e com ajuda do Cara lá em cima conseguimos receber beijos de despedida ao fim da visita. Atitudes simples que representaram muito para nós. :)

No meio do caminho avistamos em um dos quartos um pai no telefone com a sua filha de 3 anos. Ficamos ali na porta, esperando um pedido pra entrar. Melhor do que isso, pedimos pra falar com sua filha no telefone! Nossa, o pai ficou muito feliz por isso. Disse que tinha ganho o dia com aquilo. Apesar de no final ele brincar dizendo que queria até nos contratar para a festa de aniversário da filhinha, o nosso melhor salário é receber tal reconhecimento por gestos tão inocentes, mas cheios de boas intenções. :)

Como passarinhos curiosos entramos na brechinha da porta do quarto dos simpáticos Ednaldo e Bielse (tinham que ser rubro-negros, né?) que se abriram bastante para conversa; até chegaram a acreditar na conversa da Maricota de estudar Astronologianumseiquantas... kkkkkkkkk!  Logo ali, avistamos Maria do Carmo e Vanessinha fazendo caminhada no corredor! Eu nunca tinha visto aquilo até então no hospital! Isso nos energizou e fomos acompanhar as duas pelo corredor. A alegria e a motivação que demos para uma simples caminhada contagiou outros pacientes e acompanhantes a seguirem a mesma receita; finalmente conseguimos os 100%, conseguimos elevar o fluxo e a energia do setor! Foi arretado!!

Fomos passarinhos durante toda atuação. Claro que teríamos que sair da atuação seguindo a discrição de um pássaro. Quando menos se espera, ele já volta pro seu ninho. Como pássaros, temos limites físicos, nem sempre podemos traduzir o que temos de intenção no coração na dura realidade. Como pássaros, distribuímos um pouco da beleza de um belo voo para aqueles que se dispuseram para o encontro. Como pássaros, começamos do solo, com pouca energia; que logo depois vai aprendendo a dominar a pressão atmosférica e continua até alçar voos cada vez mais altos, elevando a própria energia e daqueles envolta. Até mais passarinhos. :)




sábado, 25 de outubro de 2014

Olhos de Lucas

E finalmente um dos meus maiores sonhos se realizou! Atuar como palhaço em plena Pediatria!! Reviver um pouco das aventuras que eu e o meu amigo Pedro (meu cunhadinho) temos nos finais de semana. Antes disso, viver um sonho que eu já venho contemplando há muito tempo...

Saber que iria para Pediatria em pleno domingo foi complicado, pois eu sabia que ansiedade bateria ao longo da semana. Tem nada não! Somos movidos pela expectativa.

Interessante que tive aula prática na enfermaria da Pediatria na manhã da sexta-feira. Que feliz coincidência! Coincidência? Não, foi o destino mesmo! :) Poucas horas depois eu atiraria Bang Bangs de encontros!

E assim foi a minha sexta-feira, interpretei duas situações, em momentos distintos, entretanto com os mesmos pacientes e obtive experiências inesquecíveis. Naquela manhã, fui apenas um estudante de medicina armado de jaleco e estetoscópio, que recebi o encargo de estudar o caso de Lucas. 5 anos. Febre. Dor ao deglutir. Falta de ar. Faringoamidalite... Isso era pouco. Eu queria mais! Logo depois fomos para as visitas e conheci Lucas. Fiquei observando seus olhos cansados daquele ambiente, ativos pelas pessoas desconhecidas ali, curiosos pelo nosso material, fixos na tentativa do encontro e tristes por não estar com os seus carrinhos. Que belos olhos de ressaca, uma mistura de verde com mel. Apesar de não estar de posse do meu nariz vermelho, mantive um encontro com Lucas, que é uma das coisas mais desafiantes dentro do projeto: levar um pouco da magia do palhaço em um pote e distribuí-lo ao longo do meu dia. Gostaria de fazer isso mais vezes. Vamos em frente!

Algumas horas depois, fomos para o 6º andar. Coração a mil. Quando subimos o nariz, em mais uma obra dos destino, nos deparamos justamente para o quarto de Lucas. Quando sua mãe nos viu, o chamou da cama. E mais uma vez encontrei Lucas, mas de uma forma especial, pois ele sorriu ao me reconhecer. Um sorriso que só a pureza das crianças possuem. Um sorriso que farei questão de guardá-lo no meu tesouro. De imediato gritei seu nome. Isso lhe deu muita confiança de estar conosco. Sabíamos que ele era bastante tímido. Muito bom saber que o conquistamos pela forma mais bela: através do encontro.

Nossa atuação foi assim a tarde inteira. Intensa e energética! Que fluxo loucooo! Milhaaares de crianças atrás da gente, nos acompanhando de quarto em quarto, mães com os seus bebês nos seguindo... Tinha horas que eu me perdia hahahaha! Não sabia nem pra onde olhar. Tinham horas que éramos mais recreadores, pois as crianças só queriam saber de brincar com bonecos, carrinhos, quebra cabeça. Algo que eles encontram na brinquedoteca. Apesar de encontrarmos várias crianças super entrosadas, como Breno, Daniel e Chayanne, também encontramos crianças que tiveram dificuldade de se soltarem, como Jeremias e "Pitbull"; talvez suas idades mais velhas pesava nessa questão, uma vez que a maioria era mais nova. Às vezes, eles nos demonstravam que queria muito estar ali no meio da gente, com algumas brincadeiras e jogos, entretanto voltava o peso da idade e voltavam a ser mais fechados. Tentamos muito. Buscamos muito. Mas acho que não deu.

E durante esse turbilhão, a gente encontra a linda Naná, sozinha no quarto, chorando pela ausência da mãe. Tentei muito chamá-la para o corredor. Mas ela não queria nem conversa. Tentei atraí-la pela boneca de Chayanne. Ela até queria pegar a boneca para brincar, mas ela não me deixava nem passar pela porta. Talvez ela tivesse medo de mim, pelo desconhecido, pelo estranho; apesar disso nós compreendemos. Entretanto, alguns minutos depois, eu vejo Cambalhota e Naná de mãos dadas correndo pelo corredor! :O Meeeu Deus, como ela conseguiu?? É muita sensibilidade e talento para uma Cambalhota só! Bravo, bravo!! O mais engraçado disse tudo é que Naná foi a que mais demorou para se integrar, mas também foi a que mais demorou para nos deixar! Hahaha Bem como sua mãe tinha dito...

Se fosse para escolher um núcleo do dia, ficaria com os olhos de Lucas. Olhos esses que vou tentar me lembrar durante a minha rotina, para levar um pouco da magia do olhar e espalhar não só para os pacientes, mas também para as pessoas do meu convívio. :) Obrigado Lucas.



sábado, 18 de outubro de 2014

Sonhos de Memórias

Depois de transferir o dia da atuação dessa semana para sexta-feira, meu início de semana começou bem sem graça. :// Entretanto, foi necessária a mudança.

Posso dizer que os dias de espera foram proporcionais a minha ansiedade da atuação. Eu realmente estava sedento. Pedindo pra atuar ao longo da semana! O projeto vem realmente me envolvendo. :)

Minha ansiedade estava bem maior que a minha animação, talvez justificado um pouco pela semana difícil e cheio de preocupações e problemas. Ainda bem que a minha companheira estava dando cambalhotas de energia e animação! Foi importante iniciar a atuação tendo ela como referencial; acompanhá-la era a tarefa. Depois foi fácil! hehe O fluxo do corredor tava muito bom! Apesar de terem poucos pacientes na enfermaria da Nefrologia, cada quarto nos recebeu muito bem, cada um com a sua peculiaridade, nos exigindo sensibilidade para nos moldarmos as suas histórias e ao seu humor.

Assim que chegamos no 5º andar, encontramos uma senhora bem aflita no corredor, andando com pressa de um lado e pro outro, e isso nos chamou a atenção, logo ela nos confessou que estava nervosa, uma vez que seu marido passaria pela primeira na hemodiálise. Ainda sem máscaras, deixamos nosso apoio para a senhora. Sabíamos que poucos minutos depois nos encontraríamos em outra situação :)) Logo depois, fomos nos arrumar!

Inicialmente, tivemos que ser anunciados pela enfermeira para entrar na fria sala da hemodiálise. Ambiente quieto e tenso. Ilda, Rafael Gomes, Manoel, UFC, Vicente... Todos contando os minutos para para acabar logo com aquilo; entretanto foram únicos a nos receber e interagir conosco. Confesso que, em locais como esse, tenho mais dificuldades de me soltar, é preciso me inspirar mais na Maricota, ter mais delicadeza e mais tato são requisitos fundamentais.

Logo que saímos da sala de hemodiálise, vimos duas adolescentes nos observando, que depois se envergonharam e saíram correndo pelo corredor. Haha. Já já, iríamos nos encontrar! Antes disso, pedimos licença para entrar no quarto, laçando uma das acompanhantes, que jogou fácil conosco no início e contagiou os pacientes envolta. Aquele quarto encheu nosso copo!

Depois fomos no quarto onde as duas adolescentes se esconderam. Assim que chegamos, suas mães apontaram diretamente pro banheiro, onde estavam escondidas. Alegaram que tinham medo de palhaços. Mas esse sentimento foi passando ao perceberem que não éramos palhaços os quais elas imaginavam que fôssemos, e entraram nos jogos divertidos e emocionantes que aquelas lindas mães nos proporcionaram. Foram jogos do fluxo, e não da apelação. Guardarei cada uma nas minhas memórias e com certeza me encontrarei com elas no meus sonhos, como eu bem disse a elas. :)

Depois do turbilhão do quarto anterior, escutei gritos de choro, mas eu não sabia sua origem. Daí partimos para o próximo quarto, onde reencontrarmos aquela senhora antes aflita pela primeira hemodiálise do marido. Naquele momento, mais tranquila, ela nos recebeu super bem; entretanto seu marido estava mais desgastado pelo procedimento e não nos deu tanto bola. Isso nos mostra a necessidade de nos moldarmos aos pacientes e respeitar seu momento.

Por fim, encontramos o quarto de onde vinha o forte choro. Tive um pouco de receio para entrar, mas tentado pelo vazio, entrei. Para complicar mais, outra paciente entra aos prantos no quarto, queixando-se que sua família a deixou sozinha no hospital. Difícil momento. Nos ajoelhamos diante da última senhora, e nos solidarizamos da sua dor. Foi um momento único, quase desci o nariz. Quem segurou meu nariz foi justamente ela, com o seu reconhecimento, seu olhar e o seu agradecimento. Realmente, outro momento que estará presente nas minhas memórias e que desejo muito encontrá-la nos meus sonhos.

A atuação de ontem teve um sabor muito especial. Mesmo diante de situações da mais alta energia, como também da mais baixa energia, jogar-se no vazio para encontrar o próximo é uma experiência memorável. Quero mais encontros, quero mais memórias, quero mais sonhos. :)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O Sabor do Medo

Acredito que a minha primeira atuação na Maternidade da semana passada me deixou um tanto confiante para as futuras intervenções, e me deu indícios que eu estava no caminho certo. Nada melhor do que vivenciar outra realidade e outro ambiente para desconstruir o que eu pensava e concluir mais aprendizados desse belo projeto! Isto é experimentar um processo dialético mental! Vei, estou viajando massa aqui! kkk A minha primeira atuação me deixou com uma vontade imensa de entrar nesse mundo mágico de novo, o mais rápido possível; entretanto, aguardei essa vontade até hoje.

Apesar de deixarmos muito claro um para o outro antes da intervenção que a atuação de hoje seria diferente da anterior, estávamos com medo. O nervosismo estava no olhar. A intervenção iria nos exigir bem mais. O público era diferente! Encontramos pessoas mais debilitadas, com doenças crônicas e com dores! Um ambiente bem distinto daquela agradável Maternidade: mães hiperssensíveis lambendo suas crias adocicadas de mel. Além disso, o fluxo do 7º andar era diferente daquele encontrado na Maternidade. O corredor era mais quieto, poucas pessoas passeavam pelo corredor, enfermeiras mais quietas, poucas pessoas da limpeza. Enfim, o fluxo era menos intenso, nos requerendo mais atenção e sensibilidade para ditarmos nossa dinâmica.

O medo, que nos inibia antes mesmo de atuarmos, foi fundamental para o nosso encontro com os lindos daquele corredor. Nem mesmo senti quando se foi. Íamos nos afogando no vazio paulatinamente, seguindo a rotina daquela quieta enfermaria. A atuação foi se tornando mais dinâmica e proveitosa assim que nós íamos nos permitindo a encontrar o próximo da maneira que ele é, respeitando sua individualidade. Com os corações mais abertos e mais leves, conduzimos a energia para todos os quartos do corredor! :) Até o ponto de nos sensibilizar realmente com o comportamento do Seu Lourenço.

Confesso que a minha principal dificuldade foi me acostumar com o lento fluxo da enfermaria, pois isso me deixou mais desgastado para a segunda parte da visita. O meu combustível foi a energia contagiante de muitos pacientes, as cambalhotas de Maricota e o cafézinho da dona Jail! Inclusive, hoje demoramos bem mais em relação à visita da Maternidade.

E, finalmente, qual é o sabor do medo? Eu não sei! Só sei que o gostinho de se jogar no vazio vai continuar valendo mais a pena do que me permanecer na minha zona de conforto, sem desfrutar da companhia dos olhares alheios.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Explosão de Expectativas!

Confesso que a minha primeira atuação no Hospital das Clínicas da UFPE já tinha sido planejada há muito tempo por mim. Antes mesmo de entrar na faculdade, a paixão pelos ideias de Patch Adams já me dava uma luz do que eu queria na vida. Porém, a descoberta do projeto na faculdade graças aos meus amigos há um ano e meio possibilitou ao meu imaginário fertilizar um campo que demoraria um pouco para germinar. Como esse período foi rápido, entretanto como foi sofrível postergar algo que pra mim era tão palpável e alcançável. Eu estava tão perto. Foi duro, mas amadureci (?). Será? Só o tempo vai me dizer.

Desde o início da Oficina de Formação, eu já guardava grandes expectativas para a minha contribuição ao projeto. Todos os tipos de jogos, brincadeiras, mugangas e personagens que eu imaginava ao deitar minha cabeça no travesseiro à noite foram arquitetadas durante o mês de Agosto inteiro. Creditei minha capacidade de envolver as pessoas apenas com truques, bem estilo Pilambeta. Baita tempo perdido...

No dia da minha primeira atuação, o meu nervosismo batia na canela! Não faltavam razões: tinha esquecido meu lenço vermelho, o meu gel e o meu lápis preto, além de ter me atrapalhado todo na maquiagem :(( Naquela altura já não importava tais detalhes. Me concentrei. Elevei minha energia. E...? E...? Não vieram mugangas, personagens ou jogadas ensaiadas. Nada que eu tinha planejado há anos veio. Só veio o que eu tinha de melhor. Fui verdadeiro e demonstrei aquilo que só os mais próximos a mim sabem. Impressionante! Foi um turbilhão. Só sei que segui o fluxo! O fluxo dos pacientes assistindo TV, dos enfermeiros lanchando, dos acompanhantes passeando pelo corredor, do pessoal da limpeza observando de longe, dos pacientes em seus leitos lambendo suas crias e da Maricota! Apresentei o meu melhor para todas as pessoas do corredor da Maternidade. Ao som de bang bang atirei meu olhar e ganhei um encontro com o próximo; o resultado foram cambalhotas de risos! Encontros principalmente compartilhados com a melhor companheira do mundo. Com foi bom ter atuado com ela! Acredito que sua presença foi fundamental para esquecer tudo eu tinha artificialmente planejado, e ter me afogado no vazio! Todas as minhas expectativas foram extrapoladas!

Uma coisa que chamou muito minha atenção durante a atuação foi o comportamento das pessoas na enfermaria. Achei muito semelhante ao público que encontramos na intervenção externa. Fomos muito bem recebidos, grande parte interagiu bastante, poucos nem queriam nos enxergar no ambiente e alguns até queriam tirar fotos. Essas atitudes me surpreenderam bastante, justamente por eu esperar um ambiente mais pesado e cinza. Como foi importante ter feito o test drive antes das atuações.

Após o fim da atuação e com a energia mais tranquila, um sentimento de alívio, conforto e alegria interminável me tomou. Me senti renovado. Acredito que o pouco de alegria que levamos, nos foi retribuído em forma de muita ternura. Quero explosões de bang bang e cambalhotas!! :)