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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Melhor de três

Marininha e Vítor tão de parabéns: acho que eles sabiam que não tínhamos como passar esse semestre sem descobrir se o COB é péssimo ou maravilhoso. Afinal, tivemos já as duas impressões. Melhor de três não só na atuação, mas na companhia: nossa Linda foi atuar conosco!
Eu e Saladino estávamos no clima de despedida, última atuação com esse MCM lindão! A regra era: caprichar. É incrível perceber como nossa sintonia foi crescendo e tornando algo tão natural. O olhar já dizia tudo. Levantar o clima para o outro marcar o ponto. Fazer intrigas. Não deixar a energia cair. Casar o MCM com a primeira médica gata que ele encontrasse, com a aliança de uma paciente e sua lindovisora interromper a cerimônia dizendo que estava grávida do seu MCM. Coisas do dia a dia.
Não tenho como descrever o quanto foi incrível. Não vou tentar escrever as cenas, porque elas nunca serão suficiente. Mas preciso deixar relatado aqui a dança indiana de subida de energia  e as pessoas no corredor só observando: não tinha mais vergonha.
Obrigada, Helga, pelo aprendizado. MCM, obrigada por ser o melhor companheiro do mundo. Eternamente grata ao HC. Sim a todos vocês. Sim ao PERTO!

Lisabeth: a rainha pobre no supermercado de bebês

Seja por acidente ou não, a quantidade de menino vindo ao mundo não é brincadeira. Primeira vez no alojamento conjunto, e crianças não faltavam: quem sabe as mães cediam uns para mim e Saladino, né? Bastava somente escolher o melhor. Em uma das sessões desse supermercado de bebê havia 3 a amostra: uma menina e dois meninos. Até que achamos um dos meninos perfeito, que até feijão cru comia. A mãe não quis ceder, mas a tia mandou que achássemos algo valioso para trocar. Menos de 5 minutos e achamos um relógio p-e-r-f-e-i-t-o: roxo, com muitos brilhantes e que marcava a hora! Irresistível, não? Roubamos da enfermeira e tentamos fazer a trocar. A mãe não soube reconhecer o valor do relógio 😓
Próxima sessão: O bebê da marca Even, não tinha dentes, mas já dava uma baita propaganda e o galã-bebê que pedia para beijar ele: Benja-mim. Uma das acompanhantes relatou que a mãe que ela acompanhava estava tendo ALTA. Então eu falei: "Só ela, né? Porque você não tem altura para ir embora". Ela até tentou ficar chateada, mas o sorriso a entregou logo.
No próximo quarto, quem encontramos? A prima da rainha, só que do lado pobre: Lisabeth! Que honra conhecê-la. 
Por fim, o último quarto não tinha nenhum bebê, minha conclusão é que misturaram com a ala psiquiátrica, porque nenhum que estava ali batia bem da cabeça. Quase conseguimos levar 5 reais deles, foi por pouco!
O fim foi triste: nenhum bebê, nenhum dinheiro, nem o relógio que havíamos roubado. Pelo menos, pudemos cumprimentar a prima distante da rainha.

sábado, 18 de novembro de 2017

Hora de ficar sério

Não posso mentir, estava morrendo de medo para atuar novamente no COB.
Mas como ninguém passa no mesmo rio duas vezes, me joguei no escuro. Melhor escolha do dia.
Não posso dizer tudo o quanto foi fantástico, mas posso listar os ganhos:
- Tchau muletas
- Sentir (realmente) estar no aqui-agora
- Subversão
- Brincar de ser
- Estar com o outro
 E como consequência dessa conquista, veio risadas, olhares e a tão desejada frase: "Só vocês para me fazer rir a essa hora." e isso valeu muito mais por saber a história por trás dessa frase.
Spoiler do dia: Depois que a mãe disse essa frase, não tinha como resistir né: "Ahhhhhh, então é hora de ficar sério? Então tá! Valendo!" E a brincadeira de ficar sério começou entre dois palhaços e uma recém-mamãe (claro que ela perdeu logo no primeiro segundo).
Não pensei que diria, mas: Quero mais COB!

sábado, 11 de novembro de 2017

Com agulha, faca e mascará na mão...

Tínhamos tudo para fazer um procedimento perfeito: máscara, uma um tubo de agulha e uma faca emprestada de uma senhora que comia maça. Mas isso não foi suficiente para o setor. Injetamos amor, fé, fizemos nosso melhor para dançar balé, além de contratarmos um assistente: o maqueiro Bruno da perda quebrada. Não rolou. Mesmo assim recebi uns abraços apertados, e isso foi tudo.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Mãê, tô no Diário de PE

Veja só... Meu namorado costumar dizer que certas coisas só acontecem comigo. Esse foi um dos dias que eu acho que ele estava certo.
Semana de Reciclagem, ansiosíssima para aplicar tudo que aprendi.
Designados para o Ambulatório de Oncologia, fomos para a Enfermaria de Oncologia. 
Quase certos.
O frio na barriga estava pior do que o primeiro dia. Eu estava com medo de me deparar com a dor de tão perto.
No primeiro quarto encontramos um koreano e seus filhos, fiquei com o autógrafo no braço o dia todo. Não sei pronunciar o nome dele até hoje.
Fugi de policiais, andei de uber (vulgo cadeira de rodas), conheci a enfermeira rosa que voa. Até aí, tudo normal... Quando um jornalista aparece e nos coloca na maior enroscada: "Entrem naquele quarto que vamos filmar a atuação de vocês"
Se o frio na barriga não bastasse, o cidadão tinha que colocar aquela pressão toda? Mas foi incrível! Tentamos fugir da bomba que estava acoplada ao paciente, jogamos beisebol, expulsamos a falsa acompanhante do paciente.
Mas nada disso bastou. O jornalista queria mais: uma entrevista com os dois palhacinhos.
Quero meu cachê. Obg.


terça-feira, 24 de outubro de 2017

Alô, você que é o amor da minha vida?

Foi dia dos GRANDES serhumaninhos .
Sim, o nariz é o acesso a um mundo de possibilidades, mas a pediatria eleva a outro nível.
[Desculpa, Lindovisora, hoje vai ficar meio difícil descrever com exatidão o que aconteceu essa semana na atuação.]
 Chegamos eu e Hugo para pegarmos a chave do quartinho e perguntar se havia alguma restrição, sim o quarto 620. Não podíamos esquecer. Trocamos de roupa, dançamos, jogamos bola: a energia já estava saindo pelo quartinho. 
Fomos olhando os quartos: crianças dormindo, médicos em atendimento. Passamos pelo 618 e vimos que no próximo quarto tinha uma menina com um sorriso de orelha a orelha quando passamos. Não tinha dúvida, vamos entrar! No meio da atuação, olho para porta e... PAM PAM PAM: 620! Onde foi parar o 619? Mas já estávamos lá né, não tinha como sair de fininho... Então um médico de 2m entrou e começou a falar com a tia da menina, quando a menina fez uma constatação surpreendente: Você é mais baixa que o médico. Pensei em mandar um legalzinho para ela, afinal, não tinha o que fazer né...👍 E como se eu pudesse flutuar, já estava maior que o médico, como assim? Saladino estava me carregando, e sinceramente não sei como não caímos os dois no chão kkkkkk Mas deu certo, a menina se estourou de rir e pediu para tirar várias selfs com a gente. Inclusive, ela me deu uma flor!!!! <3
Os outros quartos foram muito legais, mas nada comparado ao que estava para acontecer no final. Eu e Palmito estávamos meio tristes por ter poucas crianças, e quando acabamos, fomos pedir a chave para as enfermeiras. O quarto estava ocupado, então tivemos que esperar... Mas quem disse que eu ia esperar de qualquer jeito? Fui logo invadindo a área das enfermeiras e vi que elas estavam transferindo dinheiro pelo computador, já fui logo passando minha conta. Viro para o lado e vejo uma enfermeira deitada no sofá, como eu sou manhosa, porque não deitar no colo dela, né? Ela aproveitou para tirar muitas fotos. Saladino, safado, começou a se insinuar para a moça, mas todas as enfermeiras lá estavam "comprometidas". Elas comentaram, no entanto, de uma que não estava no serviço naquele dia que com certeza iria estar afim do meu companheiro. Como eu sou quase uma santa casamenteira, não teve outra: Liga para essa mulher agora!
E assim começou a história de romance do meu parceiro: Alô, você que é o amor da minha vida?
*Não me controlei nessa hora e chorava de rir enquanto os dois pombinhos apaixonados trocavam carinhos pelo telefone. Parceiro Sala, tu é o melhor*
E a enfermeira e um palhacinho viveram felizes para sempre. 

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Possuído pelo ritmo Ragatanga (como é que dança mesmo?!)

De um reino tão, tão distante começava minha jornada.
Meu companheiro me liga mais cedo e avisa que já está disponível para começar. ÓTIMO! Tirando o fato que eu ainda estava no CAC. Fui correndo para HC, ufa! cheguei a tempo. Só faltava subir 11 andares de escada. Resumindo: sem fôlego antes mesmo da atuação: o que fazer agora? De onde arranjar energia?
Até que meu MCM revela o pote do tesouro: a seleção maravilhosa de músicas dele. Então começou desde funks até Ragatanga, passando por música de Shrek. Além disso, preciso confessar que roubamos. Senhor, me perdoa, mas isso é real. Pegamos duas folhas A4 do quarto das enfermeiras e fizemos aviõezinhos de papel. Estávamos oficialmente preparados. Saímos do quarto e encontramos um casal na porta de um dos quartos e já foi pretexto para nós fazermos nossa competição de aviões. Pedimos a querosene que o acompanhante carregava na sua mão para encher nossos tanques. Mas acho que a substância dele estava meio alterada, porque o avião não voo nem dois palmos... Interagimos um pouco até o acompanhante descobrir que minha leg estava furada e falar que preferia as brasileiras do que as alemãs. Não deu outra, fiquei com raiva dele e cortamos amizade de dedinho.
Na maioria dos quartos, os pacientes dormiam. Três quartos ficaram marcados nesse dia:
1. pai e filha: ponto forte foi a interação com enfermeira, que fez aliviar o clima no quarto e deixou paciente mais sorridente. ter cuidado: enfermeiras são perigosas, nossa amiga quase enfiava uma agulha em nós.
2. irmão e irmã: ponto forte interação com nutricionista que perguntava ao paciente se havia gostado do sorvete, imploramos por sorvete e ela negou a dar, então o paciente pediu mais sorvete somente para dar para gente escondido. ele estava bem fraco e não conseguia falar, mas ao fazer esse pedido a nutricionista dava para perceber o quanto ele estava feliz com nossa presença ali
3. senhorinha: é engraçado como certas interações acontecem só por estarmos ali, daquela maneira. uma senhorinha pode brincar conosco e contar um pouco da sua história. um dos pontos forte foi a interação com a médica.

ps feliz.: perceber que os profissionais entram junto conosco e tem essa preocupação com o paciente, em fazê-lo levemente mais feliz.
ps feliz 2: os aviões foram doados ao longo das interações.

ps triste.: ver tanto machismo, sexualização e objetificação do corpo feminino.
ps triste 2: pediram nosso nariz, e fiquei triste por não poder proporcionar essa experiência para eles.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O tal do medidor de suvaqueira

O dia começou no Saara: o sol vermelho e o calor insuportável não davam para negar, o quartinho dos enfermeiros poderia ter sido confundido facilmente com aquele caricaturado inferno. Nunca agradeci tanto por ter saído para a ação - estava pronta? Jamais! Todavia, suada antes mesmo de começar.
Foi sair do quartinho encontramos nossa primeira interação. Ela perguntou de onde nós vínhamos, enquanto Saladino mostrava o buraco no teto onde ele morava, eu explicava como a rua tinha sido meu lar. Ela, porém, não acreditou e foi para escada conosco, alegando que tínhamos saído dali. Quando olhou para baixo, a mulher ficou admirada quantos andares de escada tinha. Saladino começou a falar: "imagina se alguém cuspi..." ele não teve chance de terminar a frase, e já estava eu cuspindo escada abaixo, visivelmente atitude de alguém bela, recatada e do lar.
A acompanhante dessa paciente chegou e começou a menosprezar o que eu e Palmito fazíamos ali, dizendo que era coisa para crianças, que éramos uns estudantes metidos, que estávamos ali tentando fazer uma graça. Mas você não pode mexer com o Mundo das Possibilidades sem receber algo em troca: um ser místico apareceu para dar um fora nas duas senhoras, uma anãzinha que estaria completando 60 anos naquele mesmo dia. Ela estava com o brilho diferente do que aquele ambiente inóspito e o motivo, queria ela deixar bem claro: seu velho estava bem!
Escrevo agora as melhores lembranças de um dia no setor cirúrgico:
Encontrar com um senhor que estava se preparando para amputar parte de seu pé e perceber que ele era a pessoa mais feliz que eu tinha visto no meu dia. Jogou conosco com tudo o que podia dar. Admitiu ter enrolado a mulher por 40 anos, mas que assim que saísse do hospital nos prometeu pedir ela em casamento com tudo o que tinha direito. Até que a enfermeira entrou no quarto e disse que iria medir a pressão e temperatura. Contudo, colocou na axila do nosso companheiro um medidor de suvaqueira, e verificou que a dele estava muito forte: em torno de 36. Disse que quem o acompanhava era sua nora, porque ela era uma mulher entendida, enquanto que ele não sabia ler ou escrever. Então fui testar seus conhecimento, admiti que era uma palhaça internacional e comecei a falar alemão para que ela pudesse traduzir para seu sogro. Resultado: nora defeituosa, dei o diagnóstico e mandei ele trocar, ele prometeu que faria isso também.
Próximo quarto pertencia as duas maiores risadeiras da história. Para encurtar a história, fabriquei uma flor e uma aliança feitos de guardanapo para Saladino pedir ao amor de sua vida em casamento. Após o comprometimento, descobri que ela é mãe de, nada mais, nada menos, que Aécio, aquele bonitão que aparece na TV. Não poderia perder a oportunidade de me oferecer para um cara rico, né. Posei para vários fotos para serem mandadas para meu pretendente.
Independente do quarto que íamos a enfermeira nos seguia para ver quem tava com a maior suvaqueira. Terminou sendo o Palmito, vê que vergonha!, 39 de suvaqueira e uma pizza embaixo do braço!
Uma das últimas interações foi no corredor, onde achamos uma ladroa que estava sendo escoltada pelos seguranças, que dizia ter ficado amiga de uma mulher que estava com ela a 2 meses naquele andar, mas que não sabia nem o nome dela e que sismou que eu parecia a minie. Mandei ela se arrepender dos pecados, né, com uma lista dessa, dificilmente o cara lá debaixo iria deixar passar. 
No fim do dia, o médico apareceu e Saladino não poderia deixar de me oferecer para ele. Meninas, para serviços de cupido, contatem meu MCM, ele faz você parecer a maior piriguete:
"Diz aí que tá com problema de coração para o médico"
"Ele é nefrologista"
"Ah, então diz aí que o problema é o rim, ué" 
O último quarto encontramos aquele ser místico de mais cedo, onde pudemos interagir mais um pouco e dar um abraço final.
Mas a melhor parte, para mim, sem sombra de dúvidas, foi voltar para o quarto e descer a energia com o melhor MCM do mundo. Sem combinar nada estávamos em frente um do outro e começamos a imitar um ao outro e rir genuinamente. Estávamos no quarto depois de 2h30min de atuação atingidos pelo calor do Saara, mas com a energia lá em cima, assim como a felicidade. 
Aprendizados do dia: O simples é o melhor. A felicidade não depende de nossas circunstâncias. O inesperado é o que marca.

sábado, 30 de setembro de 2017

S01E01: 1, 2, 3... Já!

A regra não muda: "DB bom é DB feito" (Sir Gentileza, 2017)

Falando sobre coisas que não mudam, o frio na barriga, companheiro constante e inseparável, estava lá - assim como em todos os primeiros dias de aula, os primeiros beijos, os primeiros encontros, etc.
E era exatamente isso que estaria fazendo ali: meu primeiro encontro no HC. Em um mix de sentimentos, pude identificar o nervosismo e animação para encontrar Sr. Palmito, os pacientes, os estudantes, enfermeiros, enfim... pessoas. Não estava pronta, mas disposta a me doar.
É engraçado essa tal da ansiedade e da expectativa. Sintomas fisiológicos e psicológicos de um tempo que não chegou. Diferentemente do arrependimento ou alegria, sentimentos mais caracterizados com o passado ou presente, sentimentos voltados para o futuro tem um aspecto bem particular: eles se baseiam totalmente na imaginação daquele que os sente. Sem mais enrolações, senhoras e senhoras, apresento meu 1° dia como Helga que sou:

Elephant Gun, levanta energia, confia no MCM, sobe a máscara. (Sim, Fräulein, começou!). 
Saí do quartinho com outra personalidade, onde tudo é possível. Sendo assim, vamos brincar de sermos.
A primeira interação não poderia ter sido melhor: para além do esteriótipo que palhaço é o que faz rir, Helga & Saladino fizeram 2 mulheres gritarem e correrem. O primeiro quarto que entramos foi bem receptivo, embora que no começo uma das pacientes estava tentando pregar sobre Deus a 2 palhaços: qual o limite da brincadeira?
Levamos uma das acompanhante, que não parou de falar como gostava do projeto, para participar conosco em outro quanto, então ela pode experimentar um pouco como era entrar no jogo.
Resumindo as 3 horas de atuação: foi um bom começo, pudemos interagir com diversas pessoas e entrar em quartos mais de uma vez porque o jogo ainda estava lá. Muitas vezes tive que segurar o que já que a brincadeira estava superando meu limiar de risada. :P
Fomos filmados durante a visita em um quarto onde conhecemos a dona da galáxia e outra que dominava um buraco negro. Mas acho que preciso deixar registrado a matéria prima para minhas próximas atuações - meus medos e falhas:
como e quando sair do quarto?
o que fazer quando a brincadeira vigente acaba?
como se aliar mais como o MCM?
Por fim, o que fazer quando o Caminho aparece e tomam todos os quartos e não entram na brincadeira?
Questões que guiarão os próximos episódios. Chega logo, segunda!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Recrutamento de Novos Palhaços

Situação atual: à espera que o HC pare de ser um labirinto sem fim e cheio de mistérios. 
Prognóstico: viver iludida.

COB, ou melhor, o armário de Nárnia, foi a designação da semana para mim e meu MCM, Sr. Palmito. A matéria prima da semana passada (dúvidas e medos sobre ser palhaço) estavam na maleta de maquiagem que carregava junto a mim, o amor a crianças e o medo de partos também. 
O banheiro de sexos separados não permitiu que eu me trocasse com Saladino com músicas propícias para o momento. A subida de energia também teve que ser em um canto do setor, com alguns dos nossos queridos admiradores nos vendo. Em contagem regressiva, Helga e Saladino viraram os melhores caça-talentos da cidade.
Nosso primeiro contato foi com Washington, acompanhante de sua esposa, e amigo de Obama. Ele havia feito um pacto com o Harry Potter, e conseguiu emprestado a capa da invisibilidade para se esconder da gente. Muito gente fina, ele emprestou a capa para que eu pudesse fazer alguns números mágicos com Saladino, mas o palhaço desengonçado abaixou-se bem na hora que eu joguei a capa, o que terminou com uma enfermeira gritando: "Olha a toalha no chão!" Então, eu e meu MCM começamos a brigar para ver de quem era a culpa, até que uma mulher se colocou entre nós e disse que deveríamos fazer uma reclamação. O que por sorte, tinha uma sala ao lado especializada para isso: REC, assim dizia na entrada. Mas ao entrarmos para fazer a reclamação, havia várias mulheres com expressão de dor e pouca roupa. O clima não estava legal para uma reclamação, então decidimos não entrar.
A próxima vítima, ops, paciente no qual nos direcionamos foi uma grávida que falava ao telefone. Mostrei a ela meu super, mega, power telefone formado de uma mão e ela acabou rindo, mas compenetrada na conversada do telefone. A mãe dela estava do lado, mas não deu muita bola para gente. A outra senhora que estava ao lado estava com a cara meio fechada, foi quando meu parceiro perguntou o que ela estava fazendo ali e ela disse que estava coletando, quando inquirida de novo sobre o que, ela afirmou que sofreu um aborto aos 4 meses. Toca uma sirene alertando: fizemos besteira.
Fomos então de fininho para uma maca onde estavam duas mulheres. A interação foi muito boa, em um dos pontos auges Saladino ofereceu para a mãe da paciente 5 reais em troca da menina. Não rolou. Fomos para a dupla da maca ao lado, também não rolou. O que rolou mesmo foi o encontro, e que encontro! Com direito até de ser carregada pelo meu parceiro. Ps.: melhoramos bastante a hora de sair e como sair.
Quando passamos por um quarto e começamos mostrar interesse de entrar de maneiras nada sutis, uma das mulheres do quarto começou a rir desesperadamente e dizer que não poderia rir, já que estava cirurgiada. Helga e Palmito, meia volta volver! Seguimos para o quarto ao lado onde as mulheres não paravam de rir e interagir conosco, simplesmente incrível! Falamos que éramos os contratantes do circo, estávamos lá para roubar uma criança para usarmos no nosso malabares. Aumentamos a recompensa para 5,50 e falávamos dos contras de se ter uma criança, mas mulheres se recusavam a ceder algumas crianças para o circo. Parecia até que gostavam de trabalho --' Assim a tarde seguiu, com muitas risadas e interações espetaculares, buscando a todo custo roubar crianças. Encontros e não encontros, acertos e erros. Mas além de risos, vimos também choros. Mas aquele choro não era de lamentação, mas por amor. 
No meio daquilo tudo, havia dor. Muita dor e gritos. Eram os futuros palhacinhos dando trabalho a suas mães para nascer. Não posso deixar de dizer o como só queria ficar ali partilhando o sofrimento, pegando na mão e dizer "ei, to aqui." Mas não era o momento, então, espero sempre lembrar que a dor nem sempre é ruim, essa era sinal de vida. Vida com dor, mas vida. No final, ainda tive o prazer de pegar em meus braços uma nova vida e acalentá-la até dormir. E mesmo sabendo que o palhaço é aquele que cai, o cara do amargo, do erro, eu, palhaça, daria de tudo para estar ali para sempre. Eu palhaça queria ser muito amada, mas também queria dar àquela nova recruta muito amor.
Estava na hora, Palmito e Fräulein deram seus últimos olhares daquele dia. E, como se combinado, começaram a contagem regressiva, ansiosos para o próximo encontro. Desce máscara, e ali onde tinha havido tido tantos encontros, só restava mais um: Hugo e Angel num fim de tarde que ficou marcado.