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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Amarelo!!!

Ai ai, pediatria... Lembro bem da primeira vez que fui atuar lá (também o lugar da minha primeira atuação). Admito que esse setor está longe de ser um dos meus favoritos. Crianças entram e saem dos jogos quando bem querem. Entram sem encontrar, saem sem cerimônias. Eu pensava (acho que outros MCM's também pensaram o mesmo) que um dos setores mais 'fáceis' de atuar seria o de Pediatria, e é com certeza um dos mais difíceis. 

Logo ao sairmos do quartinho dos enfermeiros, fomos à Brinquedoteca, onde encontramos Caique, Laurinha, um menino (não lembro o nome dele weee) que adorou bater na bunda de Luigi com um bichinho de pelúcia (todos querem a bunda dele) e pouco depois apareceu Daniel. Lutamos contra o menino, onde braços e pernas foram amputados, sem contar nas inúmeras mortes. Toda vez que alguém morria, Daniel ressuscitava, que poder incrível! Laurinha estava muito difícil, ela mal olhava pra gente. Nesse lugar também encontramos Diógenes e Ane, dois estagiários, o primeiro era um tarado, batia na bunda de Luigi e dizia que era o menino com o bichinho de pelúcia (mentira, Diógenes não fez nada).

Voltamos à enfermaria e passamos a entrar nos quartos. O setor de pediatria além de ser difícil por causa dos jogos com as crianças, também é difícil porque muitas vezes encontramos crianças com doenças terríveis, como caso de Lázaro Gabriel que tinha muita dificuldade para respirar. Nesses momentos é muito difícil manter a energia. Mas também presenciamos momentos incríveis, como Antony lendo um livro pra gente e mostrando as cores: "Azul! Vermelho! Amarelo!!!". Eu já estava vem cansada nesse momento, mas a empolgação dele nos deu muuuita energia! 

Ah sim, quase esquecia! No quarto de Lázaro, onde a gente não fazia ideia de como agir, vê-lo naquela situação nos 'congelou', que jogo criar? Como sair desse quarto nessa situação? O que fazer?! De repente alguém puxa o meu cabelo (Caique já havia feito isso algumas vezes, tanto é que eu jurava que era ele), quando me viro, Laurinha! Aquela menininha tão difícil tinha vindo até a gente e agora dava gargalhadas que dava pra ouvir no setor inteiro. Como eu disse, crianças iniciam e terminam jogos quando bem entendem. Ela e Caique se juntaram para puxar o cabelo/cinto/saia de Chayenne. Ai ai, e agora? Chayenne corria pra um lado, eles vinham, ela freava e driblava os capetinhas. Eles corriam atrás de novo, ela freava e driblava mais uma vez. Isso aconteceu umas 4 vezes, até que Chayenne cansou. Óbvio que os capetas continuaram a cutucá-la até ela dizer que podiam cutucar Luigi também.

Esse dia foi muuuuito cansativo, admito que foi bem mais ativo e foi uma das melhores atuações, mas ainda não é um dos meus setores preferidos... Quem sabe nas próximas vezes, isso não mude, não é, Emílio?

domingo, 1 de maio de 2016

Espalhando piolhos pelo COB

Nas oficinas, enfatizavam bastante sobre subir e manter a energia. De fato, manter a energia é muito mais difícil, mas tem dias que nem subir direito você consegue. E foi exatamente isso que aconteceu com Chayenne na semana passada (quando atuei no 7º andar). Não sei dizer se é porque passo por uma fase mais desmotivada ou porque eu havia perdido meu lenço (foi justamente nessa atuação que eu percebi o quão importante este lenço é importante para mim, eu me senti 'exposta' sem ele), mas a atuação no 7º andar foi com certeza uma das que menos gostei. Mesmo estando ao lado dos meus MCM's (tanto o atual quanto à primeira, Angelina linda), a energia subia muito pouco. Esse foi um dos motivos pelo qual eu não postei aqui, se já é difícil eu postar aqui (hehe), imagina estando desmotivada. Me sinto péssima por isso, sei como devemos ser responsáveis com esse projeto fascinante, mas tem horas que não dá, sabe, Emílio? Tem horas que por mais que você force, não sai nada.

A atuação do 7º andar tiveram momentos incríveis como Angelina e Luigi já citaram aqui, celular rosa, leãozão, oncinhas, Shirley falando de sorriso, Ana da Paz, Carla. A acompanhante de Carla que escondeu 10 pacotes de biscoito debaixo da blusa, Amor (o enfermeiro que Luigi carregou por alguns milésimos, muuuito forte esse menino), bombas, e por fim, uma acompanhante (mais uma vez não lembro o nome weeee) que comentou que a mãe dela estava louca para nos conhecer, mas quando chegamos no quarto dela, a senhora estava dormindo, que pena, adoraria ter conhecido ela.

Depois de perceber que estava sem meu lenço, voltei ao 11º andar e fui ao setor de Oncologia, procurar pelo meu querido lenço. Nesta visita encontrei a danadinha que havia nos trancado, Ana Rayssa, por sorte eu tinha a chave e dessa vez ela não iria me trancar MUAHAHAHA! Depois de procurar nos 'achados e perdidos' do quarto, já quase sem esperança, decido olhar para debaixo da cama e eis que encontro meu querido lenço! Fiquei tão feliz na hora, de uma certa forma me senti completa. Agora eu estava 'pronta' para a próxima atuação.

Encontro Rai na salinha do DAMUC e vamos em direção ao meu querido COB, na última vez a atuação lá tinha sido muito boa. O que nos esperava dessa vez? Será que eu iria conseguir subir a energia? Admito que não subi como antes, mas subi bem mais que na última atuação. Querendo ou não isso é positivo, não é mesmo?

Ainda no corredor perto do Descanso dos Residentes iniciamos alguns jogos, as pessoas eram beeem receptivas. Encontramos pessoas de andar elegante, encontramos presidiárias de calça listrada (medo!) e encontramos a cozinha, imploramos por comida, mas nada feito, nem biscoito maria conseguimos...

Ao entrar no COB, encontramos a maravilhosa Laurete logo de cara. Meeeeu deus, como vou conseguir manter o jogo??? Foi um momento bem tenso para mim, mas ela sempre procurava iniciar jogos com a gente ou era bastante receptiva com os nossos, que coisa maravilhosa encontrar velhinhos! Nesse dia tinha bastante gente no COB, era tanta gente que mal consegui decorar os nomes, lembro de quase todos os rostos, olhares e encontros, mas os nomes... lembro de pouquíssimos infelizmente. Dona Neusa, Dona Severina, Regilene, Gisele (que sentia muita dor e não sei como, não me perguntem como fizemos isso, só em perguntar "Você está bem?" com uma carinha bem interessada nela, sabíamos que ela ia responder 'não' pois estava estampada no rosto dela a dor que ela estava sentido, ela disse "Não" com um sorriso e riu, foi um dos melhores momentos da atuação por sinal) e também conhecemos uma golpista que roubava na 25 de Março (São Paulo).

Não sei porque bulhufas eu disse que tinha piolho e que ia espalhar pra todo mundo no COB. Não sei como começou essa história, só sei que passei pra Laurete, Luigi (tinha piolho até na barba dele), para algumas gestantes e para alguns internos que estavam lá. Só sei que isso virou motivo para eu balançar o meu cabelo para todos os lados.

Um das gestantes comentou que nos 2 primeiros ultrassons disse que era menino, depois nos 2 seguintes disseram que era menina. Deduzimos que eram 2 meninos e 2 meninas e começamos a debater os nomes, eu sugeri Brad Pitt, Angelina Jolie, Joelma e Chimbinha. Até gostaram de Brad Pitt, mas Joelma e Chimbinha, coitados, foram descartados na hora.

Gostaria de comentar que Chayenne foi bastante elogiada, dessa vez ela ficou nas nuvens mesmo, umas 3 pessoas disseram que era linda <3 <3 <3. Pode não parecer mas Chayenne é bem tímida e fica vermelhinha quando falam essas coisas.

Já no final da atuação, encontramos dois técnicos (eletricistas acredito) que entraram rapidinho no jogo. Estava fluindo muito bem até um deles elogiar Chayenne e ficar até um clima meio estranho. Decidimos fugir nessa hora.

A atuação dessa semana foi muito melhor que a anterior, e mais uma vez Chayenne foi muito bem recepcionada no COB. Espero que seja assim não só nesse setor como nos outros. Também espero que a energia continue subindo e que ela volte a explodir no olhar.

domingo, 17 de abril de 2016

Namastê, dona Sebastiana de Lima!

11º andar Norte, Setor de Oncologia. Não tinha me sentido muito à vontade quando descobri que ia atuar nesse setor na primeira vez, iniciar jogos com pessoas que, muitas vezes, estavam sentindo muita dor, ou pessoas que estavam na fase terminal da doença. Eu sei que todos os setores podem ter situações como essas, mas a palavra "câncer" ainda assusta (e muito) as pessoas. Sem falar no fato de que um quadro desses tira a esperança de muitas pessoas. Enfim, era a terceira vez que eu iria atuar lá e ainda não havia me 'acostumado' a essa situação.

Logo depois que levantamos o nariz, tentamos abrir a porta. Sim, tentamos, pois ela estava trancada. Logo ao sairmos, fomos falar imediatamente com a danadinha, Ana Rayssa, uma das enfermeiras, que foi quem nos trancou. Diz ela que foi sem querer, eu duvido!

O nosso primeiro encontro foi com dona Fabiana e com dona Guiomar que dividia o quarto com ela. Elas ficaram muito felizes em nos ver. Dessa vez eu não fui tão má com Luigi, acho que estou me acostumando ao jeito afoito dele hehehhe.

Em nosso percurso para o próximo quarto, encontramos um quadro com os nomes dos pacientes e o quarto correspondente a eles. Dois deles nos chamaram atenção, havia escrito "Morfina BIC". As enfermeiras (Ana e Ana Rayssa, sim, duas Ana's) nos explicaram que estes eram pacientes terminais (uma senhorinha e um senhorzinho) e que estavam recebendo morfina constantemente para diminuir a dor. De acordo com Ana Rayssa: "É só uma questão de tempo, sabe? A morfina é só para que eles não sintam dor até a hora chegar...". Achei muito estranho olhar para pessoas que em pouco tempo não estariam mais ali. Nunca tinha passado por isso antes.

Encontramos Chimbinha (ainda não sei qual é o nome dele), enfermeiro do setor, eu já o encontrei em uma outra atuação, lembra, Emílio? Ele até me chamava de Thábata hahhahaha. Nesse momento encontramos outro enfermeiro e por algum motivo que eu não me recordo no momento, começamos a cantar 'Three Little Birds' de Bob Marley, sabe qual é, né? Claro que sabe, todo mundo conhece essa música: "Cause every little thing gonna be all right...". Lembrou, não foi?

No quarto seguinte, encontramos seu Osvaldo e seu Lucas (acompanhante), e um senhor que eu não consegui entender o nome e sua esposa, Lindomar. Seu Lucas era uma alegria só, entrava em todos os jogos que fazíamos, foi um dos que mais riu nesse dia. Seu Osvaldo, homem de poucas palavras, se comunicava mais com o olhar e com expressões hehehehe, uma figura! Já o senhor que estava no quarto com ele, não falava nada, mas víamos pelo olhar dele a vontade de participar. 

Depois de muitas risadas neste quarto, seu Lucas disse que precisava sair e a gente disse que ia escoltá-lo até o elevador, pois havia uma senhora muito suspeita que estava planejando sequestrá-lo. Ao chegarmos na "conexão" entre o setor Norte e Sul,encontramos Wanda e Csomo (não, mentira, não lembro o nome da funcionária que estava com ela) e imediatamente começamos a cantar a música de Padrinhos Mágicos (com direito a coreografia, claro). Depois da nossa performance, percebemos que a ala Sul, estava muito movimentada. O que estava acontecendo ali? Logo descobrimos que era um bingo! Corremos para ela e gritamos: "BINGOOOO!", não podíamos perder essa oportunidade! Ao chegar lá, descobrimos que O Caminho era o responsável pelo bingo. Toda vez que tentávamos iniciar um jogo, eles nos davam um fora ou nos ignoravam. "Eiii, a gente quer jogar também! Cadê a nossa cartela?", e uma das organizadoras respondeu: "É só para os pacientes". "Você está jogando e não é uma paciente!!!!!" e ela me ignorou... Percebemos que nós não éramos bem-vindos ali. Eu sei que tem dias que o setor 'pertence' a outros projetos de extensão e tal e que devemos respeitar isso, mas precisavam nos tratar desse jeito? Eu me pergunto, se um projeto de extensão com a proposta de humanizar destrata outro projeto com uma proposta semelhante, ele é humanizador de verdade? De que adianta tratar bem os pacientes e funcionários de um hospital e não fazer o mesmo com integrantes de outro projeto? Obviamente que depois desse momento "peeeeem" que poderia ter sido um "uaaaaau", nós voltamos ao nosso setor. Na saída da ala Sul, encontramos um dos ganhadores do bingo, ele segurava um pacote, parecia ser algo macio, como uma roupa, lençol, ou algo assim. Eu disse logo que era uma calcinha! Óbvio! Todos precisam de uma! Mas infelizmente era uma toalha, quem precisa de toalha, gente?

Ao chegarmos no nosso amado setor, encontramos dona Maria Rita e dona Adriana (Calcanhoto). Dona Maria Rita disse que não cantava, mas que sua acompanhante arrasava. Pedimos para ela cantar e não obtivemos sucesso. Dona Adriana (Calcanhoto), que era acompanhante da outra paciente, também disse que não sabia cantar!!! Como assim, gente??? Duas ilustríssimas cantoras no mesmo quarto e ninguém ia cantar?!?! Não podíamos deixar isso acontecer e logo em seguida começamos uma cantoria com direito a coreografia, óóóóbvio!!!! Cantamos "Devolva-me" de Adriana Calcanhoto (1/3 da letra e muito mal, porque ninguém lembrava da letra direito), "Borboletas" de Victor e Leo (essa foi pior ainda, porque Chayenne e Luigi sabem nada de sertanejo) e "Cinco Patinhos" de Xuxa (essa teve a melhor letra e melhor coreografia). Tentamos cantar outras, mas só vinha Legião Urbana na cabeça e músicas como: "Que país é esse?" (devido à atual situação política que vivemos, melhor não), "Faroeste Caboclo" (se cantássemos só sairíamos do HC no dia seguinte) e "Mais Uma Vez" (cantar essa música logo no setor de Onco não era a melhor opção mesmo). Depois dessas sugestões, achamos melhor parar por aí.

No último quarto que a gente foi, encontramos dona Maria Auxiliadora, mais conhecida como Dora. Uma figura! Estava prestes a realizar uma cirurgia muito complicada  devido a um problema raro que ela tem. Ela disse que ia ficar famosa se desse tudo certo, espero que ela se torne mesmo uma celebridade! Ela comentou que sentia muita saudade de casa, dos cachorros Bob (o branquinho que ela tanto ama) e Fox.

Depois de uma longa conversa com dona Dora, achamos melhor ir embora. Já estava tarde, infelizmente. Que atuação gostosa, fluiu muito bem, apesar de alguns momentos bem chatos. Acho que depois dessa quinta, não ficaria tão tensa para atuar nesse setor maravilhoso.

PS: No dia seguinte, na sexta-feira, devido a um trabalho da faculdade, uns colegas visitaram o setor de Oncologia para realizar uma entrevista com a psicóloga de lá. Porém não puderam falar com ela, pois o clima estava muito tenso naquele lugar. Uma pessoa havia falecido. Logo que descobri, fui correndo para lá. Olho pro quadro e vejo o nome de dona Sebastiana de Lima com um coração em volta. Olho para o seu quarto e vejo uma cama vazia. Não tivemos a oportunidade de conhecê-la, não não tivemos a oportunidade de falar com ela, não tivemos a oportunidade de encontrá-la, mas gostaria de dedicar esse Diário de Bordo a ela, à família dela, a todas as histórias maravilhosas que ela viveu e aos inúmeros encontros que ela vivenciou. Namastê, dona Sebastiana de Lima!

domingo, 10 de abril de 2016

A Entrada para o Inferno

A quinta-feira parecia ser como qualquer outra, aula chata às 8h (professor pontual chegando às 7h53), aula às 10h cancelada em cima da hora. É, nada fora do normal. Quando vejo uma mensagem no meu celular, era Maroca perguntando se Vivi podia atuar com a gente. Nem pensei duas vezes, claro que ela podia atuar com a gente, quer pergunta! No começo não senti nada hehehe, mas depois começou a bater um nervosismo, nunca atuei com Vivi antes, além disso fazia tempo que não formava um trio na atuação.

A caminho do HC, encontro não apenas meus MCMs (Rai e Vivi), como também encontro Caba e meu lindo lindovisor Caio (postando atrasada de novo, eu sei, não sei porque coloquei na cabeça que podia postar até domingo, isso não vai se repetir, prometo, Emílio está de prova!).


Por algum motivo que desconheço, eu tinha gravado que Nefro era no 7º andar (na verdade, o 7º andar tem o setor de Psiquiatria, disseram que aquele é o meu lugar, haha que engraçado -isso foi ironia para quem não percebeu-), depois de perguntar a umas 5 pessoas, descobrimos que era o 5º andar.


Ao chegar no quartinho, que inferno! Sério, estava muito quente! Se o inferno tem alguma entrada, era ali com certeza! Tive que fazer minha maquiagem duas vezes! Normalmente nós somos bem tímidos para sair do quarto, mas nesse dia, ninguém estava tímido, todo mundo queria sair o mais rápido possível dali.

Primeiro quarto que entramos, Dona Severina, quanta alegria! Ela havia chegado naquele dia e o marido dela estava triste que ia dormir sozinho, oouuunn meu deus! Luigi, querendo mostrar que era tão prestativo quanto ao maridão de Dona Severina, tentou ajeitar a cama dela, mas não deu muito certo, para a sorte dele, Bete (ainda não descobri de quem ela era acompanhante, ela conhecia todo mundo de todos os quartos!) o ensinou a mexer na cama e ele ficou se amostrando pra gente, graaaande coisa.

Ao sairmos desse quarto, nos deparamos com uma menina (não consegui entender o nome dele, toda vez que eu a chamava eu falava um embolado parecido com o nome dela) que não falava nada. Até pra fazer sim e não com a cabeça era uma luta, deduzimos que ela estava soltando umas flatulências bem inconvenientes (nessa hora ela riu, o que confirma nossa teoria, eca!) e queria que nos afastássemos para não sentir nada, óbvio que quando nos tocamos, nós a deixamos bem à vontade e fomos a um dos últimos quartos do setor (nesse dia estava bem vazio). Lá encontramos Dona Aurene e uma outra senhora que infelizmente não lembro o nome (essa minha amnésia...). Elas foram as únicas que me apoiaram e que eu não deveria dar corda a Luigi, que ele tinha cara de ser enrolão ("Quando a farofa é muita, é porque tem pouca carne" Aurene, Dona). Mas Luigi para provar que não era enrolão, cantou uma música enquanto fazia a dança da minhoca, nooossa, que prova de amor (ironia detected). Como eu não havia caído na ladainha dele, decidimos que ele deveria fazer a música + dança da minhoca na Hemodiálise.




Na Hemodiálise, assim como o resto do setor, havia pouca gente lá infelizmente (eu diria que nesse caso é até algo positivo, não é mesmo?), e a maior parte estava dormindo. Encontramos Seu Paulo que ficou muito animado quando chegamos. Ele dividiu algumas de suas histórias conosco, disse que era baladeiro, não perdia uma festa. Como Chayenne queria ser mais festeira como ele, quem sabe um dia...

Ao sairmos de lá, percebemos que o jantar estava sendo servido, era a hora de irmos! Verifiquei se estavam servindo caldo vegetal (na outra atuação que tive lá, com Angelina, saudades :(, serviram esse troço para uma das pacientes, parecia uma delííííícia, ironia de novo, viu?) e felizmente só havia sopa, café, café com leite (parecia água suja) e umas marmitinhas que nem faço ideia do que tinha ali, não sendo caldo vegetal já está no lucro.


Voltamos à entrada do inferno, mas acho que o diabo transferiu para outro lugar, porque agora estava bem agradável. Baixar a energia foi bem difícil, acho que foi uma das vezes mais difíceis de baixar. O setor estava vazio, mas acredito que isso não afetou nossa atuação, as poucas pessoas que estavam lá possuíam energia para dar e vender. E se Versolina Atrasinha precisar novamente de Chayenne LoveStory e de Luigi Pequeno Horizonte, espero que ela saiba que eles estarão sempre à disposição dela!

terça-feira, 5 de abril de 2016

Cadê meu nariz?!

Primeira atuação do ano, primeira atuação depois de muitos meses. No começo no dia estou calma, afinal será um dia de atuação como todos os outros que já tive, 'basta' me jogar no vazio. Porém a cada minuto que passava, a tensão aumentava, "não atuo há tanto tempo, como irei sair?", "MCM novo, e agora?". Estava difícil segurar o nervosismo.

Chegamos ao 10º, descubro que Carlinhos não estava mais lá, espero que tenha recebido alta.

Bem, como eu já falei, eu estava super nervosa, mas estava certa de que eu me acalmaria enquanto me arrumava para a atuação. Pele vestida, maquiagem feita, agora só falta o nariz, mas perae, cadê meu nariz?!?!?! "Não acredito!!! Eu esqueci meu nariz!!!!". Se antes eu estava quase tendo um chilique, imagina depois dessa 'maravilhosa' descoberta, FUDEU, EMÍLIO!!!! Por sorte, Gabi, linda e maravilhosa, me emprestou seu lindo nariz <3. LINDA!

Admito que foi muito estranho não estar com o jeitinho tímido de Angelina por perto, Luigi é muito ativo, ora pulava, ora dançava, fazia de tudo! Quanta energia!

Josefa, Inês, Margarida, Mariane, Obadias (eu entendi esse nome, espero que seja esse mesmo), Paulo, e muitos outros encontros que infelizmente não lembro dos nomes, mas lembro dos olhares.

O último dos encontros e um dos mais maravilhosos foi com Carlinha, aquele sorriso, aquele olhar. Mesmo estando exausta, consegui achar energia naquele olhar!

Tenho que concordar com Luigi, meu corpo não estava tão vivo, não sei se foi pelo cansaço, pelo nervosismo, mas às vezes sentia minha energia despencar e o máximo que eu conseguia era observar as pessoas ao meu redor procurando um olhar para me revigorar. Felizmente era difícil não encontrar um, mas manter a energia estava bem difícil.

Acredito que minhas palavras já demonstram como o meu corpo não estava vivo naquele dia, mesmo passando por momentos muito bons. Mas na próxima atuação será diferente! Corpo vivo!

PS: Agora levo meu nariz para a faculdade todo dia, duvido esquecer de novo!

sábado, 12 de dezembro de 2015

FOME!

Última atuação desse ciclo. Última atuação com Nathi. Última atuação com Angelina LeiteNinho.

Chegamos ao 5º andar, corredor silencioso. Os quartos ou estavam vazios ou as pessoas que estavam neles estavam dormindo. As poucas acordadas não estavam muito receptivas, uma pena. A hemodiálise estava mais animada, mas a maior parte das pessoas estava descansando. Entramos Dona Vera e Henrique, mais tarde falo melhor deles Naquele dia nós realmente encontramos os funcionários. Quase todos eram muito receptivos e iniciavam jogos conosco. Diziam que éramos linda e fofas heheheh. Por falar em funcionário, queria entender porque quase sempre os médicos não interagem com a gente. Por sinal, os que estavam em NEFRO eram, de longe, os mais azedos que "encontramos". Que povo mais sem amor no coração!

Henrique, no começo, só nos desprezou. Disse que a gente era feia, mas toda vez que olhávamos para ele, ele estava olhando pra gente. Huuuuummmm... Como estávamos sendo esnobadas por ele, decidimos mudar os ares. E foi aí que encontramos Dona Vera. Ela adorava cantar, cantou em inúmeros idiomas para a gente. O problema foi que ela começou a nos "alugar", toda vez que ameaçávamos nos afastar, ela segurava a mão de Angelina. Eu comecei a me sentir sufocada ali, sentia que precisávamos encontrar outros olhares, foi aí que minha energia começou a baixar. Em um determinado, ela parou de cantar e começou a conversar com a gente. Falou de sua vida, de sua doença, de como era feliz, até aí estava tudo ótimo, ouvir aquela experiência de vida além de agradável, estava subindo minha energia, até ela tocar no assunto "religião". E tudo começou a desandar... ela disse que não gostava dos judeus porque eles não aceitavam Jesus. Nessa hora, minha energia quase zerou, olhei ao meu redor e procurei um olhar. Alguém. Os enfermeiros estavam longe, os pacientes olhavam para a televisão, Angelina olhava para Dona Vera, e eu... olhava pro nada. Fechei os olhos, respirei fundo, pensei nas bolinhas. Elas estavam imóveis dentro de mim, tentei fazer com que elas se mexessem. Mas outra coisa se mexeu na hora, era meu estômago reclamando que a fome tinha chegado! Angelina, estou com fome! Eu soube que vai ter bolo na Copa! Vamos! Enquanto saíamos da hemodiálise, Henrique nos chamou (aaahh agora você quer a gente né?).

Primeiramente, gostaria (na verdade, não gostaria, mas enfim :( ) de dizer que eu fui muito mequetrefe nesses dias, absolutamente, totalmente e outros inúmeros "mente" mequetrefe. Demorei uma eternidade para escrever aqui, não sei o que aconteceu, eu sentava para escrever e não vinha nada, absolutamente nada. Essas duas últimas semanas não foram fáceis, o período estava (e ainda está) acabando comigo, sinto que passei esse semestre vivendo para a faculdade, sensação péssima! Viver não é fácil, não é mesmo, Emílio? Por falar em viver... outra história terminou nesses dias, Allef Bruno. Pelo que eu ouvi, uma das causas teria sido a temida "pressão do vestibular". É muito triste quando histórias acabam muito mais cedo do que deveriam acabar.

PS: Dia desses eu estava pensando em um trecho de Harry Potter, mas como faz muito tempo que eu li, eu não lembrava direito como era este trecho. Então eu pensei: "Simples, basta eu dar uma olhada no livro e relembrar!". E quase que instantaneamente lembrei que o livro está muito longe daqui, em Caruaru, mais precisamente. Será que já terminaram o 1° livro? Será que gostaram? Nesses momentos eu esqueço das inúmeras tristezas e decepções que nos acometem em nossos dias. Acho que são esses pequenos detalhes que nos fazem seguir em frente, que nos fazem viver. Viver nos possibilita encontrar, cativar, nos possibilita inúmeras outras coisas boas. Mas para viver, precisamos nos jogar no vazio, não precisa ser sempre, mas que tenhamos momentos para sentir aquele friozinho na barriga que o vazio nos proporciona.

Estarei esperando ansiosamente pelo próximo ciclo!

domingo, 29 de novembro de 2015

Carlinhos!

Dessa vez atuamos na quarta-feira, fato que me deixou com muita saudade de atuar, dois dias de "atraso" fazem muuuita diferença!

Estávamos felizes em voltar ao 10º andar, o quartinho que tínhamos usado na vez passada tinha ar-condicionado! Ao chegarmos lá, o corredor estava vazio! Será que tem muita gente sendo transferida (como no COB) ou recebendo alta? Apesar de deixar o setor mais vazio, seria uma notícia muito boa saber que os pacientes estavam voltando pra casa. Enquanto nos dirigíamos ao quartinho, encontramos alguns funcionários conhecidos como Flávio e Cleber (ou será Kleber? hehehe). É tão bom quando os funcionários criam jogos com a gente!

Quando chegamos ao quartinho, que decepção! Não era o do ar-condicionado :(, mas tinha um ventilador pelo menos!

Essa nossa atuação teve muitos momentos bem diferentes, desde se esconder na área dos elevadores até comentar que a Lua parecia um queijo redondinho (eu estava morrendo de fome hahahha). Caldo vegetal que parecia estar uma delíííícia (para quem não percebeu, isso foi ironia), Carlinhos e seus beijos na mão e na bochecha de Angelina (arrasou muito, MCM, sambou na cara dazinimiga), agentes secretas se escondendo sorrateiramente e claro, para variar, sempre tinha gente falando do meu lindo nome, algumas pessoas até riram dele! ABSURDO!

O que mais me chamou atenção nesse dia foi como Angelina gostou da atuação, eu gostei muito também, mas quando saímos do 10º andar estava estampada no rosto dela a emoção daquele dia. Fico muito feliz por você ter gostado, MCM, que as próximas atuações sejam tão incríveis como essa!

Admito que dessa vez atrasei (e muito) para escrever, mas na próxima (amham, me engana que eu gosto né, Emílio?) eu prometo escrever mais cedo hahahahaha. Essa semana foi pesada, uma correria só, mas amanhã, Emílio, amanhã tem mais atuação e que seja tão linda como todas as outras (se for como a do COB então... Aquele lugar pode ser mais incrível do que a gente pensa!).

domingo, 22 de novembro de 2015

"Hogwarts sempre ajudará aqueles que a ela recorrerem"

É, dessa vez eu me superei... Nunca fui tão mequetrefe como agora, estou postando no domingo! Antes tarde do que nunca, né não, Emílio?

Dessa vez iríamos ao COB, nossa, logo o local que eu costumo ter plantão! E o pior, logo quando entramos demos de cara com um professor e com um monte de interno, vish, que vergonha! Perguntamos a um médico onde poderíamos nos trocar e ele já começou a tirar onda com a gente, "duas palhaças", nós achamos meio estranho, mas enfim...

Também foi estranho vestir a pele naquele banheiro, pois muitas mulheres entravam nele e ficavam olhando pra gente "que roupas são essas?". Admito que essa nossa "recepção" nos quebrou um pouco, achei que até ficou um pouco mais difícil de me concentrar, mas Nathi me ajudou a manter o foco.

Sair do banheiro foi incrivelmente difícil! Acho que nunca tivemos tanta dificuldade como naquele dia! Lá estava desconfortavelmente vazio, muitas gestantes estavam sendo transferidas e demos de cara logo com Dayana. Ela sentia muita dor e não fazíamos ideia do que fazer, a única coisa que fazíamos era "calma, Lorena, calma que sua mãe não aguenta tanto sapateado!", e fomos para o primeiro quarto que vimos. Encontramos Fernada (mão de Caio Vitor) e Jéssica (acompanhante), Roberta/Rosileide (o nome dela era Rosileide, mas como ela nos disse que era Roberta, agora será Roberta até o fim dos tempos) e Josilma (acompanhante), e Gilvanete (acompanhante de Rosineide que no momento não estava no quarto). No quarto seguinte encontramos Patrícia, uma paciente que estava no meu último plantão no COB. Ela não só me reconheceu como disse que eu a havia beliscado (calma, galera, eu estava verificando se ela estava hidratada hahahah).Também encontramos Maria Conceição (assim como Lorena, Flávia também gostava de sapatear dentro da barriga da mãe) e suas duas acompanhantes que infelizmente eu não lembro o nome (essa minha amnésia está demais...). Uma das acompanhantes tinha uma filha chamada Diana que era uma pestinha. Maria Conceição, grávida do 5º filho (seria a 4ª menina dela, o único menino se chama Gabriel) disse: "Eu prefiro ter 10 'Gabriéis' a ter 1 Diana!".

Em um momento em que estávamos nesse quarto, percebi que um interno sorrateiramente abria a porta do COB. Quando ele percebeu que havia sido descoberto, rapidamente saiu do COB na tentativa de se esconder da gente. Claro que nesse momento não hesitamos e fomos atrás dele! Dr Saidinho, ou melhor, Thácio disse que tinha alergia a palhaços! Que alergia grave! Precisávamos ajudá-lo! Nós que estávamos com as melhores intenções de ajudá-lo, acabamos sendo "trolladas" pelo dito cujo, que nos apresentou uma gestante surda muda e fugiu mais uma vez. Angelina e eu tentávamos entender o que Viviene (ou era Viviane?) dizia, o que era para ser 9 meses de gestação saiu que já era o 9º filho dela. O que era para ser "é um menino" entendemos que o bebê era queixudo e que já tinha um cavanhaque. O que era para significar "o nome dele é Vitor Rafael" saiu um emaranhado de sinais que não fazíamos ideia do que significava. Foi um jogo incrivelmente complicado e delicioso. Para nossa sorte, a mãe de Viviene/Viviane estava lá e nos ajudou. UFA!

Nesse mesmo local que tínhamos uma aula de libras, encontramos alguns papais esperando por notícias. Um deles tinha uma sobrancelha estilosíssima! Até aconselhamos a ele deixar a sobrancelha do filho dele igual à dele, e dessa forma seria formado o clã Nazaro da Silva ("Nazaro" era o sobrenome da mãe e "da Silva" do pai), onde as mulheres da família fariam o "penteado" dos homens e os homens teriam sobrancelhas igualmente estilosas e ninguém poderia mexer com eles, pois eles eram não só do clã, mas da dinastia Nazaro da Silva! Nesse momento Maria Conceição e Dayana estavam sendo transferidas, esperamos que tenha dando tudo certo para elas e para Lorena e Flávia!

Em busca de notícias do herdeiro da dinastia Nazaro da Silva, entramos no COB de novo e encontramos a matriarca da família. Ela como uma imperatriz não quis saber muito da gente, reles plebeias, então voltamos nossa atenção ao Dr Saidinho, que desta vez não poderia fugir da gente. Dessa vez ele disse que iria nos ensinar libras, até anotou o endereço que deveríamos ir para ele nos ensinar, não sei não, mas algo me diz que esse não é o endereço verdadeiro dele...

Voltamos a visitar os quartos e dessa vez Fernanda estava sendo transferida para o 9º andar! Coisa boa! Além disso, tudo dava a entender que Rosineide também iria ao 9º andar muito em breve! É isso aí, gente, saiam do COB o mais rápido possível, saiam desse lugar isolado com paredes brancas sem janelas. Voltem o mais rápido possível para o conforto de suas casas e de suas famílias!

Voltamos ao quarto de Patrícia, onde ela nos disse que não aguentava mais aquele lugar, que queria ir pra casa, que morria de saudade dos filhos. Ela estava lá há cerca de 10 dias e já estava perdendo a noção do tempo, já que não há sequer uma janela naquele lugar. Não tinha nada o que fazer, não havia televisão para as pacientes. Para ela, bastava um livro. Patrícia adora ler, principalmente ler para seus filhos. Ela pretendia comprar o livro de Harry Potter de aniversário para o filho mais velho, Cauã (8 anos), porém como ela foi hospitalizada não pôde comprar. Depois ela nos falou do filho mais novo dela, Miguel (5 anos), que diferente do irmão mais velho, desapegava fácil dos livros e assim que os lia, doava para outras pessoas. Quantos ensinamentos em 'apenas' um quarto, em 'apenas' uma família!

Em seguida fomos a um quarto onde estavam 5 mulheres (que mulherada hein!): Geni e Acássia (acompanhante e irmã), Ana, Vida e a acompanhante que ntambém não lembro o nome (vish...). Geni, mãe de dois filhos, 40 anos (eu não dava nem 30 pra ela, arrasou!), Vida com 16 anos mais desenrolada que Angelina e eu juntas! Essa mulherada todinha sambou na nossa cara! Enquanto elas compartilhavam suas experiências conosco, uma delas perguntou se eu tinha irmãos e eu respondi que sou filha única. Perguntaram se minha mãe não quis ter mais, e eu respondi: "Minha mãe hoje se arrepende de não ter tido mais, pois, segundo ela, ela possui amor demais para uma filha só, ela queria ter tido mais para poder compartilhar com meus irmãos". E é aí que surge Ana! Ela estava no COB por causa de uma gravidez ectópica, já era segunda vez que isso acontecia. Ela já havia perdido uma trompa. Ao ouvir o meu relato acerca da minha mãe, ela falou: "É isso que eu sinto! Eu tenho amor demais para um filho só, eu quero ter mais filhos!". Nesse momento eu senti uma sensação tão boa, nem sei explicar o que foi. Pensei na minha mãe, pensei em como meus plantões e como minhas atuações têm me aproximado de meus pais, principalmente da minha querida anti-heroína. Senti vontade de abraçar Ana, senti vontade de abraçar minha mãe, senti vontade de abraçar todo o COB.

De repente olho para o corredor e vejo Thácio indo embora, o plantão dele havia acabado! QUE HORAS SÃO? 19H???? Como sempre nos baseamos no pôr do Sol, dessa vez perdemos a hora porque no COB NÃO TEM JANELAS! Como ir embora se não queríamos ir? Como ir embora depois de tantas histórias? Como ir embora depois de sermos tão bem recebidas não só nesse último quarto como em todos os outros? Foi então que eu cheguei à conclusão que de fato o COB é o pior lugar para se atuar, sabe por quê? Porque você não quer sair dele de jeito nenhum e o momento de ir embora é muito triste...

Passamos em todos os quartos e nos despedimos de todo mundo. Me despeço com aquele pensamento: Estou saindo do COB e espero que vocês "saiam do COB o mais rápido possível, saiam desse lugar isolado com paredes brancas sem janelas. Voltem o mais rápido possível para o conforto de suas casas e de suas famílias!".

Muitos nomes, muitas histórias e muitas emoções em um dos setores mais isolados e sem janelas do HC! COB, que lugar lindo!

PS: No dia seguinte (terça-feira, dia 17/11) eu voltei ao COB não como Chayenne, mas como Báh para ver Patrícia. Ao entrar no quarto encontro Thácio conversando com ela (aaaiii que vergoooonha!!!). Eu os cumprimento e entrego a ela um objeto que eu ganhei aos meus 10 anos e me acompanhou nesses últimos 14 anos. Um objeto que me ajudou nos meus momentos de solidão (nos meus 10 anos eu não tinha muitos amigos), que me ensinou inúmeras lições que carrego até hoje. Um objeto que me levou a um dos lugares mais incríveis que já existiu: Hogwarts. Naquela terça-feira eu havia ido ao COB entregar não só o primeiro livro de Harry Potter, como todos que eu possuía. Deixei uma mensagem dentro do livro, entreguei os outros livros da série, a abracei, abracei Thácio e saí correndo para o ambulatório de Dermatologia. Na quarta-feira (dia 18/11) eu voltei ao COB (que vício!) e ela não estava lá! Havia ido ao 9º andar!!!! Subi imediatamente! Eu a encontro no quarto 903! Agora ela estava em um quarto com janelas! Estava tão feliz! Eu a abracei novamente e disse que se ela estava lá era porque estava prestes a voltar para casa! Ela comentou que começou a ler o livro, e que não havia contado para Cauã ainda, queria fazer uma surpresa!
Nos dias seguintes eu não pude visitá-la, estava uma correria só. Porém no after de ontem, enquanto conversava com Thácio, ele me contou uma das notícias mais maravilhosas do dia (só não foi a mais maravilhosa porque EMPATOU com a surpresa que os velhinhos fizeram pra gente). Patrícia comentou com ele que estava lendo o livro bem devagar para que pudesse lê-lo com os filhos quando voltasse para casa e que... ela já havia recebido alta e naquele momento estava em casa com sua família.

Espero que eles tenham aventuras tão incríveis quanto as que eu tive quando li esses livros. Espero que eles fiquem maravilhados com Hogwarts da mesma forma que eu fiquei e que saibam que "Hogwarts sempre ajudará aqueles que a ela recorrerem".

sábado, 14 de novembro de 2015

Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo

Admito que dessa vez fui muito mequetrefe e deixei para escrever em cima da hora, mas essa semana foi bem difícil e muito provavelmente escreverei pouco...

Segunda-feira eu estava extremamente cansada e pela primeira vez eu estava com preguiça de atuar, mas eu consegui encontrar coragem (sabe-se lá de onde, porque o negócio estava muito sério) para encontrar minha MCM. Nossa próxima atuação seria em Onco, estávamos com muita expectativa, pois todos amam esse setor.

Manu, a linda moça dos lindos cílios que nunca escondiam seus lindos olhos azuis, nos entregou a chave. Enquanto nos preparávamos (em vão, porque nunca estamos prontas), minha energia que estava muito baixa, mas não sei como, de repente foi se elevando, e quando eu menos esperava, estava radiante e quase explodindo. Quase nesse mesmo instante, Manu bate na porta e pergunta: "vocês estão PERTO?"

Nos encontramos com muitos Antônio's, muitos José's, Lucas/Felipe (para entender essa história, recomendo você ler o diário de Angelina, por sinal nós nos casamos com ele), a tricolor fanática Dona Katia, Joelma abalada com a traição da Lua, Chimbinha que vivia dizendo que eu era Thábata (a nova vocalista de Calypso, estou sabendo dos babados hahaha), Rosana e muitos outros que infelizmente não lembro o nome. Pessoas que vieram de Gravatá, Salgueiro ou daqui mesmo hehehe. Pessoas que estão muito longe de casa, pessoas que estão no setor há 1 mês, 2 meses, nossa, quanto tempo longe de casa. Não consigo imaginar como isso deve ser difícil para eles.

Quando nos encontramos com essas pessoas, não encontramos 'apenas' olhares e momentos, encontramos histórias. Histórias que vieram de muito longe, histórias que têm muito a nos contar. Presenciamos inúmeras histórias não só nas segundas, como também em todos os dias de nossas vidas, 'basta' estar aberto para ouvi-las e conhecê-las. Uma história infelizmente acabou nessa última terça-feira, a história de Miquésia. Histórias acabaram na semana passada (no dia 5 de novembro) em Mariana-MG. Histórias acabaram ontem nos atentados de Paris. Devo admitir que esses últimos dias foram muito difíceis mesmo.

É difícil eu passar mais de 1 hora sem passar em alguma mazela do mundo, mas sempre tem um dia (normalmente no meio do mês) que eu passo quase o dia todo me sentindo mal em relação à situação em que nós vivemos. Pelo jeito chegou esse dia do mês, esse dia sempre é muito difícil para mim, nele sempre derramo lágrimas 'sem motivo nenhum'. Às vezes eu me pergunto, já se sentisse assim antes, Emílio? Ou só eu que 'invento' de querer carregar todas as mazelas do mundo? Será que Drummond sentiu a mesma coisa?

E diante disso, percebo mais e mais como projetos como o nosso são importantes. Nós precisamos deles, o mundo precisa deles, acho que mais do que nunca, precisamos não só desses projetos, mas de encontros. Espero que depois dessa lição de vida que eu tive nesse período, eu não tenha mais nenhum pingo de preguiça nem para atuar nem para escrever.

E sobre a pergunta de Manu, sim, estamos PERTO!

E que estejamos sempre PERTO!

sábado, 31 de outubro de 2015

A Noiva e a Viúva

Semana passada havíamos sobrevivido a inúmeras criaturazinhas querendo arrancar nossos narizes, mas agora estávamos prestes a entrar em um setor basicamente só com adultos. Será que eles comprariam o jogo? Conseguiríamos manter nossa energia alta?

Aquele dia tinha começado da pior forma possível, estava dando tudo errado. Eu tinha muita energia guardada, mas era aquela energia negativa, energia de quem estava p*** com a vida. Eu precisava de alguma forma convertê-la em algo bom...

As horas foram passando, as borboletas estavam voltando e de repente toda aquela negatividade estava dando espaço para o nervosismo. Ai ai ai ui ui ui, e agora, Emílio? Estamos prestes a ir ao 10° andar, onde só tem gente grande, o que será de nós?

De novo me encontro com minha MCM na entrada do HC, porém dessa vez, éramos só nós duas... Môni, Maroca, Amandinha não estavam aqui dessa vez para nos orientar, ai ai ai ui ui ui, socorro, Nathi!

Chegamos ao nosso destino, o corredor estava extremamente calmo e vazio, será que tem gente nesses quartos? Não encontramos o lugar para nos trocarmos, mas seu Severino nos salvou e indicou o caminho. Entramos no quartinho dos enfermeiros, tinha AR CONDICIONADO <3, nada de suor atrapalhando a hora de se maquiar!!! Enquanto nos trocávamos, entra Limão (acabei de batizá-la assim, ela era uma das funcionárias do andar, e daqui a pouco você vai entender esse apelido, Emílio), nos assustamos com a entrada súbita dela no quarto e dizemos: "Somos da palhaço e estamos nos trocandooo D: !!!". Ela respondeu com um "Eu sei", entrou no quartinho, saiu e nem sequer olhou pra gente... Okay, né?

Quando estávamos "prontas" (prontas nunca estamos, não é? Palhaço pronto é palhaço morto!), iniciamos nossa contagem, dessa vez foi Nathi que começou, LINDA! 1, 2, 3... Minha energia não possui nenhum traço daquela negatividade, ótimo! 4, 5, 6... Mais borboletas, vou mandá-las para meu olhar! 7, 8, 9... Concentra, concentra, pega o nariz! 10... EXPLODE ESSE OLHAR! Chegou a hora de sairmos, vamos? Então vamos!

Ao sairmos do quartinho, encontramos um funcionário que gritou "Oi amor!", na hora respondi "Oooooi amoooor" e ele disse que não era pra mim, como assim??? Usou, abusou e me jogou fora??? Aaaah isso não vai ficar assim, não vai ficar assim mesmo!!! Quando chegamos à recepção, Angelina viu um fantasma!!! Os enfermeiros disseram que quem visse esse fantasma teria que trabalhar no 10° andar até o resto de suas vidas. Por mais que eu procurasse esse fantasma, eu não o encontrei... Eu queria trabalhar no 10° andar...

Diferentemente da Pediatria, tivemos muito mais encontros dessa vez. Encontramos olhares de esperança como o de dona Helena, olhares um tanto melancólicos como o de seu Manoel, olhares divertidos como o de dona Sandra e olhares de alegria genuína como o de dona Mércia.

A primeira que encontramos foi dona Mércia. Como ela havia sofrido um AVC, não tinha condições de se alimentar sozinha, então sua acompanhante (infelizmente eu não consigo lembrar do nome dela...) estava lá para o que desse e viesse, ela arrasava enquanto colocava colher atrás de colher na boca de Dona Mércia. Logo quando encontramos dona Mércia, começou uma linda sequência de olhares, expressões e gestos. Apesar de linda, estava atrapalhando sua refeição, o que não era para ter acontecido!!! De repente começou um jogo onde ela imitava nossos gestos, e eis que surge Angelina com uma ideia brilhante: "Chayenne, agora abre a boca!". Logo quando abri, dona Mércia, seguindo a regra do jogo, abre a boca. Nesse exato momento, sua acompanhante sem hesitar e com uma destreza impecável, tasca uma colherada em sua boca! Todos riram nessa hora, incluindo dona Mércia (ela estava de boca cheia, então riu de uma forma linda com os olhos).

Encontramos uma paciente que lia um livro espírita (também não lembro o nome dela...) e ela estava inconformada com a situação do mundo, de como ele estava individualista e egoísta. Ela nos disse que deveríamos sempre fazer o bem e que toda vez que nos despedíssemos de alguém que gostamos, deveríamos dizer "vai com Deus!", admito que isso soa um pouco estranho pra mim, pois sou ateia. Mas entendo que muitas pessoas se sentem bem ao ouvir isso, então mesmo não acreditando, acho que é válido sim falar isso para pessoas que acreditam e que se sentem melhor ao ouvir.

Em seguida encontramos uma paciente (de novo não lembro do nome dela...) e suas duas acompanhantes: dona Sandra e outra (eu estava demais nesse dia, lembro do nome de ninguém! Próxima vez eu vou decorar o nome de todo mundo, prometo!). As três foram muito más com a gente, disseram que Angelina estava descabelada, que nós não tínhamos estilo e que nunca arrumaríamos ninguém vestidas daquele jeito! Como assim??? Nós temos estilo sim! Depois disseram que nós parecíamos uma noiva (Angelina), que nunca casaria vestida daquele jeito, e uma viúva (eu), que matou o marido quando apareceu vestida daquele jeito! Absurdo!

Encontramos aquele funcionário do "Oi amor!" outras vezes e por mais que ele tentasse remediar o que havia feito, eu não queria saber mais dele, o jogo virou, querido! Prefiro continuar viúva a ter que casar com você, passar bem!

Depois encontramos dona Helena. Ela estava louca para voltar para casa, ia receber alta no dia seguinte. Sentia saudade do cachorro, do gato e das suas plantinhas. Eu comentei que tinha azar com plantas, que não gostavam de mim e que preferiam morrer a terem que viver no meu quarto, elas sempre morrem! Ela então nos disse que não acreditava em azar ou sorte, que tudo dependia de nós e ainda me deu dicas de como cuidar das plantas. Disse que somos nomes eram lindos e nós dissemos que "Helena", além de ser o nome de Helena de Troia, significava "reluzente, iluminada". Ela parece ter gostado muito da definição.

Por fim, encontramos seu Manoel. Ele nos contou que era um agente secreto do FBI, que era mensageiro de Deus, cozinheiro, artesão, professor universitário... Ele já foi de tudo nessa vida, nós ficamos abismadas, como alguém conseguia ser tanta coisa??? Incrível! Enquanto ouvíamos sua enorme biografia, duas funcionárias passaram por nós. Os nomes delas eu fiz questão de não descobrir, não queria saber nada delas, nem nomes, cursos, profissões. Nem seus rostos eu fiz questão de gravar! Por que isso? Bem, nas duas vezes que elas passaram por nós enquanto ouvíamos seu Manoel, elas nos olharam de forma desdenhosa e riram. O motivo de eu não ter gravado nada delas: No nosso primeiro encontro eu tive uma péssima impressão delas, então a partir do momento que eu gravo qualquer coisa relacionada a elas, eu terei em minha memória algo ruim relacionado a elas. Então eu quero dar a chance de que se nos encontrarmos de novo, eu simplesmente não lembrarei de que foram elas que agiram dessa forma e poderei ser o mais receptiva possível. Quero dar uma chance não só a elas, como a mim mesma, de poder encontrá-las em um outro momento, em uma outra situação.

De repente, percebemos que nossa hora chegou e tínhamos que voltar para o quartinho. Nesse percurso encontramos quatro pessoas lindas em um quarto (não lembro do nome de nenhuma das quatro!!! Dessa vez eu me superei...). Dois pacientes e duas acompanhantes. O senhor perto da janela dormia serenamente enquanto sua esposa, uma senhora, o observava em sua poltrona. O outro paciente era um jovem que estava acompanhado de sua tia. As acompanhantes eram lindas e faziam questão de ressaltar como nossa presença as alegravam, mal elas sabiam que a presença delas nos fazia transbordar! O jovem não falava nada e a senhora nos disse: "Ele é muito tímido, se vocês conseguirem fazê-lo falar, a tia dele vai ganhar o dia!". Tentamos de tudo, fala oral, libras, linguagem ocular, corporal, tentamos de tudo mesmo! Até que quando começamos a conversar com sua tia, ele se intrometeu e emitiu três palavras! "Ele falou, ele falou, nós conseguimos!!!". Nessa hora o quarto virou uma alegria, mas dessa vez o jovem não emitiu nenhum som. Muito difícil esse menino!!!!

Infelizmente depois desse último encontro, tivemos que ir embora. Adoramos o 10° andar, foi algo muito muito muito mais além do que esperávamos. Tantos encontros, tantas histórias, tantos ensinamentos... Tantos e tantas! Espero voltar muito em breve e espero, por mais que eu sinta falta deles, não encontrar mais nenhum desses pacientes e acompanhantes por lá, desejo que todos estejam em seus respectivos lares e que sejam acolhidos da mesma forma que nós fomos. Espero voltar ao 10° andar e ter novos encontros com novas histórias e novos ensinamentos.

sábado, 24 de outubro de 2015

Não, não somos Patati Patatá!

Chegou o dia tão esperado, a primeira atuação, e seria logo onde? No setor que eu mais temia: PEDIATRIA! Tinha muito medo, medo de criar expectativa, medo de quebrar a cara, medo de não me jogar no vazio, nossa, quantos medos...

A ansiedade e o nervosismo foram os responsáveis por me acordarem naquele dia. Sentia necessidade de abraços, muitos abraços, precisava compartilhar minha energia exacerbada. Porém a cada encontro, eu ficava mais e mais ansiosa. Estampado em minha face havia um sorriso, este que estava misturado com alegria e desespero. Eu sorria com tanta força que meus músculos estavam doloridos e dormentes. Parece exagero não é, Emílio? Mas eu estava realmente desse jeito.

Chego no HC, encontro Nathi,, Amandinha, Môni, Tony, Paulinha (me diz o que é que eu façooo...), Tatá, Mano e Rai. As borboletas formavam um redemoinho dentro de mim ao mesmo tempo que um tsunami se formava em meu estômago, eu sinto que vou explodir! Mais abraços, mais alegria e... Mais nervosismo. SOCORROOOOO, ESTOU TENDO UM PIRIPAQUE!

Finalmente chegamos em Pediatria, minhas pernas tremem, encontro o olhar de Nathi, minha MCM. Me salva, Nathiiiii! Pele, maquiagem e, a parte mais importante, subir a energia. Demos as mãos e fechamos os olhos. Começamos a contagem: 1, 2, 3,... Ouço uma porta fechando atrás de mim, Môni havia nos abandonado! Volta aqui, Môni! 4, 5, 6,... Estamos quase lá, mais energia, mais energia 7, 8, 9... 10! LEVANTA O NARIZ E EXPLODE ESSE OLHAR! Angelina, chegou a hora, o vazio nos espera!

Como vamos abrir a porta? Devemos mesmo abrir? Ai ai ai, abre aí, Angelina! Tá bom, eu abro! Olho para o corredor (de alguma forma, o corredor parecia diferente, parecia ter surgido uma atmosfera de inúmeras possibilidades), nem sinal de Môni, mas que bandida (ai ai como eu to bandida)!!!Então, Angelina e eu demos as mãos e saímos pelo corredor olhando todos os quartos. Muitos, muitos e muitos encontros. 

Maria Vitória e sua família, que rapidamente entraram no jogo. Ela é dona de uma vasta herança e seus beijos consertam qualquer coisa e curam qualquer pessoa. Angelina teve sorte em ganhar um beijo dela.

Lara, que estava prestes a chorar quando a encontramos, tinha um carrinho que transportava shampoo, mas sua invenção era tão secreta que até hoje não sabemos para que serve. Ela nos deu 5 reais para que pudéssemos comprar nosso próprio carro.

Caíque estava com vergonha em nosso primeiro encontro, ficava se escondendo entre as pernas dos pais e sempre que dávamos um passo em direção a ele, este começava a rir e ia para dentro do quarto. Os pais deles insistiram para ele tirar uma foto com a gente, mas achamos por bem não forçar nada. Pode vir quando quiser, tá bom, Caíque?

No percorrer da nossa jornada pelo corredor, encontramos mais olhares: Robson, que agora pensei em chamá-lo de Augustus, pois sempre queria dominar o jogo; Tom e Jerry (não sabíamos os nomes deles) que atazanaram nossos juízos querendo tocar em nossos narizes o tempo inteiro. Além deles encontramos inúmeros pais, alunos, enfermeiros, médicos, auxiliares... Os enfermeiros e os auxiliares, todos muito lindos e sempre criando novos jogos, Fabíola e Isaias mesmo, sempre que podiam estavam com a gente. Os pais, por sua vez, ora estavam super empolgados com os jogos ora estavam super preocupados com suas crianças, sempre que podiam compartilhavam um pouco de sua angústia em estarem ali. Acredito que esses foram os momentos que mais precisávamos manter nossa energia alta, tanto para não correr o risco de cair como também para tentar passar toda essa energia para esses pais tão angustiados. Se alguém precisava de energia naquele momento, com certeza eram eles.

Voltamos a encontrar Maria Vitória, Lara e Caíque. Desta vez ele estava fora do quarto e parecia bem mais aberto, porém continuava muito tímido. Ele nos vendeu seu helicóptero por 4 reais! Saiu por menos de UM dólar, que pechincha! Mas logo em seguida descobrimos porque estava tão barato... Nosso meio de transporte não voava, apenas andava! E foi nesse momento que conhecemos Álvaro, ele estava disposto a comprar nosso helicóptero. Ele parecia ter gostado do meu cabelo, pegou nele inúmeras vezes e chegou até a colocar na cabeça dele, como uma peruca... Neste momento eu só pensava em: "Por favor, que ele não tenha piolho...". Álvaro nos salvou inúmeras vezes de Tom e Jerry, além de nos ter salvado das armadilhas escondidas no piso do corredor "Não pode pisar no piso branco, se você pisar você pode morrer", porém ele começou a querer ser nosso dono e ficava nos puxando pelo corredor.

De repente, Álvaro, Robson Augustus e Tom e Jerry (quatro demônios) se juntaram para pegar em nossos narizes, e foi aí que travamos uma batalha cruel e sangrenta, tivemos que usar nossa habilidade ninja para nos desvencilharmos de seus impiedosos e insistentes golpes. Estávamos indo bem até que Tom passou a me perseguir e eu, na minha tentativa desesperada de fugir daquele capeta, achei por bem me afastar dele. De repente ele me alcança e eu me vejo encurralada, preciso de ajuda! Angelina, socorro! Olho para trás e quando estava prestes a chamar pelo nome de minha MCM, percebo que ela estava cercada por 2 capetas. Ao olhar para mim, ela grita: "CHAYEEEENNE"! Preciso salvá-la!!! Não se aflija, eu estou a caminho! Eles nunca mais vão nos separar, Melhor Companheira Guerreira do Mundo (MCGM)!

Depois de muito sangue, suor e lágrimas, olhamos para a janela e percebemos que o Sol não mais se encontrava, tínhamos que nos apressar ou chegaríamos muito atrasadas para nosso baile. Quando começamos a nos despedir, eis que aparece Caíque. Ele se aproximou e disse que queria comprar o helicóptero de volta e nos ofereceu muito dinheiro, quase o equivalente à herança de Maria Vitória, não podíamos recusar tamanha oferta! 

Voltamos ao quarto para podermos nos arrumar para o baile. Nos sentíamos exaustas, porém muito, mas muito felizes. Que experiência linda! Enquanto tirávamos nossas peles, alguns capetinhas tentaram abrir a porta, nessa hora ficamos muito tensas! Quando saímos, o corredor parecia ter voltado ao "normal", como se aquela atmosfera de inúmeras possibilidades tivesse desaparecido. Os capetas perguntavam por Angelina e Chayenne, porém Báh e Nathi não faziam nem ideia de quem eles estavam falando, mas torciam para que um dia eles as reencontrassem. Nesse momento encontramos Lara:

Lara: Vocês vão pintar meu carrinho comigo?
Nathi: Mas agora nós já vamos embora.
Lara: Vocês voltam quando?
Nathi: Não sabemos...
Lara Mas eu queria que vocês pintassem meu carro...
Báh: Vamos pintar de roxo na próxima vez! Não, é melhor pintarmos da sua cor favorita, qual é sua cor favorita?
Lara: ROXO!

E então nos despedimos do setor, esperamos voltar muito em breve e que as próximas sejam tão incríveis como essa!